Passos Coelho, o nosso novo Primeiro Ministro está a apresentar o programa do seu governo ao parlamento.
Para além de algumas boas ideias na redução de institutos, fundações e empresas publicas, o programa fala sobretudo de "liberalizar" a economia ou, como ele diz, tirar o peso do estado da economia.
Privatizações, corte de apoios sociais, corte nos serviços públicos e aumento do custo desses mesmos serviços, facilidades de despedimento, tudo isto está escrito no programa de Passos Coelho, ainda que haja items mais escondidos que outros.
Mas, porque diz ser necessário anular o déficit que está descontrolado, fez o anuncio "dramático" de criar um imposto extraordinário que vai CONFISCAR metade do subsidio de Natal de todos os portugueses (que ganhem acima do salário mínimo).
É caso para dizer que está a começar bem!
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Começou bem!
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Caixeiro viajante
"Dilma Rousseff oferece emprego a Sócrates"
Vários jornais trazem hoje a noticia de que Dilma Rousseff e Lula da Silva convidaram José Sócrates para ser representante das empresas brasileiras em Portugal e na Europa.
A ser verdade, ora até que enfim alguém reconhece as "qualidades" do imbecil que nos atirou para a ruína dando-lhe o cargo mais adequado à sua personalidade - vendedor!
Enquanto governante, Sócrates nunca foi mais do que um vendedor de banha da cobra, tentando vender aos portugueses um país de faz de conta que só existia na sua imaginação delirante.
Curiosamente está agora a decorrer o programa "Opinião Publica" na SIC Noticias, perguntando aos espectadores se os governantes deveriam ser julgados pelos seus actos como está a acontecer na Islândia.
Será de estranhar que a quase totalidade dos intervenientes acha que sim, a começar por Sócrates mas estendendo as criticas a outros políticos que o antecederam.
Uma noção muito referida é que se qualquer gestor tem de responder pelos actos praticados nas empresas, inclusive com o seu património pessoal, porque carga de água não deve o governante responder pela gestão do País?
A verdade é que a punição eleitoral não chega e há que responsabilizar criminalmente os políticos que nos (des)governam.
Assim fosse a justiça e Portugal seria um país melhor.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Mudança
Portugal mudou!
O país respira hoje de alivio sabendo que se conseguiu livrar do imbecil vigarista incompetente que nos levou à ruína.
De Sócrates já não vale a pena falar a não ser para manifestar o desejo que, finalmente, a justiça lhe caia em cima e que ele seja responsabilizado por todas as vigarices em que esteve e está envolvido.
O senhor que se segue é Pedro Passos Coelho, líder do PSD, que se apresenta como sendo um politico honesto e dizendo-se capaz de romper com os interesses instalado e de evitar o assalto partidário aos lugares de poder na administração publica.
Economista de formação, com tendências e ideias neo-liberais, Passos Coelho diz que querer reformar o país reduzindo o poder do estado na economia que, a seu ver, deve estar entregue à iniciativa privada.
Ideias com que, em teoria, até se pode concordar.
O problema é que, na práctica, essas ideias apenas vão servir para entregar mais e mais sectores de actividade ao poder económico que já domina o país.
As intenções expressas de privatizar a água e os correios são bem exemplo do erro que essas ideias representam.
Já o que pretende fazer em relação à saúde e à educação vai, certamente, levar a que mais cidadãos passem a ter ainda mais dificuldades e menos apoios.
De resto, as exigências da tal "troika" que nos vai emprestar dinheiro vão condicionar muito do que o governo pode fazer mas, mais uma vez, o problema é que essas exigências são erradas e vão conduzir o país a uma recessão sem precedentes de que será muito difícil recuperar.
Tem Passos Coelho estofo e qualidade para nos governar nestas horas tão difíceis?
Infelizmente para todos a resposta parece ser negativa.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Votar contra a maioria absoluta
A acreditar nas ultimas sondagens parece que vai ser desta que nos vamos ver livres do vigarista incompetente que levou o País à beira da ruína.
Dizem as tais sondagens que o PSD andará agora na casa do 35 a 36% de votação enquanto o PS terá descido para 30 a 31%.
