Texto de Armando Terceiro Ferreira, Director-Adjunto, hoje publicado no "Correio da Manhã".
"Os relatórios do Tribunal de Contas mostram as sucessivas autópsias dos crimes que lesam os contribuintes.
Tragicamente,
estes assaltos à nossa carteira ficam impunes, são notícia quando são
conhecidos, se os responsáveis tiverem vergonha na cara podem causar
algum embaraço, mas as consequências penais têm sido praticamente nulas.
E é uma pena que assim seja, porque a instituição liderada por Oliveira
Martins tem feito um trabalho meritório na detecção da roubalheira
instalada na República. Se ficássemos só nos relatórios dos últimos 10
anos e os culpados pelos desvios e derrapagens fossem obrigados a
devolver o dinheiro, provavelmente não viveríamos no drama do défice.
domingo, 3 de junho de 2012
Assaltos impunes
Secretas e siameses
Texto de Pedro Marques Lopes hoje publicado no "Diário de Noticias".
"1-Temos
passado os últimos meses a ouvir toda a gente e mais alguma a explicar o
quão importantes são os serviços de informação do Estado, vulgo
serviços secretos, para a preservação do Estado de direito e para a
defesa do País de inimigos internos e externos.
Não serão
necessárias grandes explicações para que se perceba que os serviços
secretos podem ter--se transformado em muitas coisas, menos em
organizações em que os cidadãos possam confiar e a que reconheçam
qualquer tipo de papel na defesa do Estado de direito e da sua
segurança. Guerras internas, devassa da vida particular de cidadãos sem
qualquer tipo de justificação, promiscuidade entre interesses privados e
interesse público, indivíduos que hoje trabalham nos serviços de
informações e amanhã vão para empresas privadas executar o mesmo tipo de
actividade, informações produzidas por esses serviços que são enviadas a
amigos seleccionados. Não há outra maneira de descrever a situação: uma
autêntica rebaldaria.
Num Estado de direito, e pela sua natureza
sensível, o controle e a fiscalização destes serviços devem ser
rigorosos. Pelos vistos, não é assim. Foram os jornais que denunciaram
as várias situações. O primeiro-ministro e o secretário- -geral de
Informações foram indo a reboque das denúncias dos media, dando início a
sindicâncias que pouco ou nada revelaram, e à tardia, mas inevitável,
queixa ao Ministério Público. As investigações internas pouco ou nada
revelaram e mal saiu a acusação do Ministério Público, vários meses
depois, dois agentes foram imediata- mente afastados. Estamos
conversados quanto à qualidade ou à vontade dos investigadores
internos...
O facto é que o primeiro-ministro foi desvalorizando o
que parece evidente para toda a gente: o colapso dos serviços de
informação.
Na sequência de mais notícias sobre novos eventuais
problemas, Passos Coelho anunciou a sua ida ao Parlamento para falar das
secretas. Muitos terão pensado que o primeiro-ministro ia anunciar uma
grande remodelação dos serviços secretos, um plano para reforçar a
fiscalização, uma iniciativa legislativa que tudo mudasse. Pois,
enganaram-se. Nem nova lei nem apoio às várias propostas dos partidos da
oposição. Apenas a enunciação de princípios vagos. Convém, segundo o
primeiro-ministro, não tomar a nuvem por Juno. Os serviços secretos
serão assim, digo eu, a deusa, que, assim sendo, está de boa saúde, e os
gigantescos problemas dos ditos serviços serão apenas meras nuvens.
Já
teria sido suficientemente mau o primeiro-ministro ir à Assembleia da
República falar sobre as secretas e nada ter para propor, o pior foi
termos percebido que a sua ida tinha apenas um objectivo: fazer a defesa
de Miguel Relvas.
2- Miguel Relvas teve uma
reunião de trabalho em que também estava Jorge Silva Carvalho. Bebeu um
café com o ex-director do SIED. Encontrou-o num jantar de aniversário
dum amigo comum. Ficamos a saber que a relação entre os dois não era
meramente superficial - ninguém manda listas a sugerir nomes para cargos
importantes por dá cá aquela palha, ou troca e reenvia mensagens.
Miguel Relvas devia ter-se perguntado porque estaria a receber clippings com origem nos serviços secretos - por muito inócuos que fossem - e tomado providências.
