DERRUBAR O GOVERNO É OBRIGAÇÃO PATRIÓTICA

O inutil Cavaco Silva deu carta branca ao atrasado mental Passos Coelho para continuar a destruir Portugal e reduzir os portugueses a escravos da ganância dos donos do dinheiro.
Um governo cuja missão é roubar recursos e dinheiro às pessoas, às empresas, ao país em geral, para os entregar de mão beijada aos bancos e aos especuladores é um governo que não defende o interesse nacional e, por isso, tem de ser corrido o mais depressa possivel.
Se de Cavaco nada podemos esperar, resta a luta directa para o conseguirmos.
Na rua, nas empresas, nas redes sociais, há que fomentar a revolta, a rebelião, a desobediência, mostrar bem que o povo está contra Passos Coelho, Portas e os outros imbecis que o acompanham e tudo fazer para ajudar à sua queda.
REVOLTEM-SE!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Caça ao dinheiro

Texto de Manuel Catarino, Subdirector, hoje publicado no Correio da Manhã.

A Autoridade Tributária acaba de atiçar as feras aos contribuintes em falta: os funcionários que mais cobrarem passam a ter direito a um prémio em dias de férias.

Os portugueses estão cercados por uma gigantesca operação de caça ao dinheiro. Não há hipótese de fuga. Das Finanças à ASAE – o objectivo é o mesmo: dinheiro. A PSP e a GNR desdobram-se em operações na estrada. Explicam, amavelmente, que se trata de prevenção. Fica-lhes mal dizer outra coisa – mas a verdadeira missão é passar multas.
Ao que o Estado chegou... Uma espécie de senhor feudal implacável com os mais fracos e insensível à pobreza à sua volta. Só falta o cadafalso para quem não pode ganhar.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Democrata mas ... pouco!

Assunção Cristas faz parte da geração de políticos jovens que vive com e usa as redes socais para (supostamente) estar em contacto com os eleitores e a prova disso é a sua página no facebook.

Mas as aparências de democracia iludem já que a ministra Cristas tratou de não permitir que os visitantes à página possam livremente "subscrever" e publicar mensagens.

Não permitindo que os cidadãos escrevam o que lhes vai na alma, Assunção Cristas assegura que a página apenas mostra o que quer e lhe convém, tornando-se assim num escandaloso meio de propaganda pessoal.

Para a "democrata" Assunção Cristas toda a gente terá direito a ter opinião. Tem é de ser igual à dela!

Democracia sim mas... com calma!

Clique aqui para visitar a página de Assunção Cristas no facebook.


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Entretanto em França ...

Isto é o que fez o François Hollande (não palavras mas... actos) em 56 dias de governo e no cargo de Presidente. Tal facto tem sido escondido pela imprensa portuguesa por orientação do ministro da propaganda, Relvas, e com a cumplicidade do próprio Passos, que não faz qualquer referência para que os portugueses não façam comparações entre o que é feito como prometido pelos socialistas franceses, e com o que este regime passista não faz, apesar da exaustiva promessa eleitoral em que iria abater as "gorduras", entre outras mentiras. Os dados que aqui constam são oficiais, e foram traduzidos do Le Monde :

- Suprimiu 100% dos carros oficiais e mandou que fossem leiloados; os rendimentos destinam-se ao Fundo da Previdência e destina-se a ser distribuido pelas regiões com maior número de centros urbanos com os suburbios mais ruinosos.

- Tornou a enviar um documento (doze linhas) para todos os órgãos estatais que dependem do governo central em que comunicou a abolição do "carro da empresa" provocativa e desafiadora, quase a insultar os altos funcionários, com frases como "se um executivo que ganha € 650.000/ano, não se pode dar ao luxo de comprar um bom carro com o seu rendimento do trabalho, significa que é muito ambicioso, é estúpido, ou desonesto. A nação não precisa de nenhuma dessas três figuras " . Fora os Peugeot e os Citroen. 345 milhões de euros foram salvos imediatamente e transferidos para criar (a abrir em 15 ago 2012) 175 institutos de pesquisa científica avançada de alta tecnologia, assumindo o emprego de 2560 desempregados jovens cientistas "para aumentar a competitividade e produtividade da nação."

