DERRUBAR O GOVERNO É OBRIGAÇÃO PATRIÓTICA

O inutil Cavaco Silva deu carta branca ao atrasado mental Passos Coelho para continuar a destruir Portugal e reduzir os portugueses a escravos da ganância dos donos do dinheiro.
Um governo cuja missão é roubar recursos e dinheiro às pessoas, às empresas, ao país em geral, para os entregar de mão beijada aos bancos e aos especuladores é um governo que não defende o interesse nacional e, por isso, tem de ser corrido o mais depressa possivel.
Se de Cavaco nada podemos esperar, resta a luta directa para o conseguirmos.
Na rua, nas empresas, nas redes sociais, há que fomentar a revolta, a rebelião, a desobediência, mostrar bem que o povo está contra Passos Coelho, Portas e os outros imbecis que o acompanham e tudo fazer para ajudar à sua queda.
REVOLTEM-SE!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Quem é o culpado?

Um texto muito certeiro de Fernando Sobral hoje publicado no "jornal e negócios".

"Quem é o culpado?

Em Portugal não se buscam culpados. Tentam encontrar-se desculpas. A desculpabilização tornou-se a nossa crise política permanente.
Enquanto a intriga alastra como ideologia nacional, as culpas expiam-se culpando os outros. José Sócrates, nisso, é um actor perfeito. Se aparecesse num programa de Oprah Winfrey sairia de lá em ombros. O problema é que vivemos em Portugal e num momento especialmente grave. Sócrates já culpou tudo o que move e o que está nas sombras do mal que vai torrando, em fogo lento, os portugueses. Ora são os mercados, ora a oposição. Confúcio sabia responder a isto: "o homem superior atribui a culpa a si próprio; o homem comum aos outros". A política é um excelente palco para que cada um passe a culpa para os outros. Sócrates passa a culpa para Passos Coelhos e este devolve-a a Sócrates. E Cavaco Silva, que não tem a certeza que deva actuar para que o Governo caia, também quer ficar com as mãos limpas. Para não ficar com a culpa de ter provocado a tempestade. Passos Coelho que avance, se tiver coragem. A classe política portuguesa está mais interessada em não ter culpas do que em tomar decisões claras e incisivas. Quando em política ninguém quer ter a culpa entramos na indiferença geral. Isto enquanto o País vai sendo castigado. A culpa maior está no egoísmo da nossa elite, que afasta como pingos de água indesejáveis as suas sucessivas decisões erradas. A culpa política não se cura com aspirina. Nem com ansiolíticos. E o País também não deixa de estar doente com esta dança da chuva em que cada político procura uma desculpa para tudo o que faz. Ou não."

Só mudam as moscas

Mais um texto de António Ribeiro Ferreira hoje publicado no "Correio da Manhã".

"Só mudam as moscas

Parece que é desta. A Pátria vai mesmo para eleições nesta Primavera de 2011. E já não há pachorra para discutir ónus e outras coisas mais. Os indígenas lá vão, a rir ou a chorar, à rasca ou à rasquinha, depositar os seus votos nas urnas.

E aí, sim, veremos se este povinho, que anda a ser enganado há mais de trinta anos, aprendeu a lição. Bem podem gritar cobras e lagartos contra o senhor engenheiro relativo. A verdade é que a alternativa anunciada, a do economista relativo cada vez mais liberal que lidera o PSD, é feita da mesma massa. E com FMI ou sem FMI, a vidinha vai continuar a andar para trás. Não há Virgem de Fátima que acuda esta terrinha de Santa Maria. Com rosas ou laranjas no poder a encharcar o Estado com os seus boys e girls, a porcaria é e será sempre a mesma. Só mudam as moscas."

sexta-feira, 18 de março de 2011

Os PECados originais

Um excelente texto hoje publicado no "Diário Económico" pelo seu Subdirector Vitor Costa

"Ainda não passaram seis meses, mas Portugal já voltou ao ponto de partida. Tal como em Outubro do ano passado voltamos a um cenário de ameaças à estabilidade política.

