Mais um mail de indignação que circula pela internet, este sobre as magnificas habilitações de Pedro Passos Coelho para ser gerir os destinos deste País.
Trata-se, afinal, de mais um produto dos partidos, mais um politico de carreira, com um percurso profissional tardio e em empresas de outros "companheiros" do partido.
A verdade é que não basta arranjar um diploma depois de beber uns quantos ensinamentos de economia neo-liberal para ficar a liderar um governo e o resultado está à vista. Não é só a deficiente preparação de Passos Coelho que está em causa mas também a qualidade da gente de quem se rodeia como, por exemplo, o todo poderoso Miguel Relvas que, em termos éticos, está ao nivel do vigarista José Sócrates. Com políticos destes Portugal nunca mais sairá do abismo em que se encontra. Está na altura do povo se erguer, dizer "BASTA" e correr com a corja partidária. Ao contrário do que os escribas do regime dizem e redizem, é possível ter democracia sem partidos!
EIS O CURRICULUM DO NOSSO 1º MINISTRO...
Nome: Pedro Passos Coelho
Data de nascimento: 24 de Julho de 1964
Formação Académica: Licenciatura em Economia - Universidade Lusíada (concluída em 2001, com 37 anos de idade)
Percurso profissional: Até 2004, apenas actividade partidária na JSD e PSD;
A partir de 2004 (com 40 anos de idade) passou a desempenhar vários cargos em empresas do amigo e companheiro de Partido, Engº Ângelo Correia, de quem foi diligente e dedicado 'moço-de-fretes', tais como :
(2007-2009) Administrador Executivo da Fomentinvest, SGPS, SA;
(2007-2009) Presidente da HLC Tejo,SA;
(2007-2009) Administrador Executivo da Fomentinvest;
(2007-2009) Administrador Não Executivo da Ecoambiente,SA;
(2005-2009) Presidente da Ribtejo, SA;
(2005-2007) Administrador Não Executivo da Tecnidata SGPS;
(2005-2007) Administrador Não Executivo da Adtech, SA;
(2004-2006) Director Financeiro da Fomentinvest,SGPS,SA;
(2004-2009) Administrador Delegado da Tejo Ambiente, SA;
(2004-2006) Administrador Financeiro da HLC Tejo,SA.
Este é o "magnífico" CV do homem que 'teoricamente' governa este País!
Um homem que nunca soube o que era trabalhar até aos 37 anos de idade!
Um homem que, mesmo sem ocupação profissional, só conseguiu terminar a Licenciatura (numa Universidade privada...) com 37 anos de idade!
Mais: um homem que, mesmo sem experiência de vida e de trabalho, conseguiu logo obter emprego como ADMINISTRADOR... em empresas de Ângelo Correia, "barão" do
PSD e seu tutor e patrão político!... E que nesse universo continua a exercer funções!...
É ESTE O HOMEM QUE FALA DE "ESFORÇO" NA VIDA E DE"MÉRITO"!
É ESTE O HOMEM QUE PRETENDE DAR LIÇÕES DE VIDA A MILHARES DE TRABALHADORES
DESTE PAÍS QUE NUNCA CHEGARÃO A ADMINISTRADORES DE EMPRESA ALGUMA, MAS QUE LABUTAM ARDUAMENTE HÁ MUITOS E MUITOS ANOS NAS SUAS EMPRESAS, GANHANDO
ORDENADOS DE MISÉRIA!
É ESTE O HOMEM QUE, EM TOM MORALISTA, FALA DE "BOYS" E DE "COMPADRIOS", LOGO ELE QUE, COMO SE COMPROVA, NÃO PRECISOU DE "FAVORES" DE NINGUÉM... PARA
ARRANJAR EMPREGO!...
EDIFICANTE... NÃO É?...
DIGA LÁ... DAVA EMPREGO (QUE NÃO FOSSE O DE 'MOÇO-DE-RECADOS') A ALGUÉM COM ESTA 'FOLHA DE SERVIÇOS'?
POIS É...
