DERRUBAR O GOVERNO É OBRIGAÇÃO PATRIÓTICA

O inutil Cavaco Silva deu carta branca ao atrasado mental Passos Coelho para continuar a destruir Portugal e reduzir os portugueses a escravos da ganância dos donos do dinheiro.
Um governo cuja missão é roubar recursos e dinheiro às pessoas, às empresas, ao país em geral, para os entregar de mão beijada aos bancos e aos especuladores é um governo que não defende o interesse nacional e, por isso, tem de ser corrido o mais depressa possivel.
Se de Cavaco nada podemos esperar, resta a luta directa para o conseguirmos.
Na rua, nas empresas, nas redes sociais, há que fomentar a revolta, a rebelião, a desobediência, mostrar bem que o povo está contra Passos Coelho, Portas e os outros imbecis que o acompanham e tudo fazer para ajudar à sua queda.
REVOLTEM-SE!

quinta-feira, 7 de março de 2013

O inconcebível Gaspar

Texto de André Macedo hoje publicado no "Diário de Noticias"

 "O ministro das Finanças acha inconcebível o desemprego a caminho dos 18%? Acha inconcebível as falências em série? Acha inconcebível o nível de impostos? O IVA galopante? A queda de investimento? O risco de motim entre os militares? A fuga dos mais novos? O desespero dos reformados? A desconfiança que se abate sobre partidos e instituições? Acha inconcebível aprovar orçamentos que falham previsões e chegam a fevereiro esmagados pela realidade?

Não. Para todos estes detalhes pueris Gaspar não guarda espanto nenhum. Já para a hipótese de Portugal, como a Irlanda, pedir a extensão, por mais 15 anos, do pagamento do empréstimo aos fundos europeus que socorreram o País... para isso o ministro escolhe palavras musculadas: inconcebível!, diz ele. Haja moderação, acrescenta. Eu nunca tinha visto uma coisa destas. A Irlanda tem menos necessidades do que Portugal - tem um empréstimo mais pequeno -, até cresce alguma coisa, mas pede mais tempo. O que faz Gaspar? Gaspar distancia--se do aliado (que gesto nobre...) e pede cinco, dez anos no máximo. Alguém compreende?

Talvez seja a vontade de ficar fora do radar de Berlim para não indispor ninguém. Talvez seja a determinação em estar sempre alinhado com o ortodoxo e fraquíssimo Olli Rehn. Há argumentos a favor desta tese: os juros já não baixaram para 3%? Não houve tolerância para a derrapagem do défice em 2012 e não pode ser adiada a meta dos 3% em 2014? Devagar - incrementalmente, como dizem os burocratas de Bruxelas - lá vão chegando algumas concessões e borlas.

É seguramente uma maneira de olhar para o problema. Podemos até imaginar que Gaspar se agiganta à porta fechada, convertendo-se num tenaz defensor dos endividados. Será? Na verdade, só saberemos quando saírem as memórias do ministro; mas sei que há aqui um grave problema de oportunidade. O Wall Sreet Journal informava ontem que a zona euro caminha para o quarto trimestre consecutivo de contração. Ou seja, a receita é má e em Portugal é pior. A estratégia de 100% pura austeridade não resolve. Para se ter uma ideia, os enviados de Bruxelas a Atenas são aconselhados pela Comissão a mentir aos taxistas para não levarem uns cascudos: jamais lhes digam quem são, inventem. É isso mesmo: a ideia é mentir. Fazer-nos crer que não há alternativa ou que a alternativa é rasgar contratos, não fazer reformas nenhumas. Oito ou oitenta. Não é verdade. Há alternativa: negociar mais, colocar limites... como faz a Irlanda (que recusou subir o IRC) e como fez Espanha, que evitou o resgate. Infelizmente, Gaspar jamais o fará. Isso, sim, é inconcebível.

P.S. No auge da crise, alguns bancos centrais da Europa disseram às suas instituições financeiras nacionais para não comprarem dívida dos países em dificuldade. Com isso, extremaram a crise. São estes os parceiros europeus a quem Gaspar se entrega com diligência."

quarta-feira, 6 de março de 2013

Silêncios

Texto de Rita Lello, actriz, hoje publicado no "Diário Económico"

Sabemos que o Executivo PSD/CDS dá neste momento contas à ‘troika’, que vai na sua 7ª avaliação;

Sabemos que o líder do parceiro da coligação anda pela Índia a inaugurar ginásios e a fazer discursos que falam da necessidade de muscular a economia portuguesa; sabemos que o Eurogrupo avalia o pedido de extensão do prazo de pagamento da dívida de Portugal feito pelo Governo no início do ano.
O que não sabemos é o que o Governo tem a dizer sobre a manifestação do dia 2 de Março.

Sabemos que nas ruas estiveram cerca de um milhão e meio de pessoas pelos números da organização, números que ainda não foram desmentidos formalmente; sabemos que o desemprego, a carga fiscal, os cortes na Saúde e na Educação e o desmantelamento do Estado Social são o que levou as pessoas ás ruas; sabemos que aquilo que a maioria dos manifestantes exige é que Governo se vá embora.
Não sabemos é o que é que o Governo pensa sobre o assunto, muito menos o que fará acerca disso.

Sabemos que por enquanto a expressão do descontentamento se tem feito a cantar, que há carrinhos de bebé e crianças pequenas entre os manifestantes e que os reformados vieram juntar-se ao coro em número significativo. Mas, apesar da pacificidade dos protestos, o Governo teima em, arrogante e desnorteado, não dar cavaco a quem o questiona.

Sabemos que somos a cada dia um povo mais informado, consciente e revoltado com o que se passa no seu País e que o silêncio do Governo é mais uma afronta à nossa inteligência, à nossa maturidade, aos nossos direitos elementares e à Democracia.

Sabemos, pois, quais as exigências de quem tem o dever de fazer as perguntas mas não fazemos ideia do que pensam aqueles que têm a obrigação de lhes dar respostas.

Quanto ao Governo, se não sabe devia saber que uma manifestação como a do dia 2 de Março "silenciosa" e "triste" não significa ausência de discurso ou de coragem, significa que o povo está, concentrado, a pensar."

terça-feira, 5 de março de 2013

Marginais de sábado

Texto de Paulo Morais, Professor universitário, hoje publicado no Correio da Manhã

"Os verdadeiros marginais no sábado foram os partidos, a classe política, os sindicatos e outras estruturas do regime.