Desta vez não é o Orçamento do Estado. É o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). A versão, dizem ser a IV, mas a contagem não é fácil.

Merece este PEC o apoio dos portugueses e dos partidos com assento parlamentar? Não. E não é só este PEC que merece ser chumbado. É o Governo que merece ser expulso. Até porque se esforçou por o merecer.

Enganou os portugueses. Andou a gritar que éramos os campeões do crescimento, mas em meados do ano passado começou a aumentar impostos. Fez subir o IVA, o IRS e o IRC. Foi mais longe, e depois de já ter aniquilado a esperança dos portugueses apresentou um Orçamento ainda com mais austeridade. Voltou a subir o IVA, o IRS e o IRC e cortou salários na administração pública. Mas dando provas de que pior ainda seria possível propõe-se agora a aumentar novamente os impostos em 2012 e 2013. Desta vez, no entanto, há requintes de malvadez. Já não basta congelar as pensões mais baixas e subir os impostos. José Sócrates consegue penhorar os pensionistas e retirar-lhe parte da pensão que fizeram por merecer ao longo de uma vida de trabalho. É uma espécie de cobrança de dívidas que estes nunca tiveram. A dificuldade está em classificar tamanha coragem para salvar o País.

Mas o PEC IV quando for, ou se chegar a ser apresentado no Parlamento, terá os seus méritos. O primeiro resulta de pôr a nu dois pecados. O primeiro, o original, já vem de 2010.

O Orçamento do Estado para este ano nunca deveria ter sido aprovado apesar da estranha unanimidade entre empresários, banqueiros e economistas que não lhe reconhecendo validade, diziam que era indispensável. Tudo em nome da estabilidade política. Não durou seis meses.

E o Orçamento para 2011 não merecia aprovação porque não passava de um conjunto de medidas que, penalizando fortemente as famílias, deixava o Estado com a mesma gordura e sem melhorar a sua competitividade. Mas também merecia ser chumbado porque tinha a originalidade de apresentar dois cenários macroeconómicos: um, que previa uma recessão que nunca foi inscrita no cenário macroeconómico, e outra, que previa crescimento económico ao bom estilo de um País campeão do crescimento.

E esta farsa no cenário macroeconómico foi o segundo pecado que nos trouxe ao PEC IV. Porque foi aí que a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu se agarraram para desmascarar a farsa. E foi aí que se agarraram para obrigar José Sócrates e Teixeira dos Santos a apresentar mais medidas de austeridade.

Agora, no meio do desespero, Sócrates tenta avançar para eleições. Mas para isso terá de apresentar o PEC IV no Parlamento. Imagine-se, com um novo cenário macro. Agora já corrigido à partida por Bruxelas e Frankfurt. Ficará a nu o segundo pecado: Portugal não só está em recessão como a quebra da economia será forte.

Num País onde parece valer tudo fica, ainda assim, a dúvida: revelará José Sócrates a mesma coragem que tem perante os pensionistas e irá ignorar Bruxelas e o BCE? "

A ver vamos

Texto de Constança Cunha e Sá hoje publicado no Correio da Manhã

"Como se tem visto, nos últimos dias, mais importante do que uma crise política é saber quem fica com o "ónus" de a ter desencadeado.

Este pequeno teatro, a que o Governo e o PSD se entregam com particular esmero, sendo um passatempo táctico de gosto duvidoso, não deixa de mostrar o beco sem saída em que nos encontramos, sem líderes partidários à altura das circunstâncias. Em nome do "ónus", ensaiam-se cedências de última hora, anunciam-se posições das quais não se tiram as devidas consequências e tenta-se habilidosamente empurrar para o Presidente da República as responsabilidades que os partidos se recusam a assumir.

O engº Sócrates pode ter – e tem – atrás de si seis anos de erros e malabarismos que levaram o País à situação em que este se encontra. O PSD, em contrapartida, por força do seu passado recente, não tem, neste momento, nada de relevante que possa oferecer no futuro. O partido é omisso em propostas, não tem posições claras sobre aspectos essenciais da governação e não se lhe ouve uma palavra sobre as negociações com Bruxelas.

