Texto de João Lemos Esteves hoje publicado na edição online do "Expresso".
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Os desempregados ainda não regressaram aos mercados!
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Parcerias? Patifaria
Vamos ser roubados
Texto de João Cotrim de Figueiredo, Gestor, hoje publicado no "Diário Económico"
"Lamento informar que todos nós vamos
ser roubados num montante de 7.000 milhões de euros. Na verdade, o roubo
já ocorreu mas tudo indica que nada seja feito para recuperar o
dinheiro, nem para punir todos os responsáveis.
Como já devem ter percebido, falo do caso BPN, o maior e mais
escandaloso caso de fraude de que há memória em Portugal. E que se
encaminha para ser o maior e mais escandaloso fiasco da Justiça
portuguesa.
O julgamento do caso BPN tem 16 arguidos e mais de 300 testemunhas.
Teve início a 15 de Dezembro de 2010 e até hoje, passados cerca de 800
dias, houve audiências em pouco mais de 120 dias nos quais se conseguiu
ouvir o estonteante número de 9 (leu bem, nove!) das 300 testemunhas. A
este ritmo, uma decisão de primeira instância demorará, pelo menos, 5
anos. A que se seguirão os recursos. A que seguirão as aclarações de
sentença.
Verdade seja dita, o juiz presidente, Luís Ribeiro, tem feito o
possível para expeditar os procedimentos. Mas esbarra rapidamente nas
manobras de dilação dos advogados de defesa e na inépcia da nossa
máquina judicial. Ao longo destes dois anos o juiz já veio a público
reconhecer que não tem salas para as audiências, que os 180 (!) armários
de que dispõe não são suficientes para guardar as centenas de milhares
de páginas do processo e, até, de que o velhinho computador portátil que
lhe foi atribuído bloqueia com tal frequência que atrasa os trabalhos.
Perante este cenário, a prescrição parece mais uma certeza do que uma
possibilidade. E a impunidade dos responsáveis será, de novo, uma
realidade. E o que pergunto é se a gravidade dos crimes, a dimensão dos
montantes em causa e as implicações políticas e morais de um falhanço do
sistema judicial não justificam, neste caso, uma intervenção direta da
ministra da Justiça que evite este desfecho.
Se a morosidade da Justiça pode resultar na impunidade dos
responsáveis, a morosidade da investigação pode significar que não se
recuperem os milhares de milhões de euros desviados em transações
ilícitas, muitas das quais não registadas no balanço do BPN. Este tipo
de movimento, mesmo através de ‘offshores', deixa um rasto que se torna
mais difícil de seguir a cada dia que passa. E isso significa que
seremos todos nós, os contribuintes, a suportar os 7.000 milhões de
euros que o Estado injetou e irá injetar na Parvalorem, na Parups e na
CGD. Todos nós seremos roubados pelo Oliveira e Costa e a sua pandilha.
Ao insistir nas responsabilidades que agora impendem sobre as
entidades judiciais e judiciárias não pretendo branquear outras
responsabilidades, igualmente graves e verdadeiramente vergonhosas, dos
governos, da CMVM e, sobretudo, do Banco de Portugal ao longo deste
processo. Mas também não pretendo esquecer aqueles que lutam para
esclarecer este caso até ao fim.
Por isso, presto tributo ao jornalista Pedro Coelho pela recente
Grande Reportagem da SIC e à determinação dos deputados nas comissões
parlamentares de inquérito, em especial o notável trabalho de Nuno Melo
(CDS), mas também de Honório Novo (PCP) e João Semedo (BE). E
interrogo-me por que não houve igual empenhamento por parte de deputados
do PSD e do PS."
