Texto de Armando Esteves Pereira, Director-Adjunto do "Correio da Manhã", hoje publicado nesse jornal.
"O ministro da Economia culpou ontem a "anacrónica " legislação pelo desemprego recorde. Um dado empírico desmente o académico Álvaro, porque Portugal na década de 90 conseguiu taxas próximas do pleno emprego com a velha lei laboral.
Provavelmente se a nova lei já estivesse em vigor, o desemprego ainda teria maiores proporções. Com despedimentos mais fáceis e mais baratos e uma lei que torna todos os contratos precários, cortar pessoal será cada vez mais a via preferencial para abater custos. E com tantos jovens, mesmo diplomados, dispostos a trabalhar por salários inferiores aos das empregadas domésticas, a nova lei é também a via verde para uma brutal redução de salários. Pobre Portugal low cost. "
Esta é, realmente, uma das maiores falácias do pensamento neo-liberal, dizer que ser mais fácil despedir trabalhadores facilita a criação de emprego. O problema é que esta fórmula nunca deu esse resultado em parte nenhuma do mundo, bem pelo contrário, sempre levou ao aumento do desemprego.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Lei laboral low cost
quarta-feira, 28 de março de 2012
Um "negócio" surreal
Texto de Manuel António Pina hoje publicado no "Jornal de Noticias"
"A história trágico-financeira-política do BPN atravessa dois governos e é assustadoramente surreal (ou talvez antes neo-abjeccionista): "nacionalizado" por um Governo PS, isto é, nacionalizadas as suas dívidas, a maior parte resultante de trafulhices, e detido o seu guru-mor, Oliveira Costa, enquanto os demais responsáveis continuam a andar por aí de cabeça despudoradamente erguida e como se não fosse nada com eles, coube a um Governo PSD/CDS "privatizá-lo" de novo.
Os jornais publicaram há dias a notícia de um grupo norte- -americano que se disporia a dar 600 milhões pelo BPN. Parece que, apesar de repetidas tentativas, nunca conseguiu chegar à fala com o Governo. E o Governo, não tendo melhor oferta, acabou por vendê-lo a um banco, o BIC, de Isabel dos Santos, filha de Eduardo dos Santos, e de Américo Amorim, pela módica quantia de 40 milhões de euros.
Entraram, pois, 40 milhões nas contas do Estado? Não: saíram (mais) 600 milhões, pois o Governo PSD/CDS comprometeu-se, para que o BIC fizesse o favor de "comprar" o BPN por 40 milhões, a dar-lhe... 600 milhões. Parece que para o "viabilizar". E ainda a emprestar- -lhe outros 300 milhões a 0% de juros. E a ficar com o encargo de metade dos seus trabalhadores.
Não foi um negócio da China, foi um negócio de pôr os olhos em bico. E, como em negócios assim há sempre um otário, adivinhe o leitor a que bolsos irão parar os seus subsídios de férias e de Natal."
terça-feira, 27 de março de 2012
E o Oscar vai para...
Texto de Manuel António Pina hoje publicado no "Jornal de Noticias"
""Nestes nove meses, nós no Governo temos cumprido aquilo que prometemos", garantiu Passos Coelho aos correligionários e ao país durante o Congresso do PSD do passado fim-de-semana. Podia tê-lo dito pondo pudicamente a mão à frente da boca e rindo para dentro como Muttley, mas não: conseguiu dizê-lo com o ar mais sério deste mundo.
Foi aplaudidíssimo. E mais que justificadamente: todo a gente sabe que, como Passos Coelho prometeu, nestes nove meses os portugueses não ficaram sem o 13.oº mês; nem subiu o IVA; nem aumentaram os impostos sobre o rendimento, mas apenas os impostos sobre o consumo; nem "quando [foi] preciso apertar o cinto, não [ficaram] aqueles que têm a barriga maior a desapertá-lo e a folgá-lo"; nem foram "impostos sacrifícios aos que mais precisam" (a Comissão Europeia é que fez mal as contas ao concluir que, em Portugal, "nestes nove meses", as medidas de austeridade exigiram aos pobres o dobro (6%) do esforço financeiro pedido aos ricos (3%); além disso, amigos como Eduardo Catroga, seu braço-direito nas negociações com a "troika", Paulo Teixeira Pinto, autor da sua proposta de revisão constitucional, ou Ilídio Pinho, seu antigo patrão, colocados na EDP, para não falar dos colocados na CGD e em tudo o que é empresa pública, podem testemunhar que, como prometeu, Passos Coelho "não [deu] emprego aos amigos".
