DERRUBAR O GOVERNO É OBRIGAÇÃO PATRIÓTICA

O inutil Cavaco Silva deu carta branca ao atrasado mental Passos Coelho para continuar a destruir Portugal e reduzir os portugueses a escravos da ganância dos donos do dinheiro.
Um governo cuja missão é roubar recursos e dinheiro às pessoas, às empresas, ao país em geral, para os entregar de mão beijada aos bancos e aos especuladores é um governo que não defende o interesse nacional e, por isso, tem de ser corrido o mais depressa possivel.
Se de Cavaco nada podemos esperar, resta a luta directa para o conseguirmos.
Na rua, nas empresas, nas redes sociais, há que fomentar a revolta, a rebelião, a desobediência, mostrar bem que o povo está contra Passos Coelho, Portas e os outros imbecis que o acompanham e tudo fazer para ajudar à sua queda.
REVOLTEM-SE!
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quarta-feira, 21 de março de 2012

Porcos e Porcas - 2012 /2 – O Júnior e a Francisquinha

Mais dois exemplos do que está mal na politica partidária.

Comecemos por Luís Filipe Valenzuela Tavares Menezes Lopes ou, dito de forma que o permite identificar mais depressa, Luís Filipe Menezes “Junior”, o ditoso filho do Presidente da Cãmara de Vila Nova de Gaia, ex-Presidente do PSD, etc, etc, etc.

O “Junior” nasceu em 1980, é agora deputado à Assembleia da Republica e, desde as eleições do ano passado, um dos vice-presidentes do PSD. Ao “Junior” devem-se algumas pérolas da actividade parlamentar recente como, por exemplo, a “chafurdice política” a propósito das Estradas de Portugal ou a forma “leviana” como o Presidente da República se referiu às medidas do Governo.

A fogosa e impetuosa verborreia do “Junior” pode dever-se à sua relativa juventude, já que tendo agora 31 anos de idade, foi eleito deputado pela primeira vez quando tinha 28 anos.

É curioso, aliás, analisar o seu percurso partidário no PSD (conforme referido no seu próprio site) que começa em Junho de 2008 como Vogal da Comissão Politica Concelhia do PSD de ...

... de?


... de?

Surpresa! De Vila Nova de Gaia, claro, onde o papá é Presidente da Câmara desde 1998.

Mas o “Junior” é um poço de talento como se consegue ver da sua “extraordinária” actividade profissional.
Depois de se ter Licenciado pela Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica do Porto, com 16 valores e de um curto estágio de verão no JP Morgan Chase Bank em 2003, o “Junior” torna-se assessor do Conselho de Administração da Fundação Ilidio Pinho cargo que ocupa até Janeiro de 2006.

Curiosamente ou talvez não, para além dos membros da família Pinho que integram o tal Conselho de Administração, nele está também Couto dos Santos, um dos mais importantes e influentes barões do PSD, também deputado desde 2009.


Com a importante experiência adquirida de quase três anos o “Junior”, então com 25 anos, muda-se em Fevereiro de 2006 para uma multinacional na área dos exames e de análises clínicas, a Unilabs Portugal, onde ocupa o cargo de “Director de Novos Negócios, Fusões e Aquisições”.


Ao que parece, essa empresa dedicou-se a comprar, adquirir, absorver, etc, vários laboratórios clínicos do norte do País e, quiçá pelos excelentes serviços prestados, o “Junior” é nomeado seu Director Geral em Novembro de 2007, cargo que, aparentemente, ocupa até agora em paralelo com a sua actividade parlamentar e, não esqueçamos, de Vice-Presidente da bancada do PSD.


Dois factos curiosos que é forçoso referir.


O primeiro é uma simples coincidência, já que facto do papá ser médico e do norte certamente que nada teve a ver com a actividade do “Junior” na tal empresa de exames e de análises clínicas.

O segundo é uma interrogação sobre o talento do “Junior”.

Diz o site da Unilabs Portugal que a estrutura em Portugal consiste em:

  • 5 Laboratórios de Análises Clínicas
  • 1 Laboratório de Anatomia Patológica
  • 1 Unidade de Imuno-hemoterapia
  • 4 Unidades de Cardiologia
  • 160 Unidades de Atendimento
  • Certificação ISO 9001 em todos os centros de diagnóstico do Grupo
  • Serviço de Urgência 24 horas / 365 dias por ano

Quanto à sua missão e valores, diz a Unilab “prestar um serviço de qualidade, por forma a garantir que todos os nossos utentes recebem em tempo útil, o diagnostico correcto. Não realizamos apenas testes e exames. Lutamos diariamente para que, através dos exames de diagnóstico, questões de saúde que preocupam milhares de pessoas, possam obter a melhor resposta.”