- Aboliu o conceito de paraíso fiscal (definido "socialmente imoral") e emitiu um decreto presidencial que cria uma taxa de emergência de aumento de 75% em impostos para todas as famílias, líquidas, que ganham mais de 5 milhões de euros/ano. Com esse dinheiro (mantendo assim o pacto fiscal) sem afetar um euro do orçamento, contratou 59.870 diplomados desempregados, dos quais 6.900 a partir de 1 de julho de 2012, e depois outros 12.500 em 01 de setembro, como professores na educação pública.

- Privou a Igreja de subsídios estatais no valor de 2,3 milhões de euros que financiavam exclusivas escolas privadas, e pôs em marcha (com esse dinheiro) um plano para a construção de 4.500 creches e 3.700 escolas primárias, a partir dum plano de recuperação para o investimento em infra-estrutura nacional.

- Estabeleceu um "bónus-cultura" presidencial, um mecanismo que permite a qualquer pessoa pagar zero de impostos se se estabelece como uma cooperativa e abrir uma livraria independente contratando, pelo menos, dois licenciados desempregados a partir da lista de desempregados, a fim de economizar dinheiro dos gastos públicos e contribuir para uma contribuição mínima para o emprego e o relançamento de novas posições sociais.

- Aboliu todos os subsídios do governo para revistas, fundações e editoras, substituindo-os por comissões de "empreendedores estatais" que financiam acções de actividades culturais com base na apresentação de planos de negócios relativos a estratégias de marketing avançados.

- Lançou um processo muito complexo que dá aos bancos uma escolha (sem impostos): Quem porporcione empréstimos bonificados às empresas francesas que produzem bens recebe benefícios fiscais, e quem oferece instrumentos financeiros paga uma taxa adicional: é pegar ou largar.

- Reduzido em 25% o salário de todos os funcionários do governo, 32% de todos os deputados e 40% de todos os altos funcionários públicos que ganham mais de € 800.000 por ano. Com essa quantidade (cerca de 4 mil milhões) criou um fundo que dá garantias de bem-estar para "mães solteiras" em difíceis condições financeiras que garantam um salário mensal por um período de cinco anos, até que a criança vá à escola primária, e três anos se a criança é mais velha. Tudo isso sem alterar o equilíbrio do orçamento.

Resultado: Olhem que SURPRESA !!!

O spread com títulos alemães caiu, por magia.

A inflação não aumentou.

A competitividade da produtividade nacional aumentou no mês de Junho, pela primeira vez nos últimos três anos.

Portanto, as promessas eleitorais estão a ser cumpridas na íntegra, passo a passo. E é assim que tem de ser, mas só possível com gente de carácter e que honra a sua palavra dada ao povo antes do dia das eleições.

Nem vale a pena comparar os 56 DIAS de François Hollande com o que fizeram NUM ANO o Passos Coelho e Paulo Portas ao longo de um ano!

RSI, custe o que custar

Texto de José Rodrigues, Editor Política/Economia, hoje publicado no "Correio da Manhã".

O número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) continua a aumentar, alcançando já 339 mil pessoas.

A notícia, surgida na semana finda, confirma o que todos sabemos: a pobreza extrema avança no País, numa escalada imparável ditada pela receita da austeridade, que torna ainda mais crucial a existência daquela prestação social, cada vez mais cerceada nos dias de hoje.

O aumento da pobreza não impediu o Governo de proceder a cortes no RSI, com o argumento a que sempre recorre para justificar todos os seus actos, que faz lembrar o daquele Partido Reformista referido por Eça em ‘Uma campanha alegre’, o qual, interrogado sobre as suas ideias para questões do trabalho, educação, jurisprudência, moral ou arte, respondia, invariavelmente: "Economias!"… A par dos cortes, ocorre uma campanha de ‘diabolização’ dos beneficiários da prestação, e há mesmo quem não tenha pejo em defender a eliminação de uma das grandes conquistas sociais. Há que lutar para a preservar, custe o que custar. Embora hoje não ofereça mais do que uma garantia ínfima de sobrevivência e seja cada vez mais incapaz de cumprir o objectivo de inserção contido no seu próprio nome…

Um aditamento de Manuel António Pina publicado no Jornal de Notícias:

"... É preciso que se saiba que os portugueses comuns (os que têm trabalho) ganham pouco mais de metade (55%) do que se ganha na zona euro, mas os nossos gestores recebem, em média:

- mais 32% do que os americanos;
- mais 22,5% do que os franceses;
- mais 55 % do que os finlandeses;
- mais 56,5% do que os suecos" 

Com dados destes quem é que ainda pode defender a corja partidária que rouba e destrói o País?

domingo, 5 de agosto de 2012

Os MESSIAS nacionais

 "Que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal"

Foi com estas palavras que Passos Coelho confirmou frente às câmaras que se considera o novo "Messias" salvador da Pátria. Para este "iluminado" pouco importa se a sua receita de austeridade está a empobrecer o povo e a destruir a economia nacional.