Só não se sabe se os aplausos foram para a interpretação se para o despudor. "
segunda-feira, 26 de março de 2012
O PAÍS DE FANTASIA DE PASSOS COELHO E O PAÍS REAL DOS PORTUGUESES
Um estudo do economista Eugénio Rosa que mostra bem as consequências da opção de Passos Coelho de vender Portugal ao desbarato aos capitais e grupos económicos estrangeiros.
"No discurso de encerramento do Congresso do PSD, realizado no fim de semana de 24-25 de Março, um dos pontos mais matraqueados por Passos Coelho, foi que o seu governo estava a conseguir equilibrar as contas externas do País, e que isso determinaria que Portugal já não se teria de endividar mais ao estrangeiro, tendo apenas de pagar a divida existente.
E isso, segundo o 1º ministro, era a condição indispensável para que o país pudesse iniciar uma fase de crescimento económico sustentado. No entanto, por ignorância ou com a intenção de enganar os portugueses, Passos Coelho “esqueceu-se” de explicar como está a ser conseguida a redução do défice da Balança Corrente, que inclui o de outras balanças com o exterior (importações e exportações, créditos e débitos), e quais as consequências futuras para o desenvolvimento do país da forma como essa redução conjuntural do défice externo está a ser realizada.
Por isso interessa analisar com objectividade esta questão e, para isso, vamos utilizar os últimos dados dados oficiais divulgados pelo Banco de Portugal e pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
O DÉFICE DA BALANÇA COMERCIAL ESTÁ A DIMINUIR, MAS O DÉFICE DA BALANÇA DE RENDIMENTOS ESTÁ A CRESCER
Devido à redução significativa do consumo interno e, principalmente, do investimento, o défice da Balança Comercial (Bens) tem diminuído mas, como consequência, quer do controlo crescente das grandes empresas portuguesas quer da riqueza produzida em Portugal pelos grandes grupos económicos estrangeiros, o défice da Balança de Rendimentos não tem diminuído, em percentagem do saldo da Balança Corrente, que inclui o saldo das diversas balanças das relações de Portugal com exterior, até tem aumentado ...
Entre 2008 e 2011, o saldo negativo da Balança Corrente, que inclui os saldos das outras balanças, diminuiu em -49,3%, sendo esta descida determinada em grande parte pela redução do saldo negativo da Balança Comercial que, no mesmo período, registou uma redução de -42,6%.
No entanto, o saldo negativo da Balança de Rendimentos com o exterior aumentou em +9,7%, o que significa que a diferença entre os rendimentos transferidos para o exterior (débito) e os recebido do exterior (credito) continuou a aumentar de uma forma desfavorável para o país.
Segundo o Banco de Portugal, só no período 2008-2011, foram transferidos para o exterior 74.942 milhões €, cerca de 43,6% do PIB, o que determina a descapitalização do país, e impede que esta elevada parcela da riqueza criada pelos portugueses não seja investida em Portugal, para modernizar e aumentar a competitividade das empresas e criar emprego.
E a tendência tem sido de agravamento, mas Passos Coelho, por ignorância ou intencionalmente para enganar a opinião pública, nada disse sobre esta matéria importante ..."
O estudo continua e pode ser lido na totalidade em "O País irreal de Passos Coelho"
Outros estudos de Eugénio Rosa podem ser lidos em www.eugeniorosa.com
sexta-feira, 23 de março de 2012
Que se espera de Portugal?
Texto de Baptista Bastos hoje publicado no "Jornal de Negócios".
"O confessado projecto político de Pedro Passos Coelho, destinado a empobrecer o País, está a resultar em toda a linha. O primeiro-ministro deve andar contentíssimo. A miséria e a fome estendem-nos os braços; milhares de estudantes do secundário e superior desistem ou não têm dinheiro para nada, sobretudo para comer; o desemprego é uma nódoa que alastra; os precários são cada vez mais; centenas e centenas de compatriotas emigram sem apoio, sem resguardo, apossados de desespero incontido que os leva à insanidade; advogados e arquitectos já procuram o auxílio da Caritas, por não terem de comer nem como pagar a renda de casa; a asfixia arrasta consigo não só a humilhação como todas as pragas sociais.
