DERRUBAR O GOVERNO É OBRIGAÇÃO PATRIÓTICA

O inutil Cavaco Silva deu carta branca ao atrasado mental Passos Coelho para continuar a destruir Portugal e reduzir os portugueses a escravos da ganância dos donos do dinheiro.
Um governo cuja missão é roubar recursos e dinheiro às pessoas, às empresas, ao país em geral, para os entregar de mão beijada aos bancos e aos especuladores é um governo que não defende o interesse nacional e, por isso, tem de ser corrido o mais depressa possivel.
Se de Cavaco nada podemos esperar, resta a luta directa para o conseguirmos.
Na rua, nas empresas, nas redes sociais, há que fomentar a revolta, a rebelião, a desobediência, mostrar bem que o povo está contra Passos Coelho, Portas e os outros imbecis que o acompanham e tudo fazer para ajudar à sua queda.
REVOLTEM-SE!
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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Deus guarde os nossos políticos!

Texto de Saragoça da Matta, advogado, hoje publicado no jornal "i-online".

O devotado e benfazejo Político nutre tanto amor pelos irmãos que, sacrificando-se, se mantém o máximo de anos possível a ocupar os cargos que tão penosamente o castigam
Deus guarde os nossos políticos!

É que ser político é uma vida dura de sacrifícios e disponibilidade total ao bem estar dos concidadãos. Político não tem vida própria. Tudo é sacrifício, suor e lágrimas em favor da colectividade. São noites não dormidas para participar em intermináveis reuniões partidárias, para garantir que elimina todo e qualquer concorrente interno que lhe faça frente no propósito de servir o Povo. São as campanhas eleitorais, em que tem de estar de cara alegre para espalhar a boa-nova da cartilha partidária junto dos infiéis. Tudo para nossa felicidade. São as visitas eleitorais às cresces, às escolas, aos mercados e feiras, são os comícios e arruadas, tudo em prol do Povo.

Deus sabe o que sofre um político, tudo para nosso bem e da Nação.

E os sacrifícios a que o Político se sujeita na sua vida privada? Coitado! Ao invés dos concidadãos, não consegue constituir uma família normal, em que os Pais ajudam os filhos com os trabalhos de casa, vão às reuniões na escola, os levam ao judo e ao piano. Os filhos do Político são abandonados ainda antes, ou logo depois, de nascer, para que o progenitor possa dar tudo o que tem em nosso benefício. Para cuidar da coisa pública o Político nem vê os filhos crescer, gozo último da paternidade. O Político não acompanha os primeiros passos dos rebentos e dificilmente está presente nas récitas de flauta ou de ballet dos petizes. As reuniões dos núcleos, das concelhias e secções, das distritais e nacionais, consomem-no.

Os estudos e a profissão do político são as suas filhas enjeitadas. Dedicado à exigente vida partidária ou ao jugo que lhe é imposto pelos cargos públicos (para que tenhamos vida), o Político tem de fazer formação "expressa". Daí que tenha de obter o merecido grau académico fora de horas e sem estudar as matérias exigidas pelos curricula. Bem queria poder estudar, como os demais. Mas, por nós, sacrifica o direito a dominar a arte, a ciência e a técnica. Basta-lhe o título. O mesmo quanto à profissão. Como tudo dá para que os concidadãos tenham uma vida realizada, lá sofre as agruras de ter de renunciar à carreira. Quando entra para a política, saiba ou não fazer alguma coisa, nunca mais cessa a oblação de si mesmo em prol do todo. Qual voto religioso, passa a servir apenas um Senhor: o bem dos portugueses. Seja médico, juiz, advogado, jornalista, gestor, por nós prescinde da própria vida, para suportar o sacrificado ofício de zelar pela coisa pública.

O altruísmo do Político vai ao ponto de, apesar de todos os sacrifícios, nos impedir de o aliviarmos do fardo que carrega: o devotado e benfazejo Político nutre tanto amor pelos irmãos que, sacrificando-se, se mantém o máximo de anos possível a ocupar os cargos que tão penosamente o castigam. É por nós, só por nós, que é deputado, presidente de câmara, presidente de junta, 20, 30 ou 40 anos. Mesmo reformado, insiste em servir. E quando não consegue servir-nos num cargo, assume devotadamente outro. Nos poderes públicos ou nas empresas deles dependentes. A entrega é tanta que até contra a Lei luta, para poder manter-se no sagrado ofício. E ainda há quem tenha coragem de dizer mal do Político. Que blasfémia!

terça-feira, 9 de julho de 2013

Bandos

Texto de Paulo Morais, Professor Universitário, hoje publicado no "Correio da Manhã"
 
A crise política mais recente, provocada pela pseudodemissão de Paulo Portas, agitou os diversos grupos e fações que se digladiam no seio dos vários partidos do arco do poder.

No PSD, os elitistas, próximos de Cavaco, querem eleições legislativas no imediato. Arredados do poder pelo passismo, estão saudosos do acesso aos lugares de topo da administração pública, a que sempre estiveram habituados. Este grupo, liderado por Ferreira Leite, Rui Rio ou Pacheco Pereira, quer substituir Passos Coelho na liderança do partido, mesmo antes de eleições antecipadas. Neste cenário, terão até como aliados os caciques do aparelho mais cavernícola, os detentores dos sindicatos de voto interno. Os dirigentes ligados ao poder autárquico, que aclamaram Passos, serão os primeiros a despedi-lo. Pois não quererão ir a sufrágio nas eleições locais ligados à imagem do primeiro-ministro, à sua impopularidade e aos seus fracassos governativos. 

Já no Partido Socialista, é o setor mais basista que quer a antecipação de eleições. O aparelho socialista de Seguro sabe que o equilíbrio interno é frágil e que os socratistas espreitam a primeira brecha para recuperarem o poder. Os herdeiros de Sócrates são hoje – pasme-se! – a elite socialista. Representam as ligações aos grandes negócios e à Banca, com quem o PS viveu em conúbio durante os governos de Sócrates. António Costa, Francisco Assis ou Vieira da Silva não querem eleições para já. São os melhores aliados de Passos Coelho.

Neste xadrez, o CDS hesita. O aliado de Portas será conjunturalmente Passos, num cenário de continuidade da coligação. Mas Seguro também será um bom parceiro, em caso de eleições antecipadas. Depende de quem der mais. O dilema do CDS está entre jogar pelo seguro e manter o enorme poder adquirido. Ou provocar a antecipação de eleições, apoiando Seguro... e arriscar um desaire eleitoral.

Todas estas fações partidárias desprezam os cidadãos que representam. Não passam afinal de bandos de assalto ao poder, que se organizam para aceder a negócios proporcionados pelo estado ou a cargos na administração. Como diria Bordalo Pinheiro, transformaram "a política numa porca em que todos querem mamar".

A democracia põe em causa a nossa credibilidade

Texto de Daniel Oliveira, publicado no seu blogue "Antes pelo contrário" no "Expresso" 

Quando Pedro Passos Coelho, Paulo Portas e Cavaco Silva entraram no Mosteiro dos Jerónimos, para a missa do novo cardeal patriarca, toda a fina flor do regime aplaudiu, entusiasmada, os salvadores da estabilidade política. Depois da mais desenvergonhada palhaçada, eles fizeram-se de novo amigos, trocaram ministros e ministérios, pequenos poderes e vaidades, e impediram a pior das tragédias: eleições. A coisa manteve-se, como se deve manter, entre pessoas civilizadas. Porque, já se sabe, eleições obrigam a eleitoralismo, o eleitoralismo leva ao populismo e o populismo leva a escolhas erradas. Ou seja, as eleições são, em qualquer democracia decente, um problema a evitar. Fazem-se, quanto muito, na data marcada para manter as aparências.