No último fim de semana o povo saiu à rua. Veio clamar por justiça e rejeitar as políticas seguidas por este regime moribundo. 

Nas manifestações, em Lisboa, no Porto, e um pouco por todo o país, estava representada uma maioria sofredora, todo um povo que se sente num beco sem saída.

Um beco em que Cavaco, Guterres, Barroso e Sócrates nos encurralaram. Passos Coelho prometeu que nos iria resgatar deste atoleiro, mas apenas tem mantido o status quo, tornando-se assim co-responsável por uma das piores fases da vida da história do país. Esta é a geração mais espoliada nos seus rendimentos, que são transferidos pelo sistema político para os cofres dos verdadeiros donos do regime, bancos, construtores e promotores imobiliários. A política abastardou-se e transformou o orçamento de estado no instrumento que drena os recursos dos pobres para o bolso dos poderosos.

Nas manifestações de sábado marcou presença todo o tipo de portugueses, desesperados, revoltados ou deprimidos, injustiçados, letrados e analfabetos, velhos e novos.

Encontrei mães aflitas que já não têm comida para dar aos filhos, professores indignados porque os seus alunos chegam à escola sem pequeno-almoço, reformados deprimidos porque não têm dinheiro para passear, por via da redução das pensões, a par do aumento do preço dos transportes. Também lá estava a classe média, informada e culta, pois sente que a redução do seu poder de compra é em vão. Sabe que abdica de férias, passeios e almoços apenas para manter negócios criminosos como o das parcerias público-privadas.

Estavam jovens sem futuro, idosos sem presente. Pais e avós amargurados. Marcaram presença emigrantes, desde os que saíram para escapar à fome e à miséria, até jovens qualificados que tiveram de deixar o país porque não têm cá qualquer possibilidade de sucesso. Fartos de incompetência, rumaram a paragens onde a sua carreira depende do currículo e não do padrinho ou da filiação partidária.

Marginalizados da manifestação – os verdadeiros marginais no sábado – foram os partidos, a classe política, os sindicatos e todas as outras estruturas orgânicas do regime. Não havia caciques, todos eram pares. Sentia-se no ar o espírito de Grândola, "em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade".

domingo, 3 de março de 2013

Indignação não é parvoíce

Texto de Fernando Santos hoje publicado no "Jornal de Noticias"

"A indignação de milhares e milhares de cidadãos polvilhou ontem ruas e praças de dezenas de cidades portuguesas. Palavras de ordem incisivas e cartazes tão originais quanto críticos das políticas de austeridade em curso deram o colorido a manifestações de desagrado pelo modo como os credores internacionais estão a impor um plano inclinado na qualidade de vida nacional, acolitados por um governo e uma maioria parlamentar agradecidos, obedientes - e ideologicamente identificados.

O protesto sob o lema "Que se lixe a troika" fez a retoma da iniciativa de 15 de setembro do ano passado. Então como agora, a chamada sociedade civil mandou às malvas o enquadramento político-partidário ou, até, sindical - e deu asas a um sentimento genuíno de mal-estar e repulsa pela orientação geral do país. Uma parte substancial do país já percebeu não ter futuro, vive afetada pela pobreza e a degradação das condições de vida dos seus próprios - ou próximos - núcleos familiares e tem, pois, razões bastantes para pressionar a reorientação das políticas em curso.

A virtude da existência de movimentos genuínos de protesto não é negligenciável e, em certo ponto, é mesmo um sinal objetivo de desapoio e desconfiança a quem dispõe da condução política do país, do Parlamento ao Governo, mas sem ignorar também a Presidência da República. Ontem, como em anteriores manifestações, dispondo os contestatários de um acrescido valor: foram capazes de expressar o que lhes vai na alma sem violência gratuita - houve meros arrufos. O protesto civilizado, dentro de regras democráticas, bem pode mesmo servir de fonte inspiradora a criadores de "pins" para uso (orgulhoso) na lapela dos portugueses.

Há uma tendência natural para estabelecer paralelismos entre o protesto de ontem e o de 15 de setembro, inclusive pela apresentação de números. Uma tal propensão fica entretanto condicionada por ambientes divergentes - mas de resultado contestatário igual.

O protesto de 15 de setembro estava alavancado pela patetice e o desastre de uma tentativa de dias antes do Governo de anunciar a intenção de colocar os trabalhadores a substituírem-se ao patronato no pagamento da Taxa Social Única. As consciências abespinharam-se, incluindo a dos patrões, e o protesto foi marcante no recuo de Passos Coelho. É certo, vingou-se mais tarde pela apresentação de um enorme aumento de impostos, mas percebeu então a força da rua.

Se se quiser: o protesto de ontem - agora com a troika em Lisboa a saber se o Executivo cumpre o infernizar de vida aos cidadãos como está programado - é uma sequela do saque fiscal iniciado há dois meses e, por isso, dispôs de menos sangue a ferver. Mas não é negligenciável e vai - tenhamos todos a certeza - gerar réplicas próximas.

Só um tolo não acredita estarem "afinadas" decisões para o famoso corte de quatro mil milhões de euros, e cujo anúncio ficou congelado pela manifestação de ontem. Troika e Governo não são parvos, mas estão enganados quando se acham convencidos de que a parvoíce está alojada nos cidadãos vulgares."

Avaliação? Que avaliação?

Texto de Pedro Marques Lopes hoje publicado no "Diário de Noticias"

"1 Eu percebo que uma visita a Lisboa é sempre agradável. Está um sol bonito, é fácil arranjar mesa nos restaurantes e há pouco trânsito nas estradas.

Não admira que os elementos da troika aterrem com um ar alegre e bem disposto na Portela. Qual de nós desprezaria uns dias de férias? Está bem. Há umas reuniões com uns tipos não muito contentes com o memorando que está a ser seguido e umas manifestações na rua, mas a maioria das conversas é com a rapaziada do Governo que gosta mais do dito memorando do que os próprios senhores da troika.