As doenças decorrentes da miséria, que julgávamos extirpadas, regressam e aumentam as nossas desventuras. Os velhos morrem de solidão, de frio, de abandono, e por não terem dinheiro para medicamentos indispensáveis à sua sobrevivência. Os impostos; as taxas moderadoras; os aumentos excessivos em tudo o que é fundamental e básico; a destruição do amor; o aumento dos divórcios; o acréscimo dos sem-abrigo; o desamparo aos desempregados, a lista que resulta desta declarada política não é só atroz como extremamente condenável.
E que faz o Executivo para minorar este infortúnio? Nada. Ou, corrigindo: ameaça-nos com novos impostos, mais desemprego, mais desgraça, mais penúria. A troika que, periodicamente, vem varejar se este Governo é servil e obediente, sai daqui muito feliz. Enquanto, jovialmente, Passos Coelho e os seus sorriem, jubilosos, porque não apanharam com palmatoadas.
Tudo isto toma os contornos de grande vergonha. Porém, a vergonha só atinge quem a tem, e não me parece que esta gente seja tocada por esse sentimento. Entretanto, numa espécie de ilusionismo de feira, Vítor Gaspar, de regresso de uma secreta viagem aos Estados Unidos, e depois de ter conversado não se sabe muito bem com quem, declarou, enfaticamente: "No dia 23 de Setembro de 2013, regressamos aos mercados." Porque não no dia 22 ou no dia 24? Comemora-se algum aniversário? Ninguém sabe, ninguém diz, para parafrasear um conhecido samba.
Por outro lado, a ameaça de seguirmos os passos da Grécia pesa sobre os nossos ombros. Uns dizem que sim; outros, que não. O português comum já está por tudo. A missão dos Governos é, entre outras, a de tentar melhorar as vidas das suas populações. Este, em pouco mais de oito meses, aniquilou o que restava de Estado Social, numa linha seguidista, aliás, das políticas de Direita que percorrem a Europa.
Pedro Passos Coelho, que prometera nunca referir as responsabilidades do Governo anterior, não cumpriu a promessa, como, aliás, fugiu a outras mais, e começou a criticar os socialistas de Sócrates. Um dos mais enviesados nos comentários é o ministro Álvaro Santos Pereira, cuja natureza belicosa, quando se dirige à Esquerda, revela uma alucinante carência de sentido político e uma ausência total de boas regras.
O ataque ao PS de Sócrates, embora merecido, não reduz a culpabilidade deste Executivo quanto ao que nos inflige. Há dias, o prof. Adriano Moreira, na SIC-Notícias, não deixou de aludir à falta de experiência dos membros deste Governo. O zelo ensimesmado com que executam o que lhes é dito para executar aproxima-se da insensibilidade. A verdade cruel é que milhões de portugueses estão a sofrer devido a um grupo de pessoas, certamente gente qualificada mas não para as funções que exerce. Ninguém sabe onde isto vai parar. Sabe-se é que, por ausência de prática ou por carência de traquejo de vida, os dirigentes políticos estão a conduzir a pátria para as zonas do terceiro mundo. Irremissivelmente? Está nas nossas mãos e nos nossos desígnios como povo."
Nada, Gaspar, nada!
Texto de Manuela Moura Guedes hoje publicado no "Correio da Manhã".
"Em vez de reconhecer que a política de Gaspar falhou, o Governo entrou no mundo maravilhoso do irreal.
Na sua tournée pelos EUA, Vítor Gaspar não incluiu no reportório os números da execução orçamental. É certo que um verdadeiro artista põe de lado os falhanços e só mostra os êxitos, mas, então, que anda a exibir o ministro das Finanças, se só há para ver o fiasco da sua política ?O défice do Estado triplicou, a despesa cresceu 3,5%, as receitas fiscais diminuíram 5,3%... E se Passos Coelho justificou o aumento da despesa com os 348 milhões para a RTP omitiu, no entanto, a receita extraordinária de 270 milhões com o leilão de licenças para a 4ª geração.
Percebe-se, as coisas estão a correr mal, a recessão vai muito para além do que previa o Governo e isso é da responsabilidade do ministro das Finanças. É dele a austeridade para além das exigências da troika, o que restringiu a actividade económica e o consumo e não deixou qualquer margem para a Economia se desenvolver. É espantoso como, por exemplo, as receitas da venda de carros caíram 44,6% e Gaspar previu que aumentem 7,5%. Só um milagre mesmo é que fará com que se chegue a este número até ao final do ano, como a todos os outros valores previstos no OE. O milagre chama-se Economia, mas Gaspar paralisou-a, foi ele e não Santos Pereira. Os raides em aumentos e em cortes para obter receitas não tiveram contrapartida na despesa pública, tudo está igual nas grandes despesas do Estado, o que só podia dar para o torto.