ASSIM, PORTUGAL BEM VAI DEPRESSA PARA O ... ABISMO.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
domingo, 22 de janeiro de 2012
Então e a verdade?
A propósito das ofensivas declarações do passarão Cavaco Silva sobre não ganhar que chegue para pagar as suas despesas Pedro Marques Lopes, conhecido propagandista do PSD, apresenta hoje um curioso texto no "Diário de Noticias".
Parece que algo começa a correr mal no reino da laranjada.
"O homem que inúmeras vezes apareceu perante os portugueses exigindo que se falasse verdade não falou verdade. O homem que afirmou solenemente que quem o acusava de condutas menos próprias na condução de alguns negócios particulares teria de nascer dez vezes para ser mais sério do que ele não foi sério. Deliberadamente, escondeu uma parte do que ganha. E não foi sério quando disse que não sabia quanto seria o valor total das suas pensões.
O homem frontal, que faz gala de que a sua vida seja um livro aberto, omitiu. Omitiu ou disse uma meia-verdade, que como toda a gente sabe é sempre uma redonda mentira, quando, sem um pingo de vergonha, fingiu ter de livre e espontânea vontade prescindido do seu salário como Presidente da República. Todos nós sabemos que lhe estava vedado por lei acumular as suas pensões com esse salário. Decidiu omitir que a escolha que fez foi entre receber cerca de dez mil euros mensais das reformas ou aproximadamente sete mil de salário.
Mas estou disposto a, pelo menos, negar parte do que acabo de escrever e admitir que, de facto, além de tudo isso, Cavaco Silva não consegue pagar as suas despesas, que dez mil euros não chegam para cobrir os seus gastos. Nesse caso tinha-nos enganado quando nos fez crer que era um homem austero e prudente nos seus investimentos, avesso a gastos desnecessários, que utilizava mantinhas em sua casa para não desperdiçar dinheiro em aquecimento central e que tinha um padrão de vida pautado pela contenção e sobriedade. É que, convenhamos, ganhar os tais dez mil euros somados aos oitocentos da sua mulher (será?), não pagar refeições, gasolina, telefones e demais despesas correntes, como é direito de um presidente da República, e, mesmo assim, não lhe sobrar dinheiro, é próprio de um verdadeiro estroina que anda para aí a deitar dinheiro à rua. Temo pelos seus seiscentos e cinquenta e um mil euros que até agora poupou e ainda conserva em vários bancos. Bom, não é que já não tivéssemos indícios de alguma negligência na condição das suas finanças. Como todos nos recordamos, Cavaco Silva comprou e vendeu acções da SLN, mas não sabia como o negócio tinha sido feito nem do que teria auferido em mais-valias.
O homem que se reclama do povo, que veio do povo, que sente que o povo está a escutar a sua mensagem, não tem pejo em dizer que só à custa das suas poupanças consegue sobreviver. Pois, não sei a que povo se está a referir. O povo que eu conheço não se indignará com os rendimentos dele, são fruto do seu trabalho e com certeza fez por os merecer. Não gostará é, estou certo, de que brinquem com ele. Não apreciará que um homem rico, e Cavaco Silva pelos padrões portugueses é um homem rico, insinue que está a fazer os mesmos sacrifícios que o povo a que diz pertencer.
É que esse povo é constituído por mais de seiscentos mil desempregados, por um milhão e meio de pessoas que trazem para casa quinhentos euros por mês, por trabalhadores por conta de outrem que ganham em média oitocentos euros mensais. Ninguém pediria ao Presidente da República que vivesse com oitocentos euros. Pedir-se-ia sim que compreendesse os sacrifícios, as terríveis condições de vida, a angústia dos que vivem desesperados por não verem perspectivas para os seus filhos e que se pusesse ao lado deles, que os guiasse para uma vida mais digna. Mas não, Cavaco Silva preferiu muito simplesmente gozar com o seu povo.