Nada
disto teria, de facto, muita relevância. Não há ninguém que não se
tenha cruzado por diversas razões profissionais ou outras e mesmo criado
relações de amizade com pessoas que mais tarde se revelam pouco
merecedoras da nossa confiança. Se tudo isto é normal, para que foi
Miguel Relvas mentir e omitir, da primeira vez, à comissão parlamentar?
Pior, o ministro foi mudando a sua versão da verdade à medida que as
notícias iam saindo nos jornais. Por que diabo tentou com tanto afã
ocultar a relação com Silva Carvalho?
Um ministro mentir e omitir
ao Parlamento é muito grave, mas Passos Coelho não achará, afinal, o
mesmo. E defendendo Relvas como defendeu, garantiu que nada mais existe
ou existiu de comprometedor entre este e Silva Carvalho. A ver vamos.
Relvas
ficou mais forte, mas Passos Coelho ficou mais fraco: é que agora está
dependente de tudo o que possa acontecer a Miguel Relvas.
3- Passos Coelho não tem dúvidas: Miguel Relvas não chantageou, por interposta pessoa, uma jornalista do Público.
Tudo não passou, portanto, duma enorme conspiração. É a única
explicação plausível, se assim não fosse Relvas já não estaria no
Governo.
Mais uma vez, o primeiro-ministro fica à mercê do seu número dois. Ou melhor: quem será, de facto, o número um?
"
Ninguém o pára?
Numa entrevista esta semana disse este energúmeno que "Diminuir salários não é uma política, é uma urgência".
Hoje, pelo Correio da Manhã ficou-se a saber que ganhou 225 mil euros em 2011, livres de impostos, devido ao estatuto de funcionário do FMI.
Não há quem o páre?
E, já agora, que páre também quem o nomeou!
sábado, 2 de junho de 2012
Os salários portugueses
Texto de João Marcelino hoje publicado no Diário de Noticias
"1 No mesmo dia,
duas entrevistas. Teodora Cardoso, a presidente do Conselho das Contas
Públicas, diz (à "Antena 1") que discorda da abordagem defendida pelo
FMI e União Europeia para aumentar a competitividade portuguesa por via
do corte de salários. "Se o nível de competitividade" for obtido por
essa via de corte de salários "isso significa que nos estamos a
candidatar a passar para o terceiro mundo, se não, para o quarto" mundo.
Para Teodora Cardoso, o ganho de competitividade não se faz por via do
corte de salários mas sim através da qualificação e organização.
Também
ontem, António Borges, ministro - perdão: oficialmente apenas
conselheiro - , do governo para as privatizações, afirma (ao "Diário
Económico") que "diminuir salários não é uma política, é uma urgência,
uma emergência". Mais: "Aquilo que se fez em Portugal nos últimos anos
foi um crescimento completamente disparatado dos salários, que não
podemos pagar e agora temos a necessária correção".
2 Teodora
Cardoso tornou-se uma voz respeitada pelo trabalho desempenhado no Banco
de Portugal, que abandonou para que as funções à frente do Conselho das
Contas Públicas fossem absolutamente transparentes.
António
Borges acumula o seu labor governativo com funções de administrador da
Jerónimo e Martins, depois de ter andado pela Goldman Sachs de Mario
Draghi e Mario Monti (que nunca esquece os seus) e pelo FMI.
Ambos
vivem no País em que Jardim Gonçalves recebe do Banco Comercial
Português (BCP) a reforma de 175 mil euros por mês e o salário mínimo
está fixado em 485 euros, por impossibilidade de concretização da
promessa do governo anterior que estabelecera atingir a meta dos 500
euros no final de 2011.
E o que ambos disseram, pela relevância das posições que ocupam na sociedade portuguesa, obviamente teve impacto.
3
Não tenho a absoluta certeza que Teodora Cardoso e António Borges
tenham um pensamento tão diferenciado quanto parece nesta matéria dos
vencimentos pagos aos portugueses.
No limite, talvez não tenham.
Repare-se
que Teodora Cardoso também diz que "haverá casos em que, de facto, nós
podemos ter necessidade de reduzir salários, mas mais uma vez o problema
fundamental é o da estrutura da nossa produção e mais uma vez a
qualificação".
E António Borges igualmente precisa que baixar salários "não pode ser de maneira nenhuma uma perspetiva de futuro".
Mas
a verdade é que, vistas as palavras ditas, e pela sequência em que
foram ditas, neste momento concreto elas fazem toda a diferença.
Teodora
Cardoso é clara no modelo que pretende: trabalho europeu, pagamento
europeu; António Borges pelo menos admite fazer uma interrupção na
democracia salarial para pôr tudo na ordem, antes de voltar à democracia
no pagamento do trabalho.
