Texto de Manuela Moura Guedes hoje publicado no "Correio da Manhã" acrescido de um post-scriptum aqui da pocilga.
"Quem pensou que se viu livre de Sócrates com as últimas eleições tire o cavalinho da chuva.
O homem já deu sinais de que não desistiu. Antecipar-se a Passos Coelho em encontros com Merkel e Zapatero revela uma completa falta de escrúpulo e vergonha. Mais uma vez. Só que agora há um primeiro-ministro eleito, goste-se ou não, e não é ele, Sócrates.
A sua diplomacia de mexerico em Berlim e em Madrid pode não ter efeitos práticos mas diminui a importância das visitas de Passos e cria desconfianças. Mais grave, mostra que Sócrates anda por aí. Que o deixam andar por aí. O grau de responsabilização de um governante é quase nulo. Limita-se a um castigo eleitoral mesmo que tenha levado o País à indigência, cravado de dívidas. No mínimo, com Sócrates, houve negligência e, no mínimo, deviam declará-lo interdito a exercer cargos públicos.
Em contrapartida, podia ensinar como se consegue viver em Paris, ou cá, sem ordenado e sem contas de poupança... Era de uma imensa utilidade para a população com uma herança socrática aos ombros. "
PS - A perspectiva de ver o imbecil vigarista Sócrates a concorrer às eleições presidenciais daqui a quatro anos é assustadora. Basta pensar que, num duelo com, por exemplo, Santana Lopes ou Durão Barroso, em quem é que os (ditos) partidos e eleitores de esquerda votariam? É ou não é uma perspectiva assustadora?
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Ele anda por aí
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Caixeiro viajante
"Dilma Rousseff oferece emprego a Sócrates"
Vários jornais trazem hoje a noticia de que Dilma Rousseff e Lula da Silva convidaram José Sócrates para ser representante das empresas brasileiras em Portugal e na Europa.
A ser verdade, ora até que enfim alguém reconhece as "qualidades" do imbecil que nos atirou para a ruína dando-lhe o cargo mais adequado à sua personalidade - vendedor!
Enquanto governante, Sócrates nunca foi mais do que um vendedor de banha da cobra, tentando vender aos portugueses um país de faz de conta que só existia na sua imaginação delirante.
Curiosamente está agora a decorrer o programa "Opinião Publica" na SIC Noticias, perguntando aos espectadores se os governantes deveriam ser julgados pelos seus actos como está a acontecer na Islândia.
Será de estranhar que a quase totalidade dos intervenientes acha que sim, a começar por Sócrates mas estendendo as criticas a outros políticos que o antecederam.
Uma noção muito referida é que se qualquer gestor tem de responder pelos actos praticados nas empresas, inclusive com o seu património pessoal, porque carga de água não deve o governante responder pela gestão do País?
A verdade é que a punição eleitoral não chega e há que responsabilizar criminalmente os políticos que nos (des)governam.
Assim fosse a justiça e Portugal seria um país melhor.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Sócrates arrisca-se a ganhar as eleições
Texto de Pedro Sousa Carvalho, Subdirector do "Diário Económico" hoje publicado nesse jornal.
"Estamos a menos de um mês das eleições e não é que Sócrates está a discutir, taco a taco, as eleições com o PSD? Quem diria que, em algumas sondagens como as da Marktest para o Diário Económico e TSF e da Católica, o PS aparece mesmo à frente nas intenções de voto.
Depois do desgaste de seis anos de governação; depois da sucessão de casos duvidosos e polémicos (Freeport, TVI, o diploma alegadamente passado a um domingo ou as alegadas ‘assinaturas de favor' naquelas casas esquisitas na Guarda); depois de ter impingido aos portugueses quatro PEC e dois orçamentos de austeridade, depois de ter deixado como legado um desemprego, défice e dívida em valores recorde, não é que Sócrates se arrisca a ganhar as eleições de 5 de Junho?
No resto da Europa, os líderes que implementaram as medidas de austeridade estão a cair um a um. Na Irlanda, Brian Cowen desapareceu do mapa político; em Espanha, Zapatero rendeu-se às sondagens e já não se volta a candidatar; em França, Sarkozy foi ultrapassado por Marine Le Pen e Strauss Kahn; em Itália, a popularidade de Berlusconi anda pelas ruas da amargura e mesmo nos EUA, não fosse o Bin Laden, e Obama já teria comprometido a reeleição dos democratas. Por cá, Sócrates arrisca-se a fazer o ‘hat-trick' e a ser primeiro-ministro pela terceira vez. Como dizia ‘sir' Churchill, na guerra só se morre uma vez, mas na política morre-se muitas vezes. E à terceira Sócrates volta a ressuscitar nas sondagens.
E porquê? É a chamada ‘one million dollar question'. É uma pergunta que já nos custou muito dinheiro e que se calhar ainda nos vai custar muito mais. Os mais irónicos diriam que é a ‘78 billion euro question'.
E a resposta é simples. As pessoas têm medo da chamada agenda liberal de Pedro Passos Coelho! Basta recordar que, depois do estado de graça inicial, as sondagens começaram a ser menos simpáticas com o PSD quando este apresentou as propostas de revisão da Constituição que pretendiam riscar da Lei Fundamental as expressões "tendencialmente gratuito" no capítulo da saúde e "sem justa causa" na proibição dos despedimentos, colocando, ao invés, a enigmática "razão atendível". E, no programa eleitoral apresentado esta semana, o PSD vai ainda mais longe e liberaliza o que nem a ‘troika' ousou liberalizar.
E as pessoas têm medo desta agenda liberal e tendem a ser conservadoras na hora de votar. Como diria o irónico Tom Wolfe, um conservador é um liberal que já foi assaltado. E, se calhar, os portugueses preferem voltar a ser assaltados por quem lhes vai apertar o cinto e esvaziar os bolsos, como diria Paulo Portas, do que arriscar a ficar sem as calças."
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Ainda o "comício" do PS
Duas análises hoje publicadas no "Correio da Manhã".
"Megacomício"
"Defender Portugal destes governantes socialistas bem pode ser, esse sim, o propósito dos portugueses"
Por: Luís Marques Mendes, ex-líder do PSD
"O congresso do Partido Socialista realizado este fim-de-semana foi um verdadeiro megacomício. Houve de tudo um pouco: culto da personalidade do líder, vitimização quanto baste, violentos ataques à oposição e a utilização de figuras da ala esquerda socialista com a intenção de captar voto útil à esquerda. Tudo enquadrado por uma imagem cénica perfeita. Só que, apesar da encenação, a cartilha apresentada não resiste à força inabalável dos factos.
Para consumo eleitoral, o PS carrega agora nas virtudes do Estado social. O problema é que a prática desmente a teoria. Durante seis anos, os socialistas cortaram salários, congelaram pensões e deixaram disparar o desemprego. Construíram um país em que os idosos não têm presente e os jovens não vislumbram futuro. Ou seja, à frente da governação, o mensageiro matou a mensagem.
Para se arvorar em vítima e culpar os adversários, o PS diz agora que foi a crise política que nos obrigou à ajuda externa. Podia ser verdade, mas não é. Infelizmente, há muitos meses que se vê o espectro da bancarrota. Seis anos de governação deram no que deram – o maior défice de sempre, a maior dívida pública de sempre, o maior endividamento externo de sempre, o maior desemprego de sempre e os impostos mais altos de sempre. Afinal, não é o governo que é vítima da crise ou da oposição; os portugueses é que são vítimas desta irresponsabilidade governativa.