Agora, é capaz de ser um bocado despesista trazer a equipa troikista a Portugal. Dizem que é para avaliar o plano, ver como as coisas estão a correr. Para isso não era preciso darem-se ao trabalho de cá vir: está tudo a correr de acordo com o plano.

O plano, o plano que era tão bom, tão bom que mesmo que a troika não o tivesse sugerido Passos Coelho o tinha imposto. Melhor, o plano era genial, mas era preciso mais. Mais dureza, mais austeridade, mais revolução. A malandragem que tinha vivido entre taças de champanhe e viagens a Cancun tinha de ser castigada, os sectores que alguém decidiu serem obsoletos tinham de ser rapidamente extintos. O homem ou se transformava em homem novo, em herói do trabalho (nada de profissões supérfluas tipo pedreiro ou historiador) ou seria dispensável.

Não era preciso incomodarem--se a vir cá: o processo está em curso. Podíamos mandar uma folhinha de Excel com os dados da recessão, com os números do desemprego, com os volumes de investimento, com as falências, com a quantidade de portugueses a emigrar. Pois, são os resultados do plano. A realidade, a realidade que tantas vezes tem sido confrontada com planos revolucionários e que teima em ganhar-lhes sempre.

Dizem-nos que esta avaliação é a mais importante.

Qual avaliação? Isto não é avaliação nenhuma. A avaliação está aí, para toda a gente ver. Vê-se nas ruas, ouve-se nos telefonemas dos amigos desesperados, sente-se nos rostos com medo, mede-se nas filas dos institutos de emprego e nas das embaixadas dos novos eldorados.

Qual avaliação? Isto é como ir fazer um exame e nem se ter lido o manual. Até pode ser que o professor passe o aluno, mas aí percebemos logo que não é o aluno que está a ser avaliado: é o professor que sabe que não ensinou a matéria.

Não é de agora, mas já percebemos que a troika não avalia o programa, avalia-se a si própria. O pior é que as boas notas que dá a si própria reflectem-se na vida de milhões de homens e mulheres. Uma coisa do género: a minha boa figura é mais importante do que umas centenas de milhares de desempregados.

Éramos a última esperança, não era? Podia ser que as outras cobaias não fossem as cobaias certas. Nós até tínhamos fama de calmos, de sofredores calados, de pau para toda a obra. Nem assim. Pois, não há cobaia que consiga sobreviver quando lhe dão com uma marreta de duas toneladas na cabeça.

Qual avaliação? Isto é gozar com a nossa cara. Mas a falta de vergonha não tem limites. Que ninguém fique surpreendido se o ministro das Finanças acompanhado dum funcionário troikista nos vier dizer que passamos em mais este exame. Num acto de incomensurável modéstia, pode aceitar uns pequenos ajustamentos no plano, nada de substancial, uns detalhes. Até pode ser que nos dê os parabéns, que nos congratule pelo facto de o nosso esforço estar a dar resultados. Pode ser mesmo que nos ache assim tão estúpidos, tão cegos, tão incapazes duma reacção.

2 Segundo alguns, o facto de termos na lei de limitação de mandatos um "de" ou um "da" atrás da presidência da câmara ou da junta faz toda a diferença. Ou seja, parece que sendo "da" câmara já não há problema nenhum: já não é preciso renovação nenhuma da classe política, já não há problema nenhum com as cumplicidades inevitavelmente geradas com longos períodos no poder. Fica tudo bem.
Um presidente pode ser doze anos presidente "da" Câmara de Oeiras, mais doze anos presidente "da" Câmara de Sintra, mais doze anos presidente "da" Câmara da Amadora, mais doze "da" de Cascais e mais doze "da" de Lisboa.
Claro que sim. Não há problema nenhum. E nós comemos gelados com a testa e vamos votar em gente que nos quer aldrabar desta maneira. 
Continuem assim e até aqui, em Portugal, Grillos com dois eles cantarão.

3 O maior inimigo da democracia não são as más escolhas populares, são as não escolhas. O maior perigo para uma comunidade é a indiferença, a apatia, a resignação. Uma comunidade que não protesta, que não se manifesta, está morta, já nem de escolher é capaz. Uma comunidade que protesta, que se indigna, pode estar cheia de problemas, mas ainda está viva."

sábado, 2 de março de 2013

Da rua da amargura à avenida da liberdade

Texto de Joana Amaral Dias hoje publicado no "i" online

"Vou à manifestação porque recuso o cada um por si, a dispersão e a ruptura dos laços que nos tem arruinado, que é o princípio do fim e o pasto da barbárie

Foto do "i"
 Hoje vou à manifestação porque não tenho nada melhor para fazer. Nadinha. Hoje não há livro, filme ou conversa que chegue aos calcanhares da descida da Avenida da Liberdade. Hoje não há trabalho, passeio ou descanso melhor do que ir para a rua somar multidão, multiplicar, encontrar o outro, os outros, muitos dos outros, ombro a ombro, lado a lado, taco a taco, de braço dado, de mãos juntas, em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade. Hoje é dia de começar numa praça, avançar, criar um ritmo, uma só voz, uma passada, uma batida uníssona, avançar de novo, chegar a outra praça. Fazer um caminho. Uma manifestação tem pernas para andar, faz um carreiro, conta uma história, concebe uma identidade. Alma. Hoje não há nada melhor para fazer. Nada melhor do que saber que não estamos sozinhos, somos muitos, somos mais e acrescentamos. Neste sábado cada um não estará só na sua casa e na sua vida. Estará no condomínio aberto, junto para mudar a vida de todos. Sairá da rua da amargura para a avenida da liberdade. Por cada passo, menos uma solidão. Por cada metro, menos uma desistência. Por cada troço, menos um desamparo. À insularidade que nos impõem, a manifestação opõe a fraternidade. À miséria, opõe a alegria. Ao fatalismo, opõe o pensamento. Ao silêncio, o desejo. À casta, opõe a irmandade. Ao medo, a cantiga. Quem canta seus males espanta. E a justiça, sempre a justiça.