A boa noticia é que o imbecil Sócrates vai levar o pontapé no fundo das costas que há muito merece.
A má noticia, ainda segundo as sondagens, é que corremos o risco do PSD e do CDS, juntos, chegarem à maioria absoluta no parlamento e isso será uma enorme desgraça.
O que está em causa mas eleições de 5 de Junho é a troca de um canalha desonesto sem ideias por um (supostamente) integro e honesto politico cheio do ideias.
O problema é que essas ideias são quase todas erradas e só servirão para agravar a vida de todos portugueses não pertencentes às chamadas "elites partidárias".
Passos Coelho aparece como um politico incorrupto que quer reformar Portugal.
Ainda que não esteja em causa a "agenda liberal" e a destruição do "estado social" que Sócrates tem ameaçado até à exaustão a verdade é que entre as medidas propostas por Passos Coelho há muitas que em nada vão beneficiar o povo, bem pelo contrário.
O problema do (des)emprego resolve-se se for mais fácil e barato despedir trabalhadores?
A privatização da água é benéfica para os consumidores? E a dos correios?
Claro que muitas das medidas que o PSD defende fazem também parte do famigerado memorandum de entendimento assinado com a tal "troika" que está a fazer o grande favor de nos emprestar dinheiro a juros de usurário mas ... não disse já Passos Coelho que "é preciso ir mais longe"?
Muita coisa está em jogo no próximo domingo e todos temos de tomar precauções para evitar que Passos Coelho, o liberal de pacotilha que se prevê vir a ser o próximo Primeiro-Ministro, possa pôr as suas ideias em práctica e fazer um enorme conjunto de malfeitorias contra o povo e os cidadãos, nomeadamente impedindo que, em conjunto com o CDS, tenha maioria de deputados no parlamento.
Todos sabem que aqui se faz a apologia do voto em branco contra um sistema de partidos que tem o País refém de um bando de facinoras e que há muito deixou de ser um regime democrático.
No entanto, Domingo, é necessário pensar muito bem e votar útil.
Para efeitos prácticos a lei eleitoral contabiliza apenas os votos expressos em partidos e não dá a devida importância aos votos em branco misturando-os com os nulos.
Assim sendo há que saber como votar para boicotar o sistema.
Lembram-se do palhaço Tiririca que foi eleito deputado ao parlamento brasileiro?
Nós temos cá um candidato muito parecido que, sendo eleito, por certo nos daria muitos momentos de boa disposição,
Trata-se de José Manuel Coelho, vice-presidente do Partido Trabalhista Português e cabeça de lista pelo círculo da Madeira.
Como este personagem dificilmente terá os votos necessários para ser eleito então porque não mostrar algumas tendências ecológicas e votar no "PAN, Partido pelos Animais e Pela Natureza"?
Como partido politico não tem força para fazer o que quer que seja mas, em termos de aritmética eleitoral, tem mais valor que votar em branco e poderá servir para evitar que PSD e CDS obtenham maioria absoluta.
Haverá outras 0casiões para defendermos os nossos princípios contra os partidos mas, por agora, é mais importante assegurar que nenhum tenha condições para fazer as "maldades" que quiser.
Nesse sentido o voto no PAN parece ser um razoável "mal menor"!
domingo, 22 de maio de 2011
Corrupção (I)
Um esclarecedor texto de António Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, hoje publicado no "Jornal de Noticias".
A aguardar pela parte II
"A corrupção constitui hoje a principal causa da degenerescência da democracia portuguesa e é um dos mais sérios entraves ao nosso desenvolvimento. Na sua dimensão mais nociva, ela traduz-se no facto de os agentes públicos (funcionários, magistrados e titulares de órgãos políticos) praticarem actos contrários aos seus deveres funcionais em troca de subornos, que tanto podem ser materializados em dinheiro (comissões), como em empregos ou outras vantagens. Ela ocorre sobretudo na adjudicação de obras públicas, em licenciamentos ou concessões e na aquisição de bens ou serviços por parte do estado, incluindo empresas públicas e administração local.