Como slogan político, o PS apresentou uma ideia curiosa: defender Portugal. Em abstracto, a ideia é redundante. Afinal, a obrigação de qualquer português é defender o seu País. Em concreto, esta ideia mostra consciência pesada. Defender Portugal de quê? Da ajuda externa que o governo pediu? Do FMI a quem o governo vai abrir as portas? Do desemprego galopante? Do ministro das Finanças que não acerta uma ou do primeiro-ministro que tem um problema estrutural com a verdade? Afinal, defender Portugal destes governantes socialistas bem pode ser, esse sim, o propósito dos portugueses. Assim se vê como o feitiço se pode virar contra o feiticeiro.
Ao cabo e ao resto, tudo resumido, a conclusão é bem simples: chegou ao fim um ciclo. Vai abrir-se um outro. Não há drama nenhum nisso. É o exercício normal em democracia. Afinal, não há vitória que não termine em derrota. Assim se afirmam as virtualidades da alternância política e os méritos de uma cidadania responsável."
"Defender Portugal"
"Os socialistas saíram contentes de Matosinhos: têm um chefe, um discurso de vitimização, uma legião de combate e um grito de guerra. Avançam unidos para aquilo a que chamam "Defender Portugal", contra a oposição irresponsável, contra Cavaco Silva, contra Bruxelas, contra o FMI, contra quem se puser à frente da sua política de terra queimada."
Por: Eduardo Dâmaso, Director Adjunto
"Não foi mais do que isso este comício de Sócrates. Guerra à direita e à esquerda, salvaguardando apenas Paulo Portas, com quem têm a esperança de negociar o poder na noite de 5 de Junho.
O PS, porém, para verdadeiramente "Defender Portugal", tem de apresentar-se ao eleitorado um pouco melhor do que aquele naipe de cartas marcadas que se viu. É confrangedor ouvir o argumentário socialista na boca de Edite Estrela ou de Almeida Santos, neste caso em verdadeira contramão com a sua reconhecida inteligência. Um e outro mostram como a toxicodependência do poder, essa droga doce, obriga a descer a um insuportável nível de estupidificação argumentativa. Chega para um comício mas não para defender Portugal."
domingo, 10 de abril de 2011
PS unido em torno de Sócrates
O congresso do PS está a acabar tendo mostrado um partido coeso na defesa do seu líder Sócrates sabendo bem que, perdendo as próximas eleições, irá demorar muitos anos até conseguir voltar ao poder.
Esta gentalha vai passar à história por ter dado cobertura às politicas incompetentes e erradas do imbecil que tomou conta do partido e que destruiu o País.
Vão ser as próximas gerações que se encarregarão de pedir responsabilidades aos socialistas.
O "Correio da Manhã" traz hoje três artigos de opinião sobre o congresso e a (i)responsabilidade de Sócrates na situação em que nos encontramos.
"Omo e o Congresso"
Por: Francisco Moita Flores
"Na verdade, tal como a senhora do anúncio, este congresso socialista lava mais branco
Um dos anúncios mais populares foi criado na década de setenta pelo detergente Omo. Uma senhora aparecia com uma toalha sujíssima, encenava que a ia lavar com detergente e, de repente, surgia com uma brancura imaculada. Por fim rematava com a frase: "Omo lava mais branco."
Estou convencido de que esta senhora foi ao congresso do Partido Socialista (PS). Pelo que ali se disse, ficou claro que o PS não teve responsabilidade na governação do país há mais de seis anos. Ficou clarinho que o PS não teve responsabilidade no aumento desenfreado de desemprego, que neste momento chega a setecentas mil almas, e que está imaculado no que respeita à duplicação da dívida pública que atirou Portugal para o ‘buraco negro’ onde nos encontramos.
Também é de uma alvura angélica no que respeita à existência do PEC 1, do PEC 2, do PEC 3 e do Orçamento de Estado que apertou o cinto dos portugueses até à rebelião. É claríssimo que o PEC 4 era o final do sacrifício, embora agora se perceba que teria de vir um PEC 5 e talvez um PEC 6. Ficou clarinho como a água que os socialistas são uns patriotas e os restantes partidos, que representam a maioria da população, são inimigos da Pátria. Porquê? Porque chumbaram o imaculado e virginal PEC 4.
Também ficou numa alvura celestial que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, jamais disse que seria necessária ajuda externa quando os juros da dívida pública ultrapassassem os sete por cento. E que, tendo-os ultrapassado há tanto tempo, sempre a subir, a subir, mesmo quando outros dirigentes socialistas já reclamavam a ajuda externa, a verdade é que ficou claro que tudo aconteceu nos últimos quinze dias por causa do chumbo do novo PEC 4. Resumindo, o poder do detergente limpou qualquer história dos últimos seis anos, das verdades de ontem que já não eram verdades hoje.
E, finalmente, em nome da Pátria, os socialistas chamaram o Fundo Monetário Internacional (FMI), sendo certo que os restantes partidos agora passaram de anti-patriotas a gente que só pensa na conquista do poder.
É clarinho que o Partido Socialista que está no poder, não pensa em cedê-lo aos outros. Não por causa da Pátria, mas por causa dos próprios socialistas. Está certo. Na verdade, e tal como a senhora do anúncio, este congresso socialista lava mais branco."
"Um partido a conta-gotas"
Por: Eduardo Dâmaso
"A dose foi administrada com todo o cuidado. Num PS carente de reencontro com a sua própria história, Sócrates distribuiu os afectos e as notícias a conta-gotas, com a devida ponderação e sempre com a sua voz, a sua imagem, as suas ideias, as suas lágrimas no centro.
Tudo isso lá estava quando cavou a trincheira contra o PSD, quando apresentou os generais, quando mostrou Ferro Rodrigues como arma secreta, quando foi incensado por António Costa, Assis e o resto do mundo como o grande líder. Tudo planeado sem mácula. Sócrates é um mestre na gestão de expectativas e de cenários. Ninguém sabe colocar-se no palco e dramatizar um discurso e uma estratégia como ele.
O PS sabe isso e devolveu-lhe o apreço, as lágrimas e os aplausos. Mas o PS soube, também, entrar, à sua maneira, no reverso da estratégia a conta-gotas e incluiu António José Seguro no ‘pacote’. Recebeu-o com afecto, já com o estatuto que se dá aos putativos líderes. Sócrates tem menos de dois meses para mostrar o que vale para evitar que alguém se sinta ‘chocado’ com o resultado do PS na noite de 5 de Junho."
"O notário"
Por: João Pereira Coutinho
"Pressinto uma certa repulsa com o congresso do PS: o tom histérico, a carneirada ululante, os delírios e as ‘inverdades’ disparados de rajada. Não contem comigo: se tudo aquilo fosse a sério, então sim, talvez fosse melhor fazer as malas e zarpar daqui.
Mas, para nosso eterno descanso, aquilo não é para levar a sério porque os enfermeiros já vêm a caminho: técnicos da Comissão Europeia, do BCE e do FMI, munidos com as injecções necessárias de austeridade e realismo. Sócrates promete combater as medidas ‘ultraliberais’ que põem em causa o ‘Estado Social’ que só existe na sua fantasia? Por mim, até podia dizer que era o Napoleão: ganhe quem ganhar no dia 5 de Junho, os portugueses já perceberam que não vão escolher um primeiro--ministro. Vão eleger um notário, obrigado a certificar todas as medidas ‘ultraliberais’ que Bruxelas nos enfiar pela goela abaixo.
Nestes seis anos de governo, Sócrates não levou apenas o país à ruína. Ele alienou, por muitos e bons anos, a nossa réstia de soberania. Daqui para a frente, os outros mandam – e o inquilino de S. Bento assina. Devemos-lhe, ao menos, isso."
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Serão todos estupidos?
O imbecil Sócrates é líder do partido socialista porque 26 mil, setecentos e treze filiados naquele partido o elegeram outra vez para o cargo.
É isto a democracia partidária?