Mas, em vez de reconhecer que a política de Gaspar falhou, o Governo entrou no mundo maravilhoso do irreal, a negar o óbvio, tal como fizeram Sócrates e Teixeira dos Santos. Como "não somos a Grécia" não se ligou nenhuma aos erros que Juncker e Thomsen admitiram que a Zona Euro e o FMI cometeram no programa de ajuda aos gregos, como foi um excessivo aumento de impostos sem olhar para o crescimento económico, receita também aplicada a Portugal. Mas, como "não somos a Grécia", somos mesmo Portugal, o povo arguto e perspicaz, como sempre, acha Gaspar brilhante como, em geral, a imprensa (aliás, é por a imprensa achar, que o povo acha). Portanto, não faz mal que a digressão do artista inclua momentos de delírio como "vamos crescer em 2013" ou "estamos a meio da ponte". Só fica um aviso: o artista não sabe nadar (yohh)!"
quarta-feira, 21 de março de 2012
Porcos e Porcas - 2012 /2 – O Júnior e a Francisquinha
Mais dois exemplos do que está mal na politica partidária.
C
omecemos por Luís Filipe Valenzuela Tavares Menezes Lopes ou, dito de forma que o permite identificar mais depressa, Luís Filipe Menezes “Junior”, o ditoso filho do Presidente da Cãmara de Vila Nova de Gaia, ex-Presidente do PSD, etc, etc, etc.
O “Junior” nasceu em 1980, é agora deputado à Assembleia da Republica e, desde as eleições do ano passado, um dos vice-presidentes do PSD. Ao “Junior” devem-se algumas pérolas da actividade parlamentar recente como, por exemplo, a “chafurdice política” a propósito das Estradas de Portugal ou a forma “leviana” como o Presidente da República se referiu às medidas do Governo.
A fogosa e impetuosa verborreia do “Junior” pode dever-se à sua relativa juventude, já que tendo agora 31 anos de idade, foi eleito deputado pela primeira vez quando tinha 28 anos.
É curioso, aliás, analisar o seu percurso partidário no PSD (conforme referido no seu próprio site) que começa em Junho de 2008 como Vogal da Comissão Politica Concelhia do PSD de ...... de?
... de?
Surpresa! De Vila Nova de Gaia, claro, onde o papá é Presidente da Câmara desde 1998.
Mas o “Junior” é um poço de talento como se consegue ver da sua “extraordinária” actividade profissional. Depois de se ter Licenciado pela Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica do Porto, com 16 valores e de um curto estágio de verão no JP Morgan Chase Bank em 2003, o “Junior” torna-se assessor do Conselho de Administração da Fundação Ilidio Pinho cargo que ocupa até Janeiro de 2006.
Curiosamente ou talvez não, para além dos membros da família Pinho que integram o tal Conselho de Administração, nele está também Couto dos Santos, um dos mais importantes e influentes barões do PSD, também deputado desde 2009.
Com a importante experiência adquirida de quase três anos o “Junior”, então com 25 anos, muda-se em Fevereiro de 2006 para uma multinacional na área dos exames e de análises clínicas, a Unilabs Portugal, onde ocupa o cargo de “Director de Novos Negócios, Fusões e Aquisições”.
Ao que parece, essa empresa dedicou-se a comprar, adquirir, absorver, etc, vários laboratórios clínicos do norte do País e, quiçá pelos excelentes serviços prestados, o “Junior” é nomeado seu Director Geral em Novembro de 2007, cargo que, aparentemente, ocupa até agora em paralelo com a sua actividade parlamentar e, não esqueçamos, de Vice-Presidente da bancada do PSD.
Dois factos curiosos que é forçoso referir.
O primeiro é uma simples coincidência, já que facto do papá ser médico e do norte certamente que nada teve a ver com a actividade do “Junior” na tal empresa de exames e de análises clínicas.
O segundo é uma interrogação sobre o talento do “Junior”.
Diz o site da Unilabs Portugal que a estrutura em Portugal consiste em:
- 5 Laboratórios de Análises Clínicas
- 1 Laboratório de Anatomia Patológica
- 1 Unidade de Imuno-hemoterapia
- 4 Unidades de Cardiologia
- 160 Unidades de Atendimento
- Certificação ISO 9001 em todos os centros de diagnóstico do Grupo
- Serviço de Urgência 24 horas / 365 dias por ano
Quanto à sua missão e valores, diz a Unilab “prestar um serviço de qualidade, por forma a garantir que todos os nossos utentes recebem em tempo útil, o diagnostico correcto. Não realizamos apenas testes e exames. Lutamos diariamente para que, através dos exames de diagnóstico, questões de saúde que preocupam milhares de pessoas, possam obter a melhor resposta.”