A sua danosidade evidencia-se, desde logo, na circunstância de as melhores decisões, em termos de interesse público, serem preteridas em favor das que mais vantagens proporcionam ao decisor ou a terceiros: familiares, partidos políticos, clubes de futebol, etc. A corrupção distorce também as regras do mercado, fazendo com que as empresas que mais prosperam já não sejam as melhores, isto é, as que são bem geridas e que apresentam produtos ou serviços com mais qualidade, mas sim aquelas que proporcionam (mais) vantagens aos decisores públicos. A situação chegou a tal ponto que Daniel Kaufmann, um alto dirigente do Banco Mundial, afirmava em 2005 que Portugal podia estar ao nível do desenvolvimento da Finlândia se a corrupção fosse combatida com mais eficácia.
Mas, a pior consequência da corrupção é, indubitavelmente, a anomia da sociedade perante os sinais que a evidenciam, como se ela, apesar da sua perversidade, fosse uma inevitabilidade. É essa espécie de encolher de ombros colectivo que permite que ela se expanda ostensivamente. Corruptos e corruptores sentem-se cada vez mais impunes, pois sabem que não serão sancionados, nem através do voto democrático.
Pessoas houve que fizeram fortunas no exercício das mais altas funções do Estado, incluindo os funções de governo, durante anos, à vista de todos, sem que ninguém se incomodasse com isso e sem a mais leve sanção moral ou política.
Nenhuma obra pública em Portugal é paga pelo preço por que foi adjudicada. O seu custo final é sempre superior ao preço contratualizado, chegando a ultrapassá-lo em, duas, três, quatro ou mais vezes, sem que ninguém seja responsabilizado por isso.
O país está na ruína financeira mas comprou a uma empresa da Alemanha dois submarinos por mil milhões de euros. As autoridades alemãs processaram o consórcio vendedor porque descobriram que ele pagou dezenas de milhões de euros em subornos para ser preferido pelo comprador. Porém, em Portugal todos (políticos, polícias, magistrados e jornalistas) assobiam para o lado e ninguém quer saber quem recebeu esse dinheiro. O Estado português pagou trinta milhões de euros a mais, mas ainda ninguém deu uma explicação para isso nem se sabe aonde foi parar esse dinheiro.
Em Coimbra, um prédio de uma empresa pública é vendido às 10 horas da manhã por cerca de 15 milhões de euros e às 3 da tarde é revendido por cerca de 20 milhões. A empresa que intermediou o negócio e abiscoitou esse lucro tinha como consultores remunerados o presidente da Comissão Política Concelhia do PS e o presidente da Comissão Política Concelhia do PSD. Nenhum deles foi importunado nem as direcções nacionais dos seus partidos se interessaram pelo assunto.
Um governo em gestão autorizou, por despacho de três ministros, em vésperas de ser substituído, um empreendimento urbanístico numa zona ecológica. Nesse mesmo dia foram arrancados cerca de mil sobreiros que é uma árvore protegida. Alguns dias depois, o partido a que pertenciam dois dos ministros que assinaram o despacho (por sinal o mesmo do ministro da Defesa que comprara os submarinos), recebeu um milhão de euros em dinheiro vivo, depositado na sua conta com nomes falsos, em tranches de 10.000 euros (que é a quantia máxima que a lei permite depositar sem necessidade de justificar a origem). O escândalo foi tal que o Ministério Público abriu um processo e constituiu arguidos esses ministros, mas sem consequências. Alguns deles até foram «desarguidos» antes de concluído o inquérito. Só faltou pedir-lhes desculpas pelo incómodo. Nunca ninguém quis apurar, sequer, a(s) identidade(s) de quem fez tão generosa doação.
Mesmo alguns dirigentes políticos que, em dado momento, mais ergueram a voz contra a corrupção, aparentando querer combatê-la realmente, acabaram eles próprios «subornados» com a oferta de bons empregos e... Obviamente, desapareceram.
Enfim, Portugal é isto!"
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Eles comem tudo
Texto de Manuel António Pina hoje publicado no "Jornal de Noticias"
"Eles comem tudo"
Fala-se muito, nem sempre com honestidade, do chumbo do PEC 4 e da "crise internacional", atirando para as suas costas a responsabilidade da intervenção financeira externa e de todo o cortejo recessivo de consequências desastrosas que irá acarretar para a economia e para o país.