Foi para isto que fizeram o 25 de Abril?
Sabendo o povo que Sócrates é o responsável pelo péssimo estado em que a nação se encontra, quem são estes socialistas que votam no energúmeno e que o querem ver de novo a (des)governar o País?
Serão todos estúpidos?
O mais provável é serem, na sua esmagadora maioria, os militantes do partido colocados nos muitos lugares da administração publica criados para satisfazer a clientela partidária.
Vereadores de Câmaras Municipais e de freguesias, administradores de empresas publicas nacionais, municipais, directores e sub-directores do que existe e do que não existe, consultores e assessores de tudo e mais alguma coisa, etc, etc, etc, ficámos a saber com esta votação que há 26 713 entachados dispostos a tudo para manter o tacho, nem que seja voltar a eleger um imbecil para liderar o partido.
Vem isto a propósito do congresso nacional do PS a decorrer em Matosinhos e em que o imbecil está a falar neste preciso momento.
O discurso não é novo e já enjoa.
"A culpa é do PSD e os portugueses não mereciam que lhes fizessem isto".
"Fizemos isto, aquilo e mais aqueloutro."
Para o imbecil e para os que o seguem, o facto de estarem a governar há seis longos anos, para não dizer já que Sócrates ocupa funções governativas desde 1995, é um dado que chutam para canto e assobiam para o lado, pois não tiveram qualquer responsabilidade no descalabro em que o País de encontra.
Antes do inicio do congresso ouviu-se João Soares dizer, em directo na tv, que está "muito orgulhoso" pela forma como Sócrates governou!
No discurso de abertura do congresso foi (o senil) Almeida Santos, novamente eleito presidente do partido, que fez um rasgado elogio a Sócrates e à sua governação.
Mas está tudo doido?
Esta gente não vê ou não quer ver?
Diz o ditado popular que o pior cego é o que não quer ver e parece ser este o caso da cambada socialeira, os tais 26 713 que o elegeram outra vez.
Sócrates é a prova provada que a democracia partidária é errada e não serve o País já que mostrou como um vigarista mentiroso e bem falante, imbecil, incompetente, sem educação, sem instrução, sem formação, sem vida profissional, sem preparação válida (já nem vale a pena dizer ... sem categoria), rodeando-se de um grupelho de gente pouco recomendável consegue chegar ao topo da hierarquia de um partido e, a partir dai, ficar a governar Portugal.
Ontem e anteontem foi a vez da RTP, Antena 1, Jornal de Noticias e Diário de Noticias divulgarem sondagens (por eles encomendada) indicando haver 33 por cento de intenções de voto no imbecil e no PS.
33 por cento? São doidos ou masoquistas?
A boa noticia é que sondagens são sondagens e, neste caso, os resultados divulgados são extrapolados a partir de, imagine-se, 1 288 (mil duzentos e oitenta e oito) inquéritos.
Mas as curiosidades da ficha técnica deste inquérito não se ficam por aqui já que indicam uma margem de erro de 2,7% e um nível de confiança de 95%.
Como? Tudo isto a partir de 1 288 inquéritos?
Dizem os peritos que a estatística é "uma batata". Se alguém come dois bifes e outro alguém não come nenhum, em média, cada um comeu um bife. Certo?
O que vale é que o povo saberá dar o devido pontapé no fundo das costas a esta gentalha.
Infelizmente não será, por enquanto, a varridela que todos os partidos merecem e que só o voto maciço em branco daria mas correr com a corja socialista sem duvida que é um bom principio!
quarta-feira, 30 de março de 2011
Economia e FMI
A imprensa escrita traz hoje diversos artigos muito interessantes.
Dois directores adjuntos do "Correio da Mnahã" publicam nesse jornal dois textos sobre economia, FMI e o imbecil Sócrates.
Já Vasco Graça Moura escreve no "Diário de Noticias" sobre a responsabilidade dos "notáveis" do PS no que se está a passar.
Por ultimo, Paulo Morais no "Jornal de Noticias" escreve sobre a aumento da promiscuidade entre os negócios e a política.
O nível do lixo
Por:Eduardo Dâmaso
"Agora é que não há dúvida: chegámos ao nível do lixo. Ontem, como se não bastasse o Banco de Portugal mostrar que se agravam os números da recessão, que há um recuo no rendimento das famílias e o desemprego cresce até 2012, a dívida soberana ficou classificada a um passo do lixo.
É muito simples: não vamos ter dinheiro, nem emprego, nem uma vida melhor tão cedo. Mais: é preferível pedir rapidamente o resgate financeiro à Europa do que deixar andar esta morte cada vez menos lenta. Para o engenheiro Sócrates, a culpa é da crise internacional e da oposição. A crise tem a sua quota--parte, mas o que esta insuportável degradação da economia mostra é uma coisa que há muito este Governo e todos os outros deveriam ter enfrentado: o desemprego é elevado e persistente há muito; a classe média-baixa está a transferir-se para o universo dos novos-pobres; a carga fiscal e a despesa pública sobem há décadas para ir ‘disfarçando’ a tragédia das contas públicas; a economia é débil e politicamente assistida e controlada a partir do ‘chefe’ em serviço no palácio de São Bento; os salários portugueses há muito que se distanciam da média europeia, e os desequilíbrios sociais e económicos agravam-se de forma irreversível. Quem quiser explicar isto com a crise internacional é um delinquente puro!"
O inútil adiamento do resgate
Por:Armando Esteves Pereira
"A realidade económica, financeira e política de Portugal mostra que pior é possível. O risco da dívida pública está a um passo do nível do lixo, e a agência de notação S&P já desconta que o País não consiga pagar a totalidade da dívida. Esta quebra de notação deve afectar a Banca portuguesa, que fica cada vez mais frágil. E se a Banca tem problemas, é toda a economia que paga.
Naturalmente os juros disparam e, no prazo de 5 anos, os investidores exigem mais de 9%. Com este patamar, Portugal já poupava algumas centenas de milhões de euros se pedisse a ajuda europeia, com a consequente intervenção do FMI. Só que, no actual contexto político, o resgate externo não é possível. Já se percebeu que Sócrates vai fazer desta resistência o principal argumento político da campanha eleitoral e vai culpar o PSD com a história do ‘papão do FMI’. Mas se não for antes, o pedido de resgate será feito a seguir às eleições legislativas, ganhe quem ganhar. Um pobre país, endividado e em recessão, não tem condições de bater as convicções do mercado.
Entretanto, Sócrates aparece neste debate como a vítima da "cobiça" da Oposição. Mas foi precisamente o sentido de "cobiça" e de sobrevivência do primeiro-ministro que o levou a jogar tudo no PEC 4 e a acelerar a crise política. "
Aleluia!
Por Vasco Graça Moura
"Ninguém se lembra de ter visto, nos últimos anos, algumas figuras gradas de extracção socialista a chamarem a atenção do Governo de José Sócrates para as barbaridades que estavam a arrastar Portugal para o abismo e para a irresponsabilidade da governação. Deviam tê-lo feito pelo menos dia sim, dia não, mas não o fizeram.
O país ia-se arruinando, os portugueses iam resvalando para o beco sem saída em que se encontram hoje, o Governo ia garantindo exactamente o contrário daquilo que se estava a passar e dando provas de uma incompetência e de uma desfaçatez absolutamente clamorosas, mas esses vultos tão veneráveis abstinham-se de fazer a crónica dessa morte anunciada, não se mostravam grandemente impressionados com ela e sobretudo não sentiam o imperativo patriótico de porem cá para fora, preto no branco, numa guinada veemente e irrespondível, o que bem lhes podia ter ido na alma e pelos vistos não ia assim tanto.