Passos Coelho impõe sacrifícios inaceitáveis ao povo para satisfazer os "sacrossantos" mercados ao mesmo tempo que tudo permite, aceita e recomenda à banca e aos grupos económicos. Por outro lado a sua politica de privatizações é altamente contrária ao interesse nacional, vendendo empresas ao desbarato e a preços irrisórios,  como no caso BPN, a interesses estrangeiros que apenas se motivam pelo LUCRO! Pelo caminho há toda uma pandilha de ladrões ligados aos partidos do governo que estão a enriquecer de forma obscena à custa dessas negociatas.

Passos Coelho não se incomoda de atirar milhares e milhares de famílias para o desemprego e para a miséria. Na cabeça deste "Messias" neoliberal tudo vai valer a pena, contra tudo e contra todos, custe o que custar.

Passos Coelho é um Messias que salva o País à custa do povo. Em Évora há um Messias que salva o País à sua própria custa.

 

(*) Beato Salu é uma personagem tipica da cidade alentejana. A sua esquizofrenia diz-lhe que é o salvador do mundo e aqui começa e termina a semelhança com Passos Coelho.

Reparem nas diferenças:

Salu fala com as águas, com o vento, com o Sol, a quem chama reis: «A determinada altura, um rei disse-me que ia haver uma grande mortandade em Évora e eu tive uma visão da cidade destruída, física e moralmente. Percebi pelos sinais que se aproximava um tremor de terra de grau nove na escala de Richter e então comecei a passar o tempo todo na rua, para proteger a cidade.» Mais tarde, leu no jornal que houvera um sismo de grau três, que não tinha provocado quaisquer danos humanos ou materiais. «O terramoto foi descontado no meu corpo», esclarece.

Quando ouviu as notícias de que o país estava à beira da bancarrota, começou a passar todos os dias pela delegação do Banco de Portugal em Évora, para abater em si a hecatombe económica. Quando toma conhecimento de uma epidemia, faz o circuito dos hospitais e dos centros de saúde, para travar a peste. Se há uma onda de assaltos, gira para a esquadra de polícia. E então caminha os dias inteiros de um lado para o outro, a salvar o mundo. E se por algum motivo pára num banco de jardim, não é para descansar. É para recarregar energias nos seus reis e poder continuar a descontar no corpo as maleitas da humanidade.

Beato Salu chama-se a si mesmo de O, porque essa é a forma mais perfeita da natureza. «Um O», explica ele, «tem um valor biológico superior à própria existência e por isso consegue controlar os acontecimentos, é independente em relação ao cosmos.» E assegura que, em cada século que passa, não haverá no mundo mais de dois ou três escolhidos como ele. «Quando os reis me nomearam O, havia dois candidatos europeus, um português e um jugoslavo. Mas não pode haver mais do que um na Europa e, como me escolheram a mim, a Jugoslávia entrou em guerra e desintegrou-se. Não quero imaginar o que teria acontecido ao nosso país se eu não fosse chamado.»

Dá para verem onde diferem não dá?

Á prepotência, intransigência e arrogância de Passos Coelho responde Beato Salu com simplicidade, abnegacão e amor ao próximo. É caso para dizer que, louco por louco, talvez fosse melhor para Portugal ter o Beato Salu como Primeiro-Ministro!

(*) Adaptado de textos disponíveis na internet sobre o Luis Beato Salu

 Salvar Portugal à bruta


Texto do humorista Ricardo Araújo Pereira publicada na revista Visão a propósito das palavras messiânicas de Passos Coelho.


"Se algum dia tiver de perder umas eleições em Portugal para salvar o País, que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal", disse esta semana Pedro Passos Coelho.