Pode ser, no entanto, pior. Às tantas, o político profissional com mais anos de carreira não conhece a real situação dos portugueses. O homem que foi eleito primeiro--ministro três vezes e Presidente da República duas, ignora como os cidadãos vivem. Nesse caso, o problema, infelizmente, não é dele, é nosso, pois temos votado num indivíduo que se está borrifando para nós e para a nossa vida.
Anteontem tive vergonha de ter votado algumas vezes neste senhor."
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
A Teia
Texto de Manuela Moura Guedes hoje publicado no "Correio da Manhã".
"Só ficou espantado e indignado com as nomeações do Governo quem ainda acredita nas virtudes deste sistema partidário e eleitoral. Confesso que houve uma altura em que, perante o que se tinha passado na era socrática, pensei que era possível, de facto, uma mudança de comportamento político.
Mas, passado meio ano, voltei à conclusão de que está tudo montado para vivermos numa teia de interesses que liga o poder aos partidos e a grupos económicos e que se ramifica por todas as áreas da sociedade, da Justiça à Comunicação Social.
O número de nomeações feitas até agora não assusta, aliás, porque o PS enxameou de tal forma a Administração Pública e cargos afins com os chamados boys inúteis que uma limpeza era necessária. O critério para a escolha de muitos dos novos nomes é que é assustador.
O que terá feito nomear para a COMPETE, o programa que dispõe de 5500 milhões de euros para incentivos às empresas, um dos administradores da sociedade (SLN) que controlava o BPN e que não avisou o Banco de Portugal quando encontrou fraudes e prejuízos ocultos? Ao contrário, na altura, aprovou as contas. Franquelim Alves é social-democrata, o que seria apenas um pormenor se não tivesse esta mancha gigantesca do BPN no seu currículo.
Que garantias dá de gerir e distribuir bem os milhares de milhões de euros públicos do COMPETE? Com a falta de dinheiro que há, facilmente se percebe a importância desta nomeação. Isto é poder real.
Sabe-se como o anterior Governo, com as escolhas para lugares na Banca, condicionava os empréstimos e as suas condições... A impressão de "déjà vu" acentua-se, apenas muda nas condições, impostas por quem nos fez o empréstimo, de reduzir o peso do Estado na economia. E, de facto, todos nós já o sentimos, na parte que correspondia ao dinheiro dos impostos aplicado em bem-estar social. De resto, os interesses "reais" do País continuam a sobrepor-se e a tentar novas formas de organização que encaixem nas privatizações e num Estado menor.
Está para lá do alcance da troika pôr fim a esta teia que estende a partidarização à decisão política. Só mesmo os portugueses o poderiam fazer, se não fossem eles próprios adeptos do clientelismo, da cunha e do favor. "
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
A lista de aniversário de Pedro Passos Coelho
O "Correio da Manhã" publica hoje dois textos muito interessantes que contrariam a tese ontem proclamada por Passos Coelho de não ter nada a ver com as recentes nomeações para a EDP e outras que tais. Passos Coelho é tão mentiroso (ou mais) que Sócrates, Miguel Relvas é tão vigarista como Sócrates e os cidadãos que neles votaram começam a dar corpo à enorme decepção que sentem por terem sido vilmente enganados.
Texto de João Miguel Tavares
A lista de aniversário de Pedro Passos Coelho
"Tenho esta teoria: alguém confundiu as novas nomeações para o Conselho de Supervisão da EDP com a lista de convidados para a festa de anos de Pedro Passos Coelho. É verdade que o primeiro-ministro só faz anos em Julho, mas os chineses regem-se por outro calendário e têm dificuldades com o português.
Passos Coelho entregou a Cao Guangjing um convite para passar por Massamá daqui a cinco meses e ele achou que a lista de convidados era uma sugestão para enfiar os melhores amigos do primeiro-ministro na empresa que tinha acabado de comprar. Essa é a única explicação para que Eduardo Catroga, Braga de Macedo, Paulo Teixeira Pinto, Ilídio Pinho ou Celeste Cardona acabem com os seus belos rabiosques sentados em cadeiras que valem no mínimo cinco mil euros por mês, em part-time.