“Porque vais à manifestação?” tem milhares de respostas e mais um dia, é pelo agora e pelo depois, pela Europa, pelo Estado social, pelo emprego, pela dignidade e, claro, pela liberdade. Aliás, hoje, só por ela já valeria a pena, demonstrada que está a tentativa de intimidação. Mas ir é também fazê-lo por todos aqueles que não podem, os esbulhados da luta e todos os desapossados das suas capacidades, os tantos que acreditam que já não acreditam, os omitidos nos lares, os invisíveis pela deficiência, os que estão em recolher obrigatório ou em prisão domiciliária forçada porque o trabalho não dá para mais ou nem lhes dá nada, todos os exilados, os cilindrados pelo tempo extorquido, os que chegam à escola sem pequeno-almoço, os que já nem vão à escola, os que racionam a sua saúde, os que já estão há tanto tempo a viver na rua que não encontram a porta de saída. Vou à manifestação porque recuso o cada um por si, a dispersão e a ruptura dos laços que nos tem arruinado, que é o princípio do fim e o pasto da barbárie. Vou porque um início é isto, um começo é assim - erguer vínculos, gerar parentescos e resgatar a acção. Hoje não tenho nada melhor para fazer."

Muitas razões para 'grandolar'

Texto de Nuno Saraiva hoje publicado no "Diário de Noticias"

"Ficámos ontem a saber, através do insuspeito Eurostat, que a taxa de desemprego em Portugal voltou a subir em janeiro, cifrando-se agora nos 17,6%. Isto é, quase um milhão de portugueses contabilizados sem trabalho, o que significa mais de milhão e meio de desempregados reais. A evidência é tal que o ministro da Economia já admitiu o falhanço. Paulo Portas foi mais longe e assegurou que "só uma pessoa que não está no seu são juízo é que diz que está tudo bem". Porém, há precisamente uma semana, o primeiro-ministro garantia em Viena estarmos "na direção correta" e não existir "necessidade de alterar a trajetória".

Se outros motivos não existissem, o autismo e a obstinação que conduzem Pedro Passos Coelho à negação permanente da realidade seriam razões de sobra para que um mar de gente saísse à rua, no exercício legítimo de "um sobressalto cívico". Ontem como hoje, as palavras de Cavaco Silva a 9 de março de 2011 em que incentivava à indignação da sociedade civil e desafiava os jovens para que fizessem "ouvir a vossa voz porque este é o vosso tempo" não podiam ser mais adequadas. A diferença é que hoje, além de estar sitiado em Belém (de onde não sai há um mês), o Presidente da República, cujo maior poder é o da palavra, mantem o silêncio preferindo entreter-se a distribuir medalhas ou com questões de semântica jurídica.

A Grândola voltou pois à rua num tempo assim. Em que o desemprego continua a aumentar, em que os portugueses são acusados de pieguice e em que os jovens são convidados a emigrar, em que o confisco e o assalto fiscal são a receita de quem está no poder, em que se faz no Governo exatamente o contrário daquilo que se havia prometido na oposição de forma impune, em que a economia está feita em cacos, em que as previsões são corrigidas à velocidade meteórica de quem muda de camisa mostrando cada vez mais que os brutais sacrifícios exigidos não valem a pena, em que dentro dos próprios partidos da maioria são cada vez mais os que acusam o ministro das Finanças de estar a levar o País à ruína.

Perante os factos, o primeiro--ministro responde com apelos à "serenidade" e classifica como "radicalização" a indignação legítima de quem protesta seguindo a máxima de que "a cantiga é uma arma". Uma espécie de variação em "Pedro menor" do "nós ou o caos" cavaquista.

As reações aos protestos dos últimos dias têm revelado, aliás, uma estranha comunhão de pontos de vista entre sociais-democratas, centristas e... socialistas. Todos, ou quase todos, saíram em defesa de Miguel Relvas após a grandolada no ISCTE falando em "atentados à liberdade de expressão" e à "democracia". Mas então a democracia esgota-se no momento em que votamos? O protesto, a expressão pública do descontentamento, o "sobressalto cívico" defendido em tempos por Cavaco não são também um exercício democrático? E alguém "no seu são juízo" acredita mesmo que se atentou contra a liberdade de expressão? Mas não pode um ministro falar quando quer, como quer e onde quer? É evidente que pode e é óbvio que a democracia é tudo isto. Ou será que preferiam umas boas pedradas ou montras partidas à la grega em vez das manifestações pacíficas enquadradas pela Grândola, vila morena de Zeca Afonso? Aí, sim, estariam em causa as liberdades democráticas.

E de uma coisa tenhamos todos a certeza. É impossível governar, com ou sem memorando de entendimento para cumprir, contra a vontade e a revolta de um povo quase inteiro. Como defenderam esta semana Jorge Coelho e António Pires de Lima, numa conferência promovida pela TSF, é chegado o tempo de dizer à troika que a receita da austeridade falhou, que após quase 20 meses de sacrifícios brutais os portugueses não aguentam mais e de impor ao FMI, ao BCE e à Comissão Europeia um "memorando para o crescimento e o emprego" e o fim da escravatura fiscal a que estamos sujeitos.

Não o fazer é ignorar o sentimento do País. E é bom que o Presidente da República, a quem compete também ler os sinais, esteja atento e os saiba interpretar. Sob pena de, um dia destes, as grandoladas darem lugar ao caos social e à rutura. E o descontentamento e desencanto com os políticos e as políticas conduzam, como em Itália, ao voto maciço num palhaço."

O mistério pós-manif

Texto de Henrique Monteiro hoje publicado na edição online do "Expresso".

"Não tenho dúvidas de que a manifestação de hoje será grande. Enorme! Cada um tem as suas amostragens, mas a minha é surpreendente. Pessoas que nunca imaginei lá porem os pés, vão. Algumas com muita convicção, outras como quem vai a um picnic. Mas vão!

Se tudo correr bem (e entendo por correr bem não haver pequenos grupos provocadores violentos nem exageros policiais) há um enorme mistério que me ocorre: o que vai fazer o Governo? E o que vai fazer o Presidente?

No pós-manif de 15 de setembro do ano passado o Governo recuou na proposta da TSU. As coisas não melhoraram, mas pelo menos acalmaram. E agora? Vai recuar? Em quê? Limita-se a dizer que vai conseguir mais tempo para pagar a dívida (o que deve ficar definido já na segunda feira)? Foi por causa disso que escondeu o corte de quatro mil milhões que devia estar decidido até ao fim de Fevereiro? Poderá haver uma boa (ou menos má) notícia? Não creio.