É uma declaração que rejeita o eleitoralismo ao mesmo tempo que é profundamente eleitoralista, e por isso só está ao alcance de um político muito hábil. Sou um grande admirador de declarações que contradizem aquilo que afirmam. "Eu não gosto de falar de mim", diz alguém. E eu rejubilo, porque essa pessoa acaba de me fornecer uma informação sobre si mesma -logo ela que não aprecia fazê-lo. Com Passos Coelho sucede o mesmo: é eleitoralista quando repudia o eleitoralismo. Sacrifica-se duplamente por nós: perdendo eleições e incorrendo em abominável eleitoralismo.

Mas, mais do que fazer aquilo que repudia, aquela declaração é importante para compreender a soteriologia do passoscoelhismo, que difere bastante da da maior parte das religiões. Em princípio, uma religião só oferece a salvação ao crente que deseje ser salvo. No passoscoelhismo, porém, a salvação não depende da vontade do crente. Passos Coelho é nosso redentor quer nós queiramos quer não. Ele vai salvar-nos e é à bruta.

Repare-se que, para salvar o País, ele não se importa de perder umas eleições.

O eleitorado, que aparentemente prefere a perdição do País, ameaça castigar Passos Coelho com uma derrota eleitoral.

Nas urnas, o povo português fará o raciocínio inverso ao do primeiro-ministro: que se lixe Portugal, o que interessa são as eleições. Mas Passos Coelho não se importa. Vai salvar-nos, mesmo contra a nossa vontade.

Outra distinção importante reside no facto de Cristo se ter sacrificado por nós.

Passos Coelho opta por infligir os sacrifícios àqueles que pretende salvar. Uma coisa é ser Messias, outra é ser parvo.

Cristo percorreu a Via Dolorosa; Passos Coelho põe o povo a percorrê-la. E antes fez com que a via deixasse o regime SCUT, para a cruz ficar mais pesada.

Um dos problemas da salvação oferecida por Passos Coelho é que a maior parte das pessoas não se apercebe de que está a ser salva. Não compreende que está desempregada para seu bem, que vive mal para impressionar favoravelmente os mercados, que ganha salários miseráveis para glória presente e futura de Portugal.

Ninguém mandou Passos Coelho tentar salvar um povo tão estúpido."

sábado, 4 de agosto de 2012

Privatizações (1)

Contra-revolução

Texto de Carvalho da Silva hoje publicado no Diário de Noticias.

"As alterações à legislação laboral, que entraram em vigor em 1 de Agosto, são, sem dúvida, expressão máxima da contra- -revolução nas relações de trabalho. No decurso dos últimos 10 anos foi feito, passo a passo, debaixo de pressões e chantagens de setores patronais retrógrados, com cumplicidades de governantes que se situam entre o PP e o PS e a condescendência de algumas organizações sociais e também da UGT, um ataque continuado aos direitos dos trabalhadores. Agora consubstancia-se em lei, ao arrepio da Constituição da República, uma inversão do sentido progressista que marcou o caminhar da legislação do trabalho, desde os finais da década de sessenta do século passado.

Quero dizer que não ignoro três fatores que qualquer estudioso deste tema elencará imediatamente: primeiro, são muitos os impactos provocados pelas mudanças estruturais e organizacionais nas empresas e nos serviços, bem como os efeitos de avanços tecnológicos, comunicacionais e outros, que a evolução das leis laborais não pode deixar de ter em conta; segundo, a cartilha neoliberal está com muita força, tem dimensão europeia e mundial, não é fácil resistir às imposições dos "mercados", à substituição do valor do trabalho pela especulação financeira; terceiro, a responsabilidade de não se terem construído posições justas progressistas e dinâmicas assentes em consenso amplo à esquerda e com força na sociedade não é apenas de uma organização social ou política.

Esta legislação que vão tentar impor no mundo do trabalho tem por objetivos: flexibilizar e precarizar o trabalho até ao limite possível; aumentar o desemprego para instabilizar, inquietar e desassossegar o mais possível a vida dos trabalhadores e das suas famílias; prosseguir a imposição de formas cada vez mais expeditas de aumentar e multiplicar a riqueza dos que se apoderaram do poder sem controle, designadamente através da redução dos salários e do aumento do tempo de trabalho.

Os efeitos conjugados daqueles três objetivos colocam o trabalho a preço de saldo e são demolidores para o Estado social, outro dos pilares das democracias que o neoliberalismo está determinado em destruir.