Nenhuma outra teoria é possível. Ninguém me vai convencer de que o Estado privatizou a EDP, disse que não queria ter mais nada a ver com aquilo, louvou o funcionamento do mercado, homenageou o pensamento liberal, e depois sentou no Conselho de Supervisão, por onde passam todas as orientações estratégicas da empresa, precisamente aquelas pessoas que lhe andaram a dar uma ajudinha nos últimos meses, incluindo o seu velho patrão (Pinho) e a inefável Cardona, que o CDS deposita em todas as prateleiras douradas da pátria. E, sobretudo, ninguém me convence de que os chineses chegaram a Portugal ao volante de vários camiões TIR de notas de euro para deixarem a EDP cheiinha de amigalhaços do poder estatal. Ou… Espera! Não me digam… Será possível que… os chineses tenham percebido tão depressa exactamente como este país funciona? "
A Loja dos Tachos
Texto de Manuela Moura Guedes
"Cheguei esta semana à conclusão de que a Maçonaria, afinal, é uma instituição muito mais democrática e abrangente para fazer o Bem do que um qualquer Governo. Há maçons do PS, do PSD, do CDS e nem se percebe que, sendo "igualitária, "não tenha gente assumida do PCP e do BE.
Independentemente da cor política, os maçons entreajudam-se, é uma coisa entre irmãos, pronto. No Governo, já não é assim. Aqui, o Bem (entendido, claro, como os lugares de nomeação política e que fazem bem financeiramente às pessoas) só é distribuído entre agradecimentos por serviços prestados ou lealdades partidárias e na exacta medida dos resultados eleitorais conseguidos pelos dois partidos do Governo. É por isso que o CDS só tem Celeste Cardona no Conselho de Supervisão da EDP enquanto o PSD tem 4 "simpatizantes" e mais o antigo patrão de Passos Coelho na Fomentivest, liderada por Ângelo Correia. Ou terão sido os zelosos accionistas privados a pensar também nesta proporção? Nada disto teria importância se não tivesse sido a mesma coisa na CGD, nas Direcções Regionais da Segurança Social, nas Administrações de alguns hospitais, na Águas de Portugal e no facto de a EDP ter, na prática, o monopólio da energia e de a cobrar aos preços mais elevados de toda a Europa. Somos nós que pagamos, na factura da luz, os ordenados destes senhores, em média 55 mil a cada um, por mês. Pagamos isso e as reformas que alguns acumulam. Catroga é um deles, mas o caso de Paulo Teixeira Pinto parece-me mais bizarro. Foi reformado aos 46 anos por decisão de uma Junta Médica que o considerou incapaz para continuar a trabalhar. Passou a receber de reforma entre 35 mil a 40 mil euros por mês. Até agora, era o Fundo de Pensões da Banca que a pagava, mas, com a sua transferência para o Estado, vai sair do bolso de todos nós esta e todas as outras reformas altíssimas, o que já é responsável por parte da derrapagem do défice este ano. Estas verbas são obscenas para quem ganha 600 euros e leva cortes nos subsídios. Mas o Governo perdeu completamente a vergonha (e os maçons preocupados em ser secretos!). O descaramento com que tudo isto se faz só mostra que os portugueses calam e consentem. E quando é assim, não são corajosos, são parvos!"
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
E você, acredita?
Texto de Manuela Moura Guedes hoje publicado no "Correio da Manhã".
"Só os pobres escapam ao raide de uma política fiscal que castiga quem trabalha como ninguém na Europa
Não me lembro de ter chegado ao fim de um ano tão mau e, mesmo assim, desejar que o novo não comece. As perspectivas são negras e nem mesmo as promessas de Passos de "democratizar a economia" suavizam o horizonte. Os seis meses de Governo mostram que entre as intenções e a prática há um enorme vazio.