Sem pôr em causa o talento do “Junior”, não será demais acumular a Direcção Geral dessa

empresa com a actividade parlamentar supostamente a tempo inteiro?

O que está errado não são os cargos que desempenha ou desempenhou. O que está errado é a forma como o “Junior” chegou onde chegou!

Olhemos agora para a Francisquinha, outra Vice-Presidente do PSD.

Maria Francisca Fernandes Almeida nasceu em Guimarães a 6 de Novembro de 1983 e licenciou-se em Direito na Universidade Católica Portuguesa. Agora, com 28 anos, já vai na segunda vez como deputada à Assembleia Legislativa, sendo uma das mais acirradas e combativas vozes na defesa de Passos Coelho e do Governo.

Até chegar ao parlamento a Francisquinha andou por um escritório de advogado e pela Direcção Distrital do Porto da ANJAP (Associação Nacional de Jovens Advogados Portugueses) ao mesmo tempo que, já inscrita na “jota” laranja, torna-se membro da Comissão Política da Secção de Guimarães do PSD e chega a Vice-presidente da Secção de Guimarães da JSD. A partir daí foi um saltinho até São Bento onde chega com apenas 25 anos e sem qualquer tipo de actividade profissional válida.

Mais uma vez o que está em causa não são as competências da Francisquinha mas a forma como também chegou onde chegou!

Quando se pensava que as dinastias politicas familiares existiam na Coreia do Norte, na Siria e noutros paises pouco recomendáveis eis que surgem casos também na politica partidária portuguesa,

Quando se pensava que os representantes do povo deviam ser indivíduos de reconhecidos méritos e de carácter impoluto, eis que são os inexperientes frutos das juventudes partidárias que ocupam os mais altos cargos da Nação.

Será que ainda não chega?

Quanto tempo mais vai o povo aguentar a corja partidária que levou o País à miséria?

BASTA!






Fontes:

http://www.luismenezes.com.pt/index.php

http://www.parlamento.pt/DeputadoGP/Paginas/Biografia.aspx?BID=4145

http://www.unilabs.pt/unilabs-2

http://www.franciscaalmeida.com/

http://www.parlamento.pt/DeputadoGP/Paginas/Biografia.aspx?ID=3942

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Estado mínimo, democracia declinante

Texto de Baptista Bastos hoje publicado no "Diário de Noticias"

"Creio que já ninguém duvida das características ideológicas contidas no projecto de Pedro Passos Coelho. Não têm nada a ver com o ideário social-democrata: baseiam-se no breviário mais extremo do ultraneoliberalismo. Não se trata, aqui, da velha questão de conteúdo e de forma que, desde Aristóteles a Lukacs, não só enuncia um conceito de estética como atinge uma dimensão antropológica. Nem, sequer, é mera pendência de semântica. Assim como o PS nunca foi "socialista", o PSD crê na "arte de governar" cristalizada numa ordem social cegamente obediente ao paradigma do "mercado."

Menos Estado, melhor Estado, eis o lema do PSD, que contraria, de raiz, a natureza da opção genuinamente "social-democrata". De cada vez que o Estado diminui, a democracia decresce. É dos livros e é da História. Basta ler um pouco mais, frequentar a cultura humanista com mão diurna e mão nocturna para que se perceba um princípio de explicação do funcionamento social. Como, aliás, assinalou Alexandra Prado Coelho num texto admirável a vários níveis e inserto na revista Pública do passado dia 8. A cultura é uma disciplina da política. E a política um dos interesses da cultura.

A jornalista titulou o seu trabalho com esta fórmula provocatória: "As elites já não estudam Letras e talvez façam mal." Claro que fazem, como temos testemunhado nos últimos anos portugueses. As elites não o são, exactamente porque descuraram o estudo da harmonização das relações humanas. A sua existência política funda-se numa dramática ausência de conhecimento desses laços.

O que o programa do PSD propõe é que o governo não é a solução mas sim o problema, afinal perfilhando a tese da senhora Thatcher, segundo a qual "a sociedade é uma coisa que não existe, existem só indivíduos e famílias". Recorramos a Tony Judt: "Se o governo é o problema e a sociedade não existe, então, o papel do Estado é mais uma vez reduzido ao de facilitador."