4 Esta é uma matéria em que seria
importante ouvir a perspetiva do governo e, sobretudo, do
primeiro-ministro Passos Coelho. É dele a ideia que ganhou as últimas
eleições - liberalizar a economia portuguesa e nela diminuir o peso do
Estado - por muito que paradoxalmente, e talvez até ironicamente, o seu
instrumento principal de trabalho seja o acordo com a "troika",
negociado por Teixeira dos Santos e assinado em primeiro lugar por...
José Sócrates.
Portugal está num momento muito sensível da sua
vida económica. O desemprego ultrapassou os 15% e Vítor Gaspar anunciou
ontem os 16% para 2013. A retoma ainda é uma miragem. A União Europeia
está longe de pensar a uma só voz quanto às medidas para gerar
crescimento. A Grécia é uma ameaça. A Espanha e a Itália podem ser o
nosso pior pesadelo.
E, neste quadro, o governo pensa como Teodora Cardoso ou como António Borges?"
* artigo parcial
Pequerrucho
Texto de Joana Amaral Dias hoje publicado no Correio da Manhã
"As parcerias público-privadas são uma hemorragia em jorro de dinheiros
públicos, uma praga que enxameia o país, garantindo lucros loucos aos
privados e toneladas de encargos para o Estado. Neste momento, a
urgência só pode ser a revisão dos contratos, repartindo riscos,
reavendo dinheiro e seguindo todos os princípios que defendam o
interesse público. A seguir será necessário garantir que não volta a
acontecer. Sim, o problema é o peso no bolso dos contribuintes. Mas não
se deixe convencer que só se trata de incompetência.
As PPP são o mais fiel retrato do país corrupto, injusto, promíscuo e
sonso, muito sonso, no qual vários transitaram directamente das cadeiras
de governantes para as de empresas com as quais acabaram de negociar,
no qual se fizeram obras megalómanas para servir apenas interesses
privados, no qual outros lucraram com o desperdício e fizeram do Estado
uma vaca leiteira. Muitos desses são os tais que agora dizem que vivemos
acima das nossas possibilidades, que há que cortar nas "gorduras
supérfluas" e que estão sempre prontos para espetar mais um ferrão nos
desempregados. PPP- Portugal com P pequeno. Ou mesmo pequeníssimo."
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Passos no País das Maravilhas
Passos Coelho passou-se de vez?
Do seu discurso hoje no 5.º congresso da Associação Cristã de Empresários e Gestores, na Universidade Católica, em Lisboa:
"Podemos dizer com confiança que Portugal está muito próximo do caminho do crescimento"
Não contente com isto ainda "prometeu à 'troika' acelerar reformas estruturais" e "mobilizar cada vez mais os portugueses para o desígnio dessas reformas". Deve querer levar o País ao fundo ainda mais depressa.
Mas este gajo tá doido?
O imbecil vigarista do Sócrates endoideceu lá para meados do seu consulado. Será que este rapazola neoliberal de Massamá endoideceu com apenas um ano de governo ou já vinha com os miolos avariados?
Está na hora dos "portugueses" o mandarem de volta para o hospício de "São" Ângelo Correia de onde nunca devia ter saído!
* Foto - Diário de Noticias online
Miguel Relvas e Passos Coelho
No dia em que se soube que o desemprego subiu para 15,2% (36,3% entre os jovens), alguns textos hoje publicados sobre Miguel Relvas e a sua incondicional defesa por Passos Coelho.
Sai quem mente?
Manuela Moura Guedes, Correio da Manhã
"Se Relvas não estivesse interessado apenas nele próprio, já tinha saído do Governo, tinha-se demitido.
Quem viu o Ministro Relvas a responder aos deputados teve a oportunidade de assistir à actuação de um genuíno produto do Sistema Político Português. Armandos, Josés, Jorges, Manéis, Miguéis, tanto faz... Relvas é apenas mais um que quis ir para o Poder, e que fez tudo o que podia para lá chegar. O seu único mérito para ser ministro é esse: a ambição. Assim conquistou o aparelho do PSD rodeando-se de amigos com vontades comuns em lojas ou em lobbies. Assim, fez eleger Passos Coelho, que lhe paga com total confiança, afirmando que Relvas só sairá do Governo "por sua vontade", ou seja, nunca, porque o ministro está viciado no Poder como ficam quase todos.