A austeridade tem como alvo a classe média, da alta à baixa. Só os pobres escapam ao raide de uma política fiscal que castiga quem trabalha como ninguém na Europa, e deixa de fora quem vive de mais-valias e dividendos. E os que têm "acesso privilegiado ao poder" continuam a ser os poderes reais do País. Os interesses corporativos que se alimentam do Estado não acabaram, o que se alterou foi um faz-de-conta. As nomeações para cargos dirigentes da Administração Pública serão por concurso público mas o ministro terá a última palavra, anulando a escolha por concurso.
A reforma do Poder Local acaba apenas com freguesias deixando as 308 autarquias do século XIX desfasadas das necessidades actuais. Os interesses partidários sobrepuseram-se e os caciques locais ganharam. Continuam as mais de 2ooo empresas municipais, quase todas endividadas e a albergar familiares e amigos de autarcas. Antes de ser Governo, o PSD prometia acabar com todas as que não tivessem "50% de receita privada". Também iam acabar com Fundações, Institutos, "o Estado gordo"... a dieta foi tão ligeira que até vai haver o novo Instituto Português da Moda (procuram um palacete). Em contrapartida, corta-se em coisas tão essenciais como medicamentos, médicos, enfermeiros ou nos 3 helicópteros do INEM à noite. Não estavam a ser rentabilizados. Custam 1,8 milhões de euros por ano e só às vezes é que há gente quase a morrer que precisa deles! Já a RTP custa mais de 100 milhões e vai deixar de ter publicidade para depender só do OE e do Governo que cedeu à pressão das privadas. Tal como tem cedido ao peso de quem intervém nas negociatas da PPP (60 mil milhões), grandes empresas, construtoras, banca e advogados.
Os sinais já são muitos e fortes de falta de vontade política do Governo para acreditar outra vez em promessas de "democratização da economia". Mas espero mesmo estar enganada – É o meu desejo para 2012! "
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Passos em volta da exaustão
Texto de Baptista Bastos hoje publicado no "Diário de Notícias"
" O primeiro-ministro foi às televisões, admitindo-se, com modesta expectativa, que iria sossegar a nação. Não sossegou ninguém. Surgiu um homem alquebrado, de rosto fechado e descaído, exausto e confuso, conferindo ao discurso uma futilidade patética. Entre o apelo à confiança e a surpreendente declaração sobre a necessidade de se "democratizar a economia", com o concurso do povo, nada do que disse produziu o mínimo estremecimento de emoção. O dr. Passos não motiva, não congrega, não aquece nem arrefece. E é cada vez mais visível o esforço que faz para convencer aqueles dos outros e os próprios que o cercam.
Os áulicos do costume aplaudiram, com fervor inconsistente; e o CDS-PP, muito calado nos últimos tempos, mandou um moço grave e soturno, cujo nome não fixei, proferir umas irrelevâncias apropriadas. As televisões, preguiçosas e desprovidas de critério, têm dado espaço e tempo a pessoas que o são sem ser coisíssima nenhuma. E que os partidos recorrem ao rebotalho dos aparatchiks por inexistência de figuras de proa. Diz-se, também, que a coligação não afina com muitos diapasões, e que a ausência do dr. Portas nos "eventos" mais chamativos se deve a um certo mal-estar.
A verdade é que o presidente do CDS possui grande presciência política e as suas faltas em actos públicos talvez sejam um sinal de prudência e de distanciação de muitos actos do Governo. Enquanto o dr. Passos fala, fala e não diz nada, e dá entrevistas umas atrás das outras, numa fastidiosa rotina de vacuidades, o seu parceiro de aliança afasta-se, com um recato que lhe não é próprio, ele, tão dado à fotografia, à imagem, à primeira fila.
A sociedade portuguesa está gravemente enferma e o Executivo não consegue dar conta do recado. Embrulha-se em quezílias pessoais (caso da ministra da Justiça e do bastonário da Ordem dos Advogados); em afirmações desprovidas de sentido e logo apressadamente desmentidas (Álvaro Santos Pereira); ou em embaraçosas declarações de princípio (Miguel Relvas), reveladoras de impreparações políticas fulcrais. O que deveria ser dito pelo Governo é comentado pela Igreja, com argumentação sólida. O cardeal-patriarca de Lisboa, cuja independência de espírito já o opôs, por exemplo, ao Vaticano (celibato dos padres e ordenação das mulheres, verbi gratia), anunciou que as desigualdades sociais só seriam vencidas se a ordem económica sob a qual vivemos fosse rapidamente substituída. E a Conferência Episcopal, insistindo em que não há social sem cidadania, favorece, no resguardo peculiar à instituição, a necessidade do compromisso com o protesto e com a resistência às iniquidades.