A opinião mediática condicionou, através da chantagem e do medo, qualquer decisão que pudesse levar a eleições. Tudo devia ficar como se nada tivesse acontecido. Para além da manutenção de um governo que já ninguém respeita, todas as possibilidades foram postas em cima da mesa: cozinhava-se um governo qualquer, juntavam-se os três partidos responsáveis (responsabilíssimos, como temos visto), mudava-se a liderança do PSD ou do CDS, arranjava-se alguém que estivesse disposto a governar sem o apoio da opinião pública, fazia-se um governo minoritário que estivesse em queda iminente desde do dia da tomada de posse, escolhia-se um governo de Salvação Nacional que, como é evidente, não iria salvar coisa nenhuma. Desde que se evitasse a participação da turba, sempre muito perturbadora da "estabilidade política" e dos mercados, tudo, por pior que fosse, seria aceitável. Muitos dos que o defenderam não pensaram o mesmo nas vésperas de se assinar o memorando da troika, percebendo-se que o valor da estabilidade depende, em muitos casos, de quem tenha a maioria no momento. 

Os argumentos para a não realização de eleições foram três: a nossa credibilidade junto da troika, a nossa imagem junto dos mercados e a ausência de qualquer solução estável depois das eleições. Vou ignorar aqui, por decoro, o argumento do preço das eleições. Porque descer a este nível é conspurcar o debate político. 

Quando à credibilidade junto da troika (da Alemanha), tenho uma novidade: nenhuma solução que não passe pelo que Vítor Gaspar fez nos dois últimos anos, com os resultados que teve para a nossa economia, tem credibilidade junto da troika. E nem isso chega. Quando tudo se mostrar inútil a troika dirá, como já começou a dizer, que Portugal não está a cumprir. Penso que o guião da Grécia é suficientemente conhecido para não termos ilusões. 

A democracia nos países periféricos não tem credibilidade junto da Comissão Europeia, BCE e FMI. Se quisermos realmente agradar-lhes suspendemos todos os atos democráticos, incluindo as eleições, obrigamos os três partidos a assinar um acordo inviolável e vitalício em torno de tudo o que está decidido e extinguimos o Tribunal Constitucional e o Estado de Direito. E, mesmo assim, será dito, no fim de tudo, que fomos nós que não fizemos as coisas como deve ser. Porque, insisto no que escrevo há dois anos, o objetivo deste "resgate" não é, nunca foi, salvar Portugal. É, sempre foi, sacar o máximo possível do que devemos para depois abandonar a carcaça na beira da estrada. A Europa é, nos dias que correm, esta selva. E ser "credível" é aceitar morrer sem resistir. 

Tudo o que façamos para resolver os nossos problemas enfurecerá a troika. Que, como fez na semana passada com o dinheiro que virá com a 8ª avaliação, fará a mais descarada das chantagens à mínima tentativa de restaurar a normalidade democrática no País. Ou queremos sair desta crise e vivemos com os riscos que isso implica ou aceitamos morrer calados. É a escolha que temos pela frente. Uma escolha que chegou a este limite: há quem, fora de Portugal, pense que nos pode impedir de exercer os direitos democráticos e nós achamos normal que isso seja sequer uma posição a ter em conta. Se a tivermos em conta seremos obrigados a reconhecer que a existência de Portugal, como Estado soberano, é uma anedota. E mais vale acabar de uma vez por todas com esta Nação. Porque um País que julga que a independência não comporta enormes perigos não merece essa independência. 

Quanto aos mercados, respondi na última sexta-feira  e mais nada há dizer. Basta, aliás, ver como a "tragédia económica e financeira irrecuperável" que teríamos vivido a semana passada, deixou de ser assunto para especialistas, comentadores e políticos para perceber a função que realmente cumpriu a histeria que foi lançada. O aumento dos juros da nossa dívida (que não estamos a pagar) e as gigantescas perdas para as empresas portuguesas (que não aconteceram) desapareceram, de um dia para o outro, do debate público. Devemos estar a nadar em dinheiro para tamanha hecatombe já não preocupar ninguém. Ou, mais provável, a hecatombe não aconteceu.

Quanto à solução política que sairia das próximas eleições, só por humor negro, depois daquilo a que assistimos na semana passada, alguém pode falar de estabilidade e credibilidade. Não há soluções política estáveis e, em simultâneo, democráticas, na atual situação social e económica. Porque este "ajustamento" é incompatível com a democracia. Nunca houve estabilidade política com instabilidade social. É dos livros. E nenhum governo, enquanto isto durar, terá uma esperança de vida muito longa. A questão é saber se, dentro da instabilidade que é estrutural a esta crise, Portugal tem quem represente um pouco melhor (mesmo que mal) os sentimentos do País. A começar por não ter a dirigir o governo a única pessoa que ainda acredita que a loucura imposta pela troika é a saída para esta crise. A democracia é isso mesmo: garantir, o melhor possível, a representatividade da vontade popular. Não é um arranjo onde os cidadãos são um "problema" que podemos ignorar. 

Podemos continuar a brincar com o fogo. Podemos continuar à procura de atalhos para adiar a clarificação política. Até as eleições chegarem, haver um terramoto eleitoral que não deixe pedra sobre pedra no nosso sistema partidário. Até poderia ser bom, mas acho que os arautos da "estabilidade política" (aqueles que, como Marques Guedes, a consideram "um valor em sim mesmo") não têm razões para se entusiasmar com este cenário. E podemos continuar eternamente a achar que se pode governar sem dar grande importância à opinião dos cidadãos, meros destinatários passivos de inevitabilidades. Até ser mais difícil encontrar um português que acredite na democracia do que um governante que junte a coragem à competência. 

Que a troika se esteja nas tintas para a viabilidade da nossa economia e da nossa democracia não me espanta. Eles não vivem aqui. Não terão de conviver com o Inferno político e social que andam a alimentar. Eles não são eleitos. Não terão de pagar o preço dos seus disparates. Que políticos, comentadores e jornalistas portugueses julguem que se pode levar a degradação da democracia e das condições sociais de vida muito para lá do limite do que é sustentável é que me espanta. Julgarão que estarão a salvo das suas consequências? Não estão. Quando surgirem os populistas salvadores da Pátria, prontos para "limpar" o País e "regenerar" a política, podem esquecer a liberdade de imprensa, as eleições e a fiscalização do poder. Quando isto acontecer, estes cúmplices da destruição da democracia, que desprezam o que lhes permite exercer as suas funções em liberdade, apenas estarão a colher os frutos que semearam. 

As coisas vão correr bem se houver eleições? Não. Como não vão correr bem se elas não existirem. E, em qualquer um dos casos, haverá, com este ou com outro nome, um segundo "resgate". Basta olhar para os números das finanças e da economia, mesmo ignorando todo o contexto político, para o saber. A vantagem das eleições é só esta: ter no governo alguém que, governando bem ou mal (não sei que governo sairá do sufrágio popular), ainda represente algum português. Em democracia, isso faz alguma diferença. Ou não?

