Finalmente alguém que fala contra a unanimidade do tão badalado "governo de ampla maioria".
Paulo Martins escreve hoje sobre o tema no "Jornal de Noticias".
"A escolha entre austeridade e austeridade
Ponhamos as coisas na crua simplicidade: por mais diversas que sejam as opções disponíveis, das próximas eleições sairá, como sempre, um mandato para PS ou PSD assumirem a liderança do Governo. E o que têm para oferecer a um país exaurido esses dois partidos?
Os socialistas, é sabido, queixam-se de que não os deixaram aplicar mais um pacote de austeridade, que tão prestimosamente Sócrates prometeu a Angela Merkel. Os sociais-democratas já esclareceram que só não deram a bênção ao PEV IV porque não era suficientemente duro.
Temos, portanto, as linhas programáticas de cada um dos grandes partidos claramente definidas: um promete austeridade, o outro austeridade promete. Quando se enfrentarem num debate televisivo, José Sócrates há-de dizer a Pedro Passos Coelho: "Eu garanto que ponho todos os cidadãos a pão e água". Já se adivinha a resposta: "O senhor é um esbanjador. No estado em que estamos, devia ter vergonha de investir na compra de pão, que custa os olhos da cara. Eu comprometo-me a distribuir água".
Austeridade por austeridade, resta ao eleitor escolher a que tiver uma cor mais a seu gosto. Até porque, pelo andar da carruagem (rumo à estação do FMI?) nenhum deles oferece um caminho de futuro, uma nesga que seja de perspectiva de sairmos do fosso em que estamos enterrados.
É nesta convergência em torno do aperto de cinto que navega a ideia de um entendimento alargado entre partidos, no pressuposto de que é o instrumento mais eficaz para atravessarmos a tempestade, rumo à bonança. Não se percebe bem (talvez seja esse o objectivo) que "entendimento alargado" é esse. Um novo Bloco Central? Uma nova AD? Uma "tripla" PSD, PS, CDS? Um governo "dos melhores" dos três partidos, como preconiza Portas, que cheira demasiado a tecnocracia?
Assumam desde já que alianças querem propor - se é que querem mesmo - para conhecermos as regras do jogo antes de decidirmos. Porque democracia é afirmação da diferença, ainda que assente em acordos mínimos. É alternativa política, que não pode dissolver-se em "uniões nacionais" como açúcar em café. Em tempo de prosperidade como em tempo de crise. "
quinta-feira, 31 de março de 2011
A escolha entre austeridade e austeridade
quarta-feira, 30 de março de 2011
Economia e FMI
A imprensa escrita traz hoje diversos artigos muito interessantes.
Dois directores adjuntos do "Correio da Mnahã" publicam nesse jornal dois textos sobre economia, FMI e o imbecil Sócrates.
Já Vasco Graça Moura escreve no "Diário de Noticias" sobre a responsabilidade dos "notáveis" do PS no que se está a passar.
Por ultimo, Paulo Morais no "Jornal de Noticias" escreve sobre a aumento da promiscuidade entre os negócios e a política.
O nível do lixo
Por:Eduardo Dâmaso
"Agora é que não há dúvida: chegámos ao nível do lixo. Ontem, como se não bastasse o Banco de Portugal mostrar que se agravam os números da recessão, que há um recuo no rendimento das famílias e o desemprego cresce até 2012, a dívida soberana ficou classificada a um passo do lixo.
É muito simples: não vamos ter dinheiro, nem emprego, nem uma vida melhor tão cedo. Mais: é preferível pedir rapidamente o resgate financeiro à Europa do que deixar andar esta morte cada vez menos lenta. Para o engenheiro Sócrates, a culpa é da crise internacional e da oposição. A crise tem a sua quota--parte, mas o que esta insuportável degradação da economia mostra é uma coisa que há muito este Governo e todos os outros deveriam ter enfrentado: o desemprego é elevado e persistente há muito; a classe média-baixa está a transferir-se para o universo dos novos-pobres; a carga fiscal e a despesa pública sobem há décadas para ir ‘disfarçando’ a tragédia das contas públicas; a economia é débil e politicamente assistida e controlada a partir do ‘chefe’ em serviço no palácio de São Bento; os salários portugueses há muito que se distanciam da média europeia, e os desequilíbrios sociais e económicos agravam-se de forma irreversível. Quem quiser explicar isto com a crise internacional é um delinquente puro!"
