"Sempre que estão em causa medidas impopulares por parte do Governo, o CDS manifesta a sua contrariedade ou o seu desconforto, numa tentativa de se demarcar delas.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Medidas de faz de conta
"Sempre que estão em causa medidas impopulares por parte do Governo, o CDS manifesta a sua contrariedade ou o seu desconforto, numa tentativa de se demarcar delas.
domingo, 5 de maio de 2013
“O ESTADO A QUE ISTO CHEGOU” – Que Legitimidade?
Um texto de revolta que circula pela internet.
É preciso aumentar o tom de protesto, o povo vir para a rua dizer BASTA numa verdadeira sublevação popular para correr com o estúpido Passos Coelho daqui para fora e, já agora, com o inútil do Cavaco também!
Em Democracia, a
legitimidade reconhece-se por duas vias, sucedâneas, complementares e
imprescindíveis, ambas obedientes à mesma lei fundacional dessa Democracia, a
Constituição da República: a que resulta de um acto eleitoral livre e
democrático; e a que resulta do exercício do poder no cumprimento dessa Lei
Primeira.
A Avaliação do Prof Carlos Manuel Moreno
DEPOIS DE OUVIR O 1º MINISTRO ESTA NOITE, DOU SEGUIDAMENTE O MEU CONTRIBUTO, ENQUANTO MEMBRO DA SOCIEDADE CIVIL.
EMBORA EM 2012 A FIGURA DO ANO TENHA SIDO A"OPINIÃO PÚBLICA" E O MEU NOME TENHA SIDO CITADO AS TVS DESINTERESSARAM-SE DE MIM (digo isto só para que percebam porque ando ...desaparecido dos MCS, mas já comecei a escrever outro livro sobre o período 2011/2013, com a mesma independência e distanciamento que publiquei um sobre a época Socrática em 2010).
DEPOIS DE OUVIR O 1º MINISTRO, E ENQUANTO DCOCENTE UNIVERSITÁRIO QUE FUI DE FINANÇAS PÚBLICAS DURANTE 25 ANOS, ASSUMO QUE:
1) a espiral recessiva será indubitável
2)o aumento do desemprego elevar-se-à para mais de 20% - não esquecer também os despedimentos na função pública/rescisões amigáveis
3) os reformados vão ser novamente expoliados/saqueados de modo inconstitucional, porque serão objecto de um imposto encapotado não universal
4) o 1º M procurou assustar e dividir (para poder reinar) os portugueses aumentando a angústia e o medo das classes médias e dos reformados
5) as medidas de austeridade vão estiolar o consumo interno ainda mais profundamente e consequentemente a produção e o investimento internos
6) vamos assistir á diminuição das exportações e suas consequências no desemprego e no investimento
7) vamos ter nova vaga de falências em cascata de pequenas e médias empresas e de empresas familiares
8) o aumento exponencial da economia paralela e da fuga ao fisco será imparável
9) se esta receita no passado não permitiu atingir as metas do défice a sua repetição num país exausto fiscalmente ainda cavará mais o fosso entre o acordado com a troika e o realizado; seguir-se-ão novas flexibilizações e novas medidas de austeridade, recessão, desemprego e assim sucessivamente
10) o mesmo acontecerá com a dívida pública
11) dificuldades acrescidas e crispação no diálogo político e social
12)agravamento da instabilidade social e rotura da coesão social
13) as metas do défice flexibilizadas voltarão a não ser atingíveis e terão de novo de ser flexibilizadas pela troika, com novas obrigações de austeridade,, mais recessão e mais desemprego
!4) os jovens quadros que ainda não emigraram fá-lo-ão
15) a percepção do povo é a de que o governo ataca os fracos(pensionistas) e deixa à solta os fortes (PPP, rendas excessivas, swaps, consultoria externa têm cortes simbólicos)
16) a desagregação interna da coligação vai prosseguir( o CDS foi o único partido que não reagiu ao discurso do 1º Ministro e o deputado do PSD Dr. Frasquilho defende uma diminuição da carga fiscal)
!7) Daqui a um ano se nada mudar(dada a teimosia repetida do MF) o país estará devastado económicamente e em matéria de desemprego e de agitação e falta de coesão social
18) Todos os dias aparecem mais figuras gradas do PSD e do CDS a distanciar-se das políticas do governo, o que lhe retira credibilidade e confiança interna
19) Sem desenvolvimento económico e combate ao desemprego eficazes, não sairemos, antes aprofundaremos a crise
20) todas as medidas são recessivas e impedem qualquer crescimento económico, fomentando o aumento do desemprego
21)Tudo isto o disse e escrevi em finais de 2011, mesmo sem ser astrólogo) E a reali
dade comprovou-o sem margem para dúvidas; a realidade está nas ruas que eu percorro e não nas alcatifas e nos modelos sem aderência à realidade dos Gabinetes
TEMOS DE MUDAR TUDO ISTO ANTES QUE SEJA TARDE.