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Carta aberta aos lideres dos partidos de esquerda

Caros
António José Seguro
Catarina Martins
Heloísa Apolónia
João Semedo
Jerónimo de Sousa


Lisboa, 3 de Julho de 2013


Não sou ninguém de especial, apenas um cidadão anónimo que ama Portugal e quer o melhor para o país e para os portugueses e por isso vos escrevo esta carta aberta, crente de manifestar os desejos da maior parte do nosso povo.

O governo de Passos Coelho e Paulo Portas chegou ao fim!
No momento em que escrevo estas linhas sabe-se que esse governo já está morto mas, apenas por negação do incompetente 1º Ministro e do inutil Cavaco Silva, ainda não está enterrrado.

Bom ou mau, incompetente ou não, patriota ou traidor, nada disso interessa agora mas a verdade é que um governo que condenava um povo à pobreza, que extorquia tudo o que podia aos cidadãos para entregar de mão beijada à ganância dos bancos e dos credores, certamente que não podia continuar a gerir os destinos do país, país esse que também tentou vender a retalho a qualquer grupo económico estrangeiro que acenasse com um maço de notas.

Agora há que ir a eleições de onde se espera que saia um governo capaz de representar e, sobretudo, DEFENDER o povo e por isso vos escrevo esta carta com um pedido simples:

ENTENDAM-SE, POR FAVOR!

É sabido que, somadas, as votações esperadas nos vossos partidos são suficientes para assegurar uma maioria e um governo de esquerda mas, para isso, é necessário que cheguem primeiro a uma plataforma realista de entendimento. Neste caso o todo é mesmo superior à soma das partes.

Catarina Martins, Heloísa Apolónia, João Semedo, Jerónimo de Sousa, acham mesmo que é possivel rasgar, pura e simplesmente, o acordo com a troika?
António José Seguro, quer repetir o que fez Passos Coelho e seguir esse acordo à risca sabendo que está a condenar o país e o povo à miséria?

Cheguem a um entendimento simples, algo do género "Já que não se pode rasgar vamos renegociar e EXIGIR condições diferentes para permitir o desenvolvimento económico, baixar o desemprego e promover a justiça social". O pagar da divida fica para depois, para quando fôr possivel andar na rua sem deparar esquina a esquina com situações degradantes de  pobreza extrema.

Será exigir muito de vós? Não me parece!
Os credores agiotas não aceitam? Ai, aceitam, aceitam, se quiserem voltar a ver a parte legitima do que emprestaram!

O grande esforço de concertação vai ser de António José Seguro por duas razões:
Primeiro por ser o lider do PS, o maior partido e que ainda sonha em alcançar maioria absoluta. Depois por, tendo sido este ano convidado do clube Bildberg, poder cair na tentação de se entregar nas mãos dos donos do dinheiro e continuar uma politica anti-social de destruição do país. Eu e, estou certo, o resto do povo, pedimos-lhe para resistir à tentação e não o fazer.
Já agora, por favor, mande os Canas, os Lacões, os Lellos e outros que tais para os rodapés das páginas da história do PS e não os volte a chamar à ribalta porque não os queremos.

Os cidadãos portugueses esperam que os vossos partidos cheguem a um entendimento e que formem um governo democrático que os represente e defenda, um governo verdadeiramente do povo, pelo povo, para o povo.

Um governo em que ninguém se espantaria de ver António José Seguro como Primeiro Ministro e, por exemplo, Jerónimo de Sousa como Ministro do Trabalho, Honório Novo como Ministro das Finanças,  João Semedo como Ministro da Saude, Catarina Martins como Ministra da Cultura e Heloísa Apolónia como Ministra do Ambiente.

Esqueçam a luta partidária, ponham os interesses do país à frente dos interesses dos vossos partidos e ENTENDAM-SE!

Façam um acordo pré-eleitoral, divulgem-no, façam uma campanha eleitoral honesta centrada na resolução dos problemas e verão que Portugal e os portugueses saberão recompensar o vosso compromisso.

Para o bem de Portugal

Um cidadão anónimo

domingo, 23 de junho de 2013

Crimes de colarinho

Texto de Armando Esteves Pereira, Diretor-Adjunto, hoje publicado no Correio da Manhã

Uma das magistradas que julga o caso BPN considerou que a Galilei, antiga dona do banco, só mantém a atividade devido ao prejuízo de mil milhões de euros que resultaria para o Estado caso a empresa falisse.

Acrescenta a juíza que "a Galilei não passa de uma gordura do Estado para estar a mascarar as dívidas da SLN ".

Nesta triste novela do BPN, a dívida da Galilei , que enriqueceu alguns acionistas , gestores e muitos intermediários, será mais uma conta a ser paga por nós, tristes contribuintes que pagamos uma novela que até agora só teve um mau da fita, Oliveira e Costa. A forma como outros responsáveis pelo descalabro do banco, desde influentes acionistas a gestores, estão a passar pelo intervalo da chuva é inacreditável.

Mais que uma crise económica, este País sofre de um défice de honestidade de gestão da coisa pública. As derrapagens nas obras públicas e as comissões milionárias em negócios com o Estado já têm tradição. Os contratos das PPP e a engenharia dos swap só atualizaram o rol do gamanço de colarinho branco. 

Nos swap, além da ameaça de demissões, não houve ainda nenhuma sanção relevante, e os contribuintes já pagaram mil milhões de euros. Nisto tudo, convém repetir que ainda ninguém foi preso.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Corrupção sem rasto

Texto de Manuel Catarino, Redator Principal, hoje publicado no Correio da Manhã

O País está desfeito por décadas de corrupção. Com a complacência da Justiça. 

À exceção de caridosos alertas do Tribunal de Contas, envergonhadas iniciativas do Ministério Público e piedosas declarações políticas, nada de grande utilidade foi feito para travar o enriquecimento ilícito de uns tantos à custa de nós todos. O drama começou a sério por meados dos anos 80. Nunca mais parou. Até hoje. 

Nenhuma das grandes obras públicas foi concluída pelo preço previsto. Nem uma. Da primeira à última autoestrada, do Centro Cultural de Belém à Expo, da Ponte Vasco da Gama aos estádios de futebol – todas custaram ao erário público centenas de milhões a mais. 

Apesar das suspeitas de corrupção, negligência, gestão danosa – nem um inquérito, nem uma acusação, nem um julgamento. Tanto os negócios ruinosos para o Estado continuaram impunes – que os artistas aprimoram a técnica: as parcerias público-privadas. Bancos e grandes construtoras voltaram a ganhar centenas de milhões – dinheiro que o País perdeu, razão por que está como bem sabemos.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Contratos impunes

Texto de Armando Esteves Pereira, Diretor-Adjunto, hoje publicado no Correio da Manhã

O primeiro grande contrato PPP foi a Lusoponte, que já continha o código genético dos ruinosos negócios em que o Estado se envolveu.  

O detalhe de o ministro que entregou o chorudo lucro garantido ser posteriormente recrutado para presidente da concessionária é ilustrativo da falta de vergonha e decoro. A ideia das PPP seduziu os políticos, que faziam obra sem se preocuparem com o pagamento. 