É neste contexto, de descrença generalizada, que o engº Sócrates, engalanado com os elogios da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, avança com o seu quarto PEC em nome do superior interesse nacional, sem se ter dado ao trabalho de informar o Presidente da República ou de negociar com o maior partido da oposição o que estava a ser acordado em Bruxelas. O resultado desta subtil estratégia, que deixa o PSD sem qualquer margem para apoiar as medidas apresentadas, leva inevitavelmente à abertura de uma crise política, como o primeiro--ministro não pode ter deixado de compreender. De regresso a Portugal, o engº Sócrates tratou de definir o seu guião e de fugir ao "ónus" que lhe podia cair em cima: as medidas transformaram-se em propostas que podem ser negociadas e o chumbo deste novo pacote de austeridade levará à intervenção do FMI e a medidas ainda mais duras do que as que já foram anunciadas.

Que tem o PSD a dizer sobre isto? Que o Governo falhou no essencial e que, pelo caminho, deixou de merecer a confiança dos portugueses. Uma apreciação que não o leva a apresentar uma moção de censura, como seria natural, porque obviamente o "ónus" tem de ficar colado ao Governo. A gestão do "ónus", mais do que um passatempo inútil, é a prova de que, em caso de eleições, nada está decidido à partida. Parecem pois francamente exageradas as festas que se vão realizando, um pouco por toda a parte, a celebrar a morte política do engº Sócrates. A ver vamos."

terça-feira, 15 de março de 2011

Uma questão de carácter (ou falta de)

Em apenas cinco dias a classe politica mostrou aos portugueses e ao mundo a sua falta de carácter.

Sexta-feira, 11 de Março

O ministro das finanças, Teixeira dos Santos, dá uma conferência de imprensa para divulgar uma lista de novas e ainda mais gravosas medidas de austeridade ao mesmo tempo que o primeiro-ministro José Sócrates as apresenta em Bruxelas à comissão europeia sendo, obviamente, elogiado pelos dirigentes europeus.

Medidas que não só representam mais um aumento de impostos como atacam agora os reformados e os pensionistas, mesmo os desgraçados que recebem as pensões mínimas de miséria e que seriam congeladas por mais três anos.

Mais tarde, nesse mesmo dia, ficou o País a saber que as ditas medidas foram preparadas em segredo em conjunto com burocratas europeus durante um par de semanas e que Sócrates não se dignou dar conhecimento delas a ninguém, nem a vários membros do seu (des)governo, nem aos deputados socialistas, nem à oposição, nem ao Presidente da Republica.

Nessa mesma noite e com a indignação proveniente da confiança traída, Passos Coelho, presidente do PSD, fala em directo à comunicação social, já depois da meia-noite e, com ar grave e solene anuncia que "o PSD não vai viabilizar as novas medidas de austeridade propostas pelo governo!"

Naturalmente que, estupefactos, os jornalistas procuram que Passos Coelho esclareça melhor as suas ideias, se o partido vai apresentar uma moção de censura ao que ele volta a responder com o elucidativo "o PSD não vai viabilizar as novas medidas de austeridade propostas pelo governo!" e volta a insistir que o governo tem todas as condições para governar.

Sábado, 12 de Março

Em 11 cidades portuguesas, com destaque para Lisboa e Porto, centenas de milhar de pessoas vieram para a rua manifestar-se contra a classe politica partidária e contra as politicas erradas que estão destruir o País e atirar o povo para a miséria.

Partindo das redes sociais da internet, a manifestação foi pacifica, apartidária e extravasou o objectivo inicial de protesto da "geração à rasca" já que pessoas de todas as idades e de todas as condições sociais vieram para a rua mostrar o seu descontentamento, o seu desagrado com o que se está a passar no País.

A comunicação social deu ampla cobertura às manifestações e ninguém, em Portugal, pode desmentir o significado do que se passou.

Segunda-feira, 14 de Março

Sem duvida muito "surpreso" com o coro de protestos não só contra as suas novas medidas de austeridade mas também contra a forma como foram preparadas em segredo e apresentadas como "facto consumado", Sócrates convoca a comunicação social para fazer uma comunicação ao Pais.