PARTIDOS POLÍTICOS, PARCEIROS SOCIAIS E ORGÃOS DE SOBERANIA TÊM DE ASSUMIR AS SUAS RESPONSABILIDADES
E OS MILITANTES DE REFERÊNCIA DE TODOS OS PARTIDOS TÊM DE VIR A TERREIRO CLARAMENTE, SOBRETUDO AQUELES QUE TODOS SABEMOS NÃO CONCORDAM COM O CAMINHO SEGUIDO DESTA AUSTERIDADE SEM LIMITES, SEM EQUIDADE, SEM SER EXPLICADA, DE EFEITOS CONTRAPRODUCENTES PARA SANEAMENTO DAS CONTAS PÚBLICAS.
AGORA AINDA MAIS DESGRAÇADAMENTE APROFUNDADA.
E A OPINIÃO PÚBLICA QUE SOMOS TODOS NÓS TEM DE SE EXPRIMIR, MUITO EM PARTICULAR NAS REDES SOCIAIS COMO O FACE BOOK
SE CONCORDAS, NÃO PONHAS APENAS "GOSTO". PARTILHA E PEDE AOS TEUS AMIGOS PARA PARTILHAREM ESTE MEU POSTE. ESCREVO-O PELOS MEUS FILHOS E NETOS E PELOS PORTUGUESES. EM VEZ DE FICAR COMODAMENTE SENTADO VENHO A TERREIRO. AMIGO CONTO CONSIGO.
O VOTO NÃO LEGITIMA A IMPREPARAÇÃO E INCOMPETÊNCIA. COMO O TÊM REFERIDO INSISTENTEMENTE PERSONALIDADES DAS ÁREAS DO PSD E DO CDS
MANUELA FERREIRA LEITE, POR EXEMPLO, DESFEZ ONTEM NA TVI 24 O DOCUMENTO DE ESTRATÉGIA ORÇAMENTAL QUE ESTÁ NA BASE DESTE ANÚNCIO
CONSIDEROU-O UM DOCUMENTO TEÓRICO QUE QUE NÃO TEM ADERÊNCIA Á REALIDADE E REPRESENTA UM MODELO QUE TEM POR FIM DEFENDER OS ERROS COMETIDOS ATÉ HOJE.
É NECESSÁRIA AUSTERIDADE.
MAS NÃO ESTA QUE ATÉ AFRONTA DE NOVO O TRIBUNAL CONSTITUCIONAL
AO CRIAR UM NOVO "IMPOSTO" RESTRITO AOS REFORMADOS
O irregular funcionamento das instituições
Texto de Pedro Marques Lopes hoje publicado no "Diário de Noticias".
O primeiro é que os sacrifícios, até agora impostos, não valeram a pena. Temos assistido à maior destruição do tecido económico em Portugal de que há memória, ao maior crescimento do desemprego da nossa história recente, ao maior surto de emigração em democracia. Tudo isto, dizem-nos, para obtermos equilíbrio orçamental, redução do endividamento e umas finanças públicas saudáveis. A questão é que nada disso foi obtido: as nossas finanças públicas estão um caos, o endividamento não pára de crescer e os resultados das execuções orçamentais são os conhecidos. Digamos que quando o primeiro-ministro nos diz que agora não podemos falhar não sabemos bem de quem está a falar. Dos portugueses não será de certeza absoluta, que têm aguentado estoicamente a barbárie em curso. Estará a falar dele próprio, utilizando o plural majestático, e da estratégia que abraçou.
Da estratégia estamos conversados: como vamos prosseguir no caminho definido e aprofundá-lo, a catástrofe está garantida. A destruição da nossa comunidade continuará imparável e ao contrário do que diz o Governo será esta a estrada que nos levará ao segundo resgate e depois à saída do euro. Sim, será esta austeridade brutal, estes cortes cegos na Educação e na Saúde, estes novos impostos sobre os pensionistas, as previsíveis diminuições de salários, somado a tudo o que já foi feito que nos levará à saída do euro.