Os bancos, as construtoras e os grandes escritórios de advogados montaram um esquema com juros usurários. Ganharam milhões à conta de um Estado fraco gerido por gente que, por corrupção ou negligência, engordou os lucros dos privados à conta dos prejuízos públicos. E ninguém foi preso.

Moralizar a gestão da coisa pública

Texto de Pedro Sousa Carvalho, Subdirector do "Diário Económico" hoje publicado nesse jornal.

Os contratos ruinosos das PPP, o buraco das contas públicas da Madeira, a imoralidade dos contratos ‘swaps'.

É só levantar o tapete e ver o lixo que esteve escondido durante o tempo das vacas gordas e que agora, pouco a pouco, estamos a descobrir. Até lixo tóxico encontramos.

Hoje em dia, com as dificuldades que as pessoas estão a passar, é quase ofensivo dizer que há um lado bom na crise. Mas há. Estamos todos mais sensíveis e mais alertas para casos de abusos, gestão danosa, demagogias ou simplesmente incompetência a gerir a coisa pública.

Ontem ficámos a conhecer o relatório preliminar da Comissão de Inquérito às PPP. Um relatório arrasador para um sem número de governantes que - por incompetência ou outro motivo qualquer que a Justiça há-de descobrir - foram cúmplices em contratos altamente lesivos para os interesses do Estado e dos contribuintes. PPP que garantiam aos privados taxas de rentabilidade de dois dígitos e que passavam o risco dos contratos para os contribuintes. Contratos que foram assinados, negociados e renegociados e que podem lesar os contribuintes em nove mil milhões de euros.

Também ontem ficámos a saber que o Estado já gastou mil milhões de euros para tapar os buracos dos contratos ‘swaps'. E se o Santander fizer finca-pé, o estrago para cofres do Estado pode chegar a 2,5 mil milhões.

Hoje estamos todos mais sensíveis para descobrir estas situações, mas isso não chega. É preciso dar o passo em frente para moralizar a política e a gestão dos bens públicos.

O que vai acontecer aos gestores das empresas públicas que fizeram contratos ‘swaps' tóxicos? São despedidos e depois amigos como dantes?

Onde pára a auditoria do Tribunal de Contas sobre as parcerias rodoviárias que encontrou ‘compensações contingentes' ou contratos paralelos nas PPP? Não tinha seguido para a PGR e para o DCIAP?

Em que gaveta da PGR pára a investigação à ocultação de dívidas públicas na Madeira que Alberto João Jardim publicamente assumiu ter escondido e que nós ainda hoje estamos a pagar?

Não basta levantar o tapete e constatar que há lixo escondido. É preciso varrer e afastar dos cargos públicos quem não sabe gerir a coisa pública. E aqui a nossa justiça tem tardado e tem falhado.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Remodelar e pagar favores a um jornalista

Texto de Daniel Oliveira, publicado no seu blogue "Antes pelo contrário" no "Expresso" 

"A remodelação a prestações continua. E esta semana foi-nos dado a conhecer o estado em que se encontra este governo. Para a secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação entrou Francisco Almeida Leite. O leitor é capaz de não conhecer a figura, mas trata-se de um ex-jornalista do "Diário de Notícias" conhecido pelos pouco discretos, muito comentados e embaraçosos fretes ao então líder da oposição Pedro Passos Coelho


A fama vinha de longe, ainda Passos fazia oposição interna a Ferreira Leite.O que levou, a 4 de Março de 2009, Pacheco Pereira referir-se a este jornalista como "especialista na intriga interna do PSD" e a integra-lo num grupo de bloggers (quase todos do DN) que frequentemente "atacam Manuela Ferreira Leite e apoiam Passos Coelho". 

Com Passos já no governo, os fretes continuaram, o que lhe valeu, há um ano, uma reprimenda do então Provedor do Leitor, por publicar informações dadas pelo governo (sobre das férias dos motoristas da Carris) sem cuidar de ouvir mais ninguém. E tendo, coisa inédita, como única fonte um "relatório interno que funciona como uma espécie de argumentário do Governo de resposta à greve" (palavras do jornalista). O moço de recados já nem disfarçava.

Não sendo este currículo jornalístico merecedor de grande orgulho, sobra o currículo político e técnico. Político? Tirando estes favores, zero. Currículo técnico para o cargo? Não se lhe conhece nenhum. A não ser ter aterrado, em junho do ano passado, pela mão de Passos Coelho, no Instituto Camões, diretamente vindo do DN. Uma queda para a política externa ou política cultural que surpreendeu todos. Talvez tivesse sido por causa da sua passagem pela "Guia TV Cabo". Sem rodriguinhos: esta subida meteórica não é mais do que um vergonhoso pagamento de favores a um jornalista pouco escrupuloso que ajudou o candidato à liderança do PSD, o candidato a primeiro-ministro e o primeiro-ministro. Ponto final, parágrafo. 

Ainda assim, esta assombrosa escolha revela três boas notícias. Primeira: o PSD respeita a independência da comunicação social. Se noutros tempos os partidos que estavam no poder punham pessoas da sua confiança no "Diário de Notícias", o PSD vai tirando de lá os seus mais fiéis amigos. Dá-lhes lugares de assessores, administradores de institutos e, para o mais dedicado, guardou um lugar de secretário de Estado. Carla Aguiar, Eva Cabral, Francisco Almeida Leite, João Baptista, Licínio Lima, Luís Naves, Maria de Lurdes Vale, Paula Cordeiro, Pedro Correia e Rudolfo Rebelo. São estes os 10 jornalistas que passaram do DN para o governo. Alguns conheço pessoalmente e até trabalhei com eles. Alguns eram, antes abandonarem a profissão, bons jornalistas e nunca fizeram favores a ninguém. Mudaram de vida e têm direito a isso. Não é, definitivamente, o caso de Francisco Almeida Leite. Esta é a segunda boa notícia: o PSD não é ingrato e lembra-se dos serviços prestados, dando os melhores lugares aos mais empenhados. 

A terceira boa notícia é que um governo que convida Francisco Almeida Leite para secretário de Estado só pode estar no fim da linha. Ou seja, está em estado de desintegração. Recordo que este lugar foi ocupado por Durão Barroso e Luís Amado. As duas figuras não me inspiram especial simpatia. Mas convenhamos que serem sucedidos por Francisco Almeida Leite é uma indecência."

terça-feira, 16 de abril de 2013

Os câmara boys

Texto de Paulo Morais, Professor universitário, hoje publicado no Correio da Manhã

"As câmaras municipais são as maiores agências de emprego do País.

A integração de "boys" partidários nos quadros de pessoal das câmaras e empresas municipais é regra e, com a aproximação da data das eleições autárquicas, adivinha-se um despautério de admissões e nomeações em catadupa. 

Esta situação é particularmente expressiva no que diz respeito aos dirigentes que, nas juventudes partidárias, organizam as campanhas eleitorais e arregimentam votos. Uma vez instalados nos seus "tachos", continuam por norma a trabalhar ao serviço dos partidos, mas remunerados à custa dos municípios. Ao longo dos últimos anos, este fenómeno agravou-se de tal forma que algumas empresas municipais mais parecem sedes partidárias dissimuladas.