Devo dizer que não fiquei nada impressionado com os apelos recentes e vibrantes de algumas dessas egrégias personagens, em favor da manutenção do satu quo ante em nome do mesmo interesse nacional que as terá remetido ao mutismo mais prudente sempre que a governação socialista dava mais um passo em frente para estatelar Portugal.
Sou levado a concluir que foram sensíveis, não ao descalabro a que a governação socialista acabou por conduzir o país, mas ao desmoronamento do PS enquanto partido de governo. Não lhes faz impressão nenhuma que Portugal esteja na merda por causa dos socialistas. O que os impressiona deveras é que o PS se arrisque a ficar na merda por causa de tudo o que fez. E então, então sim, apressam-se a invocar alvoroçadamente o interesse nacional, secundados por todo o bicho careta lá do clube que se sinta vocacionado para dar o dito por não dito e o mal feito por não feito e também, está claro, para fazer sistematicamente dos outros parvos.
Tal apelo surge todavia no ensejo menos adequado. Hoje, só faz sentido invocar o interesse nacional para esperar que o PS seja varrido impiedosamente de qualquer lugar de preponderância política e que a ignomínia da governação socialista fique bem à vista para a conveniente edificação das almas."
Via verde para roubar
Por Paulo Morais
"A lei de financiamento de campanhas já favorecia - e de que maneira! - a promiscuidade entre os negócios e a política. Mas a recente decisão do Governo de aumentar os montantes dos ajustes directos permitidos a governantes e autarcas constitui um verdadeiro convite à roubalheira.
A legislação que regulamenta o financiamento partidário, promulgada há escassos meses, veio autorizar donativos em espécie. Os amigalhaços do partido poderão doravante pagar cartazes, umas jantaradas e até financiar umas viagens. Os valores considerados são impossíveis de quantificar e abrem a porta a todo o tipo de troca de favores e tráfico de influências. Porque os financiadores querem obviamente contrapartidas, é até legítimo que assim seja. Mas como os partidos não dispõem de meios próprios, só podem garantir essas contrapartidas com vantagens concedidas à custa de recursos públicos, que assim são desbaratados. No fundo, quem paga esta orgia somos todos nós.
Quando parecia que o cenário já não poderia degradar-se mais, eis o cúmulo dos cúmulos. O Governo aprovou esta semana o decreto-lei que alarga os montantes dos ajustes directos permitidos a governantes e autarcas, garantindo assim aos partidos meios milionários (públicos!) para que estes favoreçam os empresários seus financiadores. Com as novas regras, um director-geral pode autorizar despesas até 750 mil euros, sete vezes mais do que até agora. Um ministro poderá atingir os 5,6 milhões. Um presidente de Câmara poderá autorizar até 900 mil euros, contra os anteriores 150 mil. Um fartar vilanagem! As entidades públicas serão livres de escolher os fornecedores que muito bem entendem, no secretismo dos gabinetes, sem recurso a qualquer concurso público.
Esta recente decisão do Governo, já de si injustificável, revela-se intolerável em véspera de campanha eleitoral. Serve interesses obscuros e aumenta a opacidade. Até às eleições, as aquisições não justificadas, as encomendas de mercadoria inútil, o favorecimento a privados por despacho, não terão conta. Gastar muito, depressa e sem controlo será a regra."
sexta-feira, 25 de março de 2011
É preciso não ter vergonha na tromba!
Noticia hoje publicada em vários jornais:
"Sócrates: "Como foi possível fazerem isto ao País?"
"O primeiro-ministro demissionário disse hoje em Bruxelas que muitas vezes se pergunta "como foi possível" os partidos da oposição "fazerem isto ao País", numa clara referência à reprovação do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), facto que precipitou a queda do Governo.
"Era óbvio que a nossa situação ficaria enfraquecida", afirmou José Sócrates, acrescentando que "bastaram 24 horas" para que as agências de notação baixassem a notação da dívida portuguesa."
È preciso não ter mesmo vergonha nenhuma naquela tromba!
segunda-feira, 21 de março de 2011
Wishful thinking *
Alguém ouviu Sócrates dizer que se demite se a oposição chumbar o famigerado PEC4?
O que o imbecil disse na entrevista à SIC Noticias é que "não teria condições" para apresentar as medidas do pec na cimeira europeia desta semana.
Pressionado pela jornalista lá admitiu que, indo para eleições, ele continuaria a ser o líder do PS e, de novo, concorrer a primeiro-ministro nessa condição.
Em nenhum momento disse que se demitia.
Esta ambiguidade continuou no passado sábado quando Sócrates se dirigiu, no Porto, aos militantes socialistas.
Em vez de apresentar a moção de estratégia que era o tema do encontro, o imbecil passou o tempo a falar dos malandros do PSD. da intransigência do PSD, da agenda do PSD, das intenções do PSD, etc, etc, etc.
De novo, em momento algum disse que se demitia.
Domingo, no final do Conselho de Ministros extraordinário para aprovação do PEC4, Pedro Silva Pereira, ministro da Presidência e eminência parda por trás de Sócrates, afirmou que o Parlamento decidirá se quer "tirar o tapete ao país e obstruir a acção governativa".
Também em momento algum disse que o governo se demitia se ...
Já na segunda-feira três ministros fizeram declarações sobre o tema.
Luís Amado, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros admitiu que a forma como o PEC 4 foi apresentado não foi a mais correcta e lamentou o modo como o próprio Governo conduziu o processo.
Teixeira dos Santos, ministro das finanças, disse que se o governo se demitisse ele também se demitiria (???)
Jorge Lacão, ministro dos Assuntos Parlamentares afirmou que "não pode ser afastado" o cenário da demissão do Governo na sequência de um chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) na Assembleia da República".
E disse mais:
"se (uma maioria) na Assembleia da República recusar o PEC, está criada uma séria dificuldade de governabilidade do país e o senhor primeiro-ministro já explicou que, nessa circunstância, não tem condições para exercer as suas responsabilidades",
Sócrates é mau, mentiroso, vigarista, incompetente, prepotente, arrogante e muitas outras coisas mas, não sendo particularmente inteligente, é extraordinariamente esperto e astuto.
Para além disso, como bom vendedor de "banha da cobra", possui o dom da palavra e ainda consegue convencer e levar muita gente atrás de si.
Alguns comentadores dizem que Sócrates provocou esta crise porque quis, outros dizem que o fez inadvertidamente.
De propósito ou não, Sócrates está já habilmente a jogar para atribuir as culpas da crise a todos e mais alguns, de Passos Coelho a Francisco Louçã, da direita à esquerda e sem esquecer, claro, a maldita crise financeira internacional que o impediu" de governar bem o País.
Num dos muitos artigos hoje publicados sobre este assunto dizia o autor que, segundo Confucio, um "grande homem põe a culpa em si próprio enquanto um homem comum põe as culpas nos outros.
Nos jornais, nas televisões, na comunicação social em geral muitos jornalistas interpretam o cenário de demissão de Sócrates mas a verdade parece ser que ninguém ouviu o imbecil dizer que se demite.
Até que o País o ouça dizer, preto no branco, que se demite, todas as previsões nesse sentido não passam de "Wishful thinking"!
* retirado de http://pt.wikipedia.org
Wishful thinking é uma expressão inglesa que por vezes se utiliza na língua portuguesa devido a ser de difícil tradução, e que significa tomar os desejos por realidades e tomar decisões, ou seguir raciocínios, baseados nesses desejos em vez de em factos ou na racionalidade. Pode ser traduzido como optimismo exagerado.
Quem é o culpado?
Um texto muito certeiro de Fernando Sobral hoje publicado no "jornal e negócios".
"Quem é o culpado?
Em Portugal não se buscam culpados. Tentam encontrar-se desculpas. A desculpabilização tornou-se a nossa crise política permanente.