E aqui entra o segundo problema da profissão de fé de Passos Coelho: a sua credibilidade. É que neste momento já ninguém acredita no primeiro-ministro. Mesmo as medidas que fazem sentido e são até da mais elementar justiça (como a equiparação das férias e do número de horas de trabalho na função pública com a actividade privada) perdem sentido quando anunciadas por Passos Coelho.
Ninguém tem a mínima confiança em Passos Coelho. O primeiro-ministro pode anunciar que à noite se seguirá o dia, que ninguém acredita.
Tudo começou nas promessas eleitorais com o célebre ajuste rápido e indolor, os famosos custos intermédios que resolveriam o despesismo do Estado e a negação de qualquer corte salarial. O desastre do dossier TSU. A manutenção incompreensível de Miguel Relvas no Governo. A lista é demasiado grande para ser minimamente exaustiva, mas, claro está, as afirmações constantemente repetidas de que estamos a ter sucesso, que estamos no bom caminho, face à realidade que todos vivemos são tão delirantes que chegam a ser ofensivas.
A tudo isto deve ser acrescentada a balbúrdia no Governo que obviamente é responsabilidade do primeiro-ministro. Um dia apresenta-se um plano de fomento e crescimento (digno de um aluno de primeiro ano de Economia, diga-se) para uns dias depois ser apresentado o Documento de Estratégia Orçamental que torna inexequíveis quaisquer medidas, por muito ténues que fossem, do tal plano. DEO, aliás, que é um delírio absoluto: desde responsabilizar os portugueses por todos os males que lhes estão a acontecer, passando pela reprodução do argumentário alemão para as razões da crise até prever que em 2014 a nossa economia crescerá 0,6% com todos os cortes anunciados, com o desemprego em rápido crescimento e com a Zona Euro estagnada, vale tudo. Noutro dia, o ministro para o Consenso envia cartas de amor, para no dia seguinte o ministro Gaspar gozar com os deputados dizendo-lhes que mandou o DEO para a Comissão Europeia e uns minutos antes para eles ou atribuindo ao PS, que Maduro tenta seduzir, comportamentos patológicos.
Entretanto, vamos sabendo que dentro do Governo as reuniões duram horas infindas porque os ministros do PSD não concordam com a estratégia de Gaspar e de Passos. O Governo está totalmente partido e são os próprios ministros que o revelam. Dissensão que se alastra ao próprio PSD, onde parte importante do partido discorda e não se reconhece na acção do Governo.
Não há como ignorar, o primeiro-ministro está completamente descredibilizado e a instituição Governo não está a funcionar regularmente. Há um órgão de soberania que tem a responsabilidade de actuar quando isso acontece, mas esse órgão também não está propriamente a funcionar regularmente. Nada, aliás, parece estar a funcionar regularmente. Não me recordo de existirem tão poucas razões para estar optimista."
sábado, 4 de maio de 2013
Basta!
Texto de Nuno Saraiva hoje publicado no "Diário de Noticias"
"A comunicação ao
País do primeiro-ministro arrancava de forma promissora: "Chegou o
momento de relançarmos o investimento privado." Mas, minutos depois,
percebemos que, mais uma vez, a ditadura das Finanças prevalece sobre a
agenda do "fomento industrial". Nem uma palavra sobre crescimento, nem
uma ideia sobre combate ao desemprego, nem uma sugestão sobre
revitalização da Economia, nem uma mensagem de esperança para o
interminável exército de empobrecidos que vai penando com dificuldades.
Nada.
Ao contrário, voltou a agarrar no serrote e, mais uma vez a
eito, avançou sobre a idade da reforma, criou um novo imposto para as
pensões, anunciou a revisão em baixa das tabelas salariais da
administração pública, decretou o aumento do horário de trabalho dos
funcionários públicos para as 40 horas semanais, apregoou um programa de
rescisões/despedimentos que atingirá 30 mil trabalhadores do Estado e
determinou um novo corte de 10% nos encargos dos ministérios que,
suspeito eu porque não foi dito, irá concentrar-se na Educação, na
Segurança Social e na Saúde.
Ficou claro, mais uma vez, que
estamos em estado de guerra. E que de um lado está o Governo e os seus
acólitos - cada vez são menos, é certo - e do outro estão os
portugueses. Perante a evidência do fracasso da receita que está a ser
seguida, o Executivo, em vez de levantar a voz e dizer "basta!" a quem
persiste na intenção de matar o doente com a cura, continua a
comportar-se como encarregado obediente e subserviente dos credores em
Portugal.