Contudo, é nos municípios mais pequenos, alguns com apenas quatro ou cinco mil eleitores, que este problema se torna ainda mais grave e dramático no plano social. Nesses municípios, a obtenção de um qualquer emprego, ou a promoção numa função, depende quase exclusivamente do presidente de câmara local. Isto porque o maior empregador no concelho é a câmara; o segundo maior é, por regra, a misericórdia local ou alguma instituição de solidariedade, que atua em conúbio com o poder autárquico. Segue-se-lhes a administração central descentralizada, de forte dependência política, ou eventualmente uma empresa de média dimensão… amiga da câmara. Com esta estrutura de emprego, só o presidente de câmara e os caciques que dele dependem conseguem atribuir empregos que, em regra, beneficiam afilhados e familiares do presidente, os militantes do partido e os apaniguados das redes clientelares. Claro que a sua seleção raramente resulta do seu currículo ou das suas competências. 

Estas práticas reiteradas, nomeadamente nos pequenos concelhos do interior, consolidam, na maioria do território nacional, a ideia de que o estudo, a formação e o esforço de nada adiantam. Fazem vingar a tese de que a qualidade do desempenho é irrelevante para ocupar um qualquer cargo. A qualidade não constitui critério de escolha de colaboradores, ou de progressão nas carreiras. A estrutura de recursos humanos está invertida. O profissionalismo foi dizimado pelo clientelismo."

domingo, 14 de abril de 2013

A quadrilha dos aparelhos partidários

Texto de Henrique Monteiro hoje publicado na edição online do "Expresso".

"O aparelho do PSD não gostou da nomeação de Miguel Poiares Maduro. Não lhe interessa as competências do novo ministro, nem nada que tenha a ver com o conhecimento dos dossiês ou a dedicação ao país. Apenas se preocupa com este ponto: o novo ministro não percebe nada de PSD e vai ter o dinheiro do QREN que vem da Europa

O aparelho criticou ainda a nomeação de um secretário de Estado (António Leitão Amaro) que, sendo do PSD, não é da linha de Passos Coelho, uma vez que apoiou Paulo Rangel. Ou seja, nem o ministro nem o secretário de Estado conhecem suficientemente as subtilezas do apoio que necessita o presidente da Junta X, que traz 12 votos e meio para o Congresso, e também se torna decisivo para a eleição do presidente da Distrital Y, o qual tem sólidas esperanças de ser nomeado presidente de um Instituto, onde terá a oportunidade de trocar os favores de um QREN por uma coisa qualquer. (Isto também explica a quase unanimidade do nostálgico voto de louvor a esse grande Relvas, que nunca hesitou em pôr o partido à frente dos interesses do país).

Outro aparelho, o do PS, reelegeu António José Seguro líder do partido, ao que parece com mais de 95% dos votos. Como se vê, é falsa a existência de quaisquer divisões dentro do PS, ou nada representam aqueles que passam a vida a dizer mal do secretário-geral socialista. 

Em cada eleitorado aparelhístico há uma pequena Coreia do Norte que ama o seu grande líder.
Esta gente, estas autênticas quadrilhas têm um papel mais pernicioso na política atual que a corte tinha nas monarquias absolutas. Um desafio importante é saber como nos podemos livrar desta canga."

terça-feira, 26 de março de 2013

Reviravolta

Texto de Paulo Morais, Professor universitário, hoje publicado no Correio da Manhã

"Portugueses estão reféns de governo incompetente e não depositam qualquer esperança na oposição.

A governação de Passos Coelho falhou em toda a linha. Este já só se aguenta no poder porque não há à vista qualquer alternativa credível.

A equipa de Coelho, Portas e Gaspar, não só não conseguiu tirar o país do beco para onde Sócrates nos tinha atirado, como ainda piorou a situação. As finanças públicas estão num caos. Há milhares de empresas a fechar, o desemprego é galopante. Os mais pobres passam fome, a classe média extingue-se. A coligação PSD-CDS não reduziu a despesa com as estruturas inúteis do estado. Não se baixaram sequer as rendas das parcerias, como preconizava o memorando com a troika. 

Caminhamos para o abismo e o maior drama é que nem sequer há alternativa eleitoral. O PS é inconsistente. Seguro é feito da mesma massa de Passos e Relvas. Vindo das juventudes partidárias, não tem mundividência nem currículo. Não se lhe conhece uma ideia. Apenas se sabe que domina bem o aparelho socialista. Seguro é, afinal, um clone de Passos. 

Restaria, como opção, a hipótese de um governo de iniciativa presidencial, apadrinhado por Cavaco Silva. Mas quais seriam as políticas desse seu executivo? Provavelmente, apenas fazer chegar à governação a ala cavaquista do PSD, constituída por gente habituada a bons empregos do estado, negócios fáceis e privilégios; e que está ávida de poder. 

E quem seria o preferido de Cavaco para primeiro-ministro? Talvez Rui Rio ou Guilherme de Oliveira Martins. Mas das escolhas de Cavaco há que temer. Recorde-se que foi o atual presidente que, enquanto líder do PSD, nomeou para secretário-geral Dias Loureiro, um dos principais responsáveis pela maior burla financeira do regime, o BPN. Como primeiro-ministro, designou como líder parlamentar um atual presidiário, Duarte Lima. E já recentemente, para liderar o grupo de sua iniciativa "EPIS - empresários pela inclusão social", escolheu João Rendeiro, o responsável pela fraude do BPP. Não se pode pois confiar em quem erra tão clamorosamente em nomeações de tamanha importância.

Os portugueses estão em fim de linha, reféns de um governo incompetente, e não depositam qualquer esperança na oposição. Sabem que o Presidente é desastrado. Só com novos protagonistas poderemos sair deste atoleiro. O regime precisa de uma reviravolta."

 

O que haverá entre Miguel Relvas e Passos Coelho (e Seguro)? Um mistério da política portuguesa

Texto de João Lemos Esteves hoje publicado na edição online do "Expresso".

"1. Vamos ser claros. Duros, mas objectivos e honestos: o Governo Passos Coelho está morto. Não há hipótese de o actual executivo se revigorar ou sequer voltar a dar sinais de saúde. Estamos todos à espera da declaração de óbito do Governo Passos Coelho. O resto serve apenas para entreter ou para, mais tarde, se afirmar que tudo foi feito para que Passos Coelho cumprisse a legislatura. Até Ângelo Correia, o padrinho político de Passos Coelho, afirma que o Governo precisa de uma lufada de ar fresco. Ora, quando o próprio padrinho político de Passos Coelho alerta para problemas políticos do Governo, é porque os problemas são mesmos graves. Aliás, as declarações de Ângelo Correia fazem soar uma campainha em todos os que acompanham a política portuguesa com atenção: lembram-se quem é que foi o grande artífice da vitória Luís Filipe Menezes nas directas do PSD de 2007, contra Luís Marques Mendes? Foi precisamente Ângelo Correia. E quem é que precipitou a queda de Luís Filipe Menezes, possibilitando a ascensão de Manuela Ferreira Leite? Foi precisamente....Ângelo Correia. Ou seja, Ângelo Correia leva ao colo os candidatos que julga mais adequados e mais fortes em dado momento, exercendo uma tutela sobre eles; depois, deixa-os cair quando já estão enfraquecidos, incapazes de ser reabilitados...Eis o síndrome Ângelo Correia - síndrome de que Passos Coelho já está a sofrer.
 