Sem pôr em causa o talento do “Junior”, não será demais acumular a Direcção Geral dessa
empresa com a actividade parlamentar supostamente a tempo inteiro?
O que está errado não são os cargos que desempenha ou desempenhou. O que está errado é a forma como o “Junior” chegou onde chegou!
Olhemos agora para a Francisquinha, outra Vice-Presidente do PSD.
Maria Francisca Fernandes Almeida nasceu em Guimarães a 6 de Novembro de 1983 e licenciou-se em Direito na Universidade Católica Portuguesa. Agora, com 28 anos, já vai na segunda vez como deputada à Assembleia Legislativa, sendo uma das mais acirradas e combativas vozes na defesa de Passos Coelho e do Governo.
Até chegar ao parlamento a Francisquinha andou por um escritório de advogado e pela Direcção Distrital do Porto da ANJAP (Associação Nacional de Jovens Advogados Portugueses) ao mesmo tempo que, já inscrita na “jota” laranja, torna-se membro da Comissão Política da Secção de Guimarães do PSD e chega a Vice-presidente da Secção de Guimarães da JSD. A partir daí foi um saltinho até São Bento onde chega com apenas 25 anos e sem qualquer tipo de actividade profissional válida.
Mais uma vez o que está em causa não são as competências da Francisquinha mas a forma como também chegou onde chegou!
Quando se pensava que as dinastias politicas familiares existiam na Coreia do Norte, na Siria e noutros paises pouco recomendáveis eis que surgem casos também na politica partidária portuguesa,
Quando se pensava que os representantes do povo deviam ser indivíduos de reconhecidos méritos e de carácter impoluto, eis que são os inexperientes frutos das juventudes partidárias que ocupam os mais altos cargos da Nação.
Será que ainda não chega?Quanto tempo mais vai o povo aguentar a corja partidária que levou o País à miséria?
BASTA!
Fontes:
http://www.luismenezes.com.pt/index.php
http://www.parlamento.pt/DeputadoGP/Paginas/Biografia.aspx?BID=4145
http://www.unilabs.pt/unilabs-2
http://www.franciscaalmeida.com/
http://www.parlamento.pt/DeputadoGP/Paginas/Biografia.aspx?ID=3942
segunda-feira, 19 de março de 2012
Carta aberta a Cavaco
Uma carta aberta a Cavaco Silva que circula pela internet.
"Exmo Senhor Presidente da República
Lisboa
Vou usar um meio hoje praticamente em desuso mas que, quanto a mim, é a forma mais correcta de o questionar, porque a avaliar pelas conversas que vou ouvindo por aqui e por ali, muitos portugueses gostariam de ver esclarecidas as dúvidas que vou colocar a V/Exa e é por tal razão que uso a forma "carta aberta", carta que espero algum dos jornais a que a vou enviar com pedido de publicação dê à estampa, desejando que a resposta de V/Exa fosse também pública.
Tenho 74 nos, sou reformado, daqueles que descontou durante 41 anos, embora tenha trabalhado durante 48, para poder ter uma reforma e que, porque as pernas já me não permitem longas caminhadas e o dinheiro para os transportes e os espectáculos a que gostaria de assistir não abunda, passo uma parte do meu dia a ler, sei quantos cantos há nos Lusíadas, conheço Camilo, Eça, Ferreira de Castro, Aquilino, Florbela, Natália, Sofia e mais uns quantos de que penso V/Exa já terá ouvido falar e a "navegar na net".
São precisamente as "modernices" com que tenho bastante dificuldade em lidar que motivam esta minha tomada de posição porquanto é aí que circulam a respeito de V/Exa afirmações que desprestigiam a figura máxima do País Portugal, que, em minha opinião, não pode estar sujeita a tais insinuações que espero V/Exa desminta categoricamente.