Sabemos inclusive que o ministro das Finanças, do alto
da sua genial e proverbial inteligência, e com a sobranceria de quem
"não foi eleito coisíssima nenhuma" mas ungido, utilizou o Documento de
Estratégia Orçamental, o famoso DEO, para, nas instâncias
internacionais, dizer mal de Portugal e dos portugueses, classificando
como "irresponsáveis" todos os malandros que o antecederam. No fundo,
Vítor Gaspar comporta-se como um ministro de Pétain, na França de Vichy.
Isto é, tal como a minoria colaboracionista de 1940 a 1944, também o
diligente delegado da troika em Lisboa obedece, orgulhosamente, à
política de destruição do Estado e da economia portuguesa. Sim, porque é
disso que se trata. De nada valem as medidas avulsas para estimular o
crescimento económico e o fomento industrial apresentadas por Álvaro
Santos Pereira, se depois chegam Passos e Gaspar e matam à nascença
todas as possibilidades de recuperação económica.
Que ninguém se
iluda. O novo pacote ontem apresentado, a pretexto de dar resposta ao
chumbo do Tribunal Constitucional a medidas consideradas ilegais, só vem
criar mais desemprego, agravar a recessão e destruir, ainda mais, a
economia.
O tempo é, pois, de dizer basta. Basta da
desonestidade de afirmar que não há alternativas. Basta da falácia
repetida vezes sem conta sob a forma de discurso único de que
"renegociar o ajustamento" é sinónimo de não querer pagar a nossa
dívida. Basta de nos enganarem sistematicamente com a promessa de que
"os sacrifícios valerão certamente a pena". Basta de nos fazerem de
idiotas garantindo que "não haverá mais aumento de impostos", como se a
nova contribuição especial ontem anunciada não fosse uma nova taxa.
Basta, como dizia Manuela Ferreira Leite, de nos imporem austeridade "em
nome de nada". Basta de fingirmos que o consenso não existe, quando é
absolutamente claro que ele aí está, porém de sinal contrário àquele de
que o Governo gostaria. Basta.
António Nóvoa, o reitor da
Universidade de Lisboa, dizia ontem que "em tempos tão duros como os de
hoje ninguém tem o direito de ficar em silêncio". E rematava: "É tempo
de dizer não. Não a um País sem futuro." E eu acrescento, é tempo de
dizer basta."
A impossível confiança em Passos
Texto de Henrique Monteiro hoje publicado na edição online do "Expresso".
sexta-feira, 3 de maio de 2013
A estratégia errada para a reforma do Estado
Texto de Bruno Proença hoje publicado no "Diário Económico"
"O primeiro-ministro fala hoje ao País para apresentar as
medidas que vão garantir os cortes de 4,7 mil milhões de euros entre o
próximo ano e 2016.
O primeiro-ministro fala hoje ao País para apresentar as medidas
que vão garantir os cortes de 4,7 mil milhões de euros entre o próximo
ano e 2016. O Diário Económico já antecipou algumas das medidas e os
alvos são óbvios: funcionários públicos e pensionistas. Será que poderia
ser de outra forma? Nos alvos, não. Na metodologia, sim. O problema não
está no onde, está no como. Provavelmente, vai-se perder uma
oportunidade histórica para fazer a reforma que o Estado necessita.
O sector privado já fez grande parte do ajustamento. O excedente
no saldo externo, alcançado em 2012 e que se deve prolongar nos próximos
anos, é a prova disso. A recessão profunda, as múltiplas falências e o
desemprego recorde são a factura do ajustamento à bruta que as
empresas e os trabalhadores do privado foram obrigados a fazer. Com a
chegada da ‘troika' fechou-se o crédito bancário e a carga fiscal
disparou nos últimos dois anos - primeiro o IVA e depois IRS, IRC e
IMI.
No sector público ainda há muito por fazer. Desde logo, o défice
orçamental continua acima dos 6% do PIB e a dívida pública está nos 200
mil milhões de euros, mais de 120% do produto. O grande desequilíbrio da
economia nacional ainda está no Estado. Sem a possibilidade de
continuar a subir os impostos - a receita favorita de Vítor Gaspar -,
resta atacar a despesa pública. E isto, implica afectar funcionários
públicos e prestações sociais, que correspondem a mais de três quartos
dos gastos da Administração Pública.