Admitindo que José Sócrates é, como se diz por aí, um "incompetente criminoso", Pedro Passos Coelho seria o "idiota útil" à execução de uma política de expansão do capitalismo predador e de limitação perversa do Estado. Este ficaria reduzido a um empreendimento comercial com gestores destinados a fixar "objectivos" e a orientar as suas tarefas para o "lucro" a qualquer preço. Na minha opinião, Sócrates sempre soube muito bem o que fazia. Mas Passos saberá da camisa de onze varas em que se mete e nos pretende enfiar? As suas hesitações, a indecisão do seu discurso e a volatibilidade das suas ideias sugerem que pretende uniformizarnos a uma prática tão absurda quanto contrária ao nosso espírito, e reduzir, cada vez mais, a pluralidade das experiências comuns a uma infame mascarada. As perspectivas que se abrem aos nossos horizontes visíveis são assustadoras."

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Orçamento 2011

Tal como aqui foi previsto a 31 de Agosto, o PSD de Passos Coelho vai viabilizar o péssimo orçamento de estado apresentado pelo governo PS de Sócrates para o ano de 2011.

Muito tem sido escrito e falado na comunicação social a propósito do orçamento e já toda a gente sabe que é péssimo, que vai aprofundar a recessão económica, que vai lançar uma enorme carga fiscal e impor graves medidas de austeridade à maior parte das famílias, sendo que as de menores rendimentos são as que vão ser mais afectadas.

O PSD congratula-se por ter conseguido, na sua opinião, ter minimizado alguns dos efeitos mais nocivos das medidas apresentadas pelo governo mas, na sua essência, o ataque ao bolso dos cidadãos continua sem alterações.

Da redução de vencimento dos funcionários públicos ao corte dos apoios sociais tudo serve para, segundo dizem, "cortar na despesa".

Na sua primeira versão, o orçamento pouco falava do corte da despesa inútil do estado, a despesa que é provocada pelas clientelas partidárias, pelos "encostados" aos tachos dos institutos e empresas publicas, pelas adjudicações directas de milhões e milhões de euros aos gabinetes de advogados e consultores "amigos" do regime, etc, etc, etc.

Para a versão final do acordo, conseguiu o PSD fazer aprovar um corte extra de 500 milhões na despesa para substituir alguma da receita fiscal antes prevista e logo o ministro Teixeira dos Santos se mostrou preocupado afirmando não saber onde ia fazer esses cortes. João Duque, conhecido economista nacional, dizia hoje nas televisões que esse corte é idêntico a cortar cinco euros na despesa de umas férias semanais de 750 euros.

A verdade é que depois das cenas caricatas da ruptura da negociações, dos puxões de orelhas da "stora" Angela (Merkel) ao menino Zézinho (Sócrates) em Bruxelas, do Concelho de Estado que, pelo voz do recandidato a Presidente cavaco Silva, recomendou (tardiamente) um entendimento e da fotografia final no telemóvel de Catroga, os dois partidos do bloco central se colocaram de acordo para viabilizar o orçamento.

Alguém duvidava disso?

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Rapaziadas

Pode gostar-se ou não do jornalista e autor Baptista Bastos mas ninguém pode negar que ele faz análises e criticas muito certeiras.

Aqui fica o seu texto de opinião hoje publicado no "Diário de Noticias".

"Rapaziadas

As últimas semanas foram copiosas em demonstrar que Portugal é um país para se levar pouco a sério. Dois rapazolas transformaram-no num terreiro de berlinde, cada um com um abafador que destinará quem venceu. O pior é que ninguém ganha e todos estamos a perder. Um deles possui um sentido circense que legitima todo o faz-de-conta. O outro manifesta uma devoção ingénua pelo poder que, na realidade, não possui. Ambos resultam desse milagre convencional que nos fez reféns de dois partidos desprovidos de grandeza, intelectualmente asténicos e politicamente impostores.

Na verdade, os dois partidos nunca foram grande coisa. Nas paredes das suas sedes estão retratos poéticos daqueles que os dirigiram. Percorremos o olhar por esses rostos líricos e chegamos a conclusões deploráveis. Poucos socialistas e poucos sociais-democratas. Há nomes cuja evocação lembra épocas festivas. Foram eliminados: eram socialistas ou sociais-democratas de intenção e decisão, coisa que não interessava a quem na sombra agia. É uma época ilustrada pela má-fé e frustrada pela traição.