Passemos à frente das insinuações de que V/Exa foi 1º Ministro de Portugal durante mais de dez anos, época em que V/Exa vendeu as nossa pescas, a nossa agricultura, a nossa indústria a troco dos milhões da CEE, milhões que, ao contrário do que seria desejável, não serviram para qualquer modernização ou reforma do nosso País mas sim para
encher os bolsos de alguns, curiosamente seus correlegionários, senão mesmo, seus amigos. Acredito que esse tempo que vivemos sob o comando de V/Exa e que tanto mal nos fez foi apenas fruto de incompetência o que, sendo lamentável, não é crime, os crimes foram praticados por aqueles que se encheram à custa do regabofe, perdoe-me o popularismo, que se viveu nessa época e que, curiosamente, ou talvez não, continuam sem prestar contas à justiça.
Entremos então no que mais me choca, porque nesses outros comentários, a maioria dos quais anónimos mas alguns assinados, é a honestidade de V/Exa que é posta em causa e eu não quero que o Presidente da República do meu país seja o indivíduo que alguns propalam pois que entendo que o cargo só pode ser ocupado por alguém em quem os portugueses se revejam como símbolo de coerência e honestidade, é assim que penso que nesta carta presto um favor a V/Exa, pois que respondendo às questões que vou colocar, findarão de vez as maledicências que, quero acreditar, são os escritos que por aí circulam.
1ª Questão:
Circula por aí um "escrito" que afirma que V/Exa, professor da Universidade Nova de Lisboa, após ser ministro das finanças, foi convidado para professor da Universidade Católica, cargo que aceitou sem se ter desvinculado da Nova o que motivou que lhe fosse movido um processo disciplinar por faltar injustificadamente às aulas da Nova, processo esse conducente ao despedimento com justa causa, que se teria perdido no gabinete do então ministro da educação, a quem competiria o despacho final, João de Deus Pinheiro, seu amigo e beneficiado depois de V/Exa ascender a 1º Ministro com o lugar de comissário europeu, lugar que desempenhou tão eficazmente que o levou a ficar conhecido
como "comissário do golfe".
Pergunta directa:
Foi ou não movido a V/Exa um processo disciplinar enquanto professor da Universidade Nova de Lisboa?
Se a resposta for afirmativa, qual o resultado desse processo?
Se a resposta for negativa é evidente que todas as informações que andam por aí a circular carecem de fundamento.
2ª Questão:
Circulam por aí vários escritos sobre a regularidade da transacção de acções do BPN que V/Exa adquiriu. Sendo certo que as referidas acções não estavam cotadas em bolsa e portanto só poderiam ser transaccionadas por contactos directos, vulgo boca a boca, faço sobre a matéria várias perguntas:
1ª - Quem aconselhou a V/Exa tal investimento?
2ª- A quem adquiriu V/Exa as referidas acções?
3ª- Em que data, de que forma e a quem vendeu V/Exa as acções?
4ª- Sendo V/Exa um reputado economista, não estranhou um lucro de 140% numa aplicação de tão curto prazo?
3ª Questão
Tendo em atenção o que por aí circula sobre a Casa da Coelha, limito-me a fazer perguntas:
1ª- É ou não, verdade, que o negócio entre a casa de Albufeira e a casa da Coelha foi feito como permuta de imóveis do mesmo valor para evitar pagamento de impostos?
2ª- Se já foi saldada ao estado a diferença de impostos com que atraso em relação à escritura se processou a referida regularização?
3ª- É ou não verdade que as alterações nas obras feitas na casa da Coelha, nomeadamente a alteração das áreas de construção foram feitas sem conhecimento da autarquia?
4ª- A ser positiva a resposta à pergunta anterior, se já foi sanado o problema resultante de obras feitas à revelia da autarquia, em que data foi feita tal regularização e se foi feita antes ou depois das obras estarem concluídas?
5ª- Última pergunta, esta de mera curiosidade, será que V/Exa já se lembra do cartório em que foi feita a escritura?
4ª- Questão
Net, é uma questão que eu próprio lhe coloco:
Ouvi V/Exa na TV dizer que tinha uma reforma de 1300 €, que quase lhe não chegava para as despesas, passando fugazmente pela reforma do Banco de Portugal. Assim, pergunto:
1ª- Quantas reformas tem V/Exa?
2ª- De que entidades e a que anos de serviços são devidas essas reformas?
3ª- Em quantas não recebe 13º e 14º mês?
4ª- Abdicou V/Exa do ordenado de PR por iniciativa própria ou por imposição legal?
5ª Recebe ou não V/Exa alguns milhares de euros como "despesas de representação"?