Como o próprio Governo faz questão de provocatoriamente propagandear, apenas 3 ou 4 das medidas legislativas adotadas provocarão um corte de 5,23% de redução no custo por hora trabalhada. O valor real do impacto do conjunto das medidas deve ser muito maior e urge conhecê-lo.

Toda a redução é feita à custa dos trabalhadores. É um roubo descarado. É uma transferência direta de uma grande fatia do trabalho para o capital, num contexto em que os capitalistas pegam nos lucros que vão obtendo na economia real e colocam-nos na especulação financeira. Não reinvestem e estão-se borrifando para a necessidade de criação de emprego e para a existência e estabilidade do geral das pequenas e médias empresas. Desiludam-se os empresários destas se pensam que o "novo" Código lhes traz a oportunidade de futuro.

Centrando a "criação" de emprego na gestão de curto prazo de "novas iniciativas" assentes em trabalho precário e barato sem qualquer sustentação estratégica, e em programas de mera propaganda como o "impulso jovem", o "vida ativa", ou o "passaporte emprego", o modelo de desenvolvimento do país, já muito debilitado, cairá a pique. O desemprego em massa e o trabalho barato são inimigos da modernização das empresas e da inovação tecnológica.

O ataque à contratação coletiva é brutal. Governo, especuladores e grandes acionistas de grupos económicos e financeiros sonham destruir definitivamente a contratação coletiva, que foi o instrumento mais revolucionário da evolução institucional das relações de trabalho desde o final da 1.ª Guerra Mundial e o que mais contribuiu para melhorar a distribuição da riqueza.

O poder dos trabalhadores e dos sindicatos está a ser destruído. Sendo o lugar do trabalho central, isto significa que todo o equilíbrio de poderes na sociedade se está a desmoronar. A "questão social" fica prenhe de contradições e de potencial de conflito e acabará, inevitavelmente, por explodir.

Essa explosão pode causar sofrimentos e recuos civilizacionais inimagináveis se não formos capazes de travar a contra-revolução."

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Encolher, degradar, dualizar

Texto de Nuno Serra , Sociólogo, hoje publicado no Diário Económico sobre as opções neoliberais do governo no que respeita a educação.

" De uma forma gradual, por vezes quase imperceptível, o ministro Nuno Crato está a levar a cabo uma transformação profunda do sistema educativo.
Trata-se de uma estratégia que articula três eixos fundamentais: encolher a oferta estatal; subtrair recursos indispensáveis a um ensino de qualidade e proceder a uma dualização da escola pública.
O objectivo último desta transformação parece ser claro: criar condições que favoreçam a expansão da oferta educativa privada, cedendo-lhe progressivamente o espaço desocupado pela erosão, delapidação e desqualificação da rede pública de ensino. Pelo caminho, o ministro de um partido que ainda ousa designar-se como social-democrata, desfere um golpe violentíssimo naquela que é uma das funções primordiais dos sistemas educativos próprios de sociedades democráticas: garantir a todos igualdade de oportunidades, criando e favorecendo condições de ascensão económica e social a grupos mais desfavorecidos.
Só ao arrepio deste princípio se pode compreender, de facto, a sucessão das medidas já tomadas e o anúncio gradual das que se pretendem implementar. Para além dos cortes orçamentais (muito para lá da ‘troika') e do encerramento consecutivo de escolas, desprovido de fundamentos pedagógicos credíveis e cujos impactos territoriais se negligenciam, a contracção da rede pública de educação assenta numa redução substantiva do número de docentes (através da supressão de ofertas curriculares e do aumento do número de alunos por turma), num país em que os persistentes défices de escolarização e qualificação impedem qualquer comparação com os seus congéneres europeus.
Simultaneamente, abrem-se as portas à possibilidade de as escolas poderem vir a contratar de forma directa os professores e insinua-se no horizonte a implementação generalizada do famoso "cheque-ensino", embalado na perversa ficção do "direito de escolha do estabelecimento escolar" por parte dos alunos e seus encarregados de educação. A par do reforço da margem de autonomia das escolas para constituir turmas homogéneas (agregando os alunos em função dos resultados escolares obtidos), estas opções enformam no seu conjunto as bases de uma espiral de dualização e divergência no seio da rede pública de educação. As melhores escolas passarão a ser ainda melhores e as que enfrentam mais dificuldades (que reflectem essencialmente os meios socio-económicos em que se inserem) são deixadas à sua sorte.
Os impactos socio-espaciais destes processos de contracção, degradação e dualização da escola pública são evidentes, permitindo antever um aprofundamento dramático das desigualdades de acesso e sucesso escolar. Estamos a recuar décadas, às mãos de um Governo que é o primeiro, no Portugal democrático, a considerar que a escola não é, afinal, para todos."