O discurso retórico de encantamento dos eleitores foi-se, tal como as promessas de mudança, e a missão de servir o País e as pessoas deu lugar à oportunidade de melhorar a sua vidinha. Se Relvas não estivesse interessado apenas nele próprio, já tinha saído do Governo, tinha-se demitido. A seriedade que Passos Coelho tanto apregoa com a "transparência do Governo" está a ficar tão credível como no tempo de Sócrates. Relvas está atolado em mentiras até ao pescoço, e é Passos que lhe mantém a cabeça de fora apesar da sua máxima "quem mente sai", o que, por sua vez, tira credibilidade ao próprio Primeiro-Ministro. Devem ambos pensar que o tempo e a benevolência de alguns organismos vão reabilitar a imagem do ministro, no que estão enganados.
Os estragos que Relvas provoca todos os dias no Governo não têm reparação possível. E não basta dizerem que não nomearam ninguém da lista do incrível espião. Foram apanhados no meio da guerra entre a Impresa e a Ongoing com o ‘Expresso’ a servir de cavalo de batalha da estratégia de Balsemão e, ainda, de quem dentro dos Serviços de Informações não queria as mexidas propostas pelo "grande" espião. Balsemão conseguiu que o homem que dirigiu as Secretas, elogiado por todos, se tornasse num pária, ao ponto de obrigar um ministro a mentir no Parlamento. Isto é que é Poder! Mas talvez o tiro tenha saído pela culatra ao patrão da Impresa. A privatização da RTP, que estava meio esquecida, voltou a ser prometida por Passos Coelho e pela mão de Relvas. Isto, se o ministro não tiver de sair... por sua vontade. "
Assim se começa a matar um governo
João Miguel Tavares, Correio da Manhã
"O que é que Miguel Relvas precisa fazer mais para sair do governo? Colocar uma meia de vidro na cabeça e assaltar uma dependência bancária na companhia de Jorge Silva Carvalho?
Qualquer pessoa que se dê ao trabalho de ler notícias está neste momento mais do que convencida de que: 1) Miguel Relvas mentiu no Parlamento sobre a relação com Silva Carvalho. 2) Miguel Relvas ameaçou uma jornalista do ‘Público’ por ela lhe estar a fazer perguntas incómodas. 3) Miguel Relvas aceitou a demissão de um dos seus adjuntos para tentar salvar a própria pele.
Dizem os amigos de Relvas e os hipócritas do PSD que "não há provas" – como se o problema fosse judicial e não político. Não há provas mas há indícios. Fortíssimos. E o que faz Relvas? Torce a coluna e garante que vai sair "mais forte deste caso", uma daquelas expressões que a gente usa quando nos acontece uma grande chatice na vida. E qual é a chatice aqui? Somos nós. Eu e você, caro leitor. A opinião pública portuguesa. Estamos todos a atrapalhar o heróico trabalho do ministro-adjunto, que ainda assim se propõe resistir. Tanta resiliência é quasecomovente.
Comovente e sintomática. É que deve ser muito grande a amizade que une Miguel Relvas a Pedro Passos Coelho para o primeiro-ministro aguentar tamanha provação sem pestanejar, oferecendo-se até para ir levar pancada ao Parlamento. No meio da confusão, eis o mais perturbante: Passos Coelho está a pôr em causa toda a credibilidade do governo só para não deixar cair Relvas. Em comédias românticas, tamanha dedicação é muito bonita. Na tragédia que é Portugal, tamanha dedicação é muito suspeita. "
Quem com ferroFernanda Câncio, Diário de Noticias
"O caso Relvas é muito atreito a ditados. "Não cuspas para o ar", por exemplo: anos de acusações inconsubstanciadas, calúnias e insultos, fatwas a propósito de tudo e nada, tarde ou cedo haviam de bater à porta dos aprendizes de feiticeiro.
Não servindo a indecência alheia de desculpa, porém, assentemos em princípios básicos: Relvas não estava, naturalmente, impedido de ter uma relação com Silva Carvalho. Podiam até passar o dia a trocar mensagens fofinhas, poemas e receitas de farófias; ainda que fique demonstrado ser o ex-SIED um absoluto energúmeno, ter uma relação mais ou menos próxima com alguém dessa descrição não é crime nem implica necessariamente cumplicidade.