Enquanto a intriga alastra como ideologia nacional, as culpas expiam-se culpando os outros. José Sócrates, nisso, é um actor perfeito. Se aparecesse num programa de Oprah Winfrey sairia de lá em ombros. O problema é que vivemos em Portugal e num momento especialmente grave. Sócrates já culpou tudo o que move e o que está nas sombras do mal que vai torrando, em fogo lento, os portugueses. Ora são os mercados, ora a oposição. Confúcio sabia responder a isto: "o homem superior atribui a culpa a si próprio; o homem comum aos outros". A política é um excelente palco para que cada um passe a culpa para os outros. Sócrates passa a culpa para Passos Coelhos e este devolve-a a Sócrates. E Cavaco Silva, que não tem a certeza que deva actuar para que o Governo caia, também quer ficar com as mãos limpas. Para não ficar com a culpa de ter provocado a tempestade. Passos Coelho que avance, se tiver coragem. A classe política portuguesa está mais interessada em não ter culpas do que em tomar decisões claras e incisivas. Quando em política ninguém quer ter a culpa entramos na indiferença geral. Isto enquanto o País vai sendo castigado. A culpa maior está no egoísmo da nossa elite, que afasta como pingos de água indesejáveis as suas sucessivas decisões erradas. A culpa política não se cura com aspirina. Nem com ansiolíticos. E o País também não deixa de estar doente com esta dança da chuva em que cada político procura uma desculpa para tudo o que faz. Ou não."
sexta-feira, 18 de março de 2011
Os PECados originais
Um excelente texto hoje publicado no "Diário Económico" pelo seu Subdirector Vitor Costa
"Ainda não passaram seis meses, mas Portugal já voltou ao ponto de partida. Tal como em Outubro do ano passado voltamos a um cenário de ameaças à estabilidade política.
Desta vez não é o Orçamento do Estado. É o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). A versão, dizem ser a IV, mas a contagem não é fácil.
Merece este PEC o apoio dos portugueses e dos partidos com assento parlamentar? Não. E não é só este PEC que merece ser chumbado. É o Governo que merece ser expulso. Até porque se esforçou por o merecer.
Enganou os portugueses. Andou a gritar que éramos os campeões do crescimento, mas em meados do ano passado começou a aumentar impostos. Fez subir o IVA, o IRS e o IRC. Foi mais longe, e depois de já ter aniquilado a esperança dos portugueses apresentou um Orçamento ainda com mais austeridade. Voltou a subir o IVA, o IRS e o IRC e cortou salários na administração pública. Mas dando provas de que pior ainda seria possível propõe-se agora a aumentar novamente os impostos em 2012 e 2013. Desta vez, no entanto, há requintes de malvadez. Já não basta congelar as pensões mais baixas e subir os impostos. José Sócrates consegue penhorar os pensionistas e retirar-lhe parte da pensão que fizeram por merecer ao longo de uma vida de trabalho. É uma espécie de cobrança de dívidas que estes nunca tiveram. A dificuldade está em classificar tamanha coragem para salvar o País.
Mas o PEC IV quando for, ou se chegar a ser apresentado no Parlamento, terá os seus méritos. O primeiro resulta de pôr a nu dois pecados. O primeiro, o original, já vem de 2010.
O Orçamento do Estado para este ano nunca deveria ter sido aprovado apesar da estranha unanimidade entre empresários, banqueiros e economistas que não lhe reconhecendo validade, diziam que era indispensável. Tudo em nome da estabilidade política. Não durou seis meses.
E o Orçamento para 2011 não merecia aprovação porque não passava de um conjunto de medidas que, penalizando fortemente as famílias, deixava o Estado com a mesma gordura e sem melhorar a sua competitividade. Mas também merecia ser chumbado porque tinha a originalidade de apresentar dois cenários macroeconómicos: um, que previa uma recessão que nunca foi inscrita no cenário macroeconómico, e outra, que previa crescimento económico ao bom estilo de um País campeão do crescimento.
E esta farsa no cenário macroeconómico foi o segundo pecado que nos trouxe ao PEC IV. Porque foi aí que a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu se agarraram para desmascarar a farsa. E foi aí que se agarraram para obrigar José Sócrates e Teixeira dos Santos a apresentar mais medidas de austeridade.
Agora, no meio do desespero, Sócrates tenta avançar para eleições. Mas para isso terá de apresentar o PEC IV no Parlamento. Imagine-se, com um novo cenário macro. Agora já corrigido à partida por Bruxelas e Frankfurt. Ficará a nu o segundo pecado: Portugal não só está em recessão como a quebra da economia será forte.
Num País onde parece valer tudo fica, ainda assim, a dúvida: revelará José Sócrates a mesma coragem que tem perante os pensionistas e irá ignorar Bruxelas e o BCE? "
A ver vamos
Texto de Constança Cunha e Sá hoje publicado no Correio da Manhã
"Como se tem visto, nos últimos dias, mais importante do que uma crise política é saber quem fica com o "ónus" de a ter desencadeado.
Este pequeno teatro, a que o Governo e o PSD se entregam com particular esmero, sendo um passatempo táctico de gosto duvidoso, não deixa de mostrar o beco sem saída em que nos encontramos, sem líderes partidários à altura das circunstâncias. Em nome do "ónus", ensaiam-se cedências de última hora, anunciam-se posições das quais não se tiram as devidas consequências e tenta-se habilidosamente empurrar para o Presidente da República as responsabilidades que os partidos se recusam a assumir.
O engº Sócrates pode ter – e tem – atrás de si seis anos de erros e malabarismos que levaram o País à situação em que este se encontra. O PSD, em contrapartida, por força do seu passado recente, não tem, neste momento, nada de relevante que possa oferecer no futuro. O partido é omisso em propostas, não tem posições claras sobre aspectos essenciais da governação e não se lhe ouve uma palavra sobre as negociações com Bruxelas.
É neste contexto, de descrença generalizada, que o engº Sócrates, engalanado com os elogios da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, avança com o seu quarto PEC em nome do superior interesse nacional, sem se ter dado ao trabalho de informar o Presidente da República ou de negociar com o maior partido da oposição o que estava a ser acordado em Bruxelas. O resultado desta subtil estratégia, que deixa o PSD sem qualquer margem para apoiar as medidas apresentadas, leva inevitavelmente à abertura de uma crise política, como o primeiro--ministro não pode ter deixado de compreender. De regresso a Portugal, o engº Sócrates tratou de definir o seu guião e de fugir ao "ónus" que lhe podia cair em cima: as medidas transformaram-se em propostas que podem ser negociadas e o chumbo deste novo pacote de austeridade levará à intervenção do FMI e a medidas ainda mais duras do que as que já foram anunciadas.
Que tem o PSD a dizer sobre isto? Que o Governo falhou no essencial e que, pelo caminho, deixou de merecer a confiança dos portugueses. Uma apreciação que não o leva a apresentar uma moção de censura, como seria natural, porque obviamente o "ónus" tem de ficar colado ao Governo. A gestão do "ónus", mais do que um passatempo inútil, é a prova de que, em caso de eleições, nada está decidido à partida. Parecem pois francamente exageradas as festas que se vão realizando, um pouco por toda a parte, a celebrar a morte política do engº Sócrates. A ver vamos."
terça-feira, 15 de março de 2011
Uma questão de carácter (ou falta de)
Em apenas cinco dias a classe politica mostrou aos portugueses e ao mundo a sua falta de carácter.
Sexta-feira, 11 de Março
O ministro das finanças, Teixeira dos Santos, dá uma conferência de imprensa para divulgar uma lista de novas e ainda mais gravosas medidas de austeridade ao mesmo tempo que o primeiro-ministro José Sócrates as apresenta em Bruxelas à comissão europeia sendo, obviamente, elogiado pelos dirigentes europeus.