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Serviço Nacional de Saude

Dois textos hoje publicados sobre o SNS

"Para onde vai o SNS?"
José Manuel Silva
Bastonário da Ordem dos Médicos
Correio da Manhã

"Um estudo revelou que 42% dos portugueses não conseguem pagar as despesas de Saúde e 36% admitiram que deixaram de comprar medicamentos por motivos financeiros.

A morte de um homem à porta do CS de Castanheira de Pêra, pouco depois do seu fecho,às 18 horas, alerta para os riscos do afastamento dos recursos de Saúde da população.

Não é possível empobrecer a população e transferir mais custos da Saúde para os doentes. A contribuição pública para a Saúde, em Portugal, em 2009, já era apenas de 65%, muito abaixo da média da OCDE.

O Ministério da Saúde tem de perceber que a Saúde dos portugueses não suporta mais cortes para além da poupança que possa gerar uma gestão bem rigorosa.

Por isso, não se compreende como o Ministro da Saúde não despede os administradores que nomeiam familiares para as instituições sob sua jurisdição, assim como não se compreende que nomeie para gestores dos ACES do Norte boys partidários sem qualquer experiência na Saúde.

Afinal, nada mudou."


"E agora, desiste-se?"
Ana Matos Pires
Médica Psiquiatra
Diário Económico

"A reforma da saúde de 1971, o 25 de Abril e a Constituição de 1976 foram pilares fundamentais para a criação do SNS, formalizado pela Lei 56/79, que estabelece o direito de todos os cidadãos a um sistema de saúde universal, geral e tendencialmente gratuito.

Vale a pena olhar para os dados existentes e perceber que muitas das "verdades inquestionáveis" sobre gastos, eficácia e eficiência do SNS não passam de mitos não sustentados pela realidade. Entre 1960 e 2009, a mortalidade infantil passou de 29‰ para 3‰, valor inferior à média da OCDE (4,4 ‰). Nas últimas décadas Portugal foi o país da OCDE que mais melhorou neste indicador, com uma média de redução anual de 6,8% (média da OCDE, 4,5%). Quanto à esperança média de vida, passou de 63,9 para 79,5 anos, atingido a média da OCDE.

Num estudo sobre eficiência dos sistemas de saúde, Portugal apresenta melhores indicadores de qualidade e tem menos despesa per capita que a média da OCDE, estando entre os seis países mais eficientes e em que os custos administrativos do sistema são menores em termos percentuais do custo global (abaixo dos 2%).

O crescimento da despesa em saúde não é uma singularidade portuguesa, sendo o crescimento médio anual per capita, entre 2000-2009, um dos mais baixos na OCDE (1,5% de crescimento médio anual vs. 4% de média). O país está abaixo da média em despesas de saúde per capita, quer se trate de despesa pública quer de despesa privada.

Os indicadores de saúde são públicos, sendo real a sua melhoria consistente aos longo das últimas décadas, associada a uma combinação de factores: a melhoria das condições de vida, da tecnologia e das terapêuticas e a generalização dos cuidados de saúde à população. A melhor prestação dos cuidados médicos contribuiu para esse resultado, feito à custa do investimento na formação e no desenvolvimento de um trabalho consertado multidisciplinar, assente em equipas sólidas e avaliações do desempenho. Não deixar cair o que já se conseguiu e não pactuar com a criação de um sistema de saúde de 2ª são, a par da defesa da qualidade da formação, da dignidade do trabalho e do aumento da eficácia, os fundamentos da mudança.

Outros dois aspectos que têm sido demagogicamente defendidos dizem respeito à defesa do implemento na concorrência entre público e privado como factor de poupança e do pagamento diferencial dos actos médicos na altura do acesso de acordo com os rendimentos. A ideia de que a concorrência seria mais favorável que a complementaridade assenta no mito de que os dois sectores têm os mesmos direitos e obrigações, o que é falso. A outra falsa questão determina uma perda da equidade e perverte o princípio da universalidade do serviço, estigmatizando a desigualdade: os mais ricos já pagam mais no acesso à saúde através dos impostos."