Fico a aguardar a resposta de V/Exa com o desejo de que a mesma seja de tal forma conclusiva e que, se V/Exa o achar conveniente, venha acompanhada de cópias de documentos, que provem a todos os portugueses que o que por aí circula na Net, não passam de calúnias e intrigas movidas contra a impoluta figura de Sua Exa o Senhor Presidente da
República de Portugal.
A terminar e depois de recordar mais uma das suas afirmações na TV, lembro uma frase do meu avô, há muito falecido, alentejano, analfabeto e vertical:
" NÃO HÁ HOMENS MUITO, OU POUCO SÉRIOS, HÁ HOMENS SÉRIOS E OUTRAS COISAS QUE PARECEM HOMENS".
Por mim, com a idade que tenho, já não preciso nem quero nascer outra vez, basta-me morrer como tenho vivido.
Sério.
Com os meus melhores cumprimentos.
domingo, 18 de março de 2012
Portugal segundo Passos Coelho
Já não é segredo nem novidade para ninguém que Passos Coelho está a aplicar uma agenda ultra liberal a este pobre País, tendo mentido com quantos dentes tem na boca durante a campanha eleitoral.
Passos Coelho ganhou as eleições de 2011 com promessas de voltar a trazer a honestidade e a transparência ao governo ao contrário do praticado pelo vigarista José Sócrates e pelo bando de canalhas socialistas que o acompanhavam.
Passos Coelho ganhou também as eleições de 2011 com promessas de NÃO aumentar os impostos!Passos Coelho ganhou as eleições de 2011 sem ter dito aos eleitores que iria impor uma politica ultra liberal à (já de si muito) pobre economia do País.
A verdade é que assim que assumiu o cargo e à pala do desastroso acordo firmado com os agiotas da “troika”, Passos Coelho aumentou os impostos a taxas nunca antes vistos, confiscou subsidios de Natal e de férias e instaurou niveis de austeridade que estão a levar o povo à miséria, ao mesmo tempo que mantém as benesses e os privilégios aos que, como de costume, se sentam com ele na mesa do poder.
Passos Coelho pode dizer as vezes que quiser que nada teve a ver com as nomeações para a EDP mas não pode nunca negar que são todos pessoas do seu circulo restrito de confiança, para não dizer já que para com todos estava em divida por actos praticados antes das eleições.
Por outro lado, a sua afirmação que “o País tem de empobrecer” é bem sintomático do está errado no seu pensamento e na sua politica. Passos Coelho é caso único de um Primeiro Ministro que, em vez de aumentar a riqueza, ambiciona a empobrecer o País e o povo que governa.
Ao longo dos seis meses depois de ter assumido funções agiu e produziu afirmações e comentários suficientes para ser possivel descodificar o que lhe vai dentro da cabeça neo-liberal e traduzir em palavras o que é o Portugal de sucesso segundo Passos Coelho.
Em primeiro lugar surge o conceito, tão caro à ideologia liberal, do “Estado minimo” em que o “Estado” entrega as suas obrigações sociais à voracidade do capital privado e dos grandes grupos económicos. Para Passos Coelho e para os outros neo-liberais que o acompanham, educação, saúde, segurança social, tudo pode ser entregue aos “mercados”, pouco lhe importando de onde vem o capital.
As privatizações da EDP e da REN, entregues à China e o escandaloso namoro com Angola ou, por outras palavras, com a familia de José Eduardo dos Santos, o vergonhoso ditador que rouba o povo angolano, são bons exemplos de como Passos Coelho valoriza, acima de tudo, o poder do CAPITAL!
Já poucos duvidam que a teimosia de Miguel Relvas, o Maquiavel por trás de Passos Coelho, em querer privatizar um dos canais da RTP (1?), contra tudo e contra todos, se destina a entregá-lo a Isabel dos Santos e é moeda de troca para trazer mais “petro-cuanzas” para cá.
Da mesma forma, as alterações às leis laborais, feitas com o objectivo declarado de baixar os custos do trabalho, seguem sempre na mesma linha de favorecer o capital. Alguém acredita que despedir empregados ou pô-los a trabalhar mais horas sem lhes pagar serve para criar mais emprego e aumentar a produtividade ou, verdade seja dita, apenas para aumentar os lucros dos patrôes?
Para Passos Coelho toda a economia deve ser privada, escolas e hospitais incluidos e será preciso pagar para ter acesso a tudo e mais alguma coisa. Passos Coelho defende o principio do “utilizador-pagador” levado até às ultimas consequências.