E se a manifestação for mesmo enorme, como prevejo, será que o Presidente da República sai do torpor em que parece viver para partilhar com os seus concidadãos um pensamento, uma estratégia, um aceno de simpatia, que seja?

Hoje é um dia mau para o Governo. Não que eu espere que saia algo concreto da manifestação, mas porque perante o que deve ser um mar de gente o país voltará a verificar que os seus dirigentes não têm estratégia nem rumo. Estão gastos.

Veremos..."

Não tenho dúvidas de que a manifestação de hoje será grande. Enorme! Cada um tem as suas amostragens, mas a minha é surpreendente. Pessoas que nunca imaginei lá porem os pés, vão. Algumas com muita convicção, outras como quem vai a um picnic. Mas vão! 
Se tudo correr bem (e entendo por correr bem não haver pequenos grupos provocadores violentos nem exageros policiais) há um enorme mistério que me ocorre: o que vai fazer o Governo? E o que vai fazer o Presidente? 
No pós-manif de 15 de setembro do ano passado o Governo recuou na proposta da TSU. As coisas não melhoraram, mas pelo menos acalmaram. E agora? Vai recuar? Em quê? Limita-se a dizer que vai conseguir mais tempo para pagar a dívida (o que deve ficar definido já na segunda feira)? Foi por causa disso que escondeu o corte de quatro mil milhões que devia estar decidido até ao fim de Fevereiro? Poderá haver uma boa (ou menos má) notícia? Não creio. 
E se a manifestação for mesmo enorme, como prevejo, será que o Presidente da República sai do torpor em que parece viver para partilhar com os seus concidadãos um pensamento, uma estratégia, um aceno de simpatia, que seja? 
Hoje é um dia mau para o Governo. Não que eu espere que saia algo concreto da manifestação, mas porque perante o que deve ser um mar de gente o país voltará a verificar que os seus dirigentes não têm estratégia nem rumo. Estão gastos. 
Veremos... 
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Não tenho dúvidas de que a manifestação de hoje será grande. Enorme! Cada um tem as suas amostragens, mas a minha é surpreendente. Pessoas que nunca imaginei lá porem os pés, vão. Algumas com muita convicção, outras como quem vai a um picnic. Mas vão! 
Se tudo correr bem (e entendo por correr bem não haver pequenos grupos provocadores violentos nem exageros policiais) há um enorme mistério que me ocorre: o que vai fazer o Governo? E o que vai fazer o Presidente? 
No pós-manif de 15 de setembro do ano passado o Governo recuou na proposta da TSU. As coisas não melhoraram, mas pelo menos acalmaram. E agora? Vai recuar? Em quê? Limita-se a dizer que vai conseguir mais tempo para pagar a dívida (o que deve ficar definido já na segunda feira)? Foi por causa disso que escondeu o corte de quatro mil milhões que devia estar decidido até ao fim de Fevereiro? Poderá haver uma boa (ou menos má) notícia? Não creio. 
E se a manifestação for mesmo enorme, como prevejo, será que o Presidente da República sai do torpor em que parece viver para partilhar com os seus concidadãos um pensamento, uma estratégia, um aceno de simpatia, que seja? 
Hoje é um dia mau para o Governo. Não que eu espere que saia algo concreto da manifestação, mas porque perante o que deve ser um mar de gente o país voltará a verificar que os seus dirigentes não têm estratégia nem rumo. Estão gastos. 
Veremos... 
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Não tenho dúvidas de que a manifestação de hoje será grande. Enorme! Cada um tem as suas amostragens, mas a minha é surpreendente. Pessoas que nunca imaginei lá porem os pés, vão. Algumas com muita convicção, outras como quem vai a um picnic. Mas vão! 
Se tudo correr bem (e entendo por correr bem não haver pequenos grupos provocadores violentos nem exageros policiais) há um enorme mistério que me ocorre: o que vai fazer o Governo? E o que vai fazer o Presidente? 
No pós-manif de 15 de setembro do ano passado o Governo recuou na proposta da TSU. As coisas não melhoraram, mas pelo menos acalmaram. E agora? Vai recuar? Em quê? Limita-se a dizer que vai conseguir mais tempo para pagar a dívida (o que deve ficar definido já na segunda feira)? Foi por causa disso que escondeu o corte de quatro mil milhões que devia estar decidido até ao fim de Fevereiro? Poderá haver uma boa (ou menos má) notícia? Não creio. 
E se a manifestação for mesmo enorme, como prevejo, será que o Presidente da República sai do torpor em que parece viver para partilhar com os seus concidadãos um pensamento, uma estratégia, um aceno de simpatia, que seja? 
Hoje é um dia mau para o Governo. Não que eu espere que saia algo concreto da manifestação, mas porque perante o que deve ser um mar de gente o país voltará a verificar que os seus dirigentes não têm estratégia nem rumo. Estão gastos. 
Veremos... 
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sexta-feira, 1 de março de 2013

Os empresários portugueses e a "maminha" das tetas sagradas da vaca do Estado

Texto de João Lemos Esteves hoje publicado na edição online do "Expresso".