Meu Dilecto: estamos no fecho de um ano desgraçado e nocturno. Que Hermes, o deus do bom caminho, ilumine o que aí vem, e não nos deixe enveredar por veredas e azinhagas."
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Tim-tim por tim-tim
Texto de Paulo Morais, Professor Universitário, hoje publicado no "Correio da Manhã"
"Os três últimos primeiros-ministros eleitos foram empossados na sequência de campanhas em que prometeram não aumentar impostos. Mas não tardaram a fazê-lo, mal se instalaram no poder. Durão Barroso tinha até anunciado um choque fiscal, com uma brutal redução de impostos. Para justificarem a sua incoerência, todos alegaram desconhecimento da situação efectiva das finanças públicas. O que não colhe. Pois ao candidatarem-se teriam de conhecer toda a informação. Se a não conheciam, são incompetentes; se, por outro lado, dela dispunham, são mentirosos.
Duma forma ou doutra, todos nos vieram ao bolso. Com o discurso da "tanga" de Barroso, do "défice descontrolado" de Sócrates ou do "buraco colossal" de Passos Coelho. Prometendo em campanha uma política fiscal e fazendo exactamente o seu contrário, os políticos desacreditaram a democracia enquanto regime em que se contrapõem ideias e se espera que se implementem as propostas dos que vencem nas urnas.
O facto é que os impostos são hoje um verdadeiro esbulho aos nossos rendimentos. E, paradoxalmente, ao aumento da carga fiscal dos últimos dez anos tem correspondido uma diminuição das regalias que o Estado concede. Durão Barroso introduziu portagens nas Scut, José Sócrates reduziu a rede escolar e hospitalar, diminuiu as pensões de reforma, e Passos Coelho parece ir pelo mesmo caminho. Todas estas decisões seriam até talvez aceitáveis se os impostos em vez de subir… estivessem a descer.
Como é isto possível? Para onde têm ido todos os recursos? Alguns desvarios são conhecidos, mas não se tem noção de qual é a sua verdadeira dimensão. Ainda estão por esclarecer os montantes esbanjados na Expo 98 ou no Euro 2004.
Outros gastos são ainda mais secretos, como os das parcerias público-privadas em auto-estradas e hospitais, os montantes escandalosos dos juros de dívida pública ou a nacionalização do BPN.
Aqui chegados, impõe-se um cabal esclarecimento de qual o destino que tem sido dado, nos últimos anos, aos milhões arrecadados através dos nossos impostos. Explicados euro a euro, tim-tim por tim-tim. "
sábado, 24 de dezembro de 2011
Soldadinhos de chumbo
Texto de José Eduardo Moniz hoje publicado no "Correio da Manhã".
"Uma época como a que enfrentamos obriga qualquer responsável político a ter cuidado com o que diz. A prudência e a contenção são aconselháveis numa situação em que os fundamentos económicos e sociais que regeram a sociedade portuguesa, ao longo de décadas, desabam ao ritmo dos humores dos credores e dos ditames da Alemanha. É, por isso, inexplicável que Passos Coelho se desdobre em afirmações que, mais do que "gaffes", traduzem pensamento pouco estruturado e se mostram susceptíveis de revelar falta de respeito por promessas e compromissos.