Não pode, pois, estar em causa julgar o ministro por ter tido uma relação com o ex-SIED, mesmo se pareceu anteontem ser esse o fito das baralhadíssimas perguntas da oposição. O que está e deve estar em causa é se existiu impropriedade nessa relação e, tendo em vista as contradições entre factos entretanto revelados e as declarações do ministro na primeira audição, se faltou à verdade perante o Parlamento ao descrever os termos da dita. Infelizmente, a audição de quarta deixou-nos onde estávamos: na noção de que Relvas está muito pouco à vontade na explicação da natureza da relação com Silva Carvalho e afirmou várias coisas não verdadeiras na primeira audição.
O que suscita duas questões: a da inverdade perante o Parlamento, que é só por si muito grave; e do móbil dessa inverdade, a saber, por que motivo Relvas achou que devia ocultar a verdadeira natureza da sua relação com Silva Carvalho, relação essa que se prolongava pelo menos através de um membro do seu gabinete, que entretanto se demitiu. Poderá Relvas, com noção do que ele próprio faria a um governante de outro partido apanhado numa tal relação "perigosa", ter assim agido apenas para alijar suspeitas. Como pode ter demitido o seu adjunto para evidenciar dureza; sem se dar conta, porém, do quão bizarro é que considere ser uma relação mais estreita com Silva Carvalho motivo de demissão para o adjunto mas não para si.
Junte-se a isto o facto, que o próprio não contesta, de ter perdido a cabeça (porquê?) com as perguntas que uma jornalista do Público lhe enviou sobre a sua primeira audição, ligando várias vezes para o jornal. É acusado de ter nesses telefonemas ameaçado, para evitar a publicação de uma notícia, a divulgação na Net de um facto da vida privada da jornalista - a de que esta viveria com um homem de um partido da oposição (o que é falso). Além de intolerável e sem paralelo nos anais da democracia portuguesa, esta ameaça, a verificar-se, surtiria um irónico efeito de ricochete. Se Relvas achar que uma relação próxima com alguém da oposição é de molde a tornar uma jornalista não credível e incapaz, como classificará o ministro que tendo uma relação pessoal com um ex-espião acusado de usar os serviços secretos da república para fins criminosos, aldraba sobre ela?"
Já agora, um mail de indignação que circula na net sobre a "modesta" nova viatura de Passos Coelho.
Novo carro do Sr. Primeiro Ministro (140 mil euros)
Já chegou o carro dos 140 mil euros!
E DIZEM QUE NÃO HÁ DINHEIRO. E ISTO SÓ PORQUE O NOSSO 1º MINISTRO NAO QUER ANDAR NO MERCEDES COMPRADO EM MAIO DE 2011 PELO SOCRATES. O DELE ANTES DE SER 1º MINISTRO DEVIA SER MELHOR.
É VERGONHOSO
QUE LINDO EXEMPLO !O tal carro novo que compraram para as obrigações protocolares.
E anda esta corja a impor tantos sacrifícios a quem já não pode mais, para isto...
Estes gajos não tem vergonha na cara! Que lindo exemplo!!!
Não façam nada povo Português... Continuem apáticos e a serem gozados que é assim que voces gostam... Só tem o que merecem....
E
stes gajos não tem vergonha na cara! Que lindo exemplo!!!
quinta-feira, 31 de maio de 2012
O “coiso” e o empreendedorismo
Um esplêndido texto de Mariana Correia Pinto, jovem jornalista, hoje publicado na edição online do p3.publico.
"Revolta-me. O desânimo à minha volta e a colar-se a mim. A etiqueta de obrigatoriedade que se grudou ao empreendedorismo, qual fórmula mágica capaz de salvar o mundo.
Uma boa ideia pode dar um bom negócio. Mas o mais provável é que não dê. Uma boa ideia pode conseguir aplausos do Governo, apoio comunitário, financiamento de empresários altruístas. Mas o mais provável é que isso não aconteça. Isto é um artigo de opinião, mas aqui há factos: em 2011, só 0,5% dos desempregados arriscou criar o próprio emprego, o que significa que quase todos ficaram quietinhos na sua zona de conforto.
Entretanto, o "coiso" não pára de crescer e nós, portugueses preguiçosos, não temos mesmo jeito nenhum para esta ‘coisa’. Perdão, para o D. Sebastião-salvador-da-economia-mundial, o empreendedorismo.
Mas valha-nos a juventude. Valha-nos a geração mais bem preparada de sempre, a do mundo global. Falamos inglês e temos internet, fazemo-nos ouvir nas redes sociais. E temos licenciaturas, mestrados, pós-graduações e doutoramentos. Estudamos fora. Emigramos. Perdão, internacionalizamo-nos.