1. Já tinha ouvido várias expressões anti - Estado. Anti-intervenção do Estado na sociedade portuguesa - no entanto, a expressão de ontem da autoria de Alexandre Soares dos Santos é uma verdadeira pérola. Chegaria para ganhar o Óscar de crítica mais original ao Estado Português e aos portugueses. No fundo, nós, portugueses, não sabemos viver sem o leitinho das tetinhas sagradas do Estado: nós, no fundo, sempre vivemos à mama. Nós, cidadãos portugueses, é que mamámos com avidez as tetas do Estado - e, por conseguinte, hoje estamos a pagar a factura da nossa gula. Claro que os grandes empresários portugueses - os empresários das grandes empresas portuguesas - sempre rejeitaram a ajuda do Estado, sempre fugiram à mama do Estado! Por isso é que hoje são extremamente ricos! Por isso é que hoje podem dar lições de moral a todos os portugueses! Pois, contem-me uma bonita história...Se há alguém que sempre viveu à custa do Estado, sempre a aproveitar a "teta" mais saborosa e vantajosa do Estado foram as grandes empresas. Esse foi o sempre problema estrutural da economia portuguesa: os empresários, antes de qualquer negócio de ampla dimensão, procuram a autorização do Estado. Nada fazem se o Estado não der o seu aval. A "mama" dos grandes grupos económicos portugueses explica o atraso português e só tem contribuído para uma chocante promiscuidade entre o poder político e o poder económico. É que, vivendo numa autêntica "mamodependência", alguns dos nossos empresários não resistem até em contratar ex-ministros, boys do PS e do PSD (e até do CDS) para lugares de topo das suas empresas - mesmo que essas personagens políticas não tenham qualquer experiência ou habilitação académica para exercer tais cargos. São apenas contratados para conseguirem que a "vaca sagrada" chamada Estado garanta o exclusivo da "mama" para a empresa em causa. Daí que surjam contratos verdadeiramente ruinosos para o Estado - mas absolutamente vantajosos para os nossos "mamões" profissionais.
2. E depois quem paga a factura? Os portugueses, claro. Os cidadãos comuns a quem o Estado não dá "maminha. Pelo contrário: o Estado vive à "mama" do nível brutal de impostos que cobra a todos nós, sem que tenhamos qualquer contrapartida em termos de excelência dos serviços públicos prestados. Não só pagamos impostos, não só somos alvo de um verdadeiro confisco fiscal, como teremos de pagar mais para beneficiar dos serviços estatais de saúde e educação. Ele é impostos, ele é taxas, ele é contribuições especiais. Ao fim e ao resto, em Portugal, quase que se paga para trabalhar! Mas, claro, que vivemos todos à mama do Estado! O culpado da crise somos nós...claro que sim!
3.Claro que para Alexandre Soares dos Santos é muito fácil falar. Perante o confisco fiscal levado a cabo pelo Governo Passos Coelho, Soares dos Santos transfere o seu dinheirinho para uma conta off-shore e vai acumulando a sua riqueza. Muito bem: investiu, ganhou o seu lucro e agora disfruta desse lucro. A maioria dos portugueses também gostaria de ter o ordenado que recebem depois de um mês intenso de trabalho livre de impostos, gostava de acumular numa off-shore para depois viver à grande. Ou o Dr. Alexandre Soares dos Santos acha que os portugueses gostam de ser pobres? Eu próprio gostaria de mamar na mesma teta de Alexandre Soares dos Santos: ganhava o meu dinheiro, dava-me com todos os Governos, pirava-me com o dinheiro antes de pagar impostos. E depois pregava a moral de bom cidadão aos portugueses.
4. Pois, mas este Governo, que se diz liberal, a única política que consegue executar é a de aumento de impostos. Eu é que sou "mamado" pelo Estado. E, no fim do mês", Dr. Alexandre Soares dos Santos, a "vaca" não sou eu? A "vaca" das maminhas económico-financeiras não somos nós, portugueses comuns? Confirma-se: todas as vacas são iguais, mas umas são mais iguais do que outras...Para alguns, as maninhas do Estado dão, apenas, um pingo (muito) doce.
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"1. Já tinha ouvido várias expressões anti - Estado. Anti-intervenção do Estado na sociedade portuguesa - no entanto, a expressão de ontem da autoria de Alexandre Soares dos Santos é uma verdadeira pérola. Chegaria para ganhar o Óscar de crítica mais original ao Estado Português e aos portugueses. No fundo, nós, portugueses, não sabemos viver sem o leitinho das tetinhas sagradas do Estado: nós, no fundo, sempre vivemos à mama. Nós, cidadãos portugueses, é que mamámos com avidez as tetas do Estado - e, por conseguinte, hoje estamos a pagar a factura da nossa gula. Claro que os grandes empresários portugueses - os empresários das grandes empresas portuguesas - sempre rejeitaram a ajuda do Estado, sempre fugiram à mama do Estado! Por isso é que hoje são extremamente ricos! Por isso é que hoje podem dar lições de moral a todos os portugueses! Pois, contem-me uma bonita história...Se há alguém que sempre viveu à custa do Estado, sempre a aproveitar a "teta" mais saborosa e vantajosa do Estado foram as grandes empresas. Esse foi o sempre problema estrutural da economia portuguesa: os empresários, antes de qualquer negócio de ampla dimensão, procuram a autorização do Estado. Nada fazem se o Estado não der o seu aval. A "mama" dos grandes grupos económicos portugueses explica o atraso português e só tem contribuído para uma chocante promiscuidade entre o poder político e o poder económico. É que, vivendo numa autêntica "mamodependência", alguns dos nossos empresários não resistem até em contratar ex-ministros, boys do PS e do PSD (e até do CDS) para lugares de topo das suas empresas - mesmo que essas personagens políticas não tenham qualquer experiência ou habilitação académica para exercer tais cargos. São apenas contratados para conseguirem que a "vaca sagrada" chamada Estado garanta o exclusivo da "mama" para a empresa em causa. Daí que surjam contratos verdadeiramente ruinosos para o Estado - mas absolutamente vantajosos para os nossos "mamões" profissionais.

2. E depois quem paga a factura? Os portugueses, claro. Os cidadãos comuns a quem o Estado não dá "maminha. Pelo contrário: o Estado vive à "mama" do nível brutal de impostos que cobra a todos nós, sem que tenhamos qualquer contrapartida em termos de excelência dos serviços públicos prestados. Não só pagamos impostos, não só somos alvo de um verdadeiro confisco fiscal, como teremos de pagar mais para beneficiar dos serviços estatais de saúde e educação. Ele é impostos, ele é taxas, ele é contribuições especiais. Ao fim e ao resto, em Portugal, quase que se paga para trabalhar! Mas, claro, que vivemos todos à mama do Estado! O culpado da crise somos nós...claro que sim!

3.Claro que para Alexandre Soares dos Santos é muito fácil falar. Perante o confisco fiscal levado a cabo pelo Governo Passos Coelho, Soares dos Santos transfere o seu dinheirinho para uma conta off-shore e vai acumulando a sua riqueza. Muito bem: investiu, ganhou o seu lucro e agora disfruta desse lucro. A maioria dos portugueses também gostaria de ter o ordenado que recebem depois de um mês intenso de trabalho livre de impostos, gostava de acumular numa off-shore para depois viver à grande. Ou o Dr. Alexandre Soares dos Santos acha que os portugueses gostam de ser pobres? Eu próprio gostaria de mamar na mesma teta de Alexandre Soares dos Santos: ganhava o meu dinheiro, dava-me com todos os Governos, pirava-me com o dinheiro antes de pagar impostos. E depois pregava a moral de bom cidadão aos portugueses.