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Da imoralidade e estupidez do Governo
Texto de Henrique Monteiro publicado no seu blogue "Chamem-me o que quiserem" do "Expresso"
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
A nata
Texto de Manuel José Manuel Pureza hoje publicado no Diário de Noticias
"Portugal precisa
de um ajustamento estrutural da sua elite económica. Vivem claramente
acima das nossas possibilidades. Capturam o Estado e fazem dele o
alicerce da sua acumulação de riqueza, descapitalizando-o para o
exercício das funções que uma sociedade frágil e pobre exige. Servem de
intermediários da finança internacional e, como seus representantes em
Portugal, põem e desfazem governos à medida das necessidades de negócio
de cada momento. Zombam da lei e do interesse público. E, no fim, ainda
têm o topete de fazer para a sociedade que os alimenta a apologia da
miséria.
Há continuidades e mudanças na agenda dessa elite. A
proteção do Estado é, há mais de um século, a sua principal
continuidade: desde o monopólio dos tabacos na viragem do século XIX
para o século XX, até à siderurgia ou aos petróleos durante o
salazarismo e à eletricidade, às autoestradas ou à saúde no nosso tempo,
sempre a elite económica teve no Estado o seu mais fiel aliado. Mas
essa proteção não cai do céu. Ela é sim o resultado da tessitura fina de
redes de cumplicidade entre a esfera de decisão económica da elite e as
diferentes instâncias do poder político, desde os partidos aos media e
às instituições.
Que um banqueiro - membro de uma das famílias que
ao longo de mais de um século perdura no topo da economia nacional,
resistindo a todas as intempéries políticas e financeiras - tenha
beneficiado de programas governamentais de amnistia fiscal para
regularizar a não declaração ao fisco de 8,6 milhões de euros é muito
revelador da relação de cumplicidade entre o Estado e as famílias da
banca. O que impressiona neste caso é a duplicidade com que o Estado
trata as pessoas: uma dívida ao fisco de um qualquer cidadão anónimo na
ordem de umas centenas de euros determina invariavelmente sanções e
punições temíveis para a existência frágil da esmagadora maioria; já a
dívida de milhões de um banqueiro por infração da regra mais basilar que
é a da declaração de rendimento e de património é objeto de tratamento
com deferência e vénia, quem sabe se não mesmo com um agradecimento do
Estado credor. O banqueiro sabe que tem no Estado um amigo, o cidadão
arrisca-se a ter nele um agressor.
Que um outro banqueiro, cujo
banco é detido em 99% pelo Estado, diga publicamente que "não se
chocaria" se o Estado nomeasse um membro para a gestão do banco é
igualmente revelador. A sobranceria com que a elite se permite tratar o
Estado, a redução deste a algo que se tolera (mesmo que se corra à
procura do seu auxílio ao primeiro obstáculo que surja à tranquilidade
da acumulação), evidencia como ela dá por assente que o Estado não
incomodará e se remeterá ao servil papel de atento, venerador e
obrigado.
O desdém da elite pelo Estado é a expressão de um seu
desdém mais fundo pela sociedade no seu todo. Que ainda um outro
banqueiro se dê o direito de dizer, na mesmíssima sessão em que anunciou
lucros do seu banco no valor de 250 milhões de euros - dos quais 160
resultantes de especulação sobre a dívida soberana de Portugal - que se
os sem-abrigo aguentam a sua condição nós todos temos de aguentar as
consequências da vertigem do empobrecimento mostra como a elite dos
negócios entrou em versão hardcore e como a sua confiança lhe fez perder
a noção dos limites do decoro.
Esta nata que impôs a vinda da
troika para garantir o pagamento por quem trabalha dos custos das suas
irresponsabilidades especulativas e que abençoa a nomeação para o
Governo de quem calou o crime do BPN é aquilo que mais precisa de ser
refundado em Portugal."
Até quando vão os banqueiros gozar connosco?
Texto de Tiago Mesquita, publicado no seu blogue "100 reféns" no "Expresso".>
"O Santander, presidido por António Vieira Monteiro, registou de 2011 para 2012 um aumento superior a 200% de 63,9 milhões para 250 milhões de euros."
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
A economia e a fé
Texto de André Macedo hoje publicado no Diário de Notícias".