Os dois mancebos que jogam o berlinde correspondem a uma inconsciência dócil, que opera no contexto histórico, e se esclarece nas relações de poder. São semelhantes na leviandade e na carência de conhecimentos. Nada mais do que isso. Não é só serem incredíveis. Sobretudo, são imaturos, ignorantes e tragicamente incapazes. Um deles já deu o que podia dar. E atingiu as funções que assume por completa ausência de antagonista. A dr.ª Manuela era um susto; e os seus antecessores, personagens menores de uma pungente ópera-bufa. Quanto ao outro rapazola, rapidamente se percebeu tratar-se de um moroso equívoco, uma bizarra consequência de época e, sobretudo, um produto incapaz de se conduzir a si próprio.

Estamos perante um imbróglio perturbador. E o dilema é este: como se passa do patológico para o normal? Ignoramo-lo. Desde a aparição mística do dr. Cavaco que aumentou o perigo de uma sociedade amolgada. Aquele senhor alimentava (e alimenta) um distorcido entendimento do que é a democracia. A década em que foi primeiro-ministro saldou-se pela recusa da modernidade e pela imposição de uma rigidez emocional que ainda hoje persiste. Pedra e betão substituíram a alma e a coragem.

As rapaziadas a que temos assistido procedem dessa cultura de ilusionismo que conduziu à relativa despersonalização do português, o qual vira no 25 de Abril uma porta de esperanças. O dr. Cavaco nada tinha ou tem a ver com o apostolado da liberdade. Ele nunca mexeu uma palha com esse objectivo. E até chegou a inventar uma rústica e grotesca história que o ungia como mosqueteiro da democracia. As rapaziadas destes rapazolas provêm da mesma matriz."

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O discurso da ambiguidade

Parece que não somos só nós que estamos preocupados com o que aí vem.
Artigo de opinião publicado hoje, 30 de Junho de 2010, no jornal Diário de Noticias.

O discurso da ambiguidade - por Baptista Bastos

"Pedro Passos Coelho falou, com amenidade, acerca das alterações ao programa do PSD, que pretende intentar. Acentuou que o mundo está em mudança e que o partido, naturalmente, tem de acompanhar o mundo e a mudança. Para aviso das almas mais sobressaltadas esclareceu que Sá Carneiro, na "sua época", chegara a afirmar que o SPD alemão (o de Willy Brandt) era o seu paradigma e o molde que desejava aplicar ao partido que fundara. Neste momento, Passos Coelho sorriu levemente, e informou ser a CDU germânica o actual arquétipo do actual PSD, reconhecendo, assim, que caminhava, desenvolto, com os tempos novos. (Para os esquecidos, a CDU era o partido de Franz-Josef Strauss, o "toiro da Baviera", e um dos políticos mais reaccionários e perigosos da Europa daquele tempo, um paladino da Guerra Fria e do confronto sem concessões. É, também, o partido de Angela Merkel).

Não me parece que, actualmente, este seja o exemplo mais apropriado de partido e a ideologia mais adequada para enfrentar os nossos dilemas. Há dias, confidenciei, a um amigo comum, que Passos Coelho está a falar de mais e a não dizer rigorosamente nada.

O novo presidente do PSD está a encaminhá-lo para as zonas dos objectos perdidos, no propósito (acaso sem intenção, o que é pior) de romper os laços sociais, e de fazer desaparecer, simultaneamente, as garantias dos nossos direitos individuais, e um horizonte de valores cuja importância nunca denegámos. A exigência democrática não se compadece com a incerteza.

As últimas sondagens não são propícias a grandes euforias. Apesar da corrosão do PS, e de Sócrates ser o primeiro-ministro mais vilipendiado da democracia, os equilíbrios são surpreendentemente mais estáveis do que se previa. E a esquerda continua maioritária. Penso que o discurso de Pedro Passos Coelho provoca uma lógica de semelhança com o PS. Quando assevera que o PSD está, apenas, a ajudar o País, Passos Coelho embrulha-se numa dualidade de critérios que não encoraja a tomada de decisão por parte dos eleitores. De contrário, as conclusões da última sondagem, publicada anteontem no DN, seriam obviamente muito diferentes.

Se o Governo é a baralhada que se conhece, os torções a que procede o PSD, entre a palavra e a acção, impedem-nos de descortinar uma perspectiva de escolhas, de valores e de padrões. A tese de que não agir faz parte do agir parece-me anacrónica. Sobretudo quando, apesar de lacunas e desconsolos, o português comum já não participa nessa "adesão passiva" que fez a história das tiranias e das democracias de superfície.

E não há jornalistas estipendiados, nem comentadores do óbvio que consigam alterar esta direcção das coisas."