2. Posto isto, pergunta-se: uma remodelação salva o Governo? A resposta é claramente negativa. Até os proponentes dessa solução, depois acrescentam que a amplitude desta remodelação seria quase total: ou seja, deveria abarcar praticamente todos os ministros...Praticamente, só o Ministro da Saúde é que se deveria manter. Mas deixemo-nos de rodeios: Passos Coelho poderia sobreviver politicamente, mantendo-se como Primeiro-ministro, após demitir todos os seus actuais Ministros? Claro que não: Passos Coelho ficaria como um Primeiro-Ministro altamente enfraquecido, liderando um Governo em que todos os Ministros achariam que mandam mais do que o próprio Passos Coelho...No fundo, seria mudar para tudo ficar na mesma. Nenhum cenário há que possa salvar o Governo Passos Coelho. 

2.1. Em segundo lugar, o cenário de uma remodelação governamental, neste momento, é uma hipótese meramente académica. Isto porque dado o estado de degradação do Governo, não há certamente nenhuma personalidade de mérito e com competências reconhecidas (e minimamente sensata!) disposto a ser liderada por um Primeiro-Ministro que já se mostrou mais do que incapaz. Ou alguém acha que alguém com talento e lucidez política aceitaria entrar num Governo que está prestes a cair? Daí que uma eventual remodelação governamental seria apenas um pretexto para Passos Coelho levar para o Governo novos "Miguéis Relvas" ou novos "José Sócrates", mais boys do partido, que seriam tão ou mais politicamente desastrosos que os que já lá estão! Portanto, a remodelação - a tão falada remodelação! - é uma não solução! Apenas isso...um devaneio ou um sonho doce, romântico de Páscoa de quem não quer ver um facto que se torna cada vez mais evidente: o Governo Passos Coelho vai passar à História muito brevemente! O interesse de Portugal assim o impõe! 

Passos Coelho matou o seu Governo para salvar Miguel Relvas! Porquê?
 
3. Chamo novamente a atenção para o caso singular (e bastante insólito) de Miguel Relvas. Como é que Passos Coelho é tão ingénuo, é tão fraco politicamente, que deixou o seu Governo ir abaixo, ser completamente desacreditado pelos portugueses só para manter o seu amigalhaço no Governo? Qual será o dirty little secret de Passos Coelho e Miguel Relvas? É assim tão forte que justifica manter Relvas, mesmo que este seja uma das causas (muito fortes) da destruição do Governo? Tudo com Miguel Relvas foi muito estranho - até a sua entrada no Governo foi algo surpreendente. Talvez um dia Passos Coelho poderá explicar...A política tem coisas muito estranhas...oh, se tem! De facto, considero que Passos Coelho deveria ser obrigado a explicar por que não demite Miguel Relvas!
 
Já reparam, no entanto, que António José Seguro nunca bate no membro mais fraco e polémico do Governo? Claro que nada tem que ver com o facto de Miguel Relvas ser o padrinho de casamento de António José Seguro... são outras razões....políticas, pois claro!"


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Uma cena falhada

Texto de Paulo Morais, Professor universitário, hoje publicado no Correio da Manhã

"Se os partidos querem candidatar os seus dinossauros autárquicos a um quarto mandato vão ter de o assumir

A descoberta de uma gralha na lei de limitação de mandatos autárquicos constitui uma cena burlesca. Ao fim de oito anos, a Presidência da República detetou a troca de um "da" por um "de", na transposição da Lei para o Diário da República. Anedótico. E grave.

Os portugueses ficam assim informados que, doravante, jamais poderão confiar na legislação publicada no Diário da República. Pode enfermar de gralhas, erros ou omissões cuja correção aparecerá apenas anos mais tarde, quando der jeito a alguém. 

Está provado que ninguém lê, corrige os diplomas ou sequer confronta a legislação aprovada com a que é efetivamente publicada. Já se sabia que o sistema tinha capacidade de interpretar as leis em função da sua conveniência; o que não se imaginaria é que ainda se entretivesse a falsificá-las. Caberá agora a Cavaco Silva esclarecer se o Diário da República é para levar a sério e informar-nos se que o que lá se lê é legislação ou distorção. 

Quanto à limitação de mandatos autárquicos propriamente dita, a confusão não poderia ser maior. Foram, nas últimas semanas, emitidas inúmeras opiniões de juristas, pareceres afinal alicerçados numa Lei que estaria inquinada por um pecado original de redação. Pecadilho que não terá preocupado os legisladores aquando da discussão da Lei e erro que afinal ninguém detetou. E que ainda por cima nem sequer pode ser corrigido. 

Já não há agora saída airosa possível. A estratégia de redução de danos para os políticos terá de passar, inevitavelmente, por uma nova discussão da legislação no Parlamento. Os partidos com representação na Assembleia da República vão ter de se assumir. 

E bom será que nem venham tentar novas interpretações. Os parlamentares não têm legitimidade para interpretar leis, pois, tendo funções legislativas, não podem imiscuir-se em funções do poder judicial; estariam dessa forma a violar o princípio da separação de poderes.

Chegou a hora da verdade para os partidos. Se querem candidatar os seus dinossauros autárquicos a um quarto mandato consecutivo vão ter de o assumir. A estratégia de querer eternizar o poder, fingindo que o querem renovar, falhou."

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A culpa é do polvo

Texto de Paulo Morais hoje publicado no Correio da Manhã.

"A ideia de que os portugueses são responsáveis pela crise, porque andaram a viver acima das suas possibilidades, é um enorme embuste. Esta mentira só é ultrapassada por uma outra. A de que não há alternativa à austeridade, apresentada como um castigo justo, face a hábitos de consumo exagerados. Colossais fraudes. Nem os portugueses merecem castigo, nem a austeridade é inevitável.

Quem viveu muito acima das suas possibilidades nas últimas décadas foi a classe política e os muitos que se alimentaram da enorme manjedoura que é o orçamento do estado. A administração central e local enxameou-se de milhares de "boys", criaram-se institutos inúteis, fundações fraudulentas e empresas municipais fantasma. A este regabofe juntou-se uma epidemia fatal que é a corrupção. Os exemplos sucederam-se. A Expo 98 transformou uma zona degradada numa nova cidade, gerou mais-valias urbanísticas milionárias, mas no final deu prejuízo. Foi ainda o Euro 2004, e a compra dos submarinos, com pagamento de luvas e corrupção provada, mas só na Alemanha. E foram as vigarices de Isaltino Morais, que nunca mais é preso. A que se juntam os casos de Duarte Lima, do BPN e do BPP, as parcerias público-privadas e mais um rol interminável de crimes que depauperaram o erário público. Todos estes negócios e privilégios concedidos a um polvo que, com os seus tentáculos, se alimenta do dinheiro do povo têm responsáveis conhecidos. E têm como consequência os sacrifícios por que hoje passamos.

Enquanto isto, os portugueses têm vivido muito abaixo do nível médio do europeu, não acima das suas possibilidades. Não devemos pois, enquanto povo, ter remorsos pelo estado das contas públicas. Devemos antes sentir raiva e exigir a eliminação dos privilégios que nos arruínam. Há que renegociar as parcerias público--privadas, rever os juros da dívida pública, extinguir organismos... Restaure-se um mínimo de seriedade e poupar-se-ão milhões. Sem penalizar os cidadãos.