Um dia, quem sabe, havemos de salvar o mundo. Mas para já não. Para já não temos emprego, não sabemos o que é um contrato. Vamos trabalhando “a projecto” – uma ironia, nós que nada podemos projectar ou programar.
O que mais me revolta na crise são os buracos que ela cria. Revolta-me, por exemplo, que me tenha levado os amigos – os que tiveram mais sorte foram para Lisboa (onde ainda se vê uma luz bem fraquinha no fundo do túnel), os mais decididos atravessaram o mundo. Outros voltaram a casa dos pais, cheios de talento e vontade de trabalhar, mas uns preguiçosos, está claro, incapazes de criar o próprio emprego.
Quando a minha amiga viaja da terrinha até ao Porto nós já não vamos ao cinema, nem ao teatro, nem almoçamos ou jantamos fora. Fazemos qualquer coisa "low cost" lá por casa e vemos séries ou filmes via "web", que em boa hora os pais ofereceram, já que a tv só tem quatro canais e apenas um nos vai valendo.
A minha amiga não tem emprego e não pode criar a própria empresa. O trabalho, que devia ser um direito, tornou-se numa variante psico-económica de depressões generalizadas. Ela aguenta-se. Tem tanto talento que me recuso a acreditar que isto não seja passageiro (espero que ela se recuse comigo).
Os nossos governantes lavam as mãos, as mesmas que estendem a bancos e que retiram aos que mais precisam.
Revolta-me. O desânimo à minha volta e a colar-se a mim. A etiqueta de obrigatoriedade que se grudou ao empreendedorismo, qual fórmula mágica capaz de salvar o mundo. A etiqueta que se descolou do Estado, como entidade com obrigação de fazer rodar a economia. Talvez seja hora de perceber que a receita está errada. Que a ideologia do cada um por si e o Estado só por alguns nos vai levar à ruína. Que já nos está a levar à ruína. Portugal tem um milhão de desempregados, 154,4 mil com menos de 25 anos. Em 2011, cerca de 150 mil terão emigrado. Por dia, 100 jovens desistem do ensino superior.
Apetecia-me citar Saramago.
(“Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. (...) E, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.”)
Mas não vou fazê-lo."
Democracia morre no Parlamento
Texto de Octávio Ribeiro, director do Correio da Manhã hoje publicado nesse jornal.
"Quem folheia o CM de hoje depara, primeiro, com um ex-governante – da
linha dura socrática – que ocultou dados relativos a PPP no valor de
setecentos milhões de euros. E por onde anda este brilhante gestor? Está
no Parlamento.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
E o idiota é... Acertou: o munícipe!
Texto de Camilo Lourenço hoje publicado no Jornal de Negócios.
""Olha-se para o acordo celebrado entre o Governo e os municípios e
fica-se incrédulo. Porque os desgraçados que vão pagar os disparates de
pelo menos 70 municípios é quem lá vive. Mas para se perceber melhor o
escândalo, recuemos no tempo. Quando a troika aterrou em Lisboa percebeu
logo o cancro que autarquias e regiões autónomas representam para as
finanças públicas. A mesma troika recomendou então a redução do número
de câmaras. Coisa que a classe política atirou rapidamente para o
caixote do lixo, substituindo-a pela redução de freguesias.
Enquanto não se decidia o que fazer com as freguesias, surgiu a novela
do apuramento das dívidas das autarquias. A ANMP, associação do sector,
falou em nove mil milhões; o Governo em... 12 mil milhões. Logo aí
começou a desenhar-se um pacote de resgate draconiano para os municípios
estrangulados. Só que dois meses depois a montanha pariu um rato: 70
municípios passam a ter acesso a uma linha de crédito de mil milhões de
euros com "spread" de 0,25%. Em troca de..."voilá": agravamento de
impostos (IMI, derrama...), taxas e serviços. Ou seja, não em troca do
emagrecimento das câmaras e da penalização de quem as levou à falência,
mas em troca de (mais uma) violenta vergastada nos "governados": os
munícipes - famílias e empresas (depois ainda se queixam que não há
investimento...).
Para o comum dos portugueses, que sente na
pele a violenta austeridade, necessária para pôr a casa em ordem, isto é
um escândalo. Cortesia de um ministro acossado e que precisava de tirar
rapidamente um coelho da cartola? Ou o "cheiro" das eleições
autárquicas no horizonte? Provavelmente ambos...