O que os portugueses então esperavam de quem deveria ter um mínimo de carácter era que, face à contestação popular e às movimentações da oposição, Sócrates apresentasse a sua demissão e do (des)governo que chefia.

Tinha então as desculpas perfeitas para o fazer, até porque poderia usar à exaustão o truque da vitimização de que tanto gosta.
Que ninguém o compreende, que a oposição é formada por uma cambada de malandros que só quer é ir para o poder e que só ele luta sozinho para defender o País e que só os dirigentes europeus (e alemães) é que lhe dão o justo valor.

Com estupefacção todos ouvimos, da boca de Sócrates, um novo rol de mentiras, falsidades e desculpas esfarrapadas que não convenceram ninguém, nem sequer os próprios socialistas que tanto o defendem.

Para Sócrates a escolha do País é entre ele e o abismo.

Nessa mesma noite e em resposta o PSD, pela voz do seu secretário-geral Miguel Relvas, renovou as críticas ao primeiro-ministro e garante que não vai votar a favor as medidas apresentadas em Bruxelas insistindo que "sabe o governo que não pode contar com o PSD para continuar a pedir sacrifícios aos portugueses, sem assumir o seu falhanço",

Novamente questionado sobre uma eventual moção de censura, Miguel Relvas apenas volta a insistir que o seu partido não vai aprovar as novas medidas de austeridade.

Terça-feira, 15 de Março

Moção de censura para cá, moção de censura para lá, um dos vice-presidentes do PSd é visto na televisão a confessar que o partido ainda não censurou o governo porque ainda não teve condições para o fazer, seja o que for que isso queira dizer.

Ao fim da tarde e em directo da sede do PSD, Miguel Relvas volta a insistir na não aprovação das medidas de austeridade dizendo ainda que o PSD não está "disponível para ceder a ultimatos do governo".

Sobre moção de censura ... nada!

Em resposta e também em directo na televisão, Fernando Medina, porta voz do governo, vem de novo afirmar a surpresa pelas criticas que todos estão a fazer às medidas e à forma como foram apresentadas, já que todos sabem quais as regras a seguir por "fazermos parte da união europeia".
Para este esclarecido o que interessa "não é discutir a forma mas o conteúdo" (????).

Já à noite foi a vez de Sócrates, em entrevista na SIC Noticias, dizer que se a oposição chumbar este "PEC 4", o governo não terá legitimidade para ir apresentar essas medidas na cimeira europeia,

Muito a custo a entrevistadora, Ana Lourenço, lá conseguiu que Sócrates admitisse que caso se fosse para eleições antecipadas ele voltaria a "lutar" pelo partido socialista. No entanto não esclareceu se se demite ou se espera que o demitam.

Durante a entrevista teve tempo para lançar algumas das suas pérolas de demagogia:
- "Estou há seus meses a lutar pela credibilidade do País"
- "Ou eu ou o FMI"
- "Tudo farei para evitar uma crise politica"
- "Não estou apegado ao poder"

Esta sequência de acontecimentos mostra bem o carácter, ou falta dele, dos políticos que nos governam e dos que nos querem governar.

O interesse nacional fica relegado para segundo plano, com o interesse partidário e o controle do poder a ser o objectivo primordial desta gente.

O folhetim vai continuar nos próximos dias, ora ataca um, ora defende o outro e, pelo meio, o País vai ficando mais pobre.

Acorda, POVO, já não há pachorra para os aturar!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Está lélé da cuca

O "Correio da Manhã" publica hoje um texto engraçado do jornalista António Ribeiro Ferreira.

"Está lélé da cuca"

"Duzentos mil indígenas protestaram em Lisboa. Oitenta mil no Porto. E mais uns milhares em diversas cidades da Pátria. Novos, velhos e de meia-idade. Pobres, remediados, bem instalados na vida, empregados e sem trabalho. Precários e seguros. Unidos contra uma classe política caduca, cega, surda e muda, agarrada a um regime falido e sem qualquer futuro.