No entanto, raramente (para não dizer nunca) se ouve falar, no discurso político da "troika" partidária que se voluntariou para a capatazia das medidas "austeritárias", do papel da agiotagem financeira nacional e internacional seja na "crise" - que provocou e de que é a principal beneficiária - seja no processo que conduziu ao "resgate" (ah, as palavras!) do país.
Ora, se a nacionalização das fraudes financeiras do BPN e BPP já constituía um escândalo dificilmente explicável, fica agora a saber-se pelo DE que, desde o início da "crise", em 2008, o Estado, ao mesmo tempo que cortava impiedosamente nos recursos das classes médias e mais desfavorecidas, deu 6 mil milhões de euros de apoios à banca, ascendendo actualmente as garantias públicas ao sistema financeiro a 35 mil milhões. Além disso, como se sabe, ainda irá parar aos bolsos da banca uma fatia de 12 mil milhões dos 78 mil milhões do empréstimo de FMI, BCE e UE.
Não, não são os portugueses quem "vive acima das suas possibilidades", como constantemente bradam os banqueiros e seus factótuns nos media. Os bancos é que vivem acima das possibilidades dos portugueses.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Sócrates arrisca-se a ganhar as eleições
Texto de Pedro Sousa Carvalho, Subdirector do "Diário Económico" hoje publicado nesse jornal.
"Estamos a menos de um mês das eleições e não é que Sócrates está a discutir, taco a taco, as eleições com o PSD? Quem diria que, em algumas sondagens como as da Marktest para o Diário Económico e TSF e da Católica, o PS aparece mesmo à frente nas intenções de voto.
Depois do desgaste de seis anos de governação; depois da sucessão de casos duvidosos e polémicos (Freeport, TVI, o diploma alegadamente passado a um domingo ou as alegadas ‘assinaturas de favor' naquelas casas esquisitas na Guarda); depois de ter impingido aos portugueses quatro PEC e dois orçamentos de austeridade, depois de ter deixado como legado um desemprego, défice e dívida em valores recorde, não é que Sócrates se arrisca a ganhar as eleições de 5 de Junho?
No resto da Europa, os líderes que implementaram as medidas de austeridade estão a cair um a um. Na Irlanda, Brian Cowen desapareceu do mapa político; em Espanha, Zapatero rendeu-se às sondagens e já não se volta a candidatar; em França, Sarkozy foi ultrapassado por Marine Le Pen e Strauss Kahn; em Itália, a popularidade de Berlusconi anda pelas ruas da amargura e mesmo nos EUA, não fosse o Bin Laden, e Obama já teria comprometido a reeleição dos democratas. Por cá, Sócrates arrisca-se a fazer o ‘hat-trick' e a ser primeiro-ministro pela terceira vez. Como dizia ‘sir' Churchill, na guerra só se morre uma vez, mas na política morre-se muitas vezes. E à terceira Sócrates volta a ressuscitar nas sondagens.
E porquê? É a chamada ‘one million dollar question'. É uma pergunta que já nos custou muito dinheiro e que se calhar ainda nos vai custar muito mais. Os mais irónicos diriam que é a ‘78 billion euro question'.
E a resposta é simples. As pessoas têm medo da chamada agenda liberal de Pedro Passos Coelho! Basta recordar que, depois do estado de graça inicial, as sondagens começaram a ser menos simpáticas com o PSD quando este apresentou as propostas de revisão da Constituição que pretendiam riscar da Lei Fundamental as expressões "tendencialmente gratuito" no capítulo da saúde e "sem justa causa" na proibição dos despedimentos, colocando, ao invés, a enigmática "razão atendível". E, no programa eleitoral apresentado esta semana, o PSD vai ainda mais longe e liberaliza o que nem a ‘troika' ousou liberalizar.
E as pessoas têm medo desta agenda liberal e tendem a ser conservadoras na hora de votar. Como diria o irónico Tom Wolfe, um conservador é um liberal que já foi assaltado. E, se calhar, os portugueses preferem voltar a ser assaltados por quem lhes vai apertar o cinto e esvaziar os bolsos, como diria Paulo Portas, do que arriscar a ficar sem as calças."