Medidas que não só representam mais um aumento de impostos como atacam agora os reformados e os pensionistas, mesmo os desgraçados que recebem as pensões mínimas de miséria e que seriam congeladas por mais três anos.
Mais tarde, nesse mesmo dia, ficou o País a saber que as ditas medidas foram preparadas em segredo em conjunto com burocratas europeus durante um par de semanas e que Sócrates não se dignou dar conhecimento delas a ninguém, nem a vários membros do seu (des)governo, nem aos deputados socialistas, nem à oposição, nem ao Presidente da Republica.
Nessa mesma noite e com a indignação proveniente da confiança traída, Passos Coelho, presidente do PSD, fala em directo à comunicação social, já depois da meia-noite e, com ar grave e solene anuncia que "o PSD não vai viabilizar as novas medidas de austeridade propostas pelo governo!"
Naturalmente que, estupefactos, os jornalistas procuram que Passos Coelho esclareça melhor as suas ideias, se o partido vai apresentar uma moção de censura ao que ele volta a responder com o elucidativo "o PSD não vai viabilizar as novas medidas de austeridade propostas pelo governo!" e volta a insistir que o governo tem todas as condições para governar.
Sábado, 12 de Março
Em 11 cidades portuguesas, com destaque para Lisboa e Porto, centenas de milhar de pessoas vieram para a rua manifestar-se contra a classe politica partidária e contra as politicas erradas que estão destruir o País e atirar o povo para a miséria.
Partindo das redes sociais da internet, a manifestação foi pacifica, apartidária e extravasou o objectivo inicial de protesto da "geração à rasca" já que pessoas de todas as idades e de todas as condições sociais vieram para a rua mostrar o seu descontentamento, o seu desagrado com o que se está a passar no País.
A comunicação social deu ampla cobertura às manifestações e ninguém, em Portugal, pode desmentir o significado do que se passou.
Segunda-feira, 14 de Março
Sem duvida muito "surpreso" com o coro de protestos não só contra as suas novas medidas de austeridade mas também contra a forma como foram preparadas em segredo e apresentadas como "facto consumado", Sócrates convoca a comunicação social para fazer uma comunicação ao Pais.
O que os portugueses então esperavam de quem deveria ter um mínimo de carácter era que, face à contestação popular e às movimentações da oposição, Sócrates apresentasse a sua demissão e do (des)governo que chefia.
Tinha então as desculpas perfeitas para o fazer, até porque poderia usar à exaustão o truque da vitimização de que tanto gosta.
Que ninguém o compreende, que a oposição é formada por uma cambada de malandros que só quer é ir para o poder e que só ele luta sozinho para defender o País e que só os dirigentes europeus (e alemães) é que lhe dão o justo valor.
Com estupefacção todos ouvimos, da boca de Sócrates, um novo rol de mentiras, falsidades e desculpas esfarrapadas que não convenceram ninguém, nem sequer os próprios socialistas que tanto o defendem.
Para Sócrates a escolha do País é entre ele e o abismo.
Nessa mesma noite e em resposta o PSD, pela voz do seu secretário-geral Miguel Relvas, renovou as críticas ao primeiro-ministro e garante que não vai votar a favor as medidas apresentadas em Bruxelas insistindo que "sabe o governo que não pode contar com o PSD para continuar a pedir sacrifícios aos portugueses, sem assumir o seu falhanço",
Novamente questionado sobre uma eventual moção de censura, Miguel Relvas apenas volta a insistir que o seu partido não vai aprovar as novas medidas de austeridade.
Terça-feira, 15 de Março
Moção de censura para cá, moção de censura para lá, um dos vice-presidentes do PSd é visto na televisão a confessar que o partido ainda não censurou o governo porque ainda não teve condições para o fazer, seja o que for que isso queira dizer.
Ao fim da tarde e em directo da sede do PSD, Miguel Relvas volta a insistir na não aprovação das medidas de austeridade dizendo ainda que o PSD não está "disponível para ceder a ultimatos do governo".
Sobre moção de censura ... nada!
Em resposta e também em directo na televisão, Fernando Medina, porta voz do governo, vem de novo afirmar a surpresa pelas criticas que todos estão a fazer às medidas e à forma como foram apresentadas, já que todos sabem quais as regras a seguir por "fazermos parte da união europeia".
Para este esclarecido o que interessa "não é discutir a forma mas o conteúdo" (????).
Já à noite foi a vez de Sócrates, em entrevista na SIC Noticias, dizer que se a oposição chumbar este "PEC 4", o governo não terá legitimidade para ir apresentar essas medidas na cimeira europeia,
Muito a custo a entrevistadora, Ana Lourenço, lá conseguiu que Sócrates admitisse que caso se fosse para eleições antecipadas ele voltaria a "lutar" pelo partido socialista. No entanto não esclareceu se se demite ou se espera que o demitam.
Durante a entrevista teve tempo para lançar algumas das suas pérolas de demagogia:
- "Estou há seus meses a lutar pela credibilidade do País"
- "Ou eu ou o FMI"
- "Tudo farei para evitar uma crise politica"
- "Não estou apegado ao poder"
Esta sequência de acontecimentos mostra bem o carácter, ou falta dele, dos políticos que nos governam e dos que nos querem governar.
O interesse nacional fica relegado para segundo plano, com o interesse partidário e o controle do poder a ser o objectivo primordial desta gente.
O folhetim vai continuar nos próximos dias, ora ataca um, ora defende o outro e, pelo meio, o País vai ficando mais pobre.
Acorda, POVO, já não há pachorra para os aturar!
segunda-feira, 14 de março de 2011
Está lélé da cuca
O "Correio da Manhã" publica hoje um texto engraçado do jornalista António Ribeiro Ferreira.
"Está lélé da cuca"
"Duzentos mil indígenas protestaram em Lisboa. Oitenta mil no Porto. E mais uns milhares em diversas cidades da Pátria. Novos, velhos e de meia-idade. Pobres, remediados, bem instalados na vida, empregados e sem trabalho. Precários e seguros. Unidos contra uma classe política caduca, cega, surda e muda, agarrada a um regime falido e sem qualquer futuro.
É natural por isso mesmo que os líderes dos partidos tenham andado longe das manifestações. Prudentemente, limitaram-se a fazer uns comentários vagos de simpatia pela gentinha que está cada vez mais à rasca. A excepção, como não podia deixar de ser, foi o senhor engenheiro relativo. Puxou dos galões e enumerou as medidas que tinha aprovado a pensar nos jovens. Divórcios, casamentos gay, abortos e mudanças de sexo. Definitivamente, o homem está lelé da cuca. "
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Tacho para a cunhada de José Sócrates
Mais um mail que circula pela net e que ninguém desmentiu:
"Tacho para a cunhada de José Sócrates
Cunhada de Sócrates é assessora na EPAL
A EPAL, empresa pública tutelada pelo Ministério do Ambiente, contratou em Junho deste ano, já em plena derrapagem das contas públicas, a cunhada do primeiro-ministro para assessora do conselho de administração.
A admissão de Mara Mesquita Carvalho Fava, irmã de Sofia Fava (ex-mulher de José Sócrates), nos quadros da EPAL ocorreu após quase dois anos como trabalhadora da empresa a recibos verdes.
A cunhada de José Sócrates terá um salário mensal bruto de 2103 euros, acrescido de 21,5% do ordenado por isenção de horário de trabalho.
O ingresso de Mara Fava nos quadros da EPAL foi revelado pelo próprio jornal da empresa: na edição de Junho de 2010 do 'Águas Livres', na coluna Movimento de Pessoal, indica-se que foram admitidas Mara Fava e Mariana Barreto Dias de Castro Henriques, mulher de Jorge Moreira da Silva, ex-secretário de Estado do Ambiente, ex-consultor do Presidente da República e vice-presidente do PSD.