Aconselhar os professores a procurarem na emigração a sua sobrevivência é, provavelmente, uma convicção que o primeiro-ministro alimenta, mas que, verbalizada, convida ao desânimo colectivo, suscitando dúvidas legítimas quanto à sua crença na resolução da crise e à sua capacidade para ser motor das mudanças estruturais de que o País carece. Depois de tais palavras não se percebe por que deverá um jovem, desalentado com a escassez de oportunidades que se lhe deparam, acreditar em Portugal. O primeiro--ministro não se pode resumir ao papel de alto comissário de uma qualquer agência de emigração, vocacionada para a angariação de empregos no estrangeiro.
Tal declaração, depois de outra em que deixava claro que o valor das reformas, daqui a poucos anos, ficará por metade do de hoje, é mais um tiro certeiro a ferir de morte a esperança. Bem podem Passos Coelho e o seu braço-direito Miguel Relvas (sempre pronto a ir em socorro do chefe para tentar enquadrar-lhe o raciocínio) argumentar que é o realismo que os impele a falar. Só adicionam cacofonia e desorientação à supressão dos benefícios sociais que ocorre a um ritmo avassalador.
Já se sabe que os governantes, hoje, se debatem com limitadíssima autonomia, pouco mais sendo do que transmissores de decisões tomadas lá fora, ao jeito de soldadinhos de chumbo, dependentes de um comando superior que os manipula. A troika lembra-nos isso numa base quotidiana, não se eximindo os seus representantes a proferir comentários que nos recordam o regime de protectorado em que vivemos e que só não são humilhantes, porque a dignidade nacional se está a esvair dia após dia. Veja-se a forma como se revêem e logo se voltam a alterar as regras dos subsídios de desemprego, as indemnizações por despedimentos e as taxas da saúde. A cartilha que trazem no bolso é feita de números. Só que um país não é composto por algarismos , mas sim por pessoas. E é para elas que se governa. Esquecer isso é esquecer Portugal.
Há muita gente que não resiste a um microfone com medo de deixar de existir. Cavaco Silva, por exemplo, que agora resolveu tirar as críticas do armário em que as conservou no tempo de Sócrates e António José Seguro que, de substantivo, ainda pouco ou nada mostrou , tão manietado está dentro e fora do PS.
LUZ DE AVELÃ
O Natal vestiu-se de dragão chinês. O controlo da EDP muda-se para Pequim. Para Passos e seus pares os números falaram mais alto do que os equilibrismos políticos. O dinheiro não tem cor quando a fome é muita. Perderam os que, no Governo, queriam a electricidade com outros sotaques.
TRAMA-SE O MEXILHÃO
Está a aumentar o número de doentes à espera de cirurgias nos hospitais. Sem dinheiro, foram reduzidos os pagamentos adicionais aos profissionais de saúde que permitiam a realização de tais actos médicos. Os cortes que o ministro Paulo Macedo aplica produzem efeitos. Quem sofre? O pessoal do costume…"
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
O pacote de Natal
Texto de Manuela Moura Guedes hoje publicado no "Correio da Manhã".
"Pode parecer perverso mas há um Natal que ficou melhor com o corte que levou no subsídio. O Natal das pessoas que esturricam o dinheiro a comprar para os outros presentes que não lhes fazem a mínima falta. O Natal de gente esbaforida, sem tempo, que enche as lojas à procura de qualquer coisa porque tem de ser.
Graças ao corte no subsídio, estou quase a reconciliar-me com a época, depois de muito anos ficar angustiada só com a chegada do mês de Dezembro. Há dias, num inquérito de televisão, dizia uma criatura que "este ano não há Natal para os adultos, só para as crianças", resumindo ao prazer do consumo uma data que, mesmo para os não crentes, é para comemorar e viver a compaixão, o interesse, o amor pelo próximo. Mas são os sinais destes tempos esquisitos em que o Natal se mede pelas vendas dos comerciantes e transacções do multibanco, em que o Menino Jesus é substituído pelo bacalhau e pelo peru, em que o Primeiro-ministro mata qualquer tipo de esperança e manda portugueses fazer as malas e trabalhar para o estrangeiro. Estas últimas são mesmo originalidades do País e recentes. Mas, se calhar, não estaríamos como estamos se, no passado, tivessem mandado emigrar os ‘Jotas’ dos Partidos, grande parte com percurso e experiência apenas na política e com licenciaturas tardias de universidades manhosas. Em troca, teria ficado cá muita gente qualificada que teve de ir-se embora porque aqui não era devidamente aproveitada. Não compete a um governo sugerir aos cidadãos, ainda para mais a gente com formação, que vá trabalhar para fora. Mais vale dizer que vamos fechar para liquidação. E quando três membros do Governo, um deles o Primeiro-ministro, apontam a emigração como solução, isto passa a ser mesmo política governamental.