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

ESTOU FARTO, SR. PRIMEIRO-MINISTRO

Carta aberta a Passos Coelho de um votante do CDS.
Transcrição de uma carta de indignação que circula na internet.

"Sr. Primeiro-Ministro,

V. Exª não me conhece.
1 - Sou trabalhador do Estado, a minha esposa é enfermeira, tenho 2 filhos pequenos, não sou rico, vivo do meu vencimento (consecutivamente cortado de mil e uma maneiras) com o qual pago a prestação de uma casa simples (até aos 70 anos de idade), com imenso esforço, a prestação da minha viatura comprada em “leasing” a 10 anos, porque o dinheiro não dá para mais - na esperança de o poder pagar mais cedo - (para me poder deslocar para o trabalho que sempre foi longe de casa).
Não tenho bens patrimoniais nem heranças.
Procuro ser honesto, correcto, honrar os meus compromissos, de acordo com os meus valores ético-morais que adoptei, não só dos meus pais como também da Instituição que sirvo: os valores da honra, da dignidade.

2 - Dirijo-me a V. Exª na minha condição de cidadão português e de eleitor.
Após os descalabros sucessivos dos anteriores governos, acreditei em si, V. Exª inspirava-me confiança, parecia uma lufada de ar fresco neste terreno pantanoso em que se transformou o Portugal político-partidário.
Votei no seu colega de coligação no CDS, pois tinha a percepção de que os partidos políticos não teriam maturidade para terem maiorias (de acordo com o corrido no passado quer com o PSD, quer com o PS).
Sinto-me profundamente enganado, quer pelo Sr. Primeiro-Ministro, quer pelo Sr. Paulo Portas.
Explico porquê!

3 - Tenho 50 anos de idade, filhos para criar e já não tenho idade para ser enganado.
V. Exª mentiu-me (e eu acreditei), quando antes da campanha eleitoral garantiu, numa escola, que retirar os subsídios de férias e de Natal era um disparate e mera propaganda do partido adversário.
O Sr. Paulo Portas mentiu-me (e eu acreditei), quando foi fazer campanha eleitoral para um bomba de gasolina na fronteira com Espanha, dizendo que o que se passava em Portugal em matéria de preços dos combustíveis era um escândalo, e que resolveria o problema mal chegasse ao governo.
V. Exª disse que os sacrifícios seriam iguais para todos, que lutaria por justiça e equidade (e eu acreditei). Disse que a honestidade, a correcção, os valores pátrios, ético-morais, seriam um paradigma do seu futuro governo (e eu acreditei).
V. Exª prometeu transparência (e eu acreditei), veja-se o caso Miguel Relvas, o caso Ana Moura, por exemplo.
Fui enganado, sinto-me enganado e a réstia de esperança que tinha em muito poucos políticos desapareceu.
O aforismo popular de que “são todos iguais” deixou de ser mera conjectura subjectiva: tornou-se um facto de difícil discussão.