É natural por isso mesmo que os líderes dos partidos tenham andado longe das manifestações. Prudentemente, limitaram-se a fazer uns comentários vagos de simpatia pela gentinha que está cada vez mais à rasca. A excepção, como não podia deixar de ser, foi o senhor engenheiro relativo. Puxou dos galões e enumerou as medidas que tinha aprovado a pensar nos jovens. Divórcios, casamentos gay, abortos e mudanças de sexo. Definitivamente, o homem está lelé da cuca. "

sábado, 12 de março de 2011

O povo acordou?

12 de Março de 2011 fica para a história como o dia em que o povo acordou?

Em Lisboa, Porto e noutras nove cidades do Pais, centenas de milhares de pessoas vieram para a rua em protesto contra a classe politica.

A partir de uma iniciativa de jovens no facebook para protestar contra o emprego precário ou contra o desemprego, rapidamente o protesto extravasou o objectivo inicial e pessoas de todas as idades vieram para a rua para dar voz à sua indignação.

Os cartazes visíveis na Avenida da Liberdade, em Lisboa, eram bem demonstrativos da revolta que o povo sente em relação à politica partidária e aos políticos que levaram o Pais à ruína ao mesmo tempo que, delapidando a economia nacional, encheram os bolsos com fortunas de difícil explicação.

Também os gritos e as palavras de ordem se fizeram ouvir, desde o velho "o povo unido jamais será vencido" até um muito significativo "E o povo, pá?".

Tunísia, Egipto, Líbia e outros países árabes mostraram como as novas gerações conseguem promover as suas causas e a contestação popular nas modernas redes sociais da internet.

Pois bem, parece que o mesmo aconteceu hoje em Portugal.

Resta saber se a classe politica será capaz de entender o que hoje aconteceu e daí tirar as devidas ilações.

Será que, parafraseando o filme "A mosca" (1986), é caso para lhes recomendar "Be afraid. Be very afraid" ?

sexta-feira, 11 de março de 2011

A mediocridade dos políticos

O "jornal de negocios" publica hoje uma muito interessante reflexão de Fernando Braga de Matos* sobre a politica partidária em Portugal.

"A mediocridade dos políticos"

"(Onde o autor, membro de um país à rasca - não há exclusivos para a juventude - e à espera de regeneração, lembra que com sistema partidocrático e vencimentos medíocres obtêm-se políticos medíocres e, portanto, extremamente caros).

Quem não quereria ter uma elite nos órgãos públicos eleitos ou de nomeação política? A dita boa governança só acontece com métodos e princípios superiores, mas, se os agentes responsáveis não forem em conformidade, o resultado só pode ser negativo.

O estado catatónico a que chegamos tem aí uma das principais razões, conclusão muito pouco arriscada quanto mais não seja por exclusão de partes. O regime socialista de Estado excessivo e despesa a eito , pode explicar muita coisa, mas sem os políticos que lhe dão expressão não chegaria a este ponto. De resto, desde o 25 de Abril, fazendo 'pé sanga' no PREC e na Grande recessão, tudo correu bem, com inundações de fundos de coesão, alargamento de mercados, moeda sólida e juros baixos, oportunidades únicas que já não voltam. Mas com esta gente…

E como se atraem para a política os melhores valores? As motivações para a função são conhecidas: ideologia, vontade de serviço público, interesse em sobressair e exercer poder, remuneração atraente. No sistema constitucional, legal e prático que temos, a predominância dos partidos funciona como método de estiolar o talento e cativar a subserviência, ao mesmo tempo que captura o Estado e as suas ramificações nas empresas públicas e de prático monopólio.

Não se entra nas listas para o Parlamento a não ser dentro dos partidos e com beneplácito das chefias e a recompensa vai para a fidelidade e militância, preterindo a diferença, a ousadia e o mérito. Claro que nem todas as velas desta igreja ficam apagadas, mas que o incentivo para os melhores se desvanece, isso é incontestável, como se se tivesse descoberto uma rede donde foge o peixe mais valioso. Não se entra nas empresas do Estado ou de sua influência sem cartão do clube político e chega a ser deprimente como os partidos predominantes, principalmente o que está no poder há 15 anos menos 3, põem e dispõem sobre as nomeações, que até escorrem para os postos intermediários e menores. Há dias o presidente da Câmara de Guimarães vituperava a socialista presidente da "Capital Europeia da Cultura" por esta, pessoa aliás talentosa, ter contratado um também talentoso economista simpatizante do PSD!