Não é, assim, culpando e castigando o povo pelos erros da sua classe política que se resolve a crise. Resolve-se combatendo as suas causas, o regabofe e a corrupção. Esta sim, é a única alternativa séria à austeridade a que nos querem condenar e ao assalto fiscal que se anuncia."

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Tralha coelhista

fotos oficial
do parlamento
António José Seguro e o Partido Socialista em geral estão a pagar o preço por terem sido coniventes com as politicas desastrosas do imbecil vigarista José Sócrates e do seu governo de má memória. Calaram-se quando deviam ter falado contra, votaram quando e como lhes disseram para votar, tudo permitiram com o seu silêncio.

Hoje os partidos que apoiam o actual governo referem-se aos deputados socialistas englobando-os todos no mesmo saco de responsabilidade pelo estado a que conduziram o País, enquanto a comunicação social fala da "tralha socrática" que enche as bancadas parlamentares do PS.

Lamentavelmente a gentalha que se senta no parlamento não tem cabeça para pensar para além do que hoje lhe dizem para pensar, tal como se assiste à vergonha que se passa no seio do PSD e do CDS.

Entra pelos olhos dentro de toda a gente que a receita estúpida de austeridade cega do estúpido Passos Coelho não está a resultar e está a destruir o País e o que resta da pobre economia nacional. Toda a gente o sabe, toda a gente o vê mas, mesmo assim, os deputados PSD e CDS não se cansam de aplaudir as politicas desastrosas de Passos Coelho, Borges, Gaspar, Moedas e outros energumenos neoliberais (ou simplesmente oportunistas como relvas) que se apoderaram do aparelho partidário.
foto do Jornal de Negócios
 A mentira e a chantagem são constantes assim como é constante a arrogância de quem se julga estar "iluminado" e ser único detentor da razão e da receita que vai "salvar" Portugal e a tudo os deputados do PSD e do CDS dizem que sim e aplaudem.

Naturalmente que muitos desses deputados não perfilham nem defendem as ideias neoliberais mas nem por isso deixam de obedecer à disciplina partidária imposta por quem de momento controla o partido.

São esses deputados "Yes Prime Minister" que, dentro de um par de anos, se vão querer desmarcar e renegar as politicas incompetentes, estúpidas e cegas de Passos Coelho. São esses deputados que iráo sentir, dentro de um par de anos, a realidade a morder-lhes as canelas acusando-os de terem permitido a destruição do País. São esses deputados que, a par dos imbecis Luis Montenegro, Carlos Abreu Amorim, Luis Menezes, Francisca Almeida, Teresa Leal Coelho, Duarte Pacheco, Paulo Batista Santos e alguns outros já não se livram de passar à história como "tralha coelhista".
fotos oficias do parlamento

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Fraudes & Fundações

Texto de Paulo Morais hoje publicado no Correio da Manhã.

"As fundações públicas devem ser extintas. As fundações privadas sem recursos têm de mudar de nome. E aquelas que, embora dispondo de meios, não perseguem um fim social visível, devem perder o seu estatuto de utilidade pública. Esta verdadeira limpeza levará à eliminação de centenas destas entidades. No final, restarão apenas cinco ou seis genuínas fundações.

Uma verdadeira fundação é uma entidade cujo instituidor, dispondo de meios avultados, de um fundo, decide disponibilizá-lo à comunidade para perseguir um dado desígnio social, um qualquer benefício colectivo.

Nesta perspectiva, as fundações públicas nem sequer são fundações. São departamentos públicos travestidos, cujo estatuto lhes permite viverem de forma clandestina. Os seus directores não estão sujeitos a regras da administração pública. Podem contratar negócios sem qualquer controlo, permitem-se ainda recrutar pessoal sem concurso. Utilizam os recursos públicos em função dos seus interesses e dos seus negócios privados.

Já quanto às actuais fundações privadas, podemos dividi-las em três grupos. Temos as que pretendem alcançar um fim social útil, mas vivem maioritariamente de recursos públicos. Assim, se não dispõem de fundos próprios, serão instituições de solidariedade, associações, mas jamais fundações. Devem mudar de regime.

Há um outro grupo cujos instituidores são pessoas de muitas posses que registam os seus bens em nome de fundações particulares, mas que nada dão à sociedade. Com este esquema, ficam isentos de pagar IRC na sua actividade, os seus terrenos e prédios não pagam impostos, como o IMT e o IMI. Até alguns dos seus carros ficam isentos de pagar imposto de circulação e imposto automóvel. Estes cavalheiros conseguem assim um paraíso fiscal próprio, verdadeiras "off--shores" em território nacional. Retirem-lhes pois o estatuto de utilidade pública.

Feito este expurgo, restará um restrito grupo de entidades criadas por aqueles milionários que decidiram legar parte da sua riqueza em benefício da sociedade que os ajudou enriquecer. São os casos de Gulbenkian, Champalimaud e poucos mais. Para honrar a sua memória, há que impedir que as suas organizações sejam confundidas com pseudofundações, casas de má fama geridas por oportunistas. "

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Corrupção

Texto de Paulo Morais hoje publicado no Correio da Manhã.

"A corrupção é a principal causa da crise em que estamos mergulhados. É este fenómeno que está na origem de sucessivos negócios ruinosos, verdadeiros roubos, que conduziram ao descalabro das contas públicas. Nas últimas décadas, assistimos a um regabofe sem limite com os dinheiros públicos.

A Expo 98 transformou um perímetro industrial degradado numa zona urbanizável, gerou mais-valias urbanísticas milionárias, através da construção de hotéis, equipamentos e apartamentos de luxo. E, apesar disso, no final deu prejuízo. As acusações de corrupção foram tíbias e até hoje ninguém foi condenado. Mas foi assim também o Euro 2004, cujos estádios tiveram derrapagens de custo colossais. Também aqui o processo Apito Dourado borregou e a culpa morreu solteira. E foi ainda a compra dos submarinos, com pagamento de luvas a portugueses. A corrupção foi provada na Alemanha, os corruptores foram julgados e presos. Em Portugal, o Ministério Público não sabe de nada.
Mas os exemplos não acabam nunca. Nos últimos anos, os mais criminosos de todos os negócios públicos são os contratos de parceiras público-privadas (PPP), nomeadamente as rodoviárias. Através deste modelo de negócio, garantem-se aos privados rentabilidades de capital superiores a 17%, haja ou não trânsito. O Estado assume todos os riscos e cede todos os potenciais lucros. A primeira de todas as PPP foi a Ponte Vasco da Gama. Os privados financiaram apenas um quarto do valor da ponte e, com isso, ganharam o direito às receitas com portagens da Ponte Vasco da Gama, da ‘25 de Abril’ e ainda o exclusivo das travessias rodoviárias do Tejo por toda uma geração. O governante que concebeu este calamitoso negócio, Ferreira do Amaral, preside hoje à empresa concessionária, a Lusoponte. Os seus sucessores seguiram-lhe o triste exemplo. Jorge Coelho e Valente de Oliveira, ministros das Obras Públicas de Guterres e Barroso, são administradores na maior concessionária de PPP, a Mota-Engil. Todos estes negócios ruinosos para o Estado têm responsáveis, que a Justiça portuguesa jamais pune. E têm como consequência os sacrifícios por que hoje passamos. E continuaremos a passar se não for erradicada a causa que está na origem desta situação a que chegámos: a corrupção."