Para Passos Coelho o País deve ser estrurado à volta de empresas fortes, pouco importando de onde vem o capital e, de preferência, exportadoras da produção competitiva conseguida à custa de mão de obra barata.
Para Passos Coelho os quadros destas empresas devem ser gente jovem, filiados no PSD, partido do governo, o que também permitirá fazer negócios fáceis com a administração central e com as autarquias, estas também entregues a pessoal do partido. Assim todos eles terão cargos, salários e rendimentos de sucesso ao mesmo tempo que o capital vê os seus lucros sempre a aumentar.
Segundo a visão liberal de Passos Coelho e dos que o acompanham, aos jovens que não se enquadrarem neste esquema laranja é-lhes apontada a porta de saída da imigração.
Quanto aos que ficarem servem para trabalhar com baixos salários e apenas enquantos forem produtivos para os lucros do empregador porque, quando o deixarem de ser, irão engrossar os numeros do desemprego.
E surge aqui a mais tenebrosa faceta da ideologia neo-liberal e que os seus seguidores tanto se esforçam por esconder.
Quando um trabalhador, que não seja do PSD, é despedido por já não ser produtivo para o patrão passa a ver-se privado dos seus rendimentos e rápidamente entra numa espiral que o irá levar à pobreza.
O subsidio de desemprego é pequeno, de curta duração e não vai dar para cumprir as obrigações do agregado familiar, seja a elevada (liberal) renda de casa, sejam as altas propinas das escolas dos filhos, seja ainda os custos da saude (privada) que, a partir de certa idade, são sempre a subir.
O resultado inevitável é um aumento declarado da miséria e da pobreza ou seja, o nivel para onde Passos Coelho nos quer levar quando diz que “o País tem de empobrecer”.
Para estes “pobres” só resta a morte, depois de viverem os ultimos anos da sua existência sabe-se lá debaixo de que ponte, sem dinheiro, sem saúde e quiçá sem familia.
Enquanto isso, o “capital” continua a acumular lucros e fortunas fabulosas como acontece nos Estados Unidos, a “Meca” dos liberais, em que 1% da população detém 95% da riqueza da nação e onde os candidatos presidenciais do partido republicano dizem, abertamente, que quem não tem seguro de saude morre por lhe ser negada a assistência médica.
Aos mais afortunados dos não PSDs, os que se forem safando ao longo da vida, restará reformarem-se com pensões baixas e sobreviverem como puderem, a menos que tenham descontado para esquemas privados de segurança social.
É esta a visão de Passos Coelho do que é o Portugal de sucesso, um País entregue à voracidade selvagem do capital não regulado, baseado numa legião de apaniguados filiados no partido que, a troco de benesses e favores, roubam o povo em beneficio dos mais ricos.
Não foi com este Portugal que Passos Coelho ganhou as eleições mas é para lá que nos está a levar.
Está na hora do povo se erguer e dizer “BASTA”!
quarta-feira, 14 de março de 2012
Quem se mete com a EDP, leva
Texto de Manuel António Pina hoje publicado no "Jornal de Noticias".
"O pecado capital do agora ex-secretário de Estado da Energia Henrique Gomes foi ter levado a sério o memorando de entendimento com a "troika" e querer renegociar os subsídios (as chamadas "rendas excessivas", diferença, para cima, da taxa de rendibilidade de uma empresa face à que teria em situação de concorrência) pagos pelo Estado à EDP, que custam anualmente a cada família portuguesa mais de 27 euros, transferidos directamente do bolso dos contribuintes para os bolsos dos accionistas da eléctrica.
Num Governo que se gaba de ir além da "troika" quando se trata de cortar salários, reformas e prestações sociais, ou de confiscar subsídios de férias e Natal, meter-se com os subsídios da EDP, com o inusitado pretexto de que isso está acordado com a "troika", tinha que acabar mal para o elo mais fraco, o pobre secretário de Estado. E de nada lhe valeu não tentar ir também "além da troika", ficando-se muito "aquém" dela e apenas pretendendo "renegociar" (e só um terço dos subsídios da EDP deste ano, pouca coisa: uns 600 milhões): o dr. Mexia mandou e Passos Coelho obedeceu. E o ingénuo secretário de Estado foi borda fora.
Ontem tudo voltou aos eixos: o novo secretário de Estado é funcionário da ERSE, a reguladora da...EDP
Quem se mete com a EDP ou outras corporações de interesses, leva. Passos Coelho anunciou que iria empobrecer os portugueses, não os chineses da Three Gorges ou o dr. Mexia, seu profeta."