A Comissão de Trabalhadores, em resposta ao CM, assume que o assunto "é falado entre os trabalhadores da EPAL e em termos nada abonatórios para os envolvidos directa ou indirectamente na sua admissão, assim como para a justificação do vencimento mais isenção de horário de trabalho".
COMENTÁRIO:
Assessora de um assessor!!!! looooooooooooooool
2103€ + 452€ (21,5%) = 2555€ por mês!!!
Para quem era precária....de um momento para o outro não é nada mau
É para isto que servem os Institutos Públicos, Empresas Municipais, Fundações..
Eis a razão porque não as extinguem.
É aqui que é roubado o nosso dinheiro para dar aos familiares da bandidagem e outros parasitas da partidocracia.
Depois dizem que não há, onde cortar despesas!
E que são necessários mais impostos e mais impostos.......
Aguentem saloios !!!!!!!!!!!!!!!
Aguentem pacóvios !!!!!!!!!!!!"
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Um país à venda
Se um dos grandes trunfos da democracia foi o desenvolvimento, Portugal encontra-se neste momento numa perigosa encruzilhada.
Por: Paulo Pinto Mascarenhas, Jornalista, "Correio da Manhã"
"No ano em que se celebram – se ainda houver alguma razão para celebrar – 37 anos do 25 de Abril, o país sofre a suprema humilhação de já poucos quererem comprar o que resta da soberania nacional, oferecida por José Sócrates e Teixeira dos Santos em periódicos leilões da dívida pública.
O governo vende-se barato nos mercados internacionais e os contribuintes vão continuar a pagar caro décadas de corrupção, incúria e despesismo do Estado.
Não deixa de ser assustador ouvir José Sócrates repetir que Portugal não precisa de nenhuma assistência financeira quando todos sabemos que o país já se encontra nas urgências e só sobrevive ligado às máquinas do Banco Central Europeu.
Sócrates queixa-se do aproveitamento político da oposição a propósito de uma possível intervenção do Fundo Monetário Internacional. Mas o primeiro-ministro só se pode queixar de si próprio: foi ele quem abriu as portas à recessão e ao FMI. Pouco mais falta que entregar a pesada factura ao próximo inquilino de S. Bento e ao povo português. "
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Uma vida horrível
Tiago Mesquita, jornalista do "Expresso" publicou um texto no seu blogue "100 reféns" em que relembra palavras antigas de José Sócrates sobre as suas qualidades para governar o País.
"Não tenho o talento e as qualidades que um primeiro-ministro deve ter" - José Sócrates
"É uma vida horrível que eu não desejo."
Para os que o acusam de faltar constantemente à verdade e de não ter competência para o cargo fica a resposta de José Sócrates dada, imagine-se, no dia 16 de Setembro de 2000.
José Sócrates, então ministro do Ambiente, em entrevista ao "Diário de Notícias"."Engenheiro José Sócrates, vamos vê-lo, um dia, primeiro-ministro?"
"Não! Primeiro porque não tenho o talento e as qualidades que um primeiro-ministro deve ter. Segundo, porque ser primeiro-ministro é ter uma vida na dependência mais absoluta de tudo, sem ter tempo para mais nada. É uma vida horrível que eu não desejo. Ministro é o meu limite. Aceitei pagar este preço. Nada mais do que isso." "DN"/2000
1 - José Sócrates cedo avisou que não tinha talento ou qualidade para ser primeiro-ministro, foi o primeiro a fazê-lo, por isso não venham agora queixar-se do resultado e dizer que ele não tem competências para o cargo porque na altura ninguém o desmentiu. Talvez tenha começado assim o mito de que o primeiro-ministro falta à verdade, outra calúnia. No caso de virem pedir satisfações é só lerem a entrevista ao "DN" do distante ano de 2000. É como ir chefiar a cozinha de um restaurante de luxo e avisar que não se sabe estrelar um ovo e depois quando o restaurante falir por falta de clientes... "Meus caros, eu bem vos disse que não tinha qualquer talento mas vocês não acreditaram". "A minha área são as argamassas".
2 - Ser primeiro-ministro para José Sócrates é, ou pelo menos era antes de o ser, algo horrível e que não desejava. Uma espécie de cargo com sintomas hemorroidais permanentes. Algo que ninguém quer sentir. Pelo menos quem não tiver qualidades ou talento ao nível da gestão de coisas horríveis e pestilentas e que causem verdadeiramente asco. Ministro ainda vá, eu "pago esse preço" e trato-vos do Ambiente. Mas "é o meu limite". Já estão a pedir muito ao José e isto não estica em termos "de talento e qualidades".
3 - Para se ser ministro em Portugal não é preciso ter qualquer espécie de talento ou qualidade (o que explica algumas escolhas). São características exigidas ao primeiro-ministro. E mesmo neste caso podem ser abertas exceções como a dupla eleição de José Sócrates confirma. Há ali uma fronteirazinha que divide o cargo de "simples" ministro e primeiro-ministro. De um lado a ausência de qualidade e talento, do outro a...falta de qualidade e talento mas com mais cinco anos de política em cima. Em pouco mais de cinco anos José Sócrates, segundo ele próprio, passou da versão humilde "sem talento ou qualidades para exercer o cargo" à arrogante "ainda está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor do que eu". Brilhante.
Os portugueses agiram nisto tudo como aqueles pais que decidem tirar as rodinhas à bicicleta dos filhos porque confiam na sua agilidade e destreza, no seu equilíbrio para conduzir a dita sem apoio ou muleta. Depois, quando o filho se enfia de frente contra um pinheiro resta a mágoa da escolha ao ver a criança em agonia, com o cabelo cheio de caruma e uma pinha enfiada na boca. Os portugueses tiraram as rodinhas a José Sócrates duas vezes. Os resultados estão à vista."
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
A sombra da falsidade
O "Diário de Noticias" publica hoje um artigo muito interessante de João César das Neves. A questão que se coloca é:
- Porque ainda não foi demitido?
A sombra da falsidade
"Os últimos anos trouxeram um traço original à nossa realidade política. Pela primeira vez há muitas décadas o País vê-se a viver debaixo de um manto de suspeitas, enganos, falsidades.
A vida política sempre teve proverbiais problemas com a verdade, pior numa sociedade mediática. Mas se uma certa ilusão e encenação fazem parte do saudável confronto parlamentar, existem épocas de distorção inaceitável, mesmo em sociedades civilizadas. O caso clássico é a presidência de Richard Nixon, cujo estilo e esquemas marcaram um período conturbado da fogosa democracia americana. Hoje vive-se situação semelhante em Portugal.
Desde 1974 a democracia sofreu fases muito diferentes, algumas difíceis e incertas. Mas nunca se viveu um clima de desconfiança e embuste como actualmente. Se tal situação não pode ser atribuível a uma pessoa, é verdade que, como Nixon, cabe a José Sócrates o papel central de responsável, inspirador e maestro desse ambiente. Trata-se, não tanto de um esquema consciente e organizado, mas de uma segunda natureza instintiva e automática.
As provas, hoje esmagadoras, tiveram sintomas desde o princípio. Apesar da pose inicial de estadista reformador, Sócrates viu-se logo envolvido num espectacular ardil para fugir da solene promessa eleitoral de não aumentar impostos. A surpresa indignada perante o que todos sabiam, o nível do défice, e a comissão técnica justificativa da cambalhota foram criações magistrais no género.