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Aumento de 81 euros

 Texto de Eduardo Dâmaso, Director-Adjunto, hoje publicado no "Correio da Manhã"

"No ano de todos os cortes para a Função Pública e de alguns para os trabalhadores do sector privado os governantes e os deputados aumentaram-se 81 euros por mês.

Os números da Direcção-Geral da Administração não mentem. Por caminhos ínvios alguns conseguiram o que milhões de portugueses não têm há uns anos: um aumento. O valor do aumento não é menosprezável num tempo de tanto desemprego, salários precários e pensões miseráveis. Mas a falta de transparência, o esquemazinho debaixo da mesa é ultrajante. Admirem-se se um dia começarem a ser brindados na rua com moedas negras, como aconteceu a Andreotti e Craxi no fim da I República italiana."

domingo, 12 de agosto de 2012

Baixar salários ...

A perspectiva neoliberal vigente na Europa em acção no seu melhor (ou será ... pior?).

Troika tirou mais de 1,5 mil milhões de euros em salários
Diário de Noticias

"Os salários dos portugueses baixaram 1 537 milhões de euros desde que Portugal assinou o memorando de entendimento. Em maio do ano passado o país recebeu 78 mil milhões de euros de ajuda financeira o que tem levado a duras medidas de austeridade.

Em média cada trabalhador português por conta de outrem perdeu 30 euros por mês, segundo noticia hoje o Correio da Manhã. Os cálculos são do economista Eugénio Rosa, feitos com base nos números do Instituto Nacional de Estatística.

"Antes de ter sido assinado o memorando com a troika os portugueses ganhavam em média 813 euros. No primeiro trimestre deste ano, esse rendimento tinha caído para 805 euros, em termos nominais. É preciso, contudo, descontar a inflação para calcular que os portugueses ganhavam na realidade, em média, 783 euros nos primeiros três meses do ano", pode ler-se no diário.

Feitas as contas a uma perda de 30 euros por um dos 3,66 milhões de trabalhadores por conta de outrem, a quebra real do poder de compra é de 109,8 milhões por mês ou 1,53 mil milhões por ano.

Entre as razões para esta descida estão novas contratações a salários menores, recibos verdes ou desempregados que se vêem obrigados a aceitar trabalhos com remunerações mais baixas. Apesar disso, o Banco Central Europeu recomenda que os salários desçam ainda mais para aumentar a competitividade e o emprego."

BCE pede a Portugal para baixar salários
Correio da Manhã

"O Banco Central Europeu (BCE) recomenda que os países que pediram ajuda externa, onde se inclui Portugal, baixem os salários para reduzir o desemprego.

Todos estes países necessitam de adpotar reformas ambiciosas e introduzir medidas para aumentar a sua competitividade", lê-se no relatório mensal da instituição liderada por Mario Draghi, citado pelo diário espanhol ‘El País’.

Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha e Chipre precisam, de acordo com o BCE, de levar a cabo mais reformas estruturais, que além da redução dos salários promovam também a redução das indemnizações por despedimento. A instituição monetária europeia diz ainda que é preciso que estas economias lancem medidas para "reduzir o desemprego e restaurar a sustentabilidade das finanças públicas."

Entre as principais medidas, o BCE considera vital apostar na diminuição dos custos laborais, baixando o salário mínimo, revendo as leis de protecção laboral, abolindo a inter-relação entre os salários e a inflação e permitindo a negociação salarial a nível da empresa e as margens excessivas.

Para aumentar a competitividade, a instituição presidida por Draghi recomenda ainda que estes países apostem nas privatizações, na inovação e em iniciativas que promovam a criação de negócios."

É com isto que Passos Coelho se identifica

É esta a cartilha que Passos Coelho segue para empobrecer o povo e destruir a economia entregando todas as actividades económicas nas mãos da "iniciativa privada". Bancos, construtoras, grupos económicos, são estes que Passos Coelho serve e é para eles que governa promovendo uma colossal transferência de riqueza das mãos do povo trabalhador para as dos interesses obscuros que tudo querem e tudo roubam.

Enquanto a "elite" politica anda a banhos, de ferias, alguns anónimos fazem o que podem para alertar o povo, levá-lo a acordar, erguer-se e correr com a corja politico-partidária para os calabouços onde devem prestar contas pelas roubos e malfeitorias praticadas.

É o caso dos mails se indignação que circulam na internet. O primeiro teve a sua origem em Espanha, também sob ataque neoliberal, mas aplica-se igualmente a Portugal:

"Em nome dos cortes salariais e do roubo do subsídio de Natal e férias, vamos circular este apelo que ESTÁ CIRCULANDO EM TODA A ESPANHA!
Exigimos também aqui em Portugal :
Reduzir os salários de TODOS os cargos políticos em 50%.
Retirar TODOS os subsídios, abonos ou subvenções. Apenas poderão auferir o salário.
Limitar o salário dos cargos políticos ao valor de 25* salários mínimos (+/- 12.500).
Apenas poderão auferir UM salário.
Reforma para os políticos aos 65 anos de idade."

* 25 salários mínimos é muito para Portugal. O limite deveria andar pelos 10 a 12!

Vencimentos de Cargos Políticos

Para que não haja duvidas sobre a justeza destas medidas e contrariando os lacaios do poder que, na televisão e nos jornais tentam fazer crer que os políticos são mal pagos, aqui fica a lista de Vencimentos (anuais) de alguns cargos políticos em 2011:

Presidente da República                         122.649,86 €
Presidente da Assembleia da República    98.119,88 €
Primeiro‐Ministro                                        91.987,46 €
Ministro                                                      79.722,48 €
Secretário de Estado                                 71.241,40 €
Deputado                                                   49.581,98 €
Gabinetes Ministeriais
Chefe de Gabinete                                    61.689,88 €
Adjunto                                                      47.610,16 €
Secretário Pessoal                                    30.336,98 €

Câmaras Municipais
Presidente de Câmara de Lisboa e Porto  63.151,64 €
Vereador                                                    47.076,74 €
Presidente de Câmara 40.000+ eleitores  57.410,66 €
Vereador                                                   42.797,16 €

A lista completa pode ser consultada em Vencimentos de Cargos Políticos

A verdade é que não se produz em Portugal riqueza suficiente para alimentar a gatunagem partidária distribuída por:

3 governos no continente e ilhas
333 deputados no continente e ilhas
308 câmaras
4259 freguesias
1770 vereadores
30000 carros
639 fundações
343 empresas públicas municipais
95 empresas públicas centrais
87 parcerias Público Privadas
4 560 gestores e administradores, ou boys de todos os partidos
500+ assessores
30 000 carros

Para exemplificar o desperdício, para a Assembleia da República Portuguesa ter um número de deputados equivalentes à Alemanha teriam de ser reduzidos para menos de metade.

Esta corja partidária é uma das razões porque Portugal é o país da Europa em que simultaneamente se verificam os salários mais altos a nivel de gestores e o salário mínimo mais baixo para os trabalhadores assalariados

O povo português tem de acordar e depressa sob pena de poder vir a ser tarde demais para salvar o País