Alguém acredita nesta coisa? É bom notar que este triplo salto teria de acontecer numa altura em que a Zona Euro vem de uma recessão, pode até não conseguir sair dela neste trimestre (o ritmo de crescimento nominal das exportações portuguesas está a cair desde março de 2011). Além de que o nosso principal parceiro comercial - Espanha - está a arder financeira e politicamente.
Ricardo Cabral vai mais longe. Diz ele: embora exportar seja fundamental, as empresas que exportam não vivem no limbo. Elas estão ligadas ao mercado interno: ou porque também vendem para ele - e, portanto, sofrem com o colapso da procura -, ou porque têm relações com fornecedores internos, sujeitos a impostos draconianos, ou ainda porque são confrontados com uma força de trabalho esmagada pela violência fiscal. Ou seja: a economia não é compartimentada. Embora quem exporte sobreviva melhor, não deixa de tornar-se menos competitivo por causa do contexto.
E qual é o contexto? Além do que já se conhece, o Governo admite que a retoma prevista para 2014 será pouco ou nada sentida pelas famílias. O contributo do consumo privado para a taxa prevista de crescimento (0,8% ) será de apenas 0,1 pontos percentuais, o valor mais baixo de todos os episódios de recuperação registados desde 1961. O mesmo acontecerá com a procura interna, que oferecerá uma ajuda de apenas 0,2 pontos percentuais, o valor mais baixo nos 53 anos de observações. É bom perceber que estamos a falar de uma previsão e que as previsões são sempre otimistas.
No fundo, a coisa está assim: o ajustamento era inevitável, a herança uma tragédia, mas a recessão está a ser tão profunda que: 1) o desemprego vai a caminho dos 17%; 2) em proporção do PIB, as empresas devem hoje mais do que quando começou a crise; 3) a dívida pública está nos 123% e não está estabilizada; 4) não há crédito e os bancos (em cartel?) continuam a cobrar juros de usura, apesar de o comprarem barato ao BCE. Acreditar que o crescimento surgirá de geração espontânea é não apenas otimista - tem tudo para dar errado. Veremos."
Álvaro, explica-nos o BPN e TGV
Texto de Daniel Deusdado hoje publicado no Jornal de Noticias.
3. Sejamos francos: o dr. Franquelim Alves era até há dias o gestor principal do milionário programa comunitário Compete (colocado lá pelo PSD em fevereiro último) e onde se podem decidir candidaturas em função dos mais variados critérios. Agora é secretário de Estado do Empreendedorismo onde, no essencial, é um ajudante do ministro Álvaro. Há uma diferença muito grande?
4. Aliás, como sabemos, ninguém vai parar a determinados lugares sem ser "de confiança". Por onde andou o dr. Franquelim Alves? Foi diretor financeiro da Lusomundo no início da década de 90, grupo que havia comprado por atacado os principais jornais portugueses privatizados pelo cavaquismo, passou depois pelo grupo Jerónimo Martins e PT. E foi finalmente parar à Sociedade Lusa de Negócios (do grupo BPN), uma sociedade que transformava os prejuízos do BPN em lucros chorudos. Repare-se então no currículo oficial do novo secretário de Estado: "Dezembro 2007 - Outubro 2008: CEO de um Grupo de participações sociais envolvendo as áreas da saúde, hotelaria, retalho automóvel e sistemas de informação". Zero de BPN/SLN. Álvaro e Relvas querem fazer de nós todos burros. E cegos. E surdos.
5. Aliás, um ponto extra sobre Álvaro, Gaspar e o Governo: afinal o TGV anunciado ontem já não é "TGV". É uma "linha de comboio apenas para mercadorias". E afinal é importante, mas só arranca em 2015... Mas há três falsidades na notícia: a primeira é de que o arranque em 2015 só serve para esconder que o dinheiro que existia atualmente para o projeto foi desviado em parte (600 milhões) para mais um buraco do Estado, a Parpública. Portanto, adia-se. Em segundo lugar: não há linhas ferroviárias apenas para mercadorias (como não há autoestradas apenas para camiões). Obviamente, haverá, o Lisboa-Madrid para passageiros, mas não se pode dizer já. Por fim, Gaspar não conseguiu fazer passar os apoios europeus de 25 para 85%. A percentagem de comparticipação europeia para redes transeuropeias de transportes sempre foi altíssima como se comprova em Espanha.