Até agora, o Governo tem seguido uma estratégia para a despesa
pública: atacar tudo por igual. Os funcionários públicos já sofreram
cortes nos seus rendimentos de forma transversal. Não há distinção entre
quem é necessário e quem está a mais. Esqueceram a meritocracia. O
Executivo argumenta que os funcionários públicos têm mais direitos e
ganham mais do que o equivalente no privado, pelo que há que acelerar o
processo de convergência. Não faz muito sentido. O Estado não é igual ao
sector privado. Funções como a Justiça, a segurança interna e externa, a
cobrança de impostos, a representação externa do País não são
privatizáveis. Logicamente, estes funcionários públicos devem ter um
estatuto especial e provavelmente um salário superior. Mesmo em áreas
como a educação e a saúde, o Estado quer continuar a ter uma palavra
pelas externalidades positivas que trazem para o País.
Pedro Passos Coelho e o seu Governo preparam-se para perpetuar o
erro. Hoje, o primeiro-ministro deve anunciar mais medidas transversais
para os funcionários públicos: mais horas de trabalho e menos férias,
mais gente empurrada para a mobilidade especial e menos rendimento. Não é
o caminho certo. Desta forma, desvaloriza-se toda a Administração
Pública. Os bons e os maus, os esforçados e os preguiçosos, os
dedicados e os conformados.
O Executivo está a seguir a estratégia mais fácil porque perdeu
dois anos cruciais para fazer uma reforma do Estado com pés e cabeça.
Primeiro, há que definir as áreas prioritárias, modernizando os
serviços, apostando nas pessoas, dando mais formação e melhores
remunerações. Segundo, escolher as áreas onde o Estado não deve estar e
privatizar. Sair, ponto final.
Só a avaliação dos funcionários e a meritocracia devia ser
transversal à Administração Pública. Gerir é escolher. A política deve
ser tomar decisões, mesmo que difíceis.
Pedro Passos Coelho perde uma oportunidade histórica porque,
perante a crise profunda, os portugueses estavam dispostos a debater e a
aceitar uma reforma profunda do Estado. O Governo perdeu tempo e
desperdiçou o seu crédito político. Agora vai propor um conjunto de
medidas que vão provocar muita dor mas que não mudam o paradigma.
Provavelmente, vai sofrer muita contestação e muitas medidas vão morrer
pelo caminho. O primeiro-ministro não esteve à altura das
circunstâncias."
O predestinado Gaspar
Texto de Daniel Oliveira, publicado no seu blogue "Antes pelo contrário" no "Expresso"
Portas: eu é outro
Texto de Fernanda Câncio hoje publicado no "Diário de Noticias"
Sustentar um Executivo que toma medidas brutais e mesmo assim pretender que se opõe, lágrima no olho, a cada malfeitoria. Plantar notícias nos jornais sobre supostos enfrentamentos homéricos em conselhos de ministros e largar venenos sortidos sobre colegas de Governo para surgir como o parceiro "bom" da coligação, o que está lá para garantir que as coisas não serão tão más como poderiam ser, numa espécie de imolação dos seus princípios para nos salvar. Afetar sentido de Estado, quando é exatamente o papel de vítima que lhe convém, perante sucessivas humilhações infligidas pelo PM - da certificação, numa entrevista televisiva pós-episódio da TSU, de que o seu número dois é Gaspar ao desprezo a que votou o líder parlamentar do CDS no último debate quinzenal, passando pelo facto de, perante o chumbo de várias medidas pelo Tribunal Constitucional, ter ido a Belém certificar a viabilidade do Governo acompanhado, não do líder do outro partido da maioria, mas do ministro das Finanças. Registar no anedotário nacional da provocação passiva-agressiva os silêncios, ausências, expressões faciais e pronunciamentos do líder, com o monólogo sobre a TSU no top. Exigir remodelações e alterações de política a várias vozes do partido - enquanto no Parlamento não só vota a favor de tudo como se ergue em êxtase ante o discurso presidencial que diz não haver alternativa.
É isto o PP: o partido que enche a boca com a família, os reformados e desfavorecidos mas tem um ministro da Segurança Social que cortou 6% ao subsídio de desemprego e 5% ao de doença (e veremos hoje às oito da noite o que lhes vai cortar mais), que esmifrou o complemento solidário dos idosos (a medida que mais contribuía para a redução da pobreza da terceira idade), que diminuiu o RSI das crianças e que tirou dinheiro ao subsídio de parentalidade. O partido que manda cartas aos militantes a jurar que "com ele" não se aumentarão mais impostos e a seguir vota o maior aumento fiscal da democracia portuguesa.