4. Pois, mas este Governo, que se diz liberal, a única política que consegue executar é a de aumento de impostos. Eu é que sou "mamado" pelo Estado. E, no fim do mês", Dr. Alexandre Soares dos Santos, a "vaca" não sou eu? A "vaca" das maminhas económico-financeiras não somos nós, portugueses comuns? Confirma-se: todas as vacas são iguais, mas umas são mais iguais do que outras...Para alguns, as maninhas do Estado dão, apenas, um pingo (muito) doce."

As tetas de Alexandre Soares dos Santos

Texto de Tiago Mesquita, publicado no seu blogue "100 reféns" no "Expresso"

O senhor Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo Jerónimo Martins, é, para além de gestor, um expert em assuntos relativos à arte de "mamar nas tetas do Estado" e um prestigiado pedagogo das manifestações de rua.
"Sou a favor de manifestações que tenham conteúdo. Que no fim da passeata apresente alguma coisa. Não é com Grândolas Vilas Morenas que a gente resolve nada" - defendeu, durante a apresentação dos resultados da empresa em 2012. Pois não, é a levantar vinte euros no multibanco de cada vez que queremos gastar vinte cêntimos no Pingo Doce. Isso sim, é luta.
Ninguém estava à espera que a Jerónimo Martins anunciasse os resultados líquidos de 360,4 milhões de euros referentes a 2012 ao som de música de intervenção. Agora, seria expectável, até aconselhável, num ano em que quase todos os portugueses saíram a perder, que um (dos poucos) que saiu a ganhar - milionário - tivesse algum decoro ao falar de assuntos que lhe passam ao lado.
Com lucros destes, muito português guardava os vinis do Zeca Afonso no baú, pendurava a boina e ia viver para um paraíso qualquer. Fiscal ou não. Daqueles em que a sede do banco é uma cabana de colmo, o céu é azul, o mar é quentinho e onde até as palmeiras sorriem.
Não satisfeito, Soares dos Santos decidiu dar mais um conselho aos pobres. Aparentemente, também especialista em subsídios, provavelmente pelas muitas horas passadas à porta da Segurança Social,  afirmou o senhor que "andamos sempre a mamar na teta do Estado". "Porquê, porquê?" - questionou indignado, quase irado, como se alguém lhe estivesse a ir ao bolso.
Ora bem, a propósito de "passeatas" e de "mamar do Estado", recordo a Soares dos Santos as seguinte notícias:  
"Soares dos Santos muda participação na Jerónimo Martins para a Holanda - Os 56% que a família Soares dos Santos detém na Jerónimo Martins, dona da marca Pingo Doce, passaram a ser controlados indiretamente, através de uma sociedade com sede na Holanda. A operação deverá estar relacionada com o agravamento da tributação fiscal (...)". "Soares dos Santos garantiu que não tinham sido os impostos a levar a empresa para a Holanda. Admitiu, contudo, que poderá ter vantagens fiscais no futuro devido a esta alteração da holding que detém acções na Jerónimo Martins."  Expresso e Negócios Online
Infelizmente, hoje em dia, nem todas as famílias podem tomar "opções". Continuam, em desespero, a ser ordenhadas pelo Estado até o leite sair em pó. Enquanto isso, os de sempre, com as tetas bem sedeadas na Holanda ou noutro país qualquer, para fugir à sede (e à sede!) do Estado português, que assim não pode mamar o doce pingo delas como desejaria, estão, a cada dia que passa, mais "afortunados" e, principalmente, mais moralistas e hipócritas.
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"O senhor Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo Jerónimo Martins, é, para além de gestor, um expert em assuntos relativos à arte de "mamar nas tetas do Estado" e um prestigiado pedagogo das manifestações de rua.

"Sou a favor de manifestações que tenham conteúdo. Que no fim da passeata apresente alguma coisa. Não é com Grândolas Vilas Morenas que a gente resolve nada" - defendeu, durante a apresentação dos resultados da empresa em 2012. Pois não, é a levantar vinte euros no multibanco de cada vez que queremos gastar vinte cêntimos no Pingo Doce. Isso sim, é luta.

Ninguém estava à espera que a Jerónimo Martins anunciasse os resultados líquidos de 360,4 milhões de euros referentes a 2012 ao som de música de intervenção. Agora, seria expectável, até aconselhável, num ano em que quase todos os portugueses saíram a perder, que um (dos poucos) que saiu a ganhar - milionário - tivesse algum decoro ao falar de assuntos que lhe passam ao lado.

Com lucros destes, muito português guardava os vinis do Zeca Afonso no baú, pendurava a boina e ia viver para um paraíso qualquer. Fiscal ou não. Daqueles em que a sede do banco é uma cabana de colmo, o céu é azul, o mar é quentinho e onde até as palmeiras sorriem.

Não satisfeito, Soares dos Santos decidiu dar mais um conselho aos pobres. Aparentemente, também especialista em subsídios, provavelmente pelas muitas horas passadas à porta da Segurança Social,  afirmou o senhor que "andamos sempre a mamar na teta do Estado". "Porquê, porquê?" - questionou indignado, quase irado, como se alguém lhe estivesse a ir ao bolso.