O Ministro Relvas diz que "esses activos fantásticos "não têm lugar em Portugal. Talvez o activo fantástico Miguel Relvas, com a sua vasta experiência em Ciência Política, pudesse dar o primeiro passo e levar com ele as centenas de autarcas que estão a mais se fizesse uma verdadeira reforma do Poder Local que incluísse as Autarquias. Era um belo presente de Natal a Angola, sem custos (poupava-se até muito ) e com um fraterno espírito de entreajuda! "
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
A mentira e o desprezo
Texto de Baptista Bastos hoje publicado no "Diário de Notícias"
"Parece que há excesso de portugueses em Portugal. Para remediar tão desgraçada contrariedade, o Governo decidiu minguar-nos tomando decisões definitivas. Há semanas, um secretário de Estado estimulou a emigração de estudantes. Há dias, o primeiro-ministro alvitrou que os professores desempregados ou com dificuldade em empregar-se deviam encaminhar-se para os países lusófonos, nos quais encontrariam a felicidade que lhes era negada na pátria. O dr. Telmo Correia, sempre inteligente e talentoso, elogiou, na SIC-Notícias, a sabedoria cristã de tão arguta ideia.
Acontece um porém: e os velhos? Que fazer dos velhos que enchem os jardins e a paciência de quem governa? Os velhos não servem para nada, nem sequer para mandar embora, não produzem a não ser chatices, e apenas valem para compor o poema do O'Neill, e só no poema do O'Neill eles saltam para o colo das pessoas. Os velhos arrastam-se pelas ruas, melancólicos, incómodos e inúteis, sentam--se a apanhar o sol; que fazer deles?
Talvez não fosse má ideia o Governo, este Governo embaraçado com a existência de tantos portugueses, e estorvado com a persistência dos velhos em continuar vivos, resolver oferecer-lhes uns comprimidos infalíveis, exactos e letais. Nada que a História não tivesse já feito. Os celtas atiravam os velhos dos penhascos e seguiam em frente, sem remorsos nem pesares.
Mas há outro problema. A fome. A fome que alastra como endemia, toca a quase todos, abate-se nos velhos e, agora, nos miúdos. Os miúdos das escolas chegam às aulas com as barrigas vazias: pais desempregados, famílias desgarradas, "a infância, ah!, a infância é um lugar de sofrimento, o mais secreto sítio para a solidão", disse-o Ruy Belo; e as escolas já não têm o que lhes dar. As cantinas reabrem, mesmo durante as férias, e sempre se arranja uma carcaça, um leite morno, nada mais, oferecidos por quem dá o pouco que não tem.
Vêm aí mais fome, mais miséria, mais desespero, mais assaltos, mais violência, mais velhos desamparados, mais miúdos espantados com tudo o que lhes acontece e não devia acontecer. Mais desemprego, num movimento cumulativo, mecânico a automático, como nos querem fazer crer. Diz o Governo. Como se esta realidade fosse natural; como se a semântica moderna da sociedade explicasse a amoralidade da eliminação da justiça e a inevitabilidade do que sucede.
Para que serve este Governo?, a quem favorece, a quem brinda, a quem satisfaz? Podem, em consciência, os seus panegiristas passar ao lado das infâmias a que assistimos, e continuar omissos ou desbragadamente cortesãos? Podem. É ao que temos vindo a assistir. O Governo administra o ódio e o desprezo com a indiferença gélida de quem não é por nós. Diz-se que o anterior Executivo vivia da e na mentira. Este subsiste de quê?"