Este foi apenas o primeiro episódio de longa novela de ficções e patranhas. As questões financeiras permaneceram tema favorito, até ao rosário de PEC de 2010. A descarada desorçamentação e contabilidade criativa para sustentar projectos favoritos, como energias renováveis, distribuição de computadores e outros devaneios, escondem pesadíssimos compromissos sobre o futuro. Sobretudo as parcerias público-privadas, em que se apostou como nenhum governo do mundo, representam uma bomba de relógio fiscal que ultrapassa toda a nossa multissecular história de desregramento.
Nem só de dinheiros viveu a aldrabice. Todos os campos da vida nacional estiveram, mais ou menos, debaixo da sombra da falsidade. Das graves acusações na sua vida pessoal às supostas reformas corajosas que não mudavam nada, foram cinco anos de encenações, enredos e miragens. Claro que se tomaram medidas importante e foram feitas mudanças estruturais. Mas até essas tinham de vir sempre envolvidas em pretensões exageradas e roupagens fantásticas.
Nas questões fracturantes, prioridade irresponsável deste executivo, foram realizados prodígios de prestidigitação. Afirmando-se sempre um político equilibrado, moderno e conciliador, Sócrates enveredou impudente- mente pelo partido mais extremista, palpavelmente feliz por conseguir tal ilusionismo diante do país embasbacado.
É muito curioso que, nas várias suspeitas que surgiram relativamente a aspectos da sua história pessoal e política, o senhor primeiro-ministro tenha adoptado sempre a posição oposta à canónica. Os políticos acusados de fraudes ou tropelias costumam afirmar-se ansiosos que a questão vá a tribunal para que a verdade vença. Sócrates, nunca abandonando uma posição de negação indignada, fez sempre tudo para evitar o esclarecimento jurídico.
Este comportamento na cúpula ressentiu-se em todos os níveis da vida nacional. Portugal habituou-se a ver publicamente as contínuas e sistemáticas práticas de sobrepor à realidade um filtro distorcido, empregar expedientes oportunistas de manipulação, negar a evidência mais patente. A verdade desaparece sempre debaixo dos fumos da conveniência. Agora a crise faz a impostura descer a canalhice.
É bom não exagerar o significado desta realidade. Embora indiscutivelmente grave e nocivo, este novo estilo político nada tem a ver com as misérias de há cem anos. Além disso o repúdio generalizado pelo consulado de Sócrates terá consequências futuras. Como Nixon, ele ficará na história como hiato triste e aviso solene. Felizmente José Sócrates não representa a política lusa."
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Contra Sócrates e contra os partidos
O "Correio da Manhã" traz hoje dois interessantes artigos de opinião reproduzidos a seguir.
O primeiro é de Ângelo Correia (PSD) a criticar o discurso de Natal de Sócrates, O segundo é do jornalista António Ribeiro Ferreira e fala sobre a escandalosa lei de financiamento dos partidos que os mesmos partidos aprovaram, recentemente, no parlamento.
"O discurso de Natal
O discurso de Natal do Engº Pinto de Sousa (Primeiro-Ministro de Portugal) foi esclarecedor. A crise está a ser ultrapassada e o futuro é risonho. Ninguém vê isso, só ele e o seu Gabinete. A origem do mal não é nossa, é fruto da nossa inserção no mundo, e só este lhe pode dar conserto; ou seja, somos perfeitos num mundo de imperfeições. Que azar o nosso estarmos nesta galáctica!
Ele, Engº Pinto de Sousa, está firme, determinado e capaz de resolver os problemas. Excelente. Temos homem! Não temos é economia, nem saúde financeira. Quando é que o Engº Pinto de Sousa percebe que o País não é ele e só ele? Entende que é importante evidenciar determinação e vigor, mas, isso são atitudes que se consubstanciam em acções e projectos originados pelas pessoas e pelas empresas, e estas precisam da mesma determinação e vigor que o Engº Pinto de Sousa exibe.
Ele tem de perceber que não está sozinho em Portugal, e, se quer que o desenvolvimento se processe, tem de criar condições para todo o País e que não só o seu Gabinete o sinta. E tal não acontece. Não se acredita que o seu Governo controle as despesas do Estado. Não se vê ele restringir as entidades no Estado aos seus "boys". Não se sente a isenção e independência na escolha de cargos públicos. Não se vê qualquer modificação na política de licenciamentos, quando esta é talvez a causa dos maiores problemas ao investimento privado. Não se contempla qualquer espaço de consensualização de uma política nacional de progresso e desenvolvimento. Não se vê uma verdadeira redução do papel do Estado, mas antes a pior das opções, que se traduz em tudo continuar a existir como antes, e se cortarem cegamente as verbas para o seu funcionamento.
A curto prazo teremos serviços parados a meio do ano por asfixia financeira, em vez de os que fazem falta funcionarem bem o ano inteiro, e os já desnecessários serem extintos. A lógica sempre foi deitar dinheiro para cima dos problemas como se isso os resolvesse, ou cortar a direito sem critérios de selectividade e importância. Enquanto isto e outros aspectos não forem perspectivados e projectados na acção quotidiana, bem pode o Engº Pinto de Sousa bradar que está ali qual S. Jorge a combater o dragão, que o País não o acompanha nessa luta solitária. Numa palavra: o Primeiro-Ministro tem de falar seriamente ao País e com igual seriedade ouvi-lo. Portugal precisa de saber o caminho. Portugal precisa de solidariedade no esforço, na acção e na inteligência, e o P. M. não se pode furtar a isso! Ele existe porque nós existimos, e sem nós ele não é nada!"
"Pilares da corrupção
Os deputados da Nação aprovaram uma nova lei de financiamento partidário. Acontece que a anterior legislação estava em vigor há pouco tempo, feita pelos mesmos representantes do povo.
Mas, evidentemente, tinha algumas falhas, nomeadamente, impedia a entrada de dinheiro nos cofres partidários sem qualquer controlo. O Estado, como se sabe, sustenta os partidos a pão-de-ló.
São muitos milhões de euros todos os anos para tudo e mais alguma coisa, incluindo a tralha atirada ao lixo nas campanhas eleitorais. Agora, até as multas por infracções à nova lei vão ser pagas com a massa dos impostos.
Já se sabia que as forças políticas eram autênticas agências de tachinhos, tachos e tachões para boys e girls. Agora, passam a ser também os verdadeiros pilares da corrupção."
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Confisco do Estado
Mais um texto de Armando Esteves Pereira, Director-Adjunto do Correio da Manhã hoje publicado nesse jornal.
"Confisco do Estado"
"Entre as marcas que o Governo de Sócrates vai deixar, encontra-se o aumento da carga fiscal sobre a economia.
De acordo com a OCDE, de 1995 a 2008, Portugal foi o campeão da subida de impostos, chegando aos 35,2%, o que significa que, em cada euro de riqueza produzida, 35,2 cêntimos revertiam para os cofres fiscais. Mas, este ano, os impostos aumentaram e, no próximo Janeiro, há nova subida, especialmente do IVA, que terá um efeito nefasto. O peso real da carga fiscal na economia aproxima-se perigosamente dos 40%, o que significa que o Estado é o principal sócio das empresas e dos cidadãos na divisão dos rendimentos.
O pior é que estes impostos não serviram para tornar um Estado mais eficaz nos serviços prestados aos cidadãos. O Estado engordou, criou clientelas, deu comissões milionárias em contratos de concessões e adjudicações. Mais do que o monstro de que há anos falou o actual Presidente da República, tornou-se num polvo, que beneficia uma pequena elite e devora os cidadãos e os funcionários públicos e trava a economia. Se houvesse honestidade e rigor na gestão dos dinheiros públicos, o País não precisava de confiscar tanto dinheiro aos cidadãos e às empresas. Basta ver os inúmeros relatórios do Tribunal de Contas para ver o desperdício criminoso do nosso dinheiro. Mas, infelizmente, ninguém vai preso por isso. Nem sequer há acusados."