Se tinha ideário, deixou de o ter - à exceção do programa de sempre de Portas: sobreviver e acabar com o PSD para poder ser um dia PM. "Eu é outro", diz, como Rimbaud, o PP (Paulo e o partido): estou no Governo e fora, faço o mal e a caramunha, olhem como sou esperto. Estará a resultar? A última sondagem diz que sim. Mas hoje, ao ouvir Passos, não se esqueça que tudo o que ele anuncia tem a assinatura de Portas. Além de indecorosamente traiçoeiro (de molde a enojar até quem execre o PM), o jogo que joga com tão óbvio deleite tem o País - a nós - como bola de trapos. E se lhe perguntarem se sabe, ele sabe. "
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Gaspar, o papão
Texto de Helena Cristina Coelho hoje publicado no Diário Económico.
"Ao revelar no Parlamento, mesmo sem grandes revelações, o
Documento de Estratégia Orçamental para os próximos anos, o ministro
das Finanças deixou dois caminhos à escolha do país que o quis ouvir.
O primeiro, a que ele chamou de "sentido de responsabilidade",
passa por acatar as duras decisões de austeridade para saldar dívidas,
honrar compromissos e seguir em frente, custe o que custar. O segundo, a
que chamamos nós de "ameaça", passa por ignorar essa agenda da
austeridade imposta e as reformas estruturais necessárias, o que irá
resultar, avisa um alarmado Vítor Gaspar, em um de dois destinos
trágicos: na versão radical, os portugueses caem na bancarrota e saem do
euro sem honra nem glória; na versão mais mitigada, resta-lhes o penoso
caminho das pedras e a penitência de verem a sua soberania encolhida e
vergada durante longos e indefinidos anos.
Vítor Gaspar, que aqui se mostrou na versão ‘bicho papão', na
verdade, não apresentou dois caminhos, mas apenas um. E também não
revelou o caminho que espera os portugueses, mas sim aquele que já
começaram a fazer há algum tempo - ou o ministro andará tão concentrado
nos seus ficheiros excel que se esqueceu de olhar pela janela do
Terreiro do Paço e ver o que se passa nas ruas do país e tudo o que os
portugueses andam a sacrificar desde o dia em que a ‘troika' entrou nas
suas vidas?
Essa via de sentido único em que Portugal entrou forçado há dois anos
já inclui todas essas realidades: o ajustamento orçamental à custa de
medidas de austeridade, carga fiscal e cortes de despesa, a reforma do
Estado (ou vestígios disso) à conta de mudanças (ainda escassas) nas
administrações públicas, e até o enfraquecimento da sua autonomia
política e económica por causa da dívida que carrega e que o tornou
refém de poderosos e intransigentes credores. Arriscar este caminho já
não é uma ameaça, é a realidade dos portugueses desde, pelo menos, o
primeiro dia do memorando.
Vítor Gaspar escusa, por isso, de tratar os portugueses como crianças
mal comportadas, a quem é preciso assustar com a ameaça de que a Europa
deixa de ser amiga ou de que podem ser expulsos do recreio do euro,
apenas para garantir que fazem tudo que se lhes pede sem questionarem
nada. E escusa de o fazer por duas razões. Primeiro, porque os
portugueses já deram mais do que uma prova de que são responsáveis e
que, mesmo contrariados, são capazes de honrar os seus compromissos e
sacrificar-se até para lá do que é razoável.
Segundo, porque talvez já seja altura de o Governo falar mais para
dentro (e menos para fora) do país e comprometer-se com verdadeiras
medidas para reformar (a sério) a máquina pública, acabar com as
dependências injustificadas do Estado e acertar de vez as contas que,
dizia ontem Passos Coelho, andam desacertadas desde o primeiro dia da
democracia.
Daqui a um ano, o país vai acordar sem ‘troika' e aí Vítor Gaspar já
não terá esse ‘bicho papão' para se proteger - mas vai ter ainda os
mesmos problemas monstruosos a assombrá-lo, como a dívida e o défice e a
recessão e o desemprego. O Governo sabe disso, os portugueses também.
Por isso, em vez de se preocupar em inquietar o país com o pior que pode
acontecer, devia preocupar-se em fazer o melhor para o evitar. Para
susto, já chegam as contas e os salários no final do mês, a falta de
emprego, a carga de impostos - e cada novo anúncio de austeridade."