4 – Estou farto, Sr. Primeiro-Ministro, que me falem de sacrifícios, de equidade, quando o Sr. Ministro da Solidariedade Social trocou uma vespa por um bólide caríssimo, no qual afronta a pobreza em que estamos.
Estou farto, Sr. Primeiro-Ministro, quando tenho um incentivo fiscal de 250€ para 2013, e para o ter tenho de gastar mais do que o meu vencimento, sendo tratado não como um cidadão mas como um mentecapto.
Estou farto, Sr. Primeiro-Ministro, que me fale de transparência, quando o seu braço direito, o Sr. Relvas, teve o caso que teve com o jornal Público, foi denunciado publicamente num canal de TV por Helena Roseta de a ter aliciado para favorecer uma empresa onde na altura V. Exª era o responsável, tem um curso que envergonha o país (apesar de legal, segundo dizem), e mentiu no caso das secretas no parlamento, segundo referem os “media”.
V. Exª é conivente, ao manter a confiança política num político que não inspira confiança.
Estou farto, Sr. Primeiro-Ministro, que me falem de igualdade, de equidade, de justiça, quando a classe política não dá o exemplo de austeridade ao povo, aliás, contrariamente, faz o oposto, em carros de luxo, menus de luxo a preço de cantina na Assembleia da República, aumentos encapotados sob a forma de ajudas de custo e / ou despesas de representação.
Estou farto, Sr. Primeiro-Ministro, que me mintam.
Há tempos o Sr. Ministro da Administração Interna referiu, pelo menos por duas vezes, que era preciso dizer ao povo que o plano da troika não visava o crescimento mas apenas a correcção da despesa. No entanto, o discurso inverso, de que este caminho de austeridade louca visa o crescimento, continua a ser injectado por V. Exª.
Estou farto, Sr Primeiro-Ministro, de maus exemplos por parte de quem deveria dar bons exemplos. Refiro-me em concreto às duas principais figuras do Estado português (a 2ª figura foi escolhida por V. Exª), que exercendo cargos de alta responsabilidade dispensaram os respectivos ordenados para auferirem chorudas reformas (mais de 7 mil euros por 10 anos de trabalho, a Srª Assunção Esteves).
Estou farto, Sr. Primeiro-Ministro, que me digam que tudo isto é dentro da Lei (que os senhores elaboram ao longo dos anos, para que possam fazer o que bem entendem).
Estou farto, Sr. Primeiro-ministro, dos ordenados escandalosos dos gestores públicos, enquanto V. Exª vai cortando o pouco que cada português da classe média, e por aí abaixo, auferem ao fim do mês.
Estou farto Sr. Primeiro-Ministro de ver inúmeros “especialistas” no governo de V. Exª, na casa dos 20 anos, a auferirem ordenados equivalentes, por exemplo, a um General em fim de carreira.
Estou farto, Sr. Primeiro-Ministro, que alterem as leis de acordo com os vossos interesses (refiro-me ao subsídio de férias e de Natal), quando ao que consta tal nem sequer foi imposto pela troika, e estava estatuído desde o tempo de Sá Carneiro (que falta fazem homens da sua fibra) que esses subsídios são inalienáveis e impenhoráveis.
Estou farto, Sr. Primeiro-Ministro, de haver leis para uns e leis para outros conforme as conveniências do momento.
Estou farto, Sr. Primeiro-Ministro, que me digam que tudo isto é inevitável pois sabe melhor que eu que não é.
O Sr. Miguel Cadilhe sugeriu há dias que se taxasse 4% sobre a riqueza líquida, numa única vez para amortizar a dívida pública.
Porque não o faz V. EXª? De quem tem medo? Porque insiste em massacrar o povo português quando tem esta hipótese? Ou será que o Sr. Miguel Cadilhe alucinou (não acredito)?

5 – Da minha parte, e embora tenha votado no projecto comum PSD / CDS, não me revejo nesta teimosia de, alucinadamente, ir atrás de um número para o défice, nem que para isso o país morra de fome.
Como cidadão e eleitor, não votei nos senhores para fazerem isto, mas sim para fazerem o que prometeram.
Uma vez que me sinto enganado, não reconheço legitimidade democrática a este governo, pois quem o elegeu, fê-lo partindo dos pressupostos prometidos na campanha eleitoral, e não no tratamento desigual que estão a ter para com os cidadãos.

6 - É simplesmente execrável:
Que haja cidadãos de 1ª e cidadãos de 2ª;
Que a uns tenha sido cortado o vencimento e a outros não;
Que a uns tenham sido cortados os subsídios de férias e de Natal e a outros não;
Que uns tenham um determinado tratamento e haja regime de excepção para outros;
Que as classes mais favorecidas sejam poupadas em detrimento dos menos favorecidos;
Que eu tenha de andar a pagar os desmandos das entidades bancárias;
Que estas entidades não contribuam para o esforço nacional;
Que se mantenham inúmeros Institutos, quando foi prometido acabar com a maioria deles, observatórios, e outras instituições redundantes que por aí abundam.
É preciso coragem para servir o povo!

José Lucas
BI 7849415
jcmlucas@gmail.com
19 Julho 2012

PS – Ouvi na TV, V. Exª dizer que iria tirar uma semana de férias.
Eu não vou poder, mesmo pertencendo à ex-classe média, porque V. Exª tirou-me o subsídio de férias depois de estar no governo (após prometer não o fazer antes de estar no governo). Ficaria muito grato se V. Exª pudesse levar os meus filhos de 9 e 12 anos, com a família de V. Exª, para que possam usufruir de um pouco de praia.
Tenho outro problema: ainda não sei como vou comprar os livros para o próximo ano lectivo, mas isso é outra história, mais lá para diante…"