Ora bem, a propósito de "passeatas" e de "mamar do Estado", recordo a Soares dos Santos as seguinte notícias:

"Soares dos Santos muda participação na Jerónimo Martins para a Holanda - Os 56% que a família Soares dos Santos detém na Jerónimo Martins, dona da marca Pingo Doce, passaram a ser controlados indiretamente, através de uma sociedade com sede na Holanda. A operação deverá estar relacionada com o agravamento da tributação fiscal (...)". "Soares dos Santos garantiu que não tinham sido os impostos a levar a empresa para a Holanda. Admitiu, contudo, que poderá ter vantagens fiscais no futuro devido a esta alteração da holding que detém acções na Jerónimo Martins."  Expresso e Negócios Online

Infelizmente, hoje em dia, nem todas as famílias podem tomar "opções". Continuam, em desespero, a ser ordenhadas pelo Estado até o leite sair em pó. Enquanto isso, os de sempre, com as tetas bem sedeadas na Holanda ou noutro país qualquer, para fugir à sede (e à sede!) do Estado português, que assim não pode mamar o doce pingo delas como desejaria, estão, a cada dia que passa, mais "afortunados" e, principalmente, mais moralistas e hipócritas."
O senhor Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo Jerónimo Martins, é, para além de gestor, um expert em assuntos relativos à arte de "mamar nas tetas do Estado" e um prestigiado pedagogo das manifestações de rua.
"Sou a favor de manifestações que tenham conteúdo. Que no fim da passeata apresente alguma coisa. Não é com Grândolas Vilas Morenas que a gente resolve nada" - defendeu, durante a apresentação dos resultados da empresa em 2012. Pois não, é a levantar vinte euros no multibanco de cada vez que queremos gastar vinte cêntimos no Pingo Doce. Isso sim, é luta.
Ninguém estava à espera que a Jerónimo Martins anunciasse os resultados líquidos de 360,4 milhões de euros referentes a 2012 ao som de música de intervenção. Agora, seria expectável, até aconselhável, num ano em que quase todos os portugueses saíram a perder, que um (dos poucos) que saiu a ganhar - milionário - tivesse algum decoro ao falar de assuntos que lhe passam ao lado.
Com lucros destes, muito português guardava os vinis do Zeca Afonso no baú, pendurava a boina e ia viver para um paraíso qualquer. Fiscal ou não. Daqueles em que a sede do banco é uma cabana de colmo, o céu é azul, o mar é quentinho e onde até as palmeiras sorriem.
Não satisfeito, Soares dos Santos decidiu dar mais um conselho aos pobres. Aparentemente, também especialista em subsídios, provavelmente pelas muitas horas passadas à porta da Segurança Social,  afirmou o senhor que "andamos sempre a mamar na teta do Estado". "Porquê, porquê?" - questionou indignado, quase irado, como se alguém lhe estivesse a ir ao bolso.
Ora bem, a propósito de "passeatas" e de "mamar do Estado", recordo a Soares dos Santos as seguinte notícias:  
"Soares dos Santos muda participação na Jerónimo Martins para a Holanda - Os 56% que a família Soares dos Santos detém na Jerónimo Martins, dona da marca Pingo Doce, passaram a ser controlados indiretamente, através de uma sociedade com sede na Holanda. A operação deverá estar relacionada com o agravamento da tributação fiscal (...)". "Soares dos Santos garantiu que não tinham sido os impostos a levar a empresa para a Holanda. Admitiu, contudo, que poderá ter vantagens fiscais no futuro devido a esta alteração da holding que detém acções na Jerónimo Martins."  Expresso e Negócios Online
Infelizmente, hoje em dia, nem todas as famílias podem tomar "opções". Continuam, em desespero, a ser ordenhadas pelo Estado até o leite sair em pó. Enquanto isso, os de sempre, com as tetas bem sedeadas na Holanda ou noutro país qualquer, para fugir à sede (e à sede!) do Estado português, que assim não pode mamar o doce pingo delas como desejaria, estão, a cada dia que passa, mais "afortunados" e, principalmente, mais moralistas e hipócritas.
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O senhor Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo Jerónimo Martins, é, para além de gestor, um expert em assuntos relativos à arte de "mamar nas tetas do Estado" e um prestigiado pedagogo das manifestações de rua.
"Sou a favor de manifestações que tenham conteúdo. Que no fim da passeata apresente alguma coisa. Não é com Grândolas Vilas Morenas que a gente resolve nada" - defendeu, durante a apresentação dos resultados da empresa em 2012. Pois não, é a levantar vinte euros no multibanco de cada vez que queremos gastar vinte cêntimos no Pingo Doce. Isso sim, é luta.
Ninguém estava à espera que a Jerónimo Martins anunciasse os resultados líquidos de 360,4 milhões de euros referentes a 2012 ao som de música de intervenção. Agora, seria expectável, até aconselhável, num ano em que quase todos os portugueses saíram a perder, que um (dos poucos) que saiu a ganhar - milionário - tivesse algum decoro ao falar de assuntos que lhe passam ao lado.
Com lucros destes, muito português guardava os vinis do Zeca Afonso no baú, pendurava a boina e ia viver para um paraíso qualquer. Fiscal ou não. Daqueles em que a sede do banco é uma cabana de colmo, o céu é azul, o mar é quentinho e onde até as palmeiras sorriem.
Não satisfeito, Soares dos Santos decidiu dar mais um conselho aos pobres. Aparentemente, também especialista em subsídios, provavelmente pelas muitas horas passadas à porta da Segurança Social,  afirmou o senhor que "andamos sempre a mamar na teta do Estado". "Porquê, porquê?" - questionou indignado, quase irado, como se alguém lhe estivesse a ir ao bolso.
Ora bem, a propósito de "passeatas" e de "mamar do Estado", recordo a Soares dos Santos as seguinte notícias:  
"Soares dos Santos muda participação na Jerónimo Martins para a Holanda - Os 56% que a família Soares dos Santos detém na Jerónimo Martins, dona da marca Pingo Doce, passaram a ser controlados indiretamente, através de uma sociedade com sede na Holanda. A operação deverá estar relacionada com o agravamento da tributação fiscal (...)". "Soares dos Santos garantiu que não tinham sido os impostos a levar a empresa para a Holanda. Admitiu, contudo, que poderá ter vantagens fiscais no futuro devido a esta alteração da holding que detém acções na Jerónimo Martins."  Expresso e Negócios Online
Infelizmente, hoje em dia, nem todas as famílias podem tomar "opções". Continuam, em desespero, a ser ordenhadas pelo Estado até o leite sair em pó. Enquanto isso, os de sempre, com as tetas bem sedeadas na Holanda ou noutro país qualquer, para fugir à sede (e à sede!) do Estado português, que assim não pode mamar o doce pingo delas como desejaria, estão, a cada dia que passa, mais "afortunados" e, principalmente, mais moralistas e hipócritas.
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