Este autarca cometeu o erro de falar, ainda por cima achando desejável o sistema de designação por "boys", na expressão celebrizada por Guterres; agora imaginem o que não se passa pela calada. E ainda ficam postos de duplicação que servem para recompensa partidária, como os famosos governadores civis, ou as nomeações políticas para as direcções-gerais. É um Estado enorme que fica aguilhoado e incrustado de parasitas e lapas difíceis de extrair e, assim é seguro que de permanente só vamos ter a crise.

Por outro lado, uma motivação a todos dirigida está na remuneração, e esta , possivelmente, é das poucas que residualmente ficam entre as que citei acima, numa época em que os "ismos" quase desapareceram e o dever público é para candidatos à santidade. Então, com grande sentido de inoportunidade, sustento que os pobres dos políticos são claramente mal pagos se se lhes pede qualidade pessoal, integridade exemplar e resultados eficazes, e que, como se colhe o que se semeia, não teremos que nos queixar. Não vejo como se vai atrair sistematicamente para os mais altos cargos a nata profissional ou empresarial sem uma remuneração pelo menos aproximada ao que o mercado ou a carreira pagam ou pode vir a pagar no percurso da vida. Até dou de barato que essa gente tem paciência para se sujeitar à mais absoluta devassa, crítica acrítica e defensordemourismo, e que no pagamento não haveria por isso de se incluir um prémio .

Ora, a não ser eliminando o monopólio partidário absoluto e promovendo o pagamento generoso e transparente dos agentes políticos, estaremos continuadamente a incluir na carruagem da governação a incompetência, a corrupção, o nepotismo, a obscuridade dos interesses. O regime está a definhar e a morrer, já não há eleições que lhe valham dentro deste quadro, e coisas como estas são apenas pequenas partículas no caminho para a regeneração da república democrática."



* Advogado, autor de " Ganhar em Bolsa" (ed. D. Quixote), "Bolsa para Iniciados" e "Crónicas Politicamente Incorrectas" (ed. Presença). fbmatos1943@gmail.com

O "passarão" falou

Esta foi uma semana recheada de acontecimentos politicos.

Na quarta-feira foi a tomada de posse de Cavaco Silva para o seu segundo mandato como presidente da Republica.

No seu discurso fez uma análise da grave situação económica e social do País pondo as culpas em Sócrates e no seu (des)governo socialista.

Curiosamente esqueceu-se de referir que, enquanto primeiro-ministro, fez muito do que agora diz estar mal, desde o esbanjar de fundos europeus até à nomeação de PSDs para cargos na administração e nas empresas publicas.

Cavaco falou e os comentadores do costume logo se apressaram a "analisar" as suas palavras, o que quis dizer, o que não disse, o que vai dizer a seguir, etc, etc, etc.

Cavaco foi eleito por menos de um quarto dos eleitores e não é a absurda lei eleitoral que faz dele o "presidente de todos os portugueses".

Desenganem-se os que esperam que Cavaco tome uma atitude e demita o governo.

A verdade é que Portugal corre o risco de ter de aguentar com Sócrates até ao fim de mandato em 2013 já que o PSD joga ao "toque e foge" com o PS.
Ora o governo não serve, ora tem todas as condições para governar.
Ora as politicas do governo são erradas ora está a trabalhar para reduzir o défice.

Quinta-feira discutiu-se no parlamento a moção de censura do bloco de esquerda ao governo.

Como o PSD e o CDS se abstiveram na votação a moção foi chumbada pelos votos dos socialistas.

Assim não vamos a lado nenhum.

Passos Coelho pode não ter coragem para assumir responsabilidades ou não o fazer por estar à espera que Sócrates caia de maduro e que o poder lhe caia no colo, de preferência com maioria absoluta.