Estado mínimo, democracia declinante
Texto de Baptista Bastos hoje publicado no "Diário de Noticias"
"Creio que já ninguém duvida das características ideológicas contidas no projecto de Pedro Passos Coelho. Não têm nada a ver com o ideário social-democrata: baseiam-se no breviário mais extremo do ultraneoliberalismo. Não se trata, aqui, da velha questão de conteúdo e de forma que, desde Aristóteles a Lukacs, não só enuncia um conceito de estética como atinge uma dimensão antropológica. Nem, sequer, é mera pendência de semântica. Assim como o PS nunca foi "socialista", o PSD crê na "arte de governar" cristalizada numa ordem social cegamente obediente ao paradigma do "mercado."
Menos Estado, melhor Estado, eis o lema do PSD, que contraria, de raiz, a natureza da opção genuinamente "social-democrata". De cada vez que o Estado diminui, a democracia decresce. É dos livros e é da História. Basta ler um pouco mais, frequentar a cultura humanista com mão diurna e mão nocturna para que se perceba um princípio de explicação do funcionamento social. Como, aliás, assinalou Alexandra Prado Coelho num texto admirável a vários níveis e inserto na revista Pública do passado dia 8. A cultura é uma disciplina da política. E a política um dos interesses da cultura.
A jornalista titulou o seu trabalho com esta fórmula provocatória: "As elites já não estudam Letras e talvez façam mal." Claro que fazem, como temos testemunhado nos últimos anos portugueses. As elites não o são, exactamente porque descuraram o estudo da harmonização das relações humanas. A sua existência política funda-se numa dramática ausência de conhecimento desses laços.
O que o programa do PSD propõe é que o governo não é a solução mas sim o problema, afinal perfilhando a tese da senhora Thatcher, segundo a qual "a sociedade é uma coisa que não existe, existem só indivíduos e famílias". Recorramos a Tony Judt: "Se o governo é o problema e a sociedade não existe, então, o papel do Estado é mais uma vez reduzido ao de facilitador."
Admitindo que José Sócrates é, como se diz por aí, um "incompetente criminoso", Pedro Passos Coelho seria o "idiota útil" à execução de uma política de expansão do capitalismo predador e de limitação perversa do Estado. Este ficaria reduzido a um empreendimento comercial com gestores destinados a fixar "objectivos" e a orientar as suas tarefas para o "lucro" a qualquer preço. Na minha opinião, Sócrates sempre soube muito bem o que fazia. Mas Passos saberá da camisa de onze varas em que se mete e nos pretende enfiar? As suas hesitações, a indecisão do seu discurso e a volatibilidade das suas ideias sugerem que pretende uniformizarnos a uma prática tão absurda quanto contrária ao nosso espírito, e reduzir, cada vez mais, a pluralidade das experiências comuns a uma infame mascarada. As perspectivas que se abrem aos nossos horizontes visíveis são assustadoras."
sábado, 23 de abril de 2011
CRISE EM PORTUGAL - medidas a tomar!!!
Mais um mail de revolta e indignação que circula na net.
"Todos os ''governantes'' [a saber: os que se governam...] de Portugal falam em cortes das despesas, mas não dizem quais, e aumentos de impostos, a pagar pela malta
Não ouvi foi nenhum governante falar em:
. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, etc.) dos três Presidentes da República retirados.
. Redução dos deputados da Assembleia da República e seus gabinetes, profissionalizando-os como nos países a sério. Reforma das mordomias na Assembleia da República, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações,tudo à custa do pagode
. Acabar com os milhares de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e têm funcionários e administradores com 2º ou 3º emprego.
. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de euros mês e que não servem para nada, antes acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.. Redução drástica das Câmaras Municipais e Assembleias Municipais, numa reconversão mais feroz que a da Reforma do Mouzinho da Silveira, em 1821, etc
. Redução drástica das Juntas de Freguesia.
. Acabar com o pagamento de 200 € por presença de cada pessoa nas reuniões das Câmaras e 75 € nas Juntas de Freguesia
. Acabar com o Financiamento aos Partidos. Que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem para conseguirem verbas para as suas actividades
. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País.
. Acabar com os motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias, e até os filhos das amantes.... Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado e entes públicos menores, mas maiores nos dispêndios públicos.
. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos às escolas, ir ao mercado a compras, etc.
. Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira e respectivas estadias em Lisboa em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes que vivem em tugúrios inabitáveis...
. Acabar com os "subsídios" de habitação e deslocação a deputados eleitos por circulos fora de Lisboa... que sempre residiram na Capital e nunca tiveram qualquer habitação nos circulos eleitorais a que concorreram!
. Controlar os altos quadros "colocados" na Função Pública (pagos por nós...) que quase nunca estão no local de trabalho. Então em Lisboa é o regabofe total: HÁ QUADROS QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE ADVOGADOS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES, QUE NÃO OS DA COISA PÚBLICA...
. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir tachos aos apaniguados do poder - há hospitais de província com mais administradores que pessoal administrativo. Só o de PENAFIEL TEM SETE ADMINISTRADORES PRINCEPESCAMENTE PAGOS... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder...
. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos e outros, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar..
. Acabar com as várias reformas, acumuladas, por pessoa, de entre o pessoal do Estado e de entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.
. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes ao BPN e BPP, com os juros devidos!
. Perseguir os milhões desviados por Rendeiros, Loureiros, Duartes Limas, Arlindos de Carvalho, Varas, Penedos, Lamegos e quejandos, onde quer que estejam e recuperar essas quantias para os cofres do Estado.
. E por aí fora... Recuperaremos depressa a nossa posição, sobretudo a credibilidade tão abalada pela corrupção que grassa e pelo desvario dos dinheiros do Estado .
. Quem pode explicar porque é que o Presidente da Assembleia da República (o "Bocassa" Gama) tem, ao seu dispor, dois automóveis de serviço? Deve ser um para a "pasta" e outro para a "lancheira"!...
"
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Todos somos culpados?
Texto de Nuno Rogeiro hoje publicado no "Jornal de Noticias".
"Todos somos culpados?
Financeiramente, o Estado português (ou o Estado que se instalou em Portugal) bateu no fundo. Mas não há nada mais irritante do que o argumento de que, neste descalabro, "todos somos culpados". Não é certamente culpado quem sempre questionou a utilidade de certos gastos públicos, em particular sendo estes obscuros quanto ao custo total, e quanto à capacidade de endividamento. Um exemplo claro é o TGV. Ainda hoje há um grupo de pressão a propalar imbecilidades, como o de podermos perder milhões de euros se não construirmos o comboio ultra-rápido. Ora, a verdade é que essa "ajuda" europeia é apenas um quinto a um sexto do preço mínimo total. Ou seja: poupávamos 20%... se pagássemos os outros 80.
Não é certamente culpado quem, cedo e a boas horas, em várias áreas, denunciou a ameaça da dívida externa, o grande perigo que a mesma representava sobre o futuro dos filhos e a tranquilidade desta geração.
Não é culpado quem sempre questionou os esquemas ínvios de acumulação de pensões e ordenados activos, ou a remuneração de gestores sem atenção aos seus resultados.
Não é culpado quem sempre pagou os seus impostos, com ou sem juros, não sabotou a economia nacional, não promoveu a fuga de capitais para o estrangeiro, e sempre que pôde investiu nesta sociedade, neste povo e nesta nação.
Não é culpado quem sempre defendeu a frugalidade do Estado, e o fim da ostentação sumptuária dos pequenos e grandes poderes públicos.
Não é culpado quem não enriqueceu à custa do Estado, quem sempre viveu com esforço e empenho na construção de um futuro na iniciativa privada, cooperativa, social.
Não é culpado quem deu mais do que recebeu, e quem serviu sem se servir.
Não é culpado quem sempre quis ir mais longe, e mais fundo, na investigação de nepotismo, compadrio, tráfico de influências e corrupção.
Não é culpado quem sempre se opôs à criação de cargos, departamentos e funções inúteis, em geral justificados por critérios político-partidários.
Não é culpado, certamente, quem sempre pregou e aplicou o equilíbrio orçamental, e a transparência na gestão dos dinheiros públicos, contra as sereias do despesismo.
Não é culpado quem, nesta história ainda mal contada, remou no sentido contrário ao do desastre presente.
São esses inocentes que vão acabar por tirar os culpados da crise."