6. "Já alguém teve o bom senso de elucidar os portugueses por que estamos a investir milhares de milhões de euros num TGV, em vez de os gastarmos em novas escolas, hospitais mais modernos ou mesmo numa redução da carga fiscal?". Sabe quem escreveu isto? O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, em "O medo do insucesso nacional", 2009. Era altamente demagógico e politicamente incendiário já que Sócrates cavalgava o TGV Lisboa-Madrid em ano eleitoral. Não havia, da parte de Álvaro, nesse livro, um esclarecimento sério sobre a componente "mercadorias" e "bitola europeia". Mas o marketing político é isto mesmo: areia para os olhos. E resulta quase sempre em boas carreiras políticas."
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
O problema moral com Franquelim Alves
Texto de Pedro Tadeu hoje publicado no "Diário de Noticias"
"Franquelim Alves
terá uma moral irrepreensível. O problema é que a escolha do
primeiro-ministro para secretário de Estado do Empreendedorismo,
Competitividade e Inovação levanta problemas de moral. Problemas sem
importância alguma, dirão... Não é assim.
O ruído à volta da
nomeação do economista levantou-se, em primeiro lugar, por ele ter sido
administrador da SLN/BPN, o local onde se concretizou um pacote de
fraudes que custa aos portugueses, até agora, três mil milhões de euros.
Isso foi omitido do seu currículo, apesar de Franquelim Alves ter feito
parte, em 2008, das sucessivas equipas lideradas por Oliveira e Costa
(que está a ser julgado), Abdool Vakil e Miguel Cadilhe.
Em
segundo lugar, em resposta a uma comissão de inquérito da Assembleia da
República, o doutor Franquelim declarou ter achado ser "prudente" não
informar o Banco de Portugal quando se apercebeu, no princípio de 2008,
da existência de uma montanha de imparidades e de atos irregulares no
banco para onde, em má hora, entrara.
Qual é o problema moral? É
de Franquelim Alves? Não, pois se aceitarmos não ter o homem
responsabilidade pelos crimes do BPN, temos de admitir o seu direito a
exercer os cargos que entender. Será caridosa esta tese, mas vamos
acolhê-la, até por piedade.
O problema de moral política neste
caso, incontornável, é de quem nomeia, de quem escolhe Franquelim para
um cargo público, ligado a decisões económicas, sabendo da "sombra" do
caso BPN.
Estamos a falar da moral política de alguém que o povo
escolheu para liderar o País e que, por isso, tem de ter consciência
permanente de que o seu patrão, o seu "acionista", não é uma qualquer
senhora Merkel, não é um capitalista riquíssimo, não é um banqueiro
cheio de capacidade de investimento. Os acionistas a quem este senhor
reporta chamam-se eleitores e há uns oito milhões deles.
Até
agora achava que o primeiro-ministro agia sob uma visão em que
acreditava e de acordo, genericamente, com o que lealmente tinha
informado pretender fazer. Mesmo a TSU e os aumentos de impostos podiam
ser vistos como fazendo parte desse contrato original, que o levou a
tomar o poder em 21 de junho de 2011.
O que não fez parte do
contrato foi isto: misturar, mesmo em dose criminalmente insuspeita, BPN
e o seu tremendo roubo aos eleitores com uma parte fundamental da
gestão da economia do País. São moralmente incompatíveis.
Face a
este problema Passos Coelho colocou-se no lado pior, no lado de quem não
quer saber de moral política para coisa alguma. E isso ele prometeu aos
eleitores, aos seus acionistas, que não faria."
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Depois de Franquelim Alves, Oliveira e Costa será o próximo Ministro das Finanças de Passos Coelho?
Texto de João Lemos Esteve, publicado no seu blogue "Politicoesfera" no "Expresso"