O inútil adiamento do resgate
Por:Armando Esteves Pereira
"A realidade económica, financeira e política de Portugal mostra que pior é possível. O risco da dívida pública está a um passo do nível do lixo, e a agência de notação S&P já desconta que o País não consiga pagar a totalidade da dívida. Esta quebra de notação deve afectar a Banca portuguesa, que fica cada vez mais frágil. E se a Banca tem problemas, é toda a economia que paga.
Naturalmente os juros disparam e, no prazo de 5 anos, os investidores exigem mais de 9%. Com este patamar, Portugal já poupava algumas centenas de milhões de euros se pedisse a ajuda europeia, com a consequente intervenção do FMI. Só que, no actual contexto político, o resgate externo não é possível. Já se percebeu que Sócrates vai fazer desta resistência o principal argumento político da campanha eleitoral e vai culpar o PSD com a história do ‘papão do FMI’. Mas se não for antes, o pedido de resgate será feito a seguir às eleições legislativas, ganhe quem ganhar. Um pobre país, endividado e em recessão, não tem condições de bater as convicções do mercado.
Entretanto, Sócrates aparece neste debate como a vítima da "cobiça" da Oposição. Mas foi precisamente o sentido de "cobiça" e de sobrevivência do primeiro-ministro que o levou a jogar tudo no PEC 4 e a acelerar a crise política. "
Aleluia!
Por Vasco Graça Moura
"Ninguém se lembra de ter visto, nos últimos anos, algumas figuras gradas de extracção socialista a chamarem a atenção do Governo de José Sócrates para as barbaridades que estavam a arrastar Portugal para o abismo e para a irresponsabilidade da governação. Deviam tê-lo feito pelo menos dia sim, dia não, mas não o fizeram.
O país ia-se arruinando, os portugueses iam resvalando para o beco sem saída em que se encontram hoje, o Governo ia garantindo exactamente o contrário daquilo que se estava a passar e dando provas de uma incompetência e de uma desfaçatez absolutamente clamorosas, mas esses vultos tão veneráveis abstinham-se de fazer a crónica dessa morte anunciada, não se mostravam grandemente impressionados com ela e sobretudo não sentiam o imperativo patriótico de porem cá para fora, preto no branco, numa guinada veemente e irrespondível, o que bem lhes podia ter ido na alma e pelos vistos não ia assim tanto.
Devo dizer que não fiquei nada impressionado com os apelos recentes e vibrantes de algumas dessas egrégias personagens, em favor da manutenção do satu quo ante em nome do mesmo interesse nacional que as terá remetido ao mutismo mais prudente sempre que a governação socialista dava mais um passo em frente para estatelar Portugal.
Sou levado a concluir que foram sensíveis, não ao descalabro a que a governação socialista acabou por conduzir o país, mas ao desmoronamento do PS enquanto partido de governo. Não lhes faz impressão nenhuma que Portugal esteja na merda por causa dos socialistas. O que os impressiona deveras é que o PS se arrisque a ficar na merda por causa de tudo o que fez. E então, então sim, apressam-se a invocar alvoroçadamente o interesse nacional, secundados por todo o bicho careta lá do clube que se sinta vocacionado para dar o dito por não dito e o mal feito por não feito e também, está claro, para fazer sistematicamente dos outros parvos.
Tal apelo surge todavia no ensejo menos adequado. Hoje, só faz sentido invocar o interesse nacional para esperar que o PS seja varrido impiedosamente de qualquer lugar de preponderância política e que a ignomínia da governação socialista fique bem à vista para a conveniente edificação das almas."
Via verde para roubar
Por Paulo Morais
"A lei de financiamento de campanhas já favorecia - e de que maneira! - a promiscuidade entre os negócios e a política. Mas a recente decisão do Governo de aumentar os montantes dos ajustes directos permitidos a governantes e autarcas constitui um verdadeiro convite à roubalheira.
A legislação que regulamenta o financiamento partidário, promulgada há escassos meses, veio autorizar donativos em espécie. Os amigalhaços do partido poderão doravante pagar cartazes, umas jantaradas e até financiar umas viagens. Os valores considerados são impossíveis de quantificar e abrem a porta a todo o tipo de troca de favores e tráfico de influências. Porque os financiadores querem obviamente contrapartidas, é até legítimo que assim seja. Mas como os partidos não dispõem de meios próprios, só podem garantir essas contrapartidas com vantagens concedidas à custa de recursos públicos, que assim são desbaratados. No fundo, quem paga esta orgia somos todos nós.
Quando parecia que o cenário já não poderia degradar-se mais, eis o cúmulo dos cúmulos. O Governo aprovou esta semana o decreto-lei que alarga os montantes dos ajustes directos permitidos a governantes e autarcas, garantindo assim aos partidos meios milionários (públicos!) para que estes favoreçam os empresários seus financiadores. Com as novas regras, um director-geral pode autorizar despesas até 750 mil euros, sete vezes mais do que até agora. Um ministro poderá atingir os 5,6 milhões. Um presidente de Câmara poderá autorizar até 900 mil euros, contra os anteriores 150 mil. Um fartar vilanagem! As entidades públicas serão livres de escolher os fornecedores que muito bem entendem, no secretismo dos gabinetes, sem recurso a qualquer concurso público.
Esta recente decisão do Governo, já de si injustificável, revela-se intolerável em véspera de campanha eleitoral. Serve interesses obscuros e aumenta a opacidade. Até às eleições, as aquisições não justificadas, as encomendas de mercadoria inútil, o favorecimento a privados por despacho, não terão conta. Gastar muito, depressa e sem controlo será a regra."
terça-feira, 29 de março de 2011
A coligação que vai voltar a governar o País
Um texto fenomenal de Pedro Tadeu hoje publicado no "Diário de Noticias".
Para ler e reflectir.
"A coligação que vai voltar a governar o País"
"Os problemas dos portugueses vão resolver-se nas próximas eleições? Não. Tudo está a ser construído para que o poder político venha a cair nas mãos de uma coligação de interesses: os dos que defendem o mesmo statu quo que levou o País, desde há 25 anos, a abdicar da sua autonomia económica.
Essa coligação de interesses gastou o dinheiro da CEE em ostentação, em corrupção, em betão, em alcatrão e a financiar endividamento. Esta coligação de interesses pôs cada cidadão produtivo a dever à banca a casa onde mora, o carro com que circula, a TV e o computador onde se diverte.
Esta coligação pôs as empresas a viver da circulação de dinheiro que conseguiam facturar, não do dinheiro que conseguiam efectivamente lucrar, novamente com a banca a servir de suporte a um esquema de financiamento de tipo piramidal, que ela própria praticava, externamente, entrando em zona de risco cujos efeitos estão ainda, se calhar, para chegar.
Esta coligação de interesses transformou o Estado num meio de gestão clientelar para perpetuação no poder das máquinas partidárias com acesso ao Governo e às principais autarquias e, com isso, endividou-o ao nível suicidário.
Um dia alguém tinha de nos cobrar este disparate todo. Ao primeiro abalo sério na economia europeia, Portugal viu-se confrontado com a sua incapacidade de criar riqueza e enfrenta agora uma Europa que, como era inevitável, já não está para ser generosa.
Acusar apenas o PS e José Sócrates - por muito que ele mereça todas as críticas - da situação em que estamos é hipocrisia. A coligação de interesses que ao longo dos anos, apesar de todos os avisos, caminhou sem vacilar para este abismo, incluiu PS, PSD, CDS, os empresários mais destacados, os banqueiros mais relevantes. São estas mesmas pessoas que estão por detrás das alternativas políticas que querem ter, a curto prazo, no novo Governo de Portugal.
Essa coligação de interesses acredita que para resolver o problema basta sacar aos cidadãos, durante meia dúzia de anos, o dinheiro para pagar a falência da sua própria insanidade. Só discute a forma de o fazer, mais ou menos suave, mais ou menos humana...
Esta coligação de interesses não discute que, para além disso e mais do que isso, é preciso repensar a forma como o País vive, trabalha e negoceia, pois o actual modus é trágica e comprovadamente insustentável. Mas como isso é por em causa a sobrevivência da própria coligação de interesses, ela, que se prepara mais uma vez para mudar a cara do poder para assim se perpetuar no poder, não o fará."
segunda-feira, 28 de março de 2011
A farsa continua
Mais um texto do jornalista António Ribeiro Ferreira hoje publicado no "Correio da Manhã":
"A farsa continua"
"A senhora Merkel foi ao Parlamento alemão explicar aos estupefactos deputados que os seus homólogos lusitanos eram uns perfeitos irresponsáveis por terem chumbado o pacote de austeridade do senhor engenheiro relativo.
Já em Bruxelas, exigiu ao PSD/FMI que apresentasse uma alternativa imediatamente. Mal refeito da sova que tinha acabado de levar da chanceler da Alemanha e regente de Portugal, o rapazinho de Massamá que lidera os laranjas balbuciou um aumento do IVA para 25%.
Em Lisboa, um amigo cheio de ideias do economista relativo cada vez mais liberal sugeriu mais um corte de salários e o fim do 13º mês. É neste quadro de miséria que os indígenas desta Pátria pobre e deprimida vão votar nesta negra Primavera. Para ficar tudo exactamente na mesma. Cantando e rindo, a farsa democrática continua. "
domingo, 27 de março de 2011
Sou apartidária
Um texto muito curioso retirado do politicamente insuspeito blogue feminino "a pipoca mais doce".
"Sou apartidária
Serve a afirmação acima para justificar o que vem de seguida e para me pouparem a frases feitas, do género “só dizes isso porque és de direita” ou “só dizes isso porque és de esquerda”, ou ainda um “tu queres é tacho”.
Desde que voto, o meu espectro eleitoral já foi do PSD ao PC.
Mais do que votar em partidos, voto em pessoas, em características, em personalidades.
Inocente?
Talvez, mas cada tem um o seu critério de votação e este é o meu.
Não sinto devoção para com nenhum partido, não acho que só por ser PS ou PSD então é brilhante, não tenho paixão por um partido como tenho por um clube.
E ainda bem, que paixão e política são coisas que não combinam.
Ontem assisti com alguma incredulidade ao discurso de vitimização do PS.
Desde o Kalimero que não via alguém a sentir-se tão injustiçado com a vida.
Cheirou-me a chantagem da grossa, que é coisa que me dá enjoos tão violentos como os que as grávidas devem sentir.
Para o Engº Sócrates e para o PS em geral, agora é que a crise vai começar.
Agora é que o caldo entornou de vez. Agora é que o País vai por água abaixo.
E a culpa é de quem?
Da oposição, claro, esses malandros que lhes tiraram o brinquedo das mãos (e por brinquedo leia-se o poder).
A palavra que mais ouvi ontem foi "responsabilidade".
Mas uma responsabilidade que se sacode para cima dos outros, em vez de se assumir como nossa.
Agora é que a crise vai começar?
Mas, esperem lá, não estávamos já em crise?
Ou tudo correu bem nos últimos anos de governação PS?
Só ontem, depois do chumbo do PEC no Hemiciclo, é que o país entrou em crise?
Jorge Lacão, ministro dos Assuntos Parlamentares, dizia em entrevista à TSF (com um tom que parecia que ia começar a distribuir tabefes a qualquer altura), que a crise era "totalmente responsabilidade da decisão da oposição em vetar o PEC".
Oi? Perdão?
É que eu ia jurar que já há uns meses (anos?) que andávamos a ouvir falar de crise.
E da possível entrada do FMI.
E das taxas de rating.
E do endividamento.
E dos cortes em tudo e mais alguma coisa.
E por isto tudo, ninguém se responsabiliza?
Quantos mais PECs era suposto a oposição aceitar para evitar o inevitável?
Põe-se o ónus da culpa nos outros, para não termos de dizer que a culpa também é nossa, numa atitude completamente autista.
Senti que me estavam a deitar areia para os olhos, a tratar por estúpida:
"Atenção, portugueses, que a culpa não é nossa que temos estado a governar o País nos últimos seis anos.
Não!
O País vai começar a afundar-se e a culpa é destes senhores da oposição que não nos deixaram continuar a fazer o nosso trabalho, que estava a ser para cima de exemplar!
Um mimo de governação!
Por isso, não vão em cantigas e votem de novo em nós, para podermos continuar o que começámos.".
Ora, ide-vos todos fod*r, sim?
Haja falta de tudo para se vir dizer que estava tudo a correr lindamente, que não ia ser preciso recorrer à ajuda externa, que o País caminhava no bom sentido.
Mas só até ontem, claro, porque agora não há volta a dar.
Foi a oposição, e mais ninguém, que lançou Portugal para o caos, por isso agora aguentem-se à bronca.
Tenho pena que esta tenha sido a forma mais original que o Governo arranjou para tentar sair em alta.
Não saiu.
Fica-se só com a ideia que vivemos num imenso jardim infantil em que se aponta o dedo ao miúdo do lado quando se pergunta quem partiu a jarra.
Mesmo que tenhamos os cacos na mão."
sexta-feira, 25 de março de 2011
É preciso não ter vergonha na tromba!
Noticia hoje publicada em vários jornais:
"Sócrates: "Como foi possível fazerem isto ao País?"
"O primeiro-ministro demissionário disse hoje em Bruxelas que muitas vezes se pergunta "como foi possível" os partidos da oposição "fazerem isto ao País", numa clara referência à reprovação do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), facto que precipitou a queda do Governo.
"Era óbvio que a nossa situação ficaria enfraquecida", afirmou José Sócrates, acrescentando que "bastaram 24 horas" para que as agências de notação baixassem a notação da dívida portuguesa."
È preciso não ter mesmo vergonha nenhuma naquela tromba!
quarta-feira, 23 de março de 2011
Afinal foi desta
Finalmente o País respira de alivio.
José Sócrates, o imbecil incompetente e vigarista que, durante seis longos anos, destruiu Portugal foi finalmente forçado a demitir-se.
Cabe agora ao passarão Cavaco Silva convocar eleições e, dentro de alguns meses, a acreditar nas sondagens, lá teremos Passos Coelho e Paulo Portas sentados na cadeira do poder.
Boas noticias?
Nem por isso!
As propostas neoliberais já conhecidas do PSD de Passos Coelho estão muito longe de servirem à maioria do povo mas, pela lei eleitoral, a abstenção não conta e vão ser os votos de uma minoria que darão a vitória a esse partido.
Agora, mais do que nunca, é importante que os cidadãos se mobilizem, não fiquem em casa e, votando em branco, indiquem de modo muito claro que não querem a gentalha dos partidos a governar o País.
Parafraseando um poeta que a dita "esquerda" costuma reclamar como seu, José Régio:
"Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"
Tudo correndo como previsto, a maioria de esquerda parlamentar não deixará que o PSD leve adiante as reformas que anunciou, privatização da saúde, da educação, de mais empresas publicas e, infelizmente, também mais desemprego e menos apoios sociais.
Resta esperar que os políticos tenham alguma vergonha na cara e não venham com a treta do bloco central, seja qual fôr o nome pomposo que encontrarem para essa aberração.
Para já e como é habitual antes de eleições, vamos assistir ao frenesim da nomeação de mais umas dezenas de energúmenos socialistas para cargos principescamente pagos no aparelho e nas empresas de Estado.
O beneficio imediato para o País foi ver-se livre do pior governante que alguma vez dirigiu Portugal e, para dizer a verdade, venha quem vier, dificilmente fará pior!
Mais uma golpada
Mais um mail que circula na internet a denunciar uma escandalosa situação de roubo e aproveitamento dos dinheiros públicos.
"Mais uma golpada"
"Jorge Viegas Vasconcelos despediu-se da ERSE
É uma golpada com muita classe, e os golpeados somos nós....
Era uma vez um senhor chamado Jorge Viegas Vasconcelos, que era presidente de uma coisa chamada ERSE, ou seja, Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, organismo que praticamente ninguém conhece e, dos que conhecem, poucos devem saber para o que serve.
Mas o que sabemos é que o senhor Vasconcelos pediu a demissão do seu cargo porque, segundo consta, queria que os aumentos da electricidade ainda fossem maiores.
Ora, quando alguém se demite do seu emprego, fá-lo por sua conta e risco, não lhe sendo devidos, pela entidade empregadora, quaisquer reparos, subsídios ou outros quaisquer benefícios.
Porém, com o senhor Vasconcelos não foi assim.
Na verdade, ele vai para casa com 12 mil euros por mês - ou seja, 2.400 contos - durante o máximo de dois anos, até encontrar um novo emprego.
Aqui, quem me ouve ou lê pergunta, ligeiramente confuso ou perplexo:
«Mas você não disse que o senhor Vasconcelos se despediu?».
E eu respondo:
«Pois disse. Ele demitiu-se, isto é, despediu-se por vontade própria!».
E você volta a questionar-me:
«Então, porque fica o homem a receber os tais 2.400contos por mês, durante dois anos? Qual é, neste país, o trabalhador que se despede e fica a receber seja o que for?».
Se fizermos esta pergunta ao ministério da Economia, ele responderá, como já respondeu, que «o regime aplicado aos membros do conselho de administração da ERSE foi aprovado pela própria ERSE».
E que, «de acordo com artigo 28 dos Estatutos da ERSE, os membros do conselho de administração estão sujeitos ao estatuto do gestor público em tudo o que não resultar desses estatutos».
Ou seja: sempre que os estatutos da ERSE forem mais vantajosos para os seus gestores, o estatuto de gestor público não se aplica.
Dizendo ainda melhor:
O senhor Vasconcelos (que era presidente da ERSE desde a sua fundação) e os seus amigos do conselho de administração, apesar de terem o estatuto de gestores públicos, criaram um esquema ainda mais vantajoso para si próprios, como seja, por exemplo, ficarem com um ordenado milionário quando resolverem demitir-se dos seus cargos. Com a bênção avalizadora, é claro, dos nossos excelsos governantes.
Trata-se, obviamente, de um escândalo, de uma imoralidade sem limites, de uma afronta a milhões de portugueses que sobrevivem com ordenados baixíssimos e subsídios de desemprego miseráveis. Trata-se, em suma, de um desenfreado, e abusivo desavergonhado abocanhar do erário público.
Mas, voltemos à nossa história.
O senhor Vasconcelos recebia 18 mil euros mensais, mais subsídio de férias, subsídio de Natal e ajudas de custo. 18 mil euros seriam mais de 3.600 contos, ou seja, mais de 120 contos por dia, sem incluir os subsídios de férias e Natal e ajudas de custo.
Aqui, uma pergunta se impõe:
Afinal, o que é - e para que serve - a ERSE?
A missão da ERSE consiste em fazer cumprir as disposições legislativas para o sector energético.
E pergunta você, que não é burro:
«Mas para fazer cumprir a lei não bastam os governos, os tribunais, a polícia, etc.?».
Parece que não.
A coisa funciona assim:
Após receber uma reclamação, a ERSE intervém através da mediação e da tentativa de conciliação das partes envolvidas. Antes, o consumidor tem de reclamar junto do prestador de serviço.
Ou seja, a ERSE não serve para nada.
Ou serve apenas para gastar somas astronómicas com os seus administradores.
Aliás, antes da questão dos aumentos da electricidade, quem é que sabia que existia uma coisa chamada ERSE?
Até quando o povo português, cumprindo o seu papel de pachorrento bovino, aguentará tão pesada canga?
E tão descarado gozo?
Politicas à parte estou em crer que perante esta e outras, só falta mesmo manifestarmos a nossa total indignação."
segunda-feira, 21 de março de 2011
Wishful thinking *
Alguém ouviu Sócrates dizer que se demite se a oposição chumbar o famigerado PEC4?
O que o imbecil disse na entrevista à SIC Noticias é que "não teria condições" para apresentar as medidas do pec na cimeira europeia desta semana.
Pressionado pela jornalista lá admitiu que, indo para eleições, ele continuaria a ser o líder do PS e, de novo, concorrer a primeiro-ministro nessa condição.
Em nenhum momento disse que se demitia.
Esta ambiguidade continuou no passado sábado quando Sócrates se dirigiu, no Porto, aos militantes socialistas.
Em vez de apresentar a moção de estratégia que era o tema do encontro, o imbecil passou o tempo a falar dos malandros do PSD. da intransigência do PSD, da agenda do PSD, das intenções do PSD, etc, etc, etc.
De novo, em momento algum disse que se demitia.
Domingo, no final do Conselho de Ministros extraordinário para aprovação do PEC4, Pedro Silva Pereira, ministro da Presidência e eminência parda por trás de Sócrates, afirmou que o Parlamento decidirá se quer "tirar o tapete ao país e obstruir a acção governativa".
Também em momento algum disse que o governo se demitia se ...
Já na segunda-feira três ministros fizeram declarações sobre o tema.
Luís Amado, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros admitiu que a forma como o PEC 4 foi apresentado não foi a mais correcta e lamentou o modo como o próprio Governo conduziu o processo.
Teixeira dos Santos, ministro das finanças, disse que se o governo se demitisse ele também se demitiria (???)
Jorge Lacão, ministro dos Assuntos Parlamentares afirmou que "não pode ser afastado" o cenário da demissão do Governo na sequência de um chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) na Assembleia da República".
E disse mais:
"se (uma maioria) na Assembleia da República recusar o PEC, está criada uma séria dificuldade de governabilidade do país e o senhor primeiro-ministro já explicou que, nessa circunstância, não tem condições para exercer as suas responsabilidades",
Sócrates é mau, mentiroso, vigarista, incompetente, prepotente, arrogante e muitas outras coisas mas, não sendo particularmente inteligente, é extraordinariamente esperto e astuto.
Para além disso, como bom vendedor de "banha da cobra", possui o dom da palavra e ainda consegue convencer e levar muita gente atrás de si.
Alguns comentadores dizem que Sócrates provocou esta crise porque quis, outros dizem que o fez inadvertidamente.
De propósito ou não, Sócrates está já habilmente a jogar para atribuir as culpas da crise a todos e mais alguns, de Passos Coelho a Francisco Louçã, da direita à esquerda e sem esquecer, claro, a maldita crise financeira internacional que o impediu" de governar bem o País.
Num dos muitos artigos hoje publicados sobre este assunto dizia o autor que, segundo Confucio, um "grande homem põe a culpa em si próprio enquanto um homem comum põe as culpas nos outros.
Nos jornais, nas televisões, na comunicação social em geral muitos jornalistas interpretam o cenário de demissão de Sócrates mas a verdade parece ser que ninguém ouviu o imbecil dizer que se demite.
Até que o País o ouça dizer, preto no branco, que se demite, todas as previsões nesse sentido não passam de "Wishful thinking"!
* retirado de http://pt.wikipedia.org
Wishful thinking é uma expressão inglesa que por vezes se utiliza na língua portuguesa devido a ser de difícil tradução, e que significa tomar os desejos por realidades e tomar decisões, ou seguir raciocínios, baseados nesses desejos em vez de em factos ou na racionalidade. Pode ser traduzido como optimismo exagerado.
Os PECados originais
Vitor Costa, Subdirector do "Diário Económico", em artigo hoje publicado nesse jornal, faz uma excelente análise da situação politica e económica que se vive no País.
"Os PECados originais"
"Ainda não passaram seis meses, mas Portugal já voltou ao ponto de partida. Tal como em Outubro do ano passado voltamos a um cenário de ameaças à estabilidade política.
Desta vez não é o Orçamento do Estado. É o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC). A versão, dizem ser a IV, mas a contagem não é fácil.
Merece este PEC o apoio dos portugueses e dos partidos com assento parlamentar? Não. E não é só este PEC que merece ser chumbado. É o Governo que merece ser expulso. Até porque se esforçou por o merecer.
Enganou os portugueses. Andou a gritar que éramos os campeões do crescimento, mas em meados do ano passado começou a aumentar impostos. Fez subir o IVA, o IRS e o IRC. Foi mais longe, e depois de já ter aniquilado a esperança dos portugueses apresentou um Orçamento ainda com mais austeridade. Voltou a subir o IVA, o IRS e o IRC e cortou salários na administração pública. Mas dando provas de que pior ainda seria possível propõe-se agora a aumentar novamente os impostos em 2012 e 2013. Desta vez, no entanto, há requintes de malvadez. Já não basta congelar as pensões mais baixas e subir os impostos. José Sócrates consegue penhorar os pensionistas e retirar-lhe parte da pensão que fizeram por merecer ao longo de uma vida de trabalho. É uma espécie de cobrança de dívidas que estes nunca tiveram. A dificuldade está em classificar tamanha coragem para salvar o País.
Mas o PEC IV quando for, ou se chegar a ser apresentado no Parlamento, terá os seus méritos. O primeiro resulta de pôr a nu dois pecados. O primeiro, o original, já vem de 2010.
O Orçamento do Estado para este ano nunca deveria ter sido aprovado apesar da estranha unanimidade entre empresários, banqueiros e economistas que não lhe reconhecendo validade, diziam que era indispensável. Tudo em nome da estabilidade política. Não durou seis meses.
E o Orçamento para 2011 não merecia aprovação porque não passava de um conjunto de medidas que, penalizando fortemente as famílias, deixava o Estado com a mesma gordura e sem melhorar a sua competitividade. Mas também merecia ser chumbado porque tinha a originalidade de apresentar dois cenários macroeconómicos: um, que previa uma recessão que nunca foi inscrita no cenário macroeconómico, e outra, que previa crescimento económico ao bom estilo de um País campeão do crescimento.
E esta farsa no cenário macroeconómico foi o segundo pecado que nos trouxe ao PEC IV. Porque foi aí que a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu se agarraram para desmascarar a farsa. E foi aí que se agarraram para obrigar José Sócrates e Teixeira dos Santos a apresentar mais medidas de austeridade.
Agora, no meio do desespero, Sócrates tenta avançar para eleições. Mas para isso terá de apresentar o PEC IV no Parlamento. Imagine-se, com um novo cenário macro. Agora já corrigido à partida por Bruxelas e Frankfurt. Ficará a nu o segundo pecado: Portugal não só está em recessão como a quebra da economia será forte.
Num País onde parece valer tudo fica, ainda assim, a dúvida: revelará José Sócrates a mesma coragem que tem perante os pensionistas e irá ignorar Bruxelas e o BCE? "