É exactamente para não terem essa maioria que é necessário ir para eleições já.

De acordo com as sondagens o PSD teria apenas maioria relativa para formar governo o que seria benéfico para o País dadas as propostas para o programa eleitoral do partido que foram tornadas publicas na quinta-feira.

Privatização de hospitais e de escolas, privatização de empresas estatais que dão lucro como os CTT, a Ana, etc, e alteração da lei laboral para facilitar despedimentos.

As propostas apresentadas retratam uma visão liberal para a revitalização da economia, assente em eixos como uma significativa redução do peso do Estado e de uma política fiscal muito atractiva para grandes empresas.

Já o povo ... !

Chegamos então a sexta-feira para ouvir o ministro das finanças anunciar ainda mais medidas de austeridade, a começar pelo congelamento das pensões e pela aplicação de uma "contribuição especial" para as reformas acima de 1.500 euros.

Facto muito, mesmo muito curioso:
Angela Merkel, a chanceler alemã que manda na Europa apressou-se a elogiar as medidas enunciadas, assim como Durão Barroso também o fez.

Foi, realmente, uma semana em cheio.

Foi a semana em que o "passarão" falou e o povo português finalmente percebeu que está em maus lençóis com os políticos,

quarta-feira, 9 de março de 2011

O sufoco em que vivemos

Texto de Baptista-Bastos hoje publicado no "Diário de Noticias"

"A atmosfera no PSD está, verificadamente, inquinada. Alguns dos seus corifeus fazem declarações beligerantes, cujo alvo é, dizem, a "inacção" e a "excessiva prudência" de Pedro Passos Coelho. E nomeia-se Rui Rio como o homem azado para o momento azarado. Por outro lado, as sondagens não são propícias à sede de poder de muitos daqueles que vivem da ambiguidade da dádiva prestada pela política. Não é o problema português a dominar as preocupações de grupo. O que os move é a dependência pessoal, os interesses dos beneficiados pelos partidos de poder.

O PSD existe numa espécie de não-pertença. Criou um ambiente que incita à criação de grupos e que favorece, conscientemente ou não, a intriga e o confronto surdo. A lógica relacional, a construção de uma ideologia comum, que sempre configurou a ideia de "partido" não existe no PSD. As perseguições, a mordacidade com que uns acusam outros, o desfasamento doutrinário, caracterizam-no. E, em períodos difíceis, como este, de agora, as malformações emergem.

No PS, apesar das malfeitorias praticadas com displicente desdém, Sócrates é incensado. Levou o País ao desespero, quebrou numerosos laços sociais, exerceu retaliações impensáveis, mas continua a ser "o" secretário-geral. Como estes socialistas são difíceis de entender, quem desvendar o mistério que explique. Adicione-se, ainda, que as sondagens, percentualmente, dão Sócrates com escassa desvantagem de Passos Coelho.

Estaremos condenados a não nos emancipar deste pesadelo político? O regime da crise do elo social, de que falaram, entre outros, Alain Badiou e Tony Judt, comporta em si uma violência e uma bestialidade infamantes. São as normas e as esquadrias do neoliberalismo. O neoliberalismo introduziu, nas nossas sociedades, formas de orquestração dos nossos próprios sentimentos. Tanto o PS quanto o PSD corromperam parte substancial da nossa dignidade, não apenas com actos e decisões horríveis, mas, também, através de torpes exemplos.

A sociedade portuguesa está social, moral e politicamente doente. Todos o dizemos. Contudo, somos incapazes de sacudir o jugo desta subordinação escatológica. Para nos libertar do sufoco, os partidos à esquerda do PS (falo do PCP e do Bloco), sem abandonarem as suas diferenças fundamentais, têm de assumir as graves responsabilidades do poder. Protestar não chega. E parece-me extremamente fácil o acantonamento na "fortaleza cercada", enquanto cá fora as grandes lutas (e as grandes contradições decorrentes dessas lutas) continuam com objectivos cada vez mais vagos e cada